[GSK] Qualificando o tédio

Aula ministrada por Gurusangat Kaur Khalsa em 28 de abril de 2017

[GSK abre a aula]

A gente vai fazer um trabalho hoje para o sistema glandular. Fiquei em dúvida em fazer uma aula muito simples, para conectar a realidade física com a realidade celestial, mas achei muito sessão da tarde para vocês. E me decidi por essa aula. Tem uma coisa sobre o sistema glandular que é o seguinte: na medicina, o sistema glandular é visto como aquele que media basicamente a nossa vida inteira. Isso não é feito pelo sistema nervoso. O papel do sistema nervoso é colocar o mundo para dentro de nós, para não ficarmos isolados. Basicamente isso. Numa linguagem muito técnica e simples é isso que o sistema nervoso faz. Sem ele, nós somos autistas, sem conexão com o mundo. Mas sem o sistema glandular, o mundo entraria e nós não faríamos nada, nossa resposta para o mundo seria uma resposta incongruente. O sistema glandular é uma inteligência que faz com que o mundo que você pôs para dentro seja metabolizado e haja uma resposta. Se a gente não tivesse esse sistema ativo, nós seríamos todos um caso de esquizofrenia. O mundo entra e eu o processo sem congruência, eu não tenho uma identidade.

No Kundalini Yoga, o fato de nós darmos atenção suprema ao sistema glandular é porque ele cria em nós a tal identidade. Sem ele não haveria identidade. Isso é uma maravilha. O sistema nervoso põe o mundo para dentro e o glandular cria uma resposta, uma identidade nossa em relação ao mundo que entrou. Existe uma diagonal que a gente vai trabalhar e eu quero que vocês a compreendam. Essa diagonal que perpassa o sistema nervoso e o glandular é a diagonal do nosso desenvolvimento espiritual. Vamos entender esse desenvolvimento espiritual como nossa maturidade espiritual. Ela é uma tangente que vai passando pelo sistema nervoso e pelo sistema glandular. Essa maturidade espiritual se faz presente em nós, quer dizer, vamos amadurecendo mais e melhor espiritualmente à medida que sua identidade dialoga com o mundo que você põe para dentro. Quando esse diálogo é muito pobre, quando a mediação do mundo que você pôs para dentro e a resposta que você deu ainda é baseado em clichês, em ideologias, você não existe como ser maduro espiritualmente. Porque o que determina a sua resposta é muito mais o meio externo do que o meio interno.

Na tangente, somos um reflexo determinado pelos parâmetros externos, então nosso sistema nervoso capta tudo e não é capaz de fazer nenhum tipo de filtro, ou seja, não existe a mente neutra; você só reage ao meio. E o seu sistema glandular reponde fortemente ao meio. E à medida que você vai apanhando ou se frustrando ou se você tiver a sorte de ter um professor que te confronta e não só te elogia, você vai passando, crescendo e esse vetor da sua maturidade espiritual vai ficando cada vez mais complexo. Não que as coisas fiquem mais fáceis. Elas não ficam mais fáceis porque seu sistema nervoso vai se fortalecendo e você vai absorvendo mais a realidade, muito mais do que antes, que era o núcleo daquilo que você queria ver, o núcleo da sua ideologia, você vai absorvendo muito mais contradição.

Nós estamos nesse momento no Brasil. Não está fácil, se ficar o bicho pega, se correr o bicho come. Cada vez mais, você tem uma realidade mais complexa e mais contraditória, parece que todos os elementos estão ali para te enlouquecer, essa complexidade. Se a sua reposta a essa absorção for: “eu vou selecionar e ver as coisas apenas numa perspectiva que me traz segurança”, ainda polarizado, você parece que desenvolveu uma maturidade espiritual, parece, mas ainda você força uma interpretação da realidade. Nesse estágio, acontece uma coisa muito especial na nossa meditação: nossa entrega a um processo meditativo. Quando você sai da base e vai para o meio, é uma grande jornada, você encontra muita coisa nova, é mais ou menos quando você começa a fazer os módulos do nível dois, Sat Nam Rasayan, você vai sendo colocado diante de muita novidade, muita técnica que te estimula a crescer. Então quando você chega no meio da jornada, há uma estagnação. Parece que nada está acontecendo conosco, parece que não faz mais sentido repetir o nível dois, ou fazer Sat Nam Rasayan, nem Yatra nenhum. Tudo que era uma novidade e te levou do início para o meio do caminho dá uma estagnada, parece que você está perdendo seu tempo, dá um cansaço. Esse é o lugar em que você precisa simplesmente não arranjar sarna para coçar, como se diz em Uberlândia. Se isso acontece, se você procura algo completamente diferente, como uma pessoa que chega sexta-feira em casa, está superexausto e toma um whisky, para ter um estímulo, para ver se os hormônios respondem do mesmo modo que antes. Essa conversa é muito importante porque eu sinto que muitos de vocês estão nesse lugar. É muito importante vocês aceitarem a monotonia e o tédio daquele platô e ficarem ali, pois é nesse tédio e nessa monotonia que vocês estão gerando o prana, fazendo uma pausa para o sistema da gente ganhar outro tipo de calibre e outra qualidade neuroendócrina para você começar a viagem de novo.

Então aqueles que sentem um tédio e começam uma outra jornada, vão começar lá no Saram, lá embaixo. Até você adquirir a maestria que o Shakti Pad dá, vai demorar demais. Compreendam a necessidade de entregarem a cabeça nesse estágio do meio. A rendição aqui não é aritmética, ela é logarítmica, ela dá um salto, por isso é muito importante vocês qualificarem o tédio. Anos atrás, acho que em 2005, eu olhava a minha condição e pensava que estava presa, que nunca mais poderia deixar de ser uma professora de Kundalini Yoga, achava um horror! Eu me sentia presa, sem poder largar ninguém, presa. Eu pensava que tinha virado uma condenada por esse povo! Era uma sensação horrível, era meu tédio. Eu me sentia condenada. Eu nunca mais ia poder fazer o que eu queria, rodar a baiana… Então, quando vocês chegarem no ponto em que a complexidade do mundo é enorme, mas sua capacidade de dar respostas sem filtro é maior, seu sistema endócrino não estará mais a serviço das suas ideologias, ele estará a serviço dos seus conceitos abrangentes da alma. É muito diferente. Ter um sistema endócrino que responde nesse nível é maravilhoso.

