O silêncio dos ruídos

Por Gurusangat Kaur Khalsa
(Outubro de 2016)

Na psicologia, foram as pesquisas de Mihaly Csikszentmihalyie que trouxeram para o debate acadêmico o conceito de “fluxo” para explicar felicidade e criatividade. Estar no fluxo é um estado bem próximo do que no Kundalini Yoga denominamos estar em shuniya.

Estar no fluxo segundo a psicologia:
É um estado mental de foco máximo e dedicado a uma tarefa (ação) onde a interação entre o sujeito e sua ação é tal, que o senso de identidade é perdido. Você se encontra em algum lugar e sente uma conexão com algo maior, e perde toda e qualquer referência de tempo e espaço, inclusive perde sua identidade psicológica.

Este estado é o que mais remete à realização e ao sucesso, pois nele a ação humana é plena e impecável, o leva a grande assertividade e felicidade.

Estar em Shuniya:
Um estado que se alcança quando não se busca coisa alguma, especialmente quando não se busca o silêncio ou a paz. A paz, assim como a felicidade, não pode ser buscada, porque elas não existem enquanto entidades em algum lugar lá fora. Essas duas condições residem internamente no ser humano. Portanto, estar em paz ou estar em silencio não prescinde de qualquer outra condição a não ser estar no fluxo.

Qual fluxo? Seria dos pensamentos? Não. Seria, então, das ideias? Não. Simplesmente estar no fluxo de tudo que há e do que é desconhecido. Por isso, me agrada o conceito de estar no fluxo do desconhecido. Quando tudo a sua volta, todos os ruídos e sensações não são capazes de perturbar sua expansão e conexão com o todo, independente de se estar ou não em paz, dizemos que estamos em shuniya – o silêncio dos ruídos.

Em shuniya, a paz e a felicidade existem como água nas boas terras de veredas.

Não sei se você notou o detalhe descrito acima. Ele é fundamental para compreender Shuniya, ou o fluxo – “independente de estar ou não em paz”. Isso é radical! Perdemos tempo valioso buscando a tal paz e silêncio para experimentarmos, como sua consequência, esse vazio criativo. Mas, em realidade, tudo que precisamos fazer é saber como alcançar shuniya independente das tormentas em nós ou a nossa volta. Para mim isso é fundamental, pois me é claro que de nada me vale a minha paz enquanto houver alguém em sofrimento. Como não condicionar minha experiência de plenitude a uma paz e silêncio que raramente são atingidos?

Há apenas uma maneira. A técnica associada ao prazer de fazer algo. No Kundalini Yoga, utilizamos para esse treinamento a meditação com o Naad (sons primais). Na vida, o treinamento se dá quando realizamos algo que temos máximo gosto associado a grande competência.

Estar em Shuniya ou no fluxo é a única forma de liberdade possível.

A liberdade de Shuniya:
Enquanto houver pensamento não haverá liberdade. Essa afirmação pode ser desesperadora para muitas pessoas amantes da liberdade de pensar. Todo tipo de pensamento surge de um condicionante, seja ele intelectual, cultural, ideológico ou mesmo fisiológico. Portanto, para a ciência do Yoga, só existirá liberdade quando não houver qualquer conexão entre a consciência e os pensamentos.

Não é possível parar de pensar, isto é um fato. Pensar é, justamente, um dos grandes atributos da mente. Entretanto, estar além dos pensamentos é um caminho plausível e passível de aprendizado para experimentar um estado livre. Apenas quando formos capazes de existir no fluxo da integração entre o eu e o desconhecido é que poderemos dizer que estamos de fato livres. Este eu não é, obviamente, nossa identidade aculturada ou social. Este eu é, segundo os Ensinamentos do Kundalini Yoga, a identidade real, cósmica. O eu real (real self) é aquela expressão viva e em ação de uma psique, que se tornou atemporal e universal.

Nesta condição, se é livre porque não se pensa em ser algo; não se busca uma identificação. Esta condição oferece a mais genuína oportunidade para o por que nela nos relacionamos com o inominável, um tal campo que nos leva a criar.

O fluxo é sempre criativo. Essa arte tem valor porque ela é inaugural e fresca. Seu frescor é como terra úmida propícia a todo tipo de crescimento e entregue a saciar e refrescar a todos.

Ser livre não é dizer o que pensa. Ser livre é fazer o que jamais foi pensado!

Seguir em meio ao caos e agindo como núcleo criativo da vida é o que fazemos.

[GSK] Se tornar irrelevante em shuniya

Aula ministrada por Gurusangat Kaur Khalsa em 28 de outubro de 2016

[GSK abre a aula] 

Hoje nós vamos fazer uma aula que leva a gente para um relaxamento de dentro para fora. Não é um relaxamento igual àquele que você busca um terapeuta para te relaxar de fora para dentro. Portanto, é uma aula que induz a um relaxamento que não tem nada a ver com o conceito de relaxamento que vocês conhecem, que é aquele em que você sente que apagou, que está tranquilo, sem estresse, está em paz. É um mecanismo de relaxar a maneira com que a gente processa a intranquilidade e a ausência de paz.

Vocês são professores de Kundalini Yoga, por isso eu sempre me preocupo em conversar com vocês sobre alguns aspectos teóricos para vocês compartilharem com seus alunos, familiares, amigos, com quem vocês acharem que é importante. E cada oportunidade na vida, cada encontro, cada coisa que surge do inesperado na vida da gente é uma oportunidade de a gente refletir. Primeiro de a gente aprender e, segundo, de a gente ensinar. Então não existe nada na minha vida, por exemplo, nenhuma dor e nenhuma alegria que não me ensine e que não me faça sempre tratar isso de modo a pensar que vocês precisam ver e entender isso.

Estou sempre com vocês e aí aconteceu uma coisa inacreditável na minha palestra na Escola de Música da UFMG, na terça-feira. Foi muito divertido, porque foi tão ruim…não… não posso dizer que foi ruim… foi tão… inacreditável, eu acho que a palavra inacreditável ainda é a melhor para vocês verem que a nossa paz e a nossa tranquilidade não têm nada a ver com o meio, ou pelo menos não deveria ter. Na UFMG, eu chamei o Sat Sunder para trabalhar comigo, porque é o tema que ele está trabalhando na formação. Nós fomos para o encontro de estudantes e você pensa que os universitários estão ali querendo trocar. Chegamos lá e, de fato, era um grupo grande de talvez umas 50 pessoas e havia uma alegria em nos receber. Existia uma alegria em nos receber, porque éramos duas pessoas absolutamente inéditas (estão compreendendo?) e um gongo daquele tamanho, de turbante. Eu por exemplo vestida de uma maneira tão causal, que eles não sabiam como a minha roupa combinava com meu turbante, esses clichês de que a roupa não combina com o turbante de mãe de santo ou de sacerdotisa, enfim, eles não conseguiam nos encaixar. Nada encaixava. Quando a gente começou a trabalhar, algumas pessoas maravilhosas na plateia começaram a nos entender. E havia três garotas sentadas no canto o tempo todo conversando e rindo, igual a colégio de freira, onde a gente está mais preocupado em ir para a igreja dar uns beijos do que ir para a aula, uma coisa assim. E vocês sabem que eu tenho uma antena para gente idiota que é uma coisa impressionante, eu pensei, bom daqui a pouco eu vou ter de explicar uma coisa para aquelas dali. Então passa o momento todo até que chega a vez do Sat Sunder, então eu dei o Kirtan Kriya, sa ta na ma, totalmente inofensivo, e depois o Sat Sunder… boin…boin.. boin.., ainda bem que ele foi suave, doin… doin… plein…plein… Quando abriu-se para as perguntas, uma das meninas levanta, e para ela o conceito de liberdade – que é o que eu quero tratar hoje –, escrito nas entranhas e na testa dela é: “eu falo o que eu penso”. E para muitos é isso. Para muitos que lidam com escola sabem que é isso. Tem uma faixa etária a partir da qual, e é a geração que veio logo depois de mim, ou seja, se eu tenho 58 anos, o pessoal que veio dez anos atrás de mim, vem com esse conceito de que falar o que pensa é uma libertação. E a menina então levanta, eu não vou me lembrar como ela falou, mas ela acaba com o Sat Sunder e nos chama de irresponsáveis, porque a gente fez uma intervenção com musicoterapia sem avisar que poderia alterar, alguém poderia passar mal. E ela disse que ela mesma inclusive quase surtou.

Aluno: Ela falou isso?

[GSK]: Falou. E para mim foi a deixa, né? Eu falei com ela: você não teria surtado, porque surto é uma condição psicoterápica bem diferente da histeria. Em condições populares o que você teria tido seria uma coisa chamada chelique. A menina nunca viu um professor… os professores hoje não falam assim, que eles têm medo de o aluno ir lá na avaliação da Capes e dizer que o professor é autoritário e tal. Eu dava tanta risada! Menina, você é uma cheliquenta e o seu conceito de liberdade é falar o que pensa, mas falar o que pensa é um estado particular adquirido, que se chama falta de educação. E daí eu tive a chance de falar a respeito do trabalho do gongo. E depois a turma inteira depois veio me agradecer porque aquela menina era uma chata. Ela tinha acabado com o professor que veio de São Paulo.

Mas vamos voltar ao tema: falar o que pensa não é liberdade. Esse é o tema que acho importante para vocês tratarem em sala de aula. Nós meditamos para que a gente se torne absolutamente irrelevante. É para isso que a gente medita. Então a nossa irrelevância no processo de meditação deveria ser desejada. Ela é proporcionalmente oposta a quando a gente está na vigília com o desejo de ser alguém. Então, na vigília nossa necessidade de ser alguém nos leva a um mecanismo de existir absolutamente infeliz, mesmo na vigília, porque quanto mais a gente quer ser alguém, quando estamos de olhos abertos e fazendo as nossas coisas, mais no espaço meditativo nos identificamos com algumas formas pensantes. E enquanto há pensamento, há prisão. Todo pensamento surge de uma condicionante, se há uma condicionante, há uma condicional, e se há uma condicional, há uma prisão. Então enquanto a gente pensar, a gente está aprisionado ou a gente está aprisionado culturalmente ou a gente está aprisionado fisiologicamente por causa do nosso sistema glandular, que vai transformar aquilo em química, e isso é uma prisão quando repetimos um padrão, quando estamos subjugados ao meio. Quando o meio está favorável, a minha fisiologia está favorável, quando o meio está desfavorável, a minha fisiologia está desfavorável. O condicionamento fisiológico é quando eu não tenho nenhum controle sobre as minhas emoções.

Aluno: Kalil!

[GSK] A falta de expressão de emoção também é um problema. João Leite! Vocês estão comigo? Então a minha prisão pode ter vários condicionantes e dentro deles eu estou sendo estimulado, condicionado a pensar. Então, todas as vezes que eu falo o que eu penso é uma prova cabal de que eu não tenho o menor controle de mim no meio. E isso é tudo que o Kundalini Yoga não quer. No Kundalini Yoga, nós queremos que se o meio está desfavorável, e esse meio é externo, mas o meio poderia ser interno… Por exemplo: num dia em que eu levantei com a macaca, deprimida, desestimulada, quando não estou bem porque tudo à minha volta parece estar despencando, ainda assim existe uma opção para mudar essa condição. E se vocês sabem que isso é uma verdade por que vocês não usam? Se eu tenho uma dor de cabeça, existe remédio para dor de cabeça, por ideologia? Porque eu só uso remédio homeopático ou eu só vou ao terreiro quando eu estou com dor de cabeça? Há uma condição de você escolher se conectar com a sua irrelevância. E na hora que vocês escolherem se conectar com essa irrelevância – e eu espero que com essa aula vocês consigam isso –, vocês mudam essa química.

É uma abordagem inédita, pois nunca falei disso dessa maneira, mas a experiência de shuniya é isso: para você se tornar um com todo, você tem de se perder no todo e a hora que você se perde no todo, você deixa de ser você. O que a gente busca em shuniya é uma irrelevância tão grande que a gente é capaz de se tornar tudo. Você nunca vai conseguir ser nada se você continuar sendo você. Isso que é maravilhoso no Kundalini Yoga porque a gente busca ser a gente numa instância e deixa de ser a gente em outra instância. É esse o paradoxo que o Yogi Bhajan fala: “to be and not to be”. Então, quando é que a gente quer ser irrelevante? Quando estamos buscando uma autenticidade e uma unidade tão grande com Deus, com o desconhecido. Quando é que a gente precisa ser relevante? Quando a gente vai servir. A gente vive nesses dois paradoxos. A maior parte das escolas de meditação não ensinam esse paradoxo, então você fica perdido.

Eu só quero dizer a vocês o seguinte: depois que a menina arrotou e vomitou, o professor que estava presente explicou que no dia anterior eles tinha tido muitos problemas com as palestras de musicoterapia, porque todos eles faziam uma prática e falavam as contraindicações. E por que nós não falamos das contraindicações da nossa prática? E aí foi maravilhoso porque eu pude explicar para ele que o Yogi Bhajan nunca deixou nas nossas mãos uma técnica que tivesse contraindicação, a não ser uma: o cuidado com as pessoas com esquizofrenia, porque elas podem entrar em surto com a respiração. E o professor perguntou como não tinha contraindicação. E tudo que eu tinha dito era que nós usamos os sons primais. E eu respondi que era porque trabalhamos com o Naad, que é uma estrutura, uma técnica de usar o som primal, e esse som te reseta na origem, no início. Nós não somos terapeutas querendo saber se você está ou não doente, onde está ou não o seu problema, porque nós não vamos trabalhar o seu problema onde ele está. Vamos trabalhar na sua raiz, é muito diferente. O que você vai fazer com seu problema é problema seu. Eu olhei para a menina e perguntei se ela tinha escutado. Ela estava conversando, mas disse que tinha ouvido sim. Eu disse que era impossível, impossível para ela repetir. Vocês compreendem a segurança que o Yogi Bhajan dá. Por isso que acho uma dó, quando vocês misturam qualquer coisa de outro sistema de yoga com Kundalini Yoga. Se vocês estão indo para as suas práticas, seus cursos, seus seminários e misturam, estão poluindo uma coisa que te dá segurança, e quando você mistura, não tem mais segurança.