Kriya: Move the Glandular System, do manual Infinity and Me

Relaxamento

* Não houve meditação.

Há uma frase do Yogi Bhajan que explica bem esse nosso tema de hoje: “você precisa entender que você é uma flor de lótus num pântano imundo. E você não pode deixar as suas pétalas se sujarem.”

Se em 2005, eu comentasse com cada aluno ou amigo da Sangat que eu estava aprisionada, eu teria deixado as minhas pétalas se sujarem com a lama. E era 2005. Hoje estamos em 2017. Vocês não podem deixar as suas pétalas se sujarem com o resultado de seu processamento do mundo. Existe um prazo natural para a gente passar pelo Shakti Pad, mas se você reside lá por tempo demais, você se acostuma àquele negócio. Às vezes me surpreendo com vocês me dando notícias que ainda então lá. Ninguém pode tirar vocês desse lugar, vocês é que têm de caminhar para fora dele. Mas a instrução aqui hoje é só para vocês se lembrarem que existe um tédio, esse tédio que exatamente consolida. Você aprende a não deixar as suas pétalas se mancharem com as águas putrefatas desse pântano, onde estão as suas raízes. Eu espero que isso faça sentido para vocês e que compartilhem com seus alunos. Nunca subestimem o lugar em que seus alunos estão. Seus alunos podem estar num processo muito adiantado. Não deixem de compartilhar com eles esses elementos que fazem sentido e ajudam as pessoas a compreenderem a se relacionarem com elas mesmas.

Eu agradeço demais a presença de vocês aqui hoje. Imaginei que teriam poucos alunos, e a gente ainda foi abençoado por essa chuva. Foi uma aula muito especial de fato. Nos dias mais duros, se a gente se encontra em Sangat com o coração aberto, a gente tem as maiores bênçãos.

May the long time sun shine upon you…

[* Os dias 14 e 21 de abril não tiveram aula por causa dos feriados da Semana Santa e Tiradentes]

[Transcrição: Sada Ram Kaur]

Inscrições abertas! Tantra Yoga Branco 2017

Sat Nam!

Estamos com inscrições abertas para o Tantra Yoga Branco de 2017.
Fique atento aos preços especiais e reserve a data em sua agenda.

Data: 30 de Setembro de 2017

Local: Canadá Eventos – Av. Vitória, 333 – Jardim Canadá – Nova Lima/MG

Inscrições:
Até 17/07: R$ 490,00
De 18/07 a 18/08: R$ 590,00
De 19/08 a 18/09: R$ 690,00

*valores parcelados até a data do evento
*Alimentação completa incluída

Efetuar depósito bancário e enviar comprovante para secretaria@abaky.org.br (somente com o comprovante a inscrição será efetivada).
Dados necessários para inscrição:
Nome completo, comprovante de depósito, telefone, e-mail e cidade/estado onde mora.

Mais informações: ABAKY Brasil
(31) 3090-5508 – de segunda a sexta-feira, das 9:00 `as 13:00
ou através do e-mail secretaria@abaky.org.br

Sat Nam Wahe Guru!

Inscrições Abertas – Formação de Professores em Porto Alegre!

Sat Nam!

Com alegria divulgamos o curso de Formação de Professores em Porto Alegre!

Torne-se um professor de Kundalini Yoga e experimente uma formação no seio de uma sangat aquariana, modelo hoje no mundo.

Local: Porto Alegre, RS
Período: Novembro de 2017 a Dezembro de 2018 – 12 encontros (um final de semana por mês)

KRI Lead Trainer: Dra. Gurusangat Kaur Khalsa
Equipe de professores: Nacional e Internacional
Investimento:
12x de R$ 616,00 (total R$ 7.392,00) ou
R$ 6.653,00 `a vista (10% de desconto)

Informações:
Ravi Tej Kaur: (51) 99947-9740
kundaliniyoga.rs@gmail.com

Wahe Guru!

[GSK] Sofisticando sexualidade e espiritualidade

Aula ministrada por Gurusangat Kaur Khalsa em 7 de abril de 2017

[GSK abre a aula]

O nome da aula de hoje é “Sofisticando a sua sexualidade e a sua espiritualidade”. Isso não tem nada a ver com você eliminar a sexualidade. Esse título, dado pelo Yogi Bhajan, quer dizer que toda manifestação nossa na vida, seja através da palavra, da comunicação, seja absorção através do olhar, sejam os filtros que a gente coloca para absorver a realidade, seja a nossa percepção seletiva, quando você tem isso tudo, mas é pouco requintado ou é apenas filtrado pelo seu ego. Essa manifestação nossa na vida e a absorção nossa da vida em nós diz respeito a uma energia ainda muito pouco refinada, pouco sofisticada da sexualidade.

A energia sexual é uma matéria, uma força pouco lapidada. Quando nós requintamos essa energia dita sexual, e fazemos dela algo sofisticado para absorver o mundo e nos manifestarmos no mundo, essa energia se transformou, de uma pedra bruta, apenas destinada à reprodução, para uma qualidade dessa energia muito sofisticada, que é a espiritualidade. Não tem a ver com eu conter minha energia sexual, e eu experimentar apenas essa energia do ponto de vista espiritual. Isso não tem sentido, não se pode explicar isso. Como você explica o ser humano que é capaz de fazer sexo de modo absolutamente requintado, sofisticado. A energia sexual está lá, só que ela foi transmutada, deixou de ter uma qualidade bruta para ganhar uma qualidade sofisticada. Essa sofisticação tem a ver com a maneira que você põe o mundo para dentro e como você projeta você mesmo no mundo. Não é abstrair, mas absorver.