Ele não fez isso só com os Kriyas do Kundalini Yoga, ele fez isso com o gongo. Quando a gente saiu, o Sat Sunder dava saltos de alegria. Eu perguntei se ele estava alegre, e ele disse que estava feliz demais, porque tinha aprendido tanto naquele dia. Porque vocês conhecem a tecnologia para falar para um público que muitas vezes tem perguntas: como é que vou curar isso ou aquilo. Por isso que um professor de yoga não está aqui como terapeuta, ele está aqui como um professor. Ele passa a tecnologia e o aluno vai fazer o que quiser com ela, inclusive nada ou tudo, ou um pouquinho entre nada e tudo, ele pode escolher. Vocês entendem isso?

Nosso objetivo na prática meditativa é nos tornarmos irrelevantes, para a gente entrar em shuniya. Vocês acreditam que estar em shuniya é estar num estado assim, sei lá como é descrito nesses livros fenomenais, românticos, estar fora do espaço da ação. Não! Shuniya é estar no fluxo da ação. Qual tipo de ação onde sou tomado completamente por uma qualificação, me torna aquilo que eu estou querendo fazer. Então se eu sou uma adoradora de garrafa preta e tem uma garrafa preta nas minhas mãos, então limpar a garrafa preta e, se eu sei limpá-la, eu posso entrar num fluxo tão grande, onde eu perco a minha própria identidade quando eu limpo a garrafa preta. E eu me torno alguma coisa além de mim e da garrafa preta. Isso acontece quando você anda de bicicleta. Isso acontece quando eu, por exemplo, estou escrevendo um texto para vocês, motivada. Isso acontece talvez quando você está na cerâmica produzindo alguma coisa, ou quando você está na cozinha, fazendo alguma coisa. É quando nós e o objeto da nossa ação é tão integrado e existe tanto conhecimento que a gente pode relaxar no fluxo da competência e aí a gente se perde e não sabe quem a gente é. A gente se esquece de si. Então shuniya é quando há um esquecimento de si. E então você se torna irrelevante, tampouco o objeto tem qualquer importância. O que tem importância é a ação. Que na psicologia é descrito como fluxo, estar no fluxo.

Kriya for Metabolism and Relaxation do livro Kriya

Hoje vamos fazer uma meditação em duas poses. O Yogi Bhajan fala o seguinte sobre a ela: essa meditação vai te levar a um estado de êxtase e vai criar um escudo protetor a sua volta.

Meditation for Self-Stimulation into Ecstasy do Livro Kriya

Aluna: Quando você fala desse relaxamento interno, ele tem a ver com a sua serenidade diante do caos?

[GSK]: Tem, tem sim. Mas todo e qualquer tipo de conceito a gente precisa desmistificar. Porque então uma pessoa que não é serena diante do caos pode parecer que não se ajustou. Tem a ver com a serenidade diante do caos, tem a ver com o desespero diante do caos também desde que esse desespero não te leve a agir segundo ele. Não sei se vocês estão compreendendo. É a inteira independência da sua ação, independência daquilo que você está sentindo e de como você está processando o mundo. Quando você alcança esse equilíbrio e essa liberdade e isso reflete na sua natureza interna de estar serena diante do caos, é isso aí. Mas não significa inclusive que você não está dando a mínima bola. Porque a história é: na serenidade você ainda estar em ação. Mas se meu produto final, meu vetor final quando eu trabalhei, pus gás para fora, limpei, alimentei, adquiri uma certa independência ou uma liberdade em relação ao meio e inclusive ao meu próprio meio, mas eu reajo não serenamente, se o resultado final de uma pessoa é estar agitada ou indignada, ela não vai ter como, muitas vezes, eliminar aquela sensação. A única coisa que ela não pode fazer é agir com base naquela sensação. Nem a serenidade deveria levar a gente a uma indiferença, nem a ausência da serenidade deveria levar a gente uma ação pouco serena. O que a gente quer é agir de forma precisa, cirúrgica e essa ação não pode estar condicionada pelos meus sentimentos nem pelo meio.

Por isso é que as escolas que existem por aí ensinando criança são problemáticas porque o modelo de ensino não pode ensinar que o engajamento com a vida deveria ser motivado ideologicamente. Então, toda a pedagogia da UFMG ensina isso. O contrário é a pedagogia Waldorf, que ensina um total desapego. Está errado também. Vou ver o mundo serenamente e minha ação vai ser indiferente. Aquilo não vai me tocar. Foi uma alternativa polarizada, mas existe um lugar além disso, que é o que a gente precisa ensinar às crianças. Que é: você precisa sentir o mundo, absorver o mundo, processar o mundo em você com todas as suas emoções e gana. Estar de tal forma relevante, você e o mundo, é muito importante que nesse momento você esteja relevante, e você precisa discernir. E quando você pode discernir, você precisa entrar no fluxo e agir no fluxo da consciência em que você e o todo são um. Você não importa, aí sim você se torna irrelevante. Por isso sua ação tem de ser independente daquilo que você julga. Você não pode ser tão sereno que não queira se engajar, nem tão atordoado que você queira entrar de sola. E está aí um aspecto do Kundalini Yoga que é absolutamente maravilhoso, que é a vida como ela é. Ele quer instrumentar a gente para a gente viver de forma a fazer sentido, onde você combina relevância e irrelevância, identificação e desidentificação, o tempo todo. E não cria um padrão, como este: todo bom yogi tem de ser desapegado e sereno, que é o clichê do bom yogi. A espiritualidade não significa um desapego, e a materialidade não significa um apego. A gente está sempre nesse paradoxo. O contrário poderia parecer um absurdo, uma pessoa que é cheia de raiva, tem o ímpeto, eu estou falando da raiva na sua forma mais neutra, ela se coloca, fica indignada com algumas situações. Quer dizer que essa pessoa nunca vai poder ser um bom yogi? Vai poder sim. O fato das suas características existirem não quer dizer que seu caráter se expressa através das suas características.

Sete passos da felicidade: o nosso caráter não se expressa através das nossas características. Esse é o segundo passo da felicidade. Qual é o primeiro? Compromisso. Mas as características não dizem nada. É isso que lava a alma no Kundalini Yoga, é por isso que vocês fazem parte dessa tradição. E essa tradição não é para qualquer pateta que queira usá-la como um clichê. Não faz sentido. Porque as características não formam o seu caráter. A menos que você queira se expressar através das suas características. E é por isso que a gente sua demais para criar um modelo que ensine isso para as nossas crianças, onde no mundo elas vão ter de modular tensão e relaxamento, não é só relaxamento, nem só tensão, como os jesuítas fizeram. É tensão e relaxamento, e entre tensão e relaxamento você expressa a sua identidade, não necessariamente através das suas características. Nós provavelmente vamos morrer com as nossas características, cada um de nós deve saber qual é a sua característica primal. A minha é a impaciência e a paciência. É um paradoxo, mas é a minha. Quando eu estou no fluxo, eu sou extremamente paciente, quando eu não estou, eu sou extremamente impaciente. Cada um de vocês tem a sua característica e a história é vocês conseguirem expressar o paradoxo dela, que é o paradoxo dela que faz você estar completamente na sua irrelevância. E o outro passa a ser relevante.