Se você estiver vibrando muito numa energia pouco sofisticada, como é que você vai colocar o mundo para dentro? Você vai tirar das experiências que você tiver no mundo aquelas que respondem às suas necessidades. E no Kundalini Yoga, a nossa missão é sair desse humanismo dos anos 1960 e 1970, em que se dizia que a coisa mais sagrada é o ego, e a coisa mais importante é acabar com o altruísmo, porque ele é a negação da felicidade de si próprio. Nietzsche falou disso. Quando uma cultura está morrendo, alguns, na agonia dela, tentam exacerbar, tentam reacender o vigor daquilo, mas já está acabando.  Quando a nossa percepção é tal que a gente só tira, só seleciona do meio aquilo que serve a nós, nós estamos vibrando numa energia pouco refinada, pouco sofisticada da realidade. A gente gostaria de transitar por esse lugar para vocês compartilharem com seus alunos que a felicidade humana, a liberdade humana está justamente em nós sustentarmos os valores coletivos, é servir ao outro. Nesse sentido, Kundalini Yoga é totalmente anti-humanista. Por favor, entendam o que eu estou falando. Não é acabar com a humanidade. O ápice dos  valores humanistas é o ser humano, de tal modo que é o ser humano para si, e nunca para o outro. Eu trouxe uma frase que é para vocês entenderem o que eu estou falando. A filósofa norte-americana Ayn Rand diz: “Considero o altruísmo maléfico. O homem deve pensar apenas por si próprio e para si próprio. O altruísmo é imoral porque manda amar todo mundo sem discriminação. Devemos amar apenas aqueles que merecem”. Isso se assenta numa moral religiosa muito fortemente. Quem determina quem merece?

Nós do yoga queremos fazer o trabalho que é justamente o contrário. Queremos amar especialmente aqueles que não merecem. E esse modelo de amar só quem merece vigora na psicanálise, nas políticas, na ideologia, em todos os tecidos sociais. Por isso que nós somos muito esquisitos, porque falamos contra isso, usamos turbante, andamos de bana. Mas nós somos a esperança da Era de Aquário. A gente precisa fazer uma revolução. Vocês precisam estar preparados. E essa aula é para inspirar vocês a terem conexão e não olharem o mundo a partir dos seus filtros pueris, infantis, pequeno-burgueses: minha casinha, meu carrinho, minha escolinha, meu filhinho, minha mamãezinha, meu paizinho, meu namoradinho. A gente precisa olhar para o mundo e ver o mundo, estar no mundo, senão vamos ter mortes agonizantes demais. É isso que nós temos de fazer. Essa que é a esperança. Por isso que eu me coloco aqui para vocês, nessa falação. É para ver se, pelo menos quando a gente se encontra na sexta-feira, a gente reordena nossos valores e vai para o mundo tendo mais compaixão. Agora, por favor, vocês não podem selecionar por quem vocês vão ter compaixão, e muitas vezes a experiência de vocês vai levar para o seu quintal o mais abjeto. E aí o que vocês vão fazer com o abjeto? Chutar? O teste é como amar o abjeto, que não tem separação. Eu quero pedir a vocês professores, que estão ficando muito famosos, vocês têm mil alunos, vocês dão mil cursos, falam em todo lugar… Vocês precisam se lembrar que vocês são os professores, vocês não são donos de ninguém. Vocês precisam dar o exemplo, vocês precisam servir, vocês precisam se colocar na base disso tudo. Por isso que a gente precisa de um lugar para render a cabeça. Vocês não são donos de ninguém. O máximo que vocês podem fazer é colocar as coisas corretas à disposição, e a pessoa ainda assim tem de escolher. Isso também é uma forma de amor. Especialmente quando a pessoa escolhe aquilo que você não considera o que deveria ser.

Aula passada eu estava falando para vocês sobre as altas taxas de suicídioa. Nós estamos diante de uma situação em que a densidade é quase tangível e vocês são o farol, vocês precisam se manifestar na vida como o farol, vocês precisam estar disponíveis para se colocar fortemente. Vocês entendem que você tem de fazer a sua parte bem feita, mas a decisão soberana ainda é do outro e você só pode rezar, que é o que a gente vai fazer, rezar. Vocês não são a bússola das pessoas, vocês não vão pegar essa pessoa, rodar e fala para ela: vai por aqui. Vocês não vão fazer isso. Vocês são apenas aqueles que servem à navegação daquela pessoa. Suicídio é um caso extremo, mas vocês viram bússola das pessoas por causas muito pequenas. Todo tipo de assédio é você virar bússola da pessoa. É quando você pega aquela pessoa e fala: “não olha para aquilo não, olha para mim”: assédio! Ainda mais um assédio vindo revestido da moral pseudocristã: “eu sou a sua salvação, eu sou o caminho e a luz”. “Eu, vem pra mim”. Não podemos fazer isso, não podemos fazer com que as pessoas façam aquilo que a gente quer que elas façam, porque não temos a menor noção do que elas precisam. Do extremo da pessoa precisar ter um probleminha ao extremo da pessoa precisar acabar com a própria vida para ela talvez experimentar esse inferno. O pior professor de Kundalini Yoga é aquele que se veste com aquele manto santo e apodrecido do “eu sou a sua salvação”, querendo apenas ter um interesse. Gancho em todo mundo, como disse o Yogi Bhajan, no curso de Comunicação Consciente. Muitas vezes nossa posição vai ser dura e árida porque muitas pessoas procuram a gente querendo ouvir: “eu sou a sua luz”. Se vocês não estiverem fortes em si, vocês vão caminhar para aquilo que estão te oferecendo e aí você se engancha.