E atenção pessoal, você pode confrontar e elevar, mas com muito humor. No final, a menina falou que tinha se sentido muito mal com o gongo. Eu comentei com ela que tudo na nossa vida diante do desconhecido é a nossa pré-disposição. Se você está querendo experimentar, você é capaz de passar pela experiência sentindo mal, para depois ver aonde isso vai te levar. Você poderia ter concluído que isso não te levou a lugar algum, então foi ruim para você do começo ao fim, mas você poderia ter concluído que foi ruim no início, mas depois te levou num lugar bom, como foi para a maioria. Mas você já entrou aqui predisposta a não estar aqui. Eu só não compreendo por que você estava aqui, já que aqui não tinha chamada nem nota nem nada. Então da próxima vez seja original a tal ponto de não estar num lugar onde você não quer estar. Vocês precisam falar o que que é realmente, de modo a fazer sentido. Para isso, vocês precisam captar o negócio, saber o que é negócio, para você devolver o negócio para o negociante. Se essa menina tem o mínimo de impulso para pensar, ela vai refletir. Mas se o negócio dela é estar no mundo se achando que é muito relevante, se ela não se achar irrelevante em momento algum, ela nunca vai entender. Mas se ela só se acha relevante e sem ela nada move, ela é a defensora dos fracos e oprimidos, então ela vai ficar assim, mas se ela por um momento falar que não tem a menor importância , ela vai aprender. Tal negatividade demorou quase doze horas para sair de mim, e olha que eu estava muito atenta a essa negatividade. Então negatividade é um trem que entra e você precisa estar ativo para limpar.

Aluna: Eu estava lá e quanto mais você explicava para ela, mais ela tinha um sentimento de raiva. E ela não sabia por que estava passando mal, e que continuava passando mal e queria saber como ela saía daquele mal.

[GSK]: Ela não perguntou como saía do mal. Se ela tivesse perguntado…

Aluna: Não. Ela só falou que estava mal, continuava mal e não sabia se sairia da dor, do desconforto.

[GSK]: Ela não perguntou como sairia, ela só se declarou mal, que estava no desconforto, típica histeria. Então foi muito bom ter dito para ela que aquilo era um chelique. Mas se ela tivesse me pedido uma técnica para sair do chelique, eu tinha convidado ela para ir para o tronco. Era um evento só para alunos e tinha um cara da Bahia que era de Egum, ele era do terreiro, no final ele disse que tinha gostado demais desse negócio, ainda mais a gente vestido daquele jeito, e falou que a gente deveria ser muito discriminado. Eu respondi que não éramos não, que eu trabalhei muitos anos na UFMG – eu tinha sido apresentada como professora da UFMG e blá…blá…blá… – e já usava turbante, e que os afro-brasileiros adoravam, mandavam axé para mim, e que os brancos tinham inveja porque esse turbante é lindo, né! E aí pronto, foi assim que eu encerrei a conversa, que os brancos acham lindo e os negros acham… lindo! E o Sat Sunder, a cada 30 segundos, falava que estava na hora de ir embora. E eu dizendo se tinha mais perguntas, ele querendo sumir com o gongo.

Aluna: E o interessante é que no sábado o Sat Sunder na praça da Assembleia e foi maravilhoso. Uma repercussão incrível, as pessoas ficaram conversando com ele muito tempo depois. O Sat Sunder tem uma frequência que é de introspecção e devoção, então não é de ficar conversando muito.

[GSK]: Eu recebi notícias e uma foto, realmente foi maravilhoso. A história, gente, é a universidade. A universidade, onde se espera a universalidade, é onde as pessoas são mais aprisionadas, as pessoas são presas. Elas estão cada vez mais presas, por isso que nada ali progride muito rápido, é tudo muito lento. Os processos são muito lentos, é a prisão do intelecto. A gente precisa de um novo modelo de universidade , mas esse modelo aí ainda estará vigente por um bom tempo, porque a gente tem de começar do ensino básico até que esses alunos que estamos formando por aí não admitam mais e queiram algo diferente. E é sempre paradoxal, sempre paradoxal, então é isso aí.

Nós estamos vivendo num mundo onde as pessaos são cheias de verdades, cheias de relevância. No meu grupo familiar, alguém mandou uma foto de Uberlândia dizendo que sempre achou que era uma cidade de gente porreta e pedindo para ver como era a educação em Uberlândia. Na hora que eu cliquei, era a informação que lá tinha o maior número de escolas ocupadas atualmente. Eu respondi que era contra a ocupação de escola e que a gente deveria se manifestar nas ruas e nos políticos que a gente vota. Aí uma pessoa me devolveu com um comentário como se eu não entendesse nada de política, de liberdade e de exercício de cidadania. Então as pessoas estão presas, e não estão prontas para ouvir uma voz que seja diferente daquela que elas não estão querendo ouvir.

Nós estamos num momento muito particular e precisamos passar por ele com uma grande sabedoria. Não existe uma outra forma de entender nossas posições que não sejam aquelas que tentam nos colocar dentro de determinados clichês. Eu particularmente acho que a gente não sabe ainda fazer a política feminina, que é a que a gente vai tratar ano que vem no treinamento Khalsa, a política feminina é a política onde você vai para conversar. Eu quero muito que a gente chegue num ponto em que um grupo de mulheres traga um político aqui. Nós estamos ainda longe disso. Mas não é por isso que vocês têm que cortar relações, a gente está caminhando. A UFMG é ocupada por uma dimensão da ciência que é condicionada ideologicamente. Em 1988, quando eu me coloquei contra a fluoretação das águas de Belo Horizonte, fui considerada uma dissidente, mas nem por isso eu deixei de me colocar contra a fluoretação das águas de Belo Horizonte. Existe uma agressão e um julgamento que a gente vai sofrer, mas nem por isso a gente deixa de ser coerente com aquilo que a gente acredita. Porque quando as pessoas estão muito aprisionadas numa forma de pensar é muito difícil de elas verem além daquela forma. Lá em 1988 a esquerda inteira era a favor de pôr flúor na água e quem fosse contra era considerado de direita, a coisa não mudou muito hoje. Hoje quando a gente fala veganismo na esquerda, isso é uma firula da classe média. Eles ainda não entenderam que é em respeito aos animais. Então nós somos pioneiros no nosso estilo de vida e devemos carregar nosso estilo de vida pioneiramente sem contaminar a nossa perspectiva política e histórica.