Kriya: “Sofisticando a sua sexualidade e a sua espiritualidade”, do manual Self Knowledge

Meditação: “Removendo medo do futuro”, do manual Self Knowledge

Se vocês tiverem pessoas em grande desespero ou partido através de suicídio, o mantra Dhan Dhan é o mais indicado. Vocês podem entoar ou colocar para tocar. A única coisa que me fez de novo a voltar para o meu centro depois de tudo que eu vivi foi uma prática que eu fiz de 62 minutos com esse mantra. Eu quero dizer para vocês que no curso do Japji que vamos ter em junho, nós vamos poder falar das yugas, porque tem uma era em que o ego foi para o altar, que é a Kali Yuga. Nós já saímos da Kali Yuga. Nós vamos estudar isso com o Guru Nanak. Mas vocês sabem que quando a gente transita de um estado onde essa cultura amadureceu por quase cinco mil anos – é muito tempo, que nós tivemos sob a influência dessa cultura – é muito comum ainda entrarmos uma nova cultura trazendo todas as maledicências da anterior. Nessa nova sociedade que a gente está para criar, nesses novos tempos, se a gente se basear apenas nos desejos do nosso ego, nós jamais vamos criar uma civilização com cidadãos, a gente vai sempre criar consumidores.

A gente tem de colocar a alma como referência. Vocês contemplem essa possibilidade de colocarem em prática na vida de vocês para não ficarem muito tempo fingindo, só dando aula. Ponham isso em prática para vocês acelerarem essa mudança. Ninguém se realiza no ego. A gente só se realiza na alma. E a cultura leva a gente a pensar assim. Existe um artigo científico na internet muito bom que se chama “O cérebro de um suicida”. Está em inglês. São estudos do Canadá que mostram que o que sai do cérebro do suicida é uma neurossubstância chamada Gaba, e a gente produz demais, nosso cérebro é cheio de Gaba. E essa substância é que tira a gente da depressão quando o meio é muito inóspito. E no cérebro do suicida não tem Gaba, e a falta de produção dela é epigenético, ou seja, não é determinado no gene, é determinado pelo meio. E normalmente isso vem da mãe, dos anos formativos. Quando você já recebeu da mãe, na sua amamentação, “ai, o que é que eu estou fazendo no mundo…” e você ainda você está em uma cultura que só enaltece sua realização pessoal e ter sucesso, isso é potencializado. É isso que nós temos de reverter. Enquanto houver um ser em sofrimento, nós não temos sucesso, não é possível eu ter sucesso. É isso que a gente tem de reverter e trabalhar para que seja mudado.

O Brasil nas estatísticas está competindo no quinto lugar como país mais depressivo. Existe uma forte onda depressiva. Quem acha que está fazendo um grande bem em fazer o movimento para acirrar ainda mais essas divisões precisa sair desse lugar e compreender o macro, porque nós vamos embora, estamos morrendo. Talvez esteja chegando o momento de a gente compreender muitas coisas. Sábado faremos um pequeno Gurdwara para criar esse contraponto. A gente está querendo criar entre ao Gurdwaras mensais um pequeno Gurdwara para fazer o contraponto, porque a frequência está muito ruim e pesada. Para ajudar nesse contraponto, os católicos têm a oração de São Francisco que abre o campo de prana para o coletivo, e tira a gente do medo da morte e do medo da perda. Vocês do Kundalini Yoga podem entoar o Dhan Dhan, que é excelente. Abre o espaço, ele traz muita compaixão e esperança. O suicídio nunca é um passo necessário para o desenvolvimento da alma. Se acontecer é o famoso escorregão. A gente tem de tentar tirar da pessoa a ideia do suicídio. Só lembra que ninguém retira uma pessoa suicida do processo só rezando e dando floral de Bach. É necessário um psiquiatra. Homeopatia tem limites, a medicina ayurvédica tem limites. Tem um limite, um ato que você não vai poder impedir, mas o que a gente puder trabalhar para restaurar a saúde, a gente deveria fazer, mas nem sempre é possível. O prana que foi dado para a gente é para cumprir nosso propósito. E se a gente vai antes, tira a vida antes, não cumprimos o propósito e ainda ganhamos outro, que é ter que pagar por essa consequência. Então, tudo é ótimo, inclusive aquilo que vocês acreditam que não seja ótimo, como, por exemplo, medicação. Tem caso que necessitam de medicação.

May the long time sun shine upon you…

[Transcrição Sada Ram Kaur]

Curso Japji, com Gurusangat Kaur Khalsa

O Japji é a base da Sadhana Aquariana e é considerado uma grande obra poética e filosófica escrita por Guru Nanak. O Naad do Japji impacta profundamente a consciência.

Neste curso, estudaremos cada um dos Pauris do Japji e descobriremos os mapas dos cinco reinos (Khands) abertos `a experiência humana. Teremos uma experiência de Jaap Yoga, que consiste em seis horas contínuas de meditação, bem como toda a estrutura teórica.

O Japji é destinado a pessoas comuns obterem conhecimento espiritual não pelo caminho do yoga, mas pelo caminho do Shabad Guru (Som Primal).

Inscrições através da secretaria da ABAKY: secretaria@abaky.org.br ou pelo telefone: (31) 3090-5508 – de segunda a sexta, das 9 `as 13hrs.

Dias: 10 e 11 de Junho

Local: ABAKY – Rua Yvon Magalhães Pinto, 511 – São Bento – BH/MG

Valor: R$ 230,00 (divididos em até 3x – parcelas quitadas até o dia do curso).