Nós queremos sim uma mudança de qualidade neste mundo, a gente quer sim uma forma de existir igual para todos. Enfim a gente quer isso, mas isso não significa que a gente precisa falar exatamente como todo mundo fala. É essa diversidade, mas a gente só consegue experimentar como iogues e professores a dualidade em nós e quebra todo tipo de clichê. E pode ser que a gente morra sem ser compreendido, mas e daí? Por que a compreensão do outro tem de qualificar a minha morte? Mas a gente pode deixar uma experiência e um legado. Eu acho que isso é o importante e que a gente está construindo num projeto de escola como Miri Piri, em que a gente está dedicando um tempo de arte à criança nos anos formativos, e na arte ela vai poder experimentar processar o mundo pelas suas emoções, mas não responder ao mundo através das suas emoções. Isso é que é importante! Wahe Guru!

May the long time sun shine upon you…

[Transcrição: Sada Ram Kaur]

Inscrições Abertas! Formação de Professores Nível 2 em Brasília – Mente e Meditação

Sat Nam!

Em Fevereiro teremos mais um módulo do curso de formação de professores nível 2 em Brasília – Mente e Meditação

Certificação KRI (Kundalini Research Institute)

Datas: 03, 04, 05, 17, 18 e 19 de Fevereiro de 2017

Local: ABAKY Brasília – QI 16, Conj. 3, Casa 23

Valor: R$ 990,00 (`a vista) ou 3x R$ 363,00
*material não incluído

Inscrições até 13/01/2017

Informações: (61) 99829-3019 ou (61) 99677-9453

Enviar comprovante de depósito com nome e telefone para: secretaria@abaky.org.br
Banco do Brasil
Ag. 3489-4 | Conta Corrente: 26378-8
CNPJ: 20.936.081/0001-43
AKAL EDUCATION LTDA

mm-bsb

 

Seminário ABAKY 2016 – Saber de Cor

Saber de Cor, com S.S. Gurusangat Kaur Khalsa

A prática do Kundalini Yoga cria, a partir do coração, um ponto de radiância que nos coloca no radar de tudo. Em tempos de crise e críticos o coração sangra, e nesta aula vamos aprender a desenvolver o coração compassivo, para que a complexidade dos tempos seja compreendida e perdoada.

DEVIDO AO GRANDE SUCESSO E IMPACTO, IREMOS REPETIR ESTE SEMINÁRIO QUE FEZ PARTE DA PROGRAMAÇÃO DA BIENAL ABAKY 2016.
NÃO PERCA!

Data: 17 de Dezembro de 2016
Horário: 9h30
Local: ABAKY Brasil – Rua Yvon Magalhães Pinto, 511, Bairro São Bento – BH/MG
Valor: R$ 50,00

*S.S. Gurusangat Kaur Khalsa
– Doutora em Epidemiologia pela Universidade de Berlim, Alemanha
– Lead Trainer da Aquarian Teacher Trainer Academy
– Professora aposentada pela UFMG

Mais informações: 
(31) 3297-5508 (atendimento das 9h `as 13h)
secretaria@abaky.org.br

Sat Nam Wahe Guru

[GSK] Viver no fluxo da nossa virtude

Aula ministrada por Gurusangat Kaur Khalsa em 21 de outubro de 2016 

[GSK abre a aula]

Hoje nós vamos fazer uma aula que há muitos milênios a gente não faz. Eu costumava dar essa aula nos anos 90 e todos vocês conhecem, ela está no manual da Kirn Jot. Naquela época, quando se começava um trabalho com os alunos, essa aula era feita para abrir o campo intuitivo. Ajna é o terceiro olho. Abrir uma comunicação, abrir uma visão que não fosse uma visão clichê, aparente das coisas. Mas hoje o sentido dessa aula é muito diferente. A psique desse grupo caminhou muito. Você pode ser uma pessoa que chegou ao Kundalini Yoga há um ano, mas você já vai se enquadrar dentro de uma psique que é muito diferente daquela de 1997. Muita coisa foi construída e hoje uma aula dessa não tem sequer a função de dizer a vocês que ela ajuda a gente a distinguir valores e tentar pôr em prática a virtude. Até isso a gente já passou. Não é nem ser um alerta para a gente colocar em prática a virtude. Mais do que isso: é para a gente ser virtuoso.

É um passo no amadurecimento nosso como ser humano, que é assim: eu sei o que é a virtude, eu sei onde me pego, eu sei onde os meus nós estão, eu sei onde eu sempre caio, então eu vou tentar viver de modo a praticar aquilo que é o correto. Não é isso mais. Se você ainda estiver aí, você está perdendo um pouco o bonde da psique, porque como psique nós já estamos assim: eu não tenho mais dúvida, eu já tenho condições e já experimentei o meu autocontrole, eu já não caio mais nas armadilhas do meu ego, então eu sou uma pessoa virtuosa, que é o máximo aonde temos de chegar. Então nosso teste não é mais se a gente sabe ou não controlar o nosso impulso de defesa, que seria essa prática da virtude. Esse já não é mais o nosso teste. O teste  não é o que eu sou. O nosso teste é, sendo o que sou – virtuoso –, eu não vou me sentir ameaçado por ser quem eu sou, em situações da vida cotidiana, da vida política, da vida econômica, da vida social, da vida cultural, porque a psique do mundo não é virtuosa. Então há um descompasso agora claro, clássico entre a identidade cultural das coisas e a nossa identidade real. Nós já superamos tempos atrás o conflito entre a minha identidade cultural e a minha identidade espiritual. Superada. Não tenho dúvidas que vocês hoje não têm dificuldade em assumir a sua identidade espiritual, como grupo, no grande, tom geral. Mas agora é sobre como pessoas virtuosas vão viver num mundo sem virtudes.