Banco Santander (033)
Titular: ABAKY
CNPJ: 07.129.055/0001-45
Ag. 3477
C/c 130 005 57-6
**Enviar comprovante de depósito, nome completo e telefone para secretaria@abaky.org.br

 

[GSK] Curando o estômago e projetando a identidade

Aula ministrada por Gurusangat Kaur Khalsa em 31 de março de 2017

[GSK abre a aula]

Hoje nós vamos fazer uma aula que está no manual “Self Knowledge”, a aula é de número 21. O nome dela é “Curando o estômago”. Em toda ciência médica indiana, não só no yoga, mas também na medicina ayurvédica, o estômago e o cérebro são parentes íntimos. O estômago e parte inicial do intestino contêm praticamente todas as neurossubstâncias que a gente achava que só o cérebro tivesse. E o cérebro tem muitas substâncias que a gente imaginava que só o estômago tinha. Eles têm uma relação muito próxima e muito íntima. E todas as vezes no Kundalini yoga que a gente trabalha o estômago, ou quando vocês do Sat Nam Rasayan ou da área clínica estiverem com algum paciente cujo tema é o aparelho digestivo, vocês podem escolher trabalhar a distância o aparelho digestivo, trabalhando o cérebro ou o sistema nervoso central. Então esse é o tema da nossa aula aqui.

Essa aula toda é para aumentar o corpo radiante com asanas que vão gerar um tipo de efeito sobre o aparelho digestivo. E o tema do aparelho digestivo é a projeção da identidade. Na Era de Peixes, a projeção da identidade, imaginava-se que trabalhando o terceiro chakra, você estaria trabalhando a sua projeção. E essa é uma abordagem muito equivocada, porque ela faz uso de um impulso que vem do ego. Imaginem que vocês são um homem que, de acordo com os ciclos de vida, vai envelhecendo e, quando entra na andropausa, um dos mecanismos mais comuns que usa para compensação de estar perdendo vigor sexual, é buscar um estímulo sexual, especialmente mulheres jovens. Isso é um clássico. E esse clássico se baseia no engano de achar que a força da identidade, que vem do terceiro chakra associado à sua força de projeção mental, pode fazer com que você restaure a sua identidade espiritual. Isso não vai acontecer. A projeção mental desse homem é que toda mulher nova e jovem vai ser um estímulo para que ele possa superar a depressão hormonal. Então ele projeta mentalmente que aquilo que ele precisa é uma mulher jovem, ele pode projetar qualquer coisa, inclusive qualquer mulher, só para ele não estar sozinho. E uma mulher pode fazer a mesma coisa, ela pode projetar estar na presença de qualquer homem ou de qualquer outra pessoa, imaginando que aquela pessoa é que vai dar a ela a segurança e as condições necessárias para voltar a ser ela, baseada apenas no impulso que vem do plexo.

Isso causa um embrutecimento da pessoa e uma imaturidade espiritual muito grande, porque tudo que a pessoa consegue projetar é que precisa de algo ou de alguém para ser ela mesma e estar bem. Essa é a combinação da força do plexo e a projeção do ego. Vocês podem imaginar a energia que esse indivíduo, homem ou mulher, gasta para criar as condições ideais para mapear o meio e enganchar a pessoa. No momento em que engancha a pessoa que ela considera ideal, começam os jogos: o que eu vou te dar para você ser minha, ou o que eu vou te dar para você ser meu. Isso pode ser feito da maneira mais impressionantemente criativa, inclusive dando um ar de muita legitimidade para esse jogo. Vocês devem ter muitos alunos nessa condição. O mapa dessa condição é uma forte projeção mental, uma forte crença naquilo que está fazendo com uma forte atividade do sistema digestivo ou do terceiro chakra. Isso é que alimenta a projeção mental, porque estômago e cérebro são uma coisa só. Então a pessoa gasta toda sua energia. Se ele não alcança o objetivo dela, ela frustra. Ela deprime. Existem vários graus de depressão, mas é uma depressão. Até a pessoa entrar novamente no programa de autoconvencimento de que a chance apareceu novamente, e recomeça o ciclo de buscar outro alvo.

Isso é um esquema que um professor de Kundalini Yoga precisa conhecer profundamente: uma associação de sistema nervoso, sistema digestivo e projeção mental, e uma forte crença de que aquela pessoa pode dar aquilo que ele precisa, e vice-versa. Isso é tudo estabelecido pela pessoa, inclusive o que o outro está precisando. A única coisa que essa pessoa poderia realmente ter certeza é que ela está só e está precisando de alguma coisa, mais nada, mas ela crê e deduz no outro o que o outro está precisando. Isso nós temos que mudar. Isso é extremamente pisciano. Nós estamos vivendo hoje sob a influência da Era de Aquário, em que nós não nos relacionamos pela escassez. Então a gente não se relaciona porque em mim falta alguma coisa, em você falta alguma coisa, assim eu tenho o que você precisa e você tem o que eu preciso. Esse modelo de relação é pisciano. Isso não funciona na Era de Aquário. Então quando nossa psique se movimenta de modo pisciano na Era de Aquário, nós vamos adoecer gravemente. O primeiro adoecimento é uma perturbação mental, antes de chegar numa perturbação física. Vocês precisam compreender isso primeiramente em vocês porque alguns de vocês vivem isso ainda.

No outro modelo as engrenagens mudam. No outro modelo, a projeção mental está presente, o plexo solar está presente, porque ele é nossa identidade, mas há outros componentes presentes. Então um componente essencial da abordagem aquariana do relacionamento não vem do terceiro chakra, vem do coração. Não tem nada a ver com romance, aquele “eu te amo tanto, eu preciso de você”. É a inteligência que vem do coração, aquela que faz escolhas da alma. Tem a projeção, que é uma identidade mapeada pela compaixão, pela consciência. E no relacionamento, eu me projeto como aquele que não precisa de nada, que está dando. E no momento em que eu estou dando, se o outro quiser me dar, ótimo, se não quiser, paciência. Desobriga o outro de me servir. Isso é um crescimento, um amadurecimento. O outro não tem obrigação de te servir. Vocês compreendem esse mecanismo? É ele que vamos ajustar hoje. Vocês vão experimentar essas vias superiores. Esse processamento é chamado de processamento superior. Eu fui ler a psicologia para entender o que os psicólogos estudam sobre isso. Eu vi nos livros de psicologia, em artigos novos, que esse mecanismo de fazer escolhas conscientes, eles chamam de extrínseco. E o mecanismo de fazer escolhas subconsciente, eles chamam de intrínseco, ou seja, como se fosse natural a escolha do subconsciente, que é essa de fisgar do meio. No yoga, os dois mecanismos são intrínsecos, o de escolha subconsciente é mais automático porque passamos 95% no mundo subconsciente. O outro é intrínseco também, só que ele não é automático. É preciso que as vias neurais sejam desenvolvidas para ele ser acionado. Nós, como professores de Kundalini Yoga, temos muito que estudar, pois nossa ciência é muito ampla e vocês precisam se qualificar para não ficar repetindo abobrinha de banquinha de esquina.

Kriya Curando o estômago, manual Self Knowledge

Meditação: Em vajra, as mãos estão sobre as coxas, coluna ereta, queixo em jhalandabhanda. Incline a coluna ereta para trás, queixo em jhalandabandha. Permaneça 1 minuto na pose, controle o plexo para você ficar nessa pose. Retorne à posição inicial, coluna ereta, queixo em jhalandabhanda. Incline novamente para trás. Respire com consciência pelo plexo. Mantenha o plexo firme e ativo para manter a coluna ereta. A cabeça não cai para trás. Permaneça por 2 minutos. Inspire, expire e venha retornando para o centro. Quem consegue, continue em vajra. Aqueles que precisam, sentem em easy pose, vocês vão perder parte da pose, mas podem assentar. Mãos no peito, mão esquerda sobre o peito, mão direita sobre a esquerda. Vocês vão entrar no estado de Suni-e por três minutos e depois vão entoar juntos esse shabad. (Waheguru Simran, por Bhai Harinder Singh). Inspire, suave mulabhanda. Expire. Deite para o relaxamento.

[Encerramento]

Eu quero compartilhar uma coisa porque que sei que vocês formam e nunca mais voltam no livro um de vocês. A gente falou sobre as Eras de Aquário e de Peixes. Outro dia, o Siri Sahib estava apresentando o programa do nível 1 para a turma que começou agora. Eu fiquei impressionada com o que o Yogi Bhajan escreveu no primeiro capítulo do livro, no final dos anos 1970. É bom colocar isso em perspectiva para vocês terem uma noção do que ele falava, e hoje a gente pode computar muito bem. Está lá na página 4 do seu manual:

“Na última era, nós podíamos nos safar de muitos comportamentos fraudulentos, que poluem a esperança do outro e a natureza. As pessoas podiam se safar disso. Agora, a partir da entrada da Era de Aquário, isso vai se tornar impossível. No passado, a pessoa podia se embelezar ou embelezar uma persona, ou usar uma máscara e se mostrar ao mundo e ser conhecido no mundo através dessa máscara. Na Era de Aquário, qualquer tipo de persona estará sob auditoria. Não existe nem uma única persona que não estará sob auditoria. Cada ação que qualquer uma dessas pessoas fizer poderá ser rastreada e toda aquela aparência poderá ser dissolvida em questão de instantes. Cada transação financeira, cada negócio feito com base em dinheiro vai deixar para trás não só a marca dessa transação, mas também o caráter que esteve por trás dela. As pessoas serão conhecidas através desse tipo de ação. Na Era de Aquário, a persona que esteve em auditoria antes ou aquelas que observaram a auditoria do outro terão como chance abrir mão dessas personas e entrar no mundo aquariano com a sua verdadeira identidade, e a ação vai ser a linguagem do verdadeiro ser. Todo tipo de antigas defesas e manipulações baseadas em esconder e controlar serão deflagradas, trazidas à tona, clareadas na Era de Aquário. Você vai precisar muito compreender a capacidade de suas ações, as consequências delas, e agir sabendo que você vai ser revelado através das suas ações.”

Eu acho isso muito impressionante. E na página sete, ele fala algo importantíssimo para a gente considerar. Então compreenderam isso da persona, do ser autêntico e da auditoria? Não é porque a gente tem uma cara de professor de Kundalini Yoga que a gente estará livre dessa auditoria. A gente não está livre. Ela vai acontecer. Na página sete, no último parágrafo, ele fala: “A Era de Peixes foi a Era mais horrorosa que já tivemos. Ela foi uma Era em que o feminino foi arrancado de suas raízes e explorado pelo desejo do homem. A relação masculino e feminino não tinha nenhum tipo de força e caráter. Ela só existia sem nenhum tipo de gosto especial. As mulheres na Era de Peixes deram à luz criaturas, homens mais cheios de medo e inseguros, impotentes e supercondicionados por sexo. A desordem sexual foi pior na Era de Peixes do que nos últimos três mil anos. No último século, ela se fez ainda mais presente. Os hábitos sexuais mostravam o quanto o homem era raso e sem honra. E a mulher mostrou-se submissa e indulgente, tentando se fazer segura na presença de um homem sem caráter”. Essa relação precisa ser transformada, a mulher precisa se reerguer.

Eu acho que vocês deveriam ler o primeiro capítulo do livro de vocês, refrescar a memória e levar isso para seus alunos em sala de aula, sem um cunho ideológico, porque a auditoria vai acontecer em todos os meios e ramos. Tem um ano que estou dizendo que vai haver um processo profundo de limpeza. A gente não vai impedir esse processo tentando sair do desconforto imediatamente. O desconforto vai perdurar e nós temos de resistir, porque nesse desconforto reside a tal limpeza e nessa limpeza reside a esperança. Se não houver a limpeza não há esperança. O Yogi Bhajan falou sobre isso nos anos 1970, lembrem-se disso. Quando eu comecei a dar aula de Kundalini Yoga em 1995, era muito difícil falar sobre isso, porque nada disso acontecia. Era uma conversa muito teórica, era mais um preparo para aquilo que viria. Quando entrou o ano 2000, era quase impossível porque nós brasileiros achávamos que o mundo passaria por uma auditoria, mas nós não, que nós já tínhamos feito e que a nossa auditoria tinha sido a ditadura militar – tudo que a gente tinha que sofrer e expurgar, já tinha acontecido na ditadura militar. Ledo engano, a gente tem muita coisa ainda para expurgar.