É claro que as coisas vão aumentando de complexidade e aparentemente a nossa mente negativa vai dizendo: “nossa, fodeu”. Mas é claro também que à medida que as coisas vão aumentando de dificuldade e nós não sucumbimos – a gente sobreviveu –, nós também aumentamos de complexidade. Nós não somos aquelas pessoas simples que conseguimos enfrentar apenas o choque de ter recebido o nome espiritual, mas a gente ganhou complexidade, ganhou requinte, a gente ganhou arte, a gente foi exposto. E aí, então, a gente tem mais mecanismos para viver num mundo onde a virtude não é colocada como pertencente aos processos. Ela é só falada, mas ela não viveu essa história. Tem alguma coisa que foi perversamente e sistematicamente colocada em nós, que tem a ver com o som. Alguém de vocês lembra de ter estudado as frequências de solfejo? Eu passei 12 anos no conservatório. As frequências de solfejo são uma estrutura de escalas musicais que iam do Dó ao Lá. Só. E foi muito praticada pelas músicas gregorianas. E os músicos gregorianos pegaram isso da Índia. E tem uma nota, chamada Ré, que tinha uma frequência em hertz, que era 417, que era a frequência de facilitar mudanças para você poder pensar fora da caixa. E o Papa Gregório muda essa frequência de 417 para 440. Nós estamos falando de Papa Gregório, logo depois dos Borjas, fim de quinhentos e lá vai cacetada. E ele institui uma mudança de nota, de escala de frequência de nota. Tudo passou a ser afinado a partir de um outro lugar. E quando o Ré sai de 417 e vai para 440, a gente pensa dentro da caixa. É uma frequência que impede a gente de facilitar mudanças. Então quando a gente fala que o dogma é a lei, a realidade tem de se adequar ao dogma, não pode haver mudanças. O Yogi Bhajan falava uma coisa curiosíssima: toda escala musical ocidental baseada nas frequências de solfejo são absolutamente em desarmonia com o corpo humano, porque tem essa frequência que saiu daquilo que os cantos gregorianos antigos conheciam. E a igreja católica impediu isso, sumiu com os cantos gregorianos de quando eles usavam a frequência de 417 hertz. Vocês podem imaginar um negócio desses? Uma loucura. Então nós estamos desde o ano quinhentos sendo organizados para criar música clássica e popular que nos faz estranhos em nós mesmos e buscar incessantemente uma segurança no outro, transferindo para o outro a nossa capacidade de estarmos seguros. O Yogi Bhajan falou demais sobre isso nos anos 1970. Eu estou recuperando esse material porque vou dar uma palestra na Faculdade de Música terça-feira que vem e vou falar um pouco disso. A gente, os nossos músicos, entoam shabads e tentam fazer nas talas e nas ragas originais porque não estão usando a frequência de 440, pois as escalas das músicas compostas pelos gurus usavam as frequências originais, e os gregorianos foram beber naquela fonte. Mas toda musiquinha bossa-nova e música sagrada bossa-nova vai repetir essa frequência. Se vocês quiserem buscar um dia na internet, a única peça que ainda existe e que foi escrita na frequência de 417 é um Ode a São Gerônimo, um canto gregoriano, belíssimo. Eu fiquei sabendo que o YouTube tinha, mas não achei. Quem sabe vocês acabam encontrando.

A aula de hoje está no contexto de que já saímos desse lugar de sermos forçados a pensar dentro da caixa, dentro da norma. Quando a gente recebeu o nome espiritual (“ai!! que é isso?”), esse conflito entre a identidade espiritual e a identidade cultural foi atritado. E  hoje o nosso desafio é viver no fluxo da nossa virtude, viver virtuosamente porque somos virtuosos. Então nós vamos fazer esse kriya com isso na cabeça, porque quanto mais a gente pratica deixando o legado, menos difícil será para os meninos (de Miri Piri Índia) entrarem na frequência de se debaterem para viverem quem eles são, quando voltarem da Índia.

Quando muda a escala em Ré, mudam todas as notas. Ele mudou o Ré, porque era a nota que facilitava mudanças. A gente pensa é que coisa de maluco e de hippies falando. Tem um aparelho que afina essas frequências. Você afina o Ré na frequência de 417 e deixa as outras notas se afinarem. O Lá é considerado a frequência para restaurar a ordem espiritual, é 825. Então muda tudo, por isso que os solfejos que a gente usa e trabalha com eles desde quinhentos e lá vai pedrada são completamente desarmônicos à estrutura biológica humana.  Inclusive nós já superamos aquela história de saber que o terceiro olho tem de estar onde? No plexo solar. Eu não tenho de dar mais essa aula com essa intenção.

Kriya e meditação: Ajnaa Stimulation Kriya, do livro Kriya

Eu quero compartilhar com vocês o efeito de cada nota. O Dó vibra a 286 hertz e o bij do Dó é para liberar culpa e vergonha. O Ré, 417 hertz, é para facilitar mudanças. O Mi é 528, é a mesma frequência que o corpo humano usa para reparar o DNA. Isso é muito conhecido por  médicos. Os aparelhos, quando foi decodificado o genoma, usavam a essa frequência, 528, a mesma do Mi, que repara o DNA e era chamado pelos gregorianos a frequência do milagre. O Fá, 639 hertz, facilita engajamento em relacionamentos, uniões. O Sol, 741 hertz, é para buscar e encontrar soluções através da intuição. O Lá, 852 hertz, para a restauração da ordem espiritual dentro de nós.

O shabad que vocês entoaram é do Bhai Harinder Singh e se chama Wahe Guru Simram. A diferença dele e do canto gregoriano é que usa 22 notas e o canto gregoriano só usa 6 notas.

Siri Sahib: o Si com o Lá era chamado de diabolus.

Porque o Si foi introduzido depois pelo Gregório. Não havia outra nota, porque eles achavam que depois da ordem espiritual não era necessário nenhum outro tom porque inauguravam uma dissidência. Então é o que eles chamam de diabolus. O diabo é a dissidência.

May the long…

[Transcrição: Sada Ram Kaur]

Inscrições Abertas – Formação em Gongo Terapêutico

Sat Nam!

Inscrições abertas para a Formação em Gongo Terapêutico, que acontecerá nos dias 28 e 29 de Janeiro de 2017, com Sat Sunder Singh.

Datas: 28 e 29 de Janeiro de 2017
Horário: 9h `as 16h (ambos os dias)
Local: Escola Miri Piri Brasil – Rua Yvon Magalhães Pinto, 511 – São Bento – BH/MG
Investimento: R$ 864,00 (`a vista ou parcelado em até 3x)

Informações e Inscrições: http://www.gongoky.com.br/formacao.html

 

“Transforme complacência, medos, distrações e adoecimento com o uso do Gongo em sua sala de aula ou com você individualmente. 

Yogi Bhajan compartilhou a tecnologia do Gongo como um dos meios mais efetivos para auxiliar no processo de cura através da reorganização do sistema nervoso e equilíbrio hormonal. O Gongo é um som primal, e ao ser tocado de forma correta cria uma ressonância no corpo físico e psíquico com as vibrações mais sutis e puras do Universo.

Esta técnica está ao seu alcance! Sat Sunder Singh é um profissional cuidadoso e altamente qualificado na técnica do Gongo Terapêutico segundo Yogi Bhajan.Venha se assentar com este Professor e aprender a trocar padrões de baixas frequências por outros de nuanças divinas e ajudar a si próprio ou aos demais.”
Guru Sangat Kaur Khalsa

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[GSK] Compreendendo raiva e amor

Aula ministrada por Gurusangat Kaur Khalsa em 7 de outubro de 2016 

Uma vez, um aluno do Yogi Bhajan, que criou o Akhal Security e depois doou o Akhal Security para ele, estava pensando “será que ele vai me atender?”. E o Yogi Bhajan atendeu. E ele falou “senhor, eu estou pronto. Se o senhor me visse, o senhor estaria orgulhoso de mim, eu estou numa elegância, terminei minha Sadhana, estou pronto para o trabalho”. E o Yogi Bhajan escutou. E ele: “o senhor está me ouvindo?”. E o Yogi Bhajan: “você sabe o que eu mais desejo para você? É que ao atravessar a rua para ir ao trabalho, um carro passe por cima da sua cabeça e você morra ali mesmo, nasça de novo porque você só tem jeito se nascer de novo.” Ele conta essa história para gente hoje e a gente ri tanto! E ele fala tamanho era o ego dele, então o Yogi Bhajan disse que o que deseja a ele era esse atropelamento com morte instantânea! O humor dele às seis horas da manhã!

[GSK abre a aula]

O nosso tema teórico de hoje, para inspirar vocês na sua sala de aula, nos seus trabalhos de cursos e na sua vida, é uma pequena reflexão do que é mais discutido na Filosofia não dualista, pelos grandes mestres, até o Yogi Bhajan, é curioso. Existe um marco, por exemplo. Uma das coisas muito ditas é que na Filosofia e na Teosofia, não necessariamente na Teologia, mas na Teosofia, é de que o espírito humano, no sentido filosófico, é muito mais atraído para o mal do que para o bem. Isso é o que rola na Filosofia. Então, o que quer dizer isso? Se a gente trocar a palavra mal, para vocês não parecerem degoladores, estripadores, troquem a palavra mal pela palavra raiva. A raiva é muito mais motivadora, e você percorre muito mais internamente uma sequência de engajamento com a raiva do que você faz isso com amor. Isso que essa frase quer dizer: que o espírito humano é muito mais atraído pelo mal do que pelo bem. Do ponto de vista do nosso engajamento interno, parece que nós estamos mais prontos para dar passagem a uma série de entendimentos, análises e ações, baseadas na raiva do que no amor, ou seja, a gente age muito mais rápido e de forma muito mais engajada quando a gente está com raiva do que quando a gente percorre o caminho do amor. Isso é assim. Todos os metres da filosofia não dualista assim o diziam.

E talvez o expoente máximo desse mestres todos tenha sido o Krishnamurti, quando ele, ainda na Sociedade Teosófica, escreve junto com o David Bohm, esse físico famoso, sobre isso, completamente, tentando compreender isso na totalidade. É quando a Física entra, quando a ciência entra nos campos da Filosofia não dualista e eles começam a discutir. Vocês professores de Kundalini Yoga foram treinados para responder porquê. Nós não fomos treinados a ouvir  “ãhã…ãhã…”(concordando). A gente tem uma explicação. E existe uma explicação muito lógica do porquê a gente primeiro se engaja muito mais fortemente com a raiva do que com o amor. Vocês saberiam me explicar isso?

Aluna: A raiva é um dos sentimentos primais.

Aluna: A raiva é um recurso para sobrevivência.

GSK: A raiva é uma emoção primal, que tem a ver com a sobrevivência… O que mais? Vamos explorar isso…

Aluna: A gente vive muito mais no inconsciente do que no consciente.

GSK: A gente vive muito mais no subconsciente que no consciente. Não vamos trocar esses nomes porque eles são coisas diferentes, né? A gente vive muito mais na nossa caixa de gordura do que na garagem, por exemplo.

Aluna: E a energia que a raiva viabiliza… Talvez o fogo que vem com a raiva, isso é uma coisa muito rápida, né?, consome a gene muito rápido. Parece que é como se a gente tivesse de lidar com isso mais rapidamente para não ser consumido.

GSK: Essa é uma explicação que tangencia. Os elementos estão presentes. De fato a raiva é fogo. Mas ela tangencia. A questão está sendo construída melhor no que eles falaram e para isso o elemento fogo é essencial.

Aluna: Porque raiva é uma ameaça.

GSK: A quem?

Aluna: Ao nosso ego.

GSK: A raiva não é uma ameaça, ela é uma resposta à ameaça ao ego. Dizer que a raiva é uma ameça ao nosso ego tangencia também a questão, mas não responde. É verdade, mas não responde. Então a raiva é uma resposta à perda de poder. Nós já temos muitos elementos aqui para construir uma resposta. Por que o ser humano responde engajadamente à raiva melhor que ao amor?

Aluna: O ego não quer perder poder, se o ego não quer perder poder ele aciona essa reação para lidar com a questão em si.

GSK: Perfeito. E de onde o ego busca a informação necessária para ele validar a sua ação? O ego não quer perder poder, então, ele aciona uma ação imediata de autodefesa. Mas onde o ego valida a ação? Ele valida a ação nos filtros que estão no subconsciente. As intrigas mentais não estão lá porque eu tenho uma caixinha de intrigas mentais, não. Elas estão lá porque existem filtros que me fazem enxergar aquela realidade de modo a validar o meu entendimento. Esse é o papel do subconsciente. Só que o subconsciente não age sem ser estimulado por uma outra região, que é o sistema límbico, especificamente amígdala cerebral. Na amígdala cerebral, a gente tem uma memória remota de um trauma remoto, que já é um fantasma, mas está lá, que a gente não limpa porque ele é útil algumas vezes para validar nossas ações de autodefesa, baseadas em emoções primais que vão garantir que eu esteja certa e o outro esteja errado. Com base nesses fantasmas traumáticos, a gente dá vida, em vez de por alho no diabo, a gente põe enxofre. A gente fica alimentando o diabo, alimentando aquela memória traumática. A gente não a libera para o córtex. Se ela for para o córtex, a gente vai falar… “ah coitada da minha mãe, ela fez isso comigo, mas ela não tinha entendimento”. Ou seja, você tem a memória, mas não alimenta o fantasma. O desejo de manter as memórias traumáticas na amígdala cerebral é que vai ser o fogo inicial, que vai acender os filtros do subconsciente que vão fazer uma leitura da realidade de modo sempre a querer que você esteja certo e que o mundo inteiro esteja errado, e dessa maneira você está fisiologicamente, quimicamente muito mais engajado com a raiva do que está com o amor. Esse é um professor de Kundalini Yoga.

Ele é capaz de compreender o que está escrito ali naquela escrita filosófica. A gente tem uma leitura profunda desses textos e é isso que seus alunos precisam ouvir, porque os tempos do guruzões já eram, das linguagens cifradas já eram, as pessoas precisam entender. Nós estamos muito mais disponíveis para o ódio que para o amor. É isso que está escrito na filosofia, e isso não faz sentido algum. Porque ou as pessoas vão negar, aqueles que acordaram agora dos anos setenta… para eles o mundo é maravilhoso, não existe maldade. “A gente não deve ficar com as pessoas más, a gente só deve ficar com as pessoas boas”. “A gente não deve se relacionar com problemas, a gente só deve se relacionar com soluções”. Esse é o mundo dicotômico dessas pessoas. E aí vem a gente do Kundalini Yoga e diz, bom e mal fazem parte da mesma coisa, não tem como escolher, a realidade chega, e vocês precisam ter nas mãos a capacidade de relatar sobre isso para vocês fazerem sentido.