Esse mecanismo “eu tenho o que você precisa e você tem o que eu preciso, vamos fazer um gancho para a gente se precisar” é o modelo que perpassa tanto a política quanto as relações humanas. É isso que precisa acabar, jogar fora. É muito incrível fazer parte desta tradição, em que o pé é tão inserido na realidade e prepara a gente tanto para ser realmente um instrumento de transformação, se é que vocês aceitam humildemente tomar a posição de um ator muito efetivo, porque tudo que a gente vai precisar fazer agora é manter a base para que as pessoas não sucumbam. Elas estão desesperadas, elas estão sofrendo. Hoje vou me encontrar com uma professora de Kundalini Yoga, uma psiquiatra que coordena uma ONG no Parque das Mangabeiras e atende aos moradores do aglomerado da Serra. Ela quer conversar comigo a respeito das pessoas que estão suicidando no aglomerado. Os pacientes psiquiátricos são mais sensíveis e o suicídio aumentou demais, então nós temos de fazer o nosso papel. Ter uma conversa que ajude as pessoas a se manterem, a transitarem nessa auditoria, porque ela é difícil, longa e aparentemente a gente perde muita coisa, e não sabemos o que vamos ganhar, mas ganhamos a chance de recomeçar com outras bases. A gente não pode ter pressa para construir o modelo que a gente acha que deve ser construído, porque a gente não tem menor ideia. A gente pode ser muito bem surpreendido com uma coisa infinitamente melhor e maior que a gente imagina que seja o bom. Esse é o papel do professor de Kundalini Yoga nesse momento. Explique essa aula para os seus alunos. Faça-os entender que nem tudo vem da projeção do ego com a força do plexo, tirá-los da depressão e fazê-los entrar na radiância do Guru, desse Professor Universal.

May the long time sun shine upon…

[Transcrição: Sada Ram Kaur]

[GSK] Coordenando corpo, mente e alma

Aula ministrada por Gurusangat Kaur Khalsa em 24 de março de 2017

[GSK abre a aula]

A aula de hoje chama-se Coordenando corpo, mente e alma. Esse tema é obvio e, por si, não fala mais nada do que ele já fala. Mas ele revela. Quando você se ajusta nessa tríade, pode dar entrada a várias conversas. E a conversa que eu quero ter hoje com vocês é sobre Shakti Path. Eu não sou a professora de vocês que vou ensinar como meditar profundamente em uma técnica, ou criar necessariamente um espaço muito estável para vocês terem uma experiência profunda de meditação, num determinado momento. Eu não sou a professora que estarei aqui para dar a vocês um kriya e dizer que é para você fazer por três anos, na sua Sadhana, porque você está precisando de transformar isso ou aquilo. Tampouco vou ser a professora que vai, por receio de confrontar, me calar em determinas situações. Então eu escolhi, ou o destino me escolheu para ser uma professora que vai cuidar da jornada inteira de vocês. Eventualmente vocês vão precisar de uma meditação, eventualmente vocês vão precisar de um kriya que eu possa dar, eventualmente vocês vão precisar de uma conversa. Mas eu não vou me preocupar, não me atento apenas em cobrir uma área particular de vocês para que vocês se sintam em vocês satisfeitos. Eu vou sempre cuidar para que vocês organizados, satisfeitos ou não, continuem servindo o destino de vocês. Tem uma diferença bem grande. Isso no Kundalini Yoga chama-se o Professor Espiritual. É aquela pessoa que está entregue a um projeto que vai muito além do eu de si e do eu do outro. Vai numa construção de almas. É isso que vocês acabam se tornando para os seus alunos, quando vocês conseguem passar por Shakti Path.

No Kundalini Yoga, a gente tem um leque. Se a gente for para uma imersão profunda no Kundalini Yoga, nós temos os Kryias, que são reveladores demais. Quem de vocês já teve a chance de pegar um Kryia e fazê-lo por 90 dias sabe o poder dele. Mas se vocês querem, por exemplo, fazer um Jap Yoga, um Naad Yoga, vocês vão recitar, vocês vão pegar um bani, um shabad, um mantra e experimentar aquele mantra por 90 dias. Vocês conhecem essa experiência. Mas se vocês quiserem meditar, nós temos um braço do Kundalini Yoga, que é o Satnam Rasayan, que é impressionante e dá a vocês uma experiência profunda do espaço meditativo. E o mais bonito de tudo é que essa experiência do espaço meditativo que o Satnam Rasayan dá não é para você se servir. É para servir ao outro. Então, para quem não achou seu espaço em nenhum desses ramos e uma vez por mês que aparece aqui no Gurdwara senta e medita, transcendeu, fez o serviço, ou aqueles ainda que fizeram tudo isso apenas para servir. Tá certo também.

Não existe um modelo de um yogi, não existe um modelo ideal. Quando a gente escolhe qualquer um desses modelos isolados ou combinados e caminha, há no início um grande progresso. Vocês sabem do que eu estou falando. Há muito progresso. Mas depois o progresso para, você se sente estagnado. Quando essa estagnação acontece, há duas maneiras de reagir, se o ego preside, vai ser de uma maneira, se o ego não preside, vai ser de outra. Quando a gente passa pela estagnação, que é própria de qualquer caminho, através da força do ego, você se rebela contra o seu professor espiritual ou contra o caminho. Mas você não se rebela saindo de uma meditação e falando: agora eu não quero mais saber! A vida vai sempre dar oportunidade entre você e o caminho, entre você e o professor para que essa relação seja testada, sempre. E as oportunidades são espinhosas, quando parece que tudo justifica você dizer “chega!”. São os testes de Shakti Path.

Mas se o ego não está presidindo, então você está caminhando com a sua mente, mas ela está insegura e não sabe se dá razão para o ego ou para a alma. Será que eu escuto meu ego? Será que eu escuto a minha alma? A gente nem tem clareza de que essa dualidade está acontecendo, mas o ego não está presidindo e você caminha por esse lado, a reação é você sentir que você precisa ser preenchido. O vazio é próprio da dualidade. Esses são os testes de Shakti Path, para todo mundo acontece assim. Para mim aconteceu desta maneira: eu me rebelei contra o meu professor, contra o Yogi Bhajan. Mas eu sempre tive uma maneira muito honrosa de me rebelar. E muito respeitosa, porque no fundo eu tinha certeza de que era eu que não estava compreendendo. Essa consciência me fez compreender que eu devia insistir. Então vocês precisam ter atenção a esse momento de vocês. Porque se vocês passarem por esse teste, e ele, no período mais longo, dura sete anos. No mais longo, você pode encurtar isso. Se você passa, você estava sendo preparado em suas estruturas. É uma pausa de crescimento que todo ser humano tem. Uma criança tem pausa de crescimento, a psique tem pausa de crescimento, o adulto tem pausa de crescimento e a nossa identidade espiritual também. Então você passa por uma pausa de crescimento, em que você processa aquilo que já foi adquirido, e depois desse processamento, você precisa ganhar força para dar um outro salto. Quando vocês derem esse outro salto, vocês vão entrar em Sahej, que é quando vocês vão servir os seus alunos numa perspectiva muito natural, muito tranquila, onde vocês não têm dúvida de compartilhar o que o aluno precisa. Muitos de nós buscamos preencher para servir, mas observe. Se você estiver em Shakti Path, o preencher não é necessário porque você precisa permitir esse espaço para que outras coisas possam ser colocadas quando você caminhar para Sahej. Se você chega com um pouco de água no copo, acha que ele está vazio e você o preenche, na verdade, você ocupa um espaço que o divino iria te preencher talvez não com água, mas com outra substância para que você pudesse misturar a sua água e servir de alguma maneira, entende? Você se sente vazio e preenche. Você está aflito, você não permite uma pausa nesse nada. Qual o problema de você ficar bem, se sentido mal? Porque vocês só têm de ficar bem se sentido bem o tempo todo, isso não é normal. A história é quando a gente estiver mal é a gente se sentir tranquilo porque aquilo é o espaço de processamento. Claro que existem adoecimentos nesse luta, mas não estamos falando deles. Estamos falando de quando você se rebela contra o caminho, o professor ou o tédio, e você quer se preencher. Essa aula é para isso.

Eu terminei a leitura de um livro ontem sobre a vida do Guru Nanak escrito por um muçulmano do Paquistão. Eu fiquei encantada porque queria olhar para o Guru Nanak a partir dos olhos de um muçulmano. Mas os olhos muçulmanos só querem absorver do Guru Nanak o que ele foi para os Sufis. Eles têm grande resistência de absorver o Guru Nanak no que ele foi, por exemplo, para os Khalsas. Então todo tempo o autor faz uma crítica aos demais Gurus, e deixa Guru Nanak fora da crítica. Mas tem um relato que a gente só fica sabendo pelos olhos de um muçulmano. Nas suas viagens pelo vale do Hindus, depois de treze anos que o Guru Nanak está fora de casa, morrendo de saudade da mãe e da mulher, ele dá uma piradinha. Ele sente tanto tédio, que o tocador de rababa que o acompanha fala assim: “em algumas noites, o meu mestre está completamente doido. Eu finjo que estou dormindo e ele olha para o céu e conversa com Kabir e um outro santo sufis muçulmanos como se eles estivessem presentes.” É claro que o Guru Nanak tem um surto, e o surto é de tédio. Vocês podem imaginar 13 anos andando, conversando, sendo mal tratado. E um dos poemas que o Guru Nanak escreve é assim: “eu posso estar sentindo tédio, mas é porque eu não posso alcançar a luz, que ainda reside em mim e foi dada por ti. Por que você não me ajuda a alcançar essa luz, ao invés de me prender no sentimento de que eu fiz tudo isso em vão?” É o sentimento que a gente tem. Então a aula é para a gente trazer essa compreensão para nós. Quando eu comecei a dar aula de Kundalini Yoga, no meu sexto ano talvez, me deu um desespero. Eu pensei que nunca mais sairia disso, que eu estava presa, que nunca mais eu poderia fazer outra coisa, eu preferia morrer. É quando, então, você contém numa sadhana a sua mente negativa para ser feliz.

Kriya: “Coordenando corpo, mente e alma”, do manual Self Knowledge, página 10.

Sempre quando dou nível 1, me maravilho com a quantidade de coisas que eu tomo contato e não sabia. Por exemplo, preparando Mente e Meditação recentemente, eu descobri um material do Yogi Bhajan que sempre esteve no meio da pilha de coisas que tenho dele, se não me engano está num manual de nível dois, em que ele fala sobre o Magic Mantra. “Ek Ong Kar, Sat Gur Prasad, Sat Gur Prasad, Ek Ong Kar.” De tudo que ele fala, fiquei impressionada quando ele diz que nenhum mantra tem o poder de retaliar a gente. Todos os outros mantras, se você entoa mal, ou com a pronúncia do Gurumuki errada, ou sem reverência, nada vai acontecer. Se você entoa bem, você vai obter benefícios, se você entoa mal, não vai acontecer nada, exceto o Magic Mantra. Eu fiquei muito surpresa com isso, achei muito bom de ter tido a chance de conhecer isso. Por isso, ele recomenda que, antes de entoar esse mantra, a gente faça uma pequena oração. E a que ele recomenda é o Mool Mantra. O Magic Mantra tem a capacidade de desbloquear a gente de processos neuróticos. Muitas vezes a própria mente criou esses processos e acaba caindo nele.

Meditação: Mahan Gyan

May the long time sun shine upon…

[Transcrição: Sada Ram Kaur]