Isso é uma das coisas às quais o Yogi Bhajan mais dedicou o seu tempo, para que nós pudéssemos compreender, para que nós não fôssemos yogis que apenas acreditássemos. Porque se a gente fica apenas no “eu acredito, eu não acredito” você fica só na superfície, você tem de ir fundo. A história é mais ou menos a seguinte. O subconsciente é um processador ultrarrápido. Em um segundo, ele capta 40 milhões de pixels, é coisa pra caramba. Num segundo, ele mapeia detalhes da realidade. E o consciente mapeia apenas 40 por segundo. É a qualidade do processador interno. Mas isso não explica a sessão. Unbewussten em alemão, que é o inconsciente, é tudo aquilo que faz parte da psique, mas que não faz parte necessariamente da minha psique. É o inconsciente coletivo. E no Kundalini Yoga o inconsciente coletivo chama-se Chitta. Quando no Guru a gente lê Mera Mane Chitta Ave… eu quero ter a minha mente na consciência de Deus e não na consciência finita. Chitta é o inconsciente. O inconsciente tem uma ação muito forte sobre nós, ele influencia o meu modo de pensar, de existir na medida em que eu crio alguns clubes, eu vibro igual a algumas pessoas abaixo desse inconsciente coletivo. Então os famosos clubes, tribos. Ela cria um código cultural em mim, um código de comportamento em mim. No dia em que eu mudo de tribo, eu mudo de influência, então estou sob outra influência. Então é o que eu chamo de inconsciente coletivo. Unterbewusstsein, subconsciente, significa no Kundalini Yoga – eu não sei exatamente como Freud explica Unterbewusstsein, mas no Kundalini Yoga  tem um nome muito fácil que vocês jamais vão esquecer que é – a caixa de gordura. É onde a gente processa a sujeira. Por isso, essa caixa de gordura tem de ser limpa, senão essa sujeira volta, aquele mal cheiro, aquele trem todo para a pia. E a pia é o quê? O consciente. Então diante de tudo isso, a gente vai fazer uma aula para a  parte inferior da coluna. É uma aula que vai liberar um tipo de prana, um tipo de calor.

Kriya For the Back, página 89 do livro Kryia

Meditação: Projeção do Divino em Você.

O Yogi Bhajan comenta esse kryia no final: “Existem três coisas para a gente fazer na vida: amar, aprender e viver. Amar não é suficiente, amor não é tudo. Se você não aprende, não adianta você amar, porque você jamais saberá amar. Você vai cometer erros e mais erros, porque suas neuroses virão atrás de neuroses. Antes de amar, aprenda e depois viva.”

Por que é mais difícil amar?

Não é abrir mão do eu, porque senão quem vai amar quem? A palavra é o compromisso. Por que o medo impede a gente de amar? O que a gente teme perder? A gente teme perder a gente. O ser humano é uma minhoca que tomou um ácido. Tudo que a gente quer é amar, e quando a gente tem a possibilidade de amar, a gente tem medo de perder a nossa identidade porque no amor a gente se perde. A gente quer se perder no amor só quando está fazendo sexo, quando não temos controle nenhum e nos perdemos mesmo. Mas depois, quando a gente recobra um outro estado, o que a gente teme é perder exatamente aquilo que a gente tem de perder, que é essa identidade fictícia. Existe o amor que brota espontaneamente, mas existe o amor que é conquistado. Você casou com um oriental, que sabe muito bem disso, porque no Oriente não tem esse amor que brota espontaneamente. Ele é conquistado e construído com o tempo e com o compromisso. Esse amor que brota naturalmente existe e tem duas qualidades, ou ele é um amor divino que brota naturalmente, quando a gente está em sintonia muito grande com a nossa alma, que a gente ama de graça, e existe o amor que brota através da química, de ver uma pessoa e o amor brota naturalmente. As qualidades e o destino desses dois tipos de amor são completamente diferentes. E no Oriente, acredita-se que o amor não seja nem uma coisa nem outra, que ele é construído com o compromisso e com a entrega. Por isso que você não tem de estar apaixonado para se casar. É mais difícil a gente ter uma resposta reflexa para o amor, ao contrário da raiva. É no amor você tem de residir fora do seu sistema líbico, particularmente fora da sua zona de traumas, nesse amor que se compromete. Porque implica muitas vezes de você abrir mão daquilo que você acha que é certo, abrir mão das suas crenças, o amor verdadeiro tem de abrir mão de crenças. E as crenças são muito enraizadas, são profundamente enraizadas no nosso subconsciente, na razão, na origem da nossa raiva. São de novo os filtros, só que tem um componente muito grande dos filtros culturais nas crenças. E tem uma frase do Yogi Bhajan que explica muito isso. Ele diz o seguinte: “quando você anda reto” (Gurusangat explica o que é caminhar reto: Você sabe que lá está seu objetivo e caminha em direção a ele, atravessa tormenta mas está lá), “Deus anda em torno. Quando você anda em torno, Deus sai para o lado.” Então quando você anda em direção ao seu compromisso, essa energia está sempre te protegendo. Quando você começa a perambular, essa energia sai.

A história do amor tem a ver com uma coisa muito importante que  a gente não tem, que é paciência. Então é isso: eu sei qual é meu objetivo, eu sei onde eu estou, eu sei o que estou fazendo, e eu vou continuar andando e um dia eu terei a prova do amor. E vocês às vezes têm raiva e quebram um relacionamento e decretam o fim porque sua minhoca tomou ácido em alguns meses só. Vocês não têm a força de se colocar no tempo. “Se você andar reto, Deus anda a sua volta. Se você começar a andar em volta, Deus sai de cena”. São milagres, gente! São milagres. Vocês compreendem isso? E qual é o compromisso do amor? É não deixar nenhuma dúvida no ar. Por doze anos (Gurusangat fala de uma situação específica como exemplo) eu simplesmente confiei, agora chegou a hora de esclarecer, manifestar, amar. Por o amor em prática. Esse tipo de solução de desentendimento e de conflito é dhármico, ele é que limpa karma de sangats. Mas a gente precisa estar disposta a não temer. Não temer. Qual poderia ser o meu temor? Temer o quê? Perder a minha identidade. A única maneira que a gente tem de provar a nós mesmos e ao mundo que nós somos pessoas do bem e somos pessoas do compromisso é a gente continuar se comprometendo e continuar caminhando o caminho do bem  a despeito de todo mundo apontar o dedo para gente. Entendem? Essa aula tem a ver com isso. O amor tem de ser isso. Esse impulso para amar tem de ser construído, ele não está em nós, ainda. O impulso para a raiva está em nós independente de qualquer coisa. Nós estamos prontos para agir na raiva. No amor é difícil porque pressupõe você não temer perder a sua identidade. Não é perder a minha identidade real, é a minha identidade projetada, é a tal da identidade projetada. Ou seja, a gente temer a difamação. O Yogi Bhajan dizia que quando você é difamado, mas você continua reto, muito karma é limpo. Persistam no amor e no serviço; e não tenham medo de serem difamados. E daí ser difamado? Todo mundo um dia vai morrer! A gente tem de colocar nosso olhar além do tempo histórico, olhar também para o tempo cósmico, porque isso ajuda a gente a compreender.

May the long time sun shine upon you…

[Transcrição: Sada Ram Kaur]