A travessia dos grandes oceanos

Você sabe o que significa “atravessar o grande oceano”?

Por Gurusangat Kaur Khalsa, PhD*

 

Sat Nam! Você já observou que, a maioria dos textos milenares e sagrados de várias tradições espirituais mencionam sobre uma determinada travessia dos grandes oceanos.

No Siri Guru Granth Sahib encontrei 676 citações sobre este tema. Permita-me compartilhar 5 destas linhas com você:

> Saraʼnjām lāg bavjal aran kai.
Esforce ao máximo para cruzar o aterrorizante oceano do mundo. Guru Arjan

> Gur sar sāgar bohitho gur irath arī▫ā▫o.
O Guru é o  barco que me carrega através do oceano do mundo e o Guru é o rio sagrado. Guru Nanak 

> Jam janār na lag▫ī i▫o ba▫ojal arai arās. ||2||
O mensageiro da morte não te tocará e, desta forma, você atravessará o aterrorizante oceano do mundo, levando com você muitos outros. Guru Nanak

> Jis sagur purak na beti▫o so ba▫ojal pacai pacā▫e.
Aquele que ainda não encontrou com o Verdadeiro Guru, está preso no aterrorizante oceano do mundo. Guru Nanak

> Gur mil ba▫ojal langī▫ai argėh pa parvā.
Encontrando o Guru, eles cruzam o oceano do mundo e  são  honrados na Corte do Céu. ~Guru Nanak

Compreender esta metáfora e absorver seu significado de forma prática e fazer bom uso disto em sua vida é muito importante.

A travessia do oceano do mundo é a viagem através dos mares revoltos com ventos fustigantes de nossas emoções descontroladas e comoções.  Sem esta travessia estaremos sempre reféns dos enredos de nossos desejos, traumas, dramas e complexos.

Estes enredos produzem, dirigem e encenam o drama de nossa vida, e quando nos damos conta, depois de ter passado muito tempo no palco sem saber exatamente para que, você não sabe sequer distinguir a fantasia da realidade.

A travessia do grande oceano é a viagem que todos teremos que empreender, mais cedo ou mais tarde. Melhor seria realiza-la de forma consciente, tomado de si e da realidade, lidando com as circunstâncias internas e externas, e fazendo escolhas diante dos desafios sem se esquecer do propósito e do destino final.

Esta é uma travessia selvagem, que exige rotas, mapas, técnica, conhecimento, treino, entrega e determinação.

Atravessar a tormenta  emocional é um teste de poder e de humildade. Todo capitão sabe disto. Uma tormenta deve ser reconhecida a tempo, respeitada e tratada `a altura. Quando se é capaz de identificar e atravessar a própria tormenta sabendo lidar com ela, dúvidas, medo, insegurança dão lugar a um estado de alerta, de total confiança e presença. É como velejar sendo guiado pela força que vem daquela Inteligência garantindo estabilidade e coragem para atravessar uma e mais uma e muitas outras tormentas, e finalmente alcançar o destino pretendido. Velejar sendo guiado pela força dos apelos por satisfação imediata é se atirar aos mar em um barco de casco rachado. Por mais que você contorne suas desvantagens, mais sedo ou mais tarde a boca implacável da tempestade te  engolirá.

Mas, muitos se perguntam se seria justo sermos colocados diante de tal grandiosa travessia, sem devido preparo? O que esperar, afinal de contas, de nossa habilidade de alcançar êxito no cruzamento do terrível oceano do mundo?

Claro que não é justo e sequer fomos colocados nesta travessia sem apoio e preparo. Em nós, e tão somente em nós, residem todos os recursos e todas as possibilidade para atravessar o complexo sistema de nossas emoções.

Tudo começa com você ali na praia, e naquele areal você recebe a seguinte ordem: aqui está o oceano e você deverá atravessá-lo para alcançar terra firme. Esta é sua jornada e lá está o seu destino. Pois bem, aqui está seu barco com as velas, e dois remos. Aqui também estão os mapas e sua bússola. Comida também foi colocado à bordo. Boa viagem!

E você entra então no barco, pega os remos nas mãos, olha para frente e vê o vasto mar. Lembra da rota, se alegra por ter mapas, comida, tudo! Ah,  você começa a se animar, afinal, vai ser uma liinnnda aventura! E assim, começa a remar pelo mar afora. Tudo calmo, mar tranquilo, e você rema e rema prazerosamente, cumprindo seu papel, no comando de seu barquinho, deixando para trás um porto e velejando em direção a uma novidade. Um novo destino!

De repente você nota que o céu está escuro, as águas agitadas, e pesadas nuvens escuras anunciam uma forte tempestade, que se aproxima rapidamente. Seu barco é sacodido e jogado para todas as direções. Você fica atônito. O medo começa a tomar conta de sua mente, e a única coisa que vem à mente é como se salvar desta terrível situação. Na ausência de clareza de raciocínio, no desespero de se sentir só e desamparado, você perde os remos, que são levados pelas ondas que açoitam o casco de seu barco. Com mãos na cabeça você chama pelo nome de Deus, e a única coisa que escuta é o rugido dos trovões e a luz prateada dos raios cruzando os céus escuros. Ah, no desespero, você se lembra que o barco tem velas! Sim, claro, as velas! E na decisão mais estúpida de sua vida, que ignora a realidade da tormenta e das regras de navegação, você, com grande dificuldade e bravura, iça as velas para ver, diante dos próprios olhos, elas se rasgarem quase que no mesmo instante pela ventania impiedosa. Um desastre total. Você encontra-se desoladamente perdido. Só, sem remos, sem velas, de nada te adianta ter comida e bússola nesta hora. Tudo que precisa é sobreviver. Seu barco está desgovernado e você tem medo de morrer. Deus existe mesmo?

Se seu barco e você conseguem atravessar a tormenta ou não, isto é uma questão de pouco importância nesta história. O mais importante aqui é aprender com a experiência e com os erros já cometidos.

Embora todos recebam os mesmos recursos para atravessar as grandes águas, no momento das dificuldades, só terão paz aqueles que tiverem no controle, no comando e na realidade. Pois, muito embora tudo esteja disponível, uma tempestade oportunista é o suficiente para te atirar às águas violentas das tormentas da mente.

* Guru Granth Sahib é uma coleção Sikh de hinos devocionais e poesia que proclama Deus (o verdadeiro Guru) e a meditação.

Yatra Ram Das Puri

por SS Guru Sangat Kaur Khalsa

Em 1970 Yogi Bhajan começou a adquirir terras para o Ashram em Espanola, e um dia, anciãos Hopis vieram ao seu encontro para uma visita formal. O momento era cerimonioso e especial. Eles contaram ao Yogi Bhajan sobre uma historia fantástica de sua Tradição (…) há milhares de anos, os Hopis recebiam pessoas vindas de todo o mundo a cada 108 anos para rezar ao Espírito Supremo, wakantanka, pela paz no mundo. As pessoas vinham da Europa, Asia e Américas cruzando rios, terras e oceanos e se encontravam onde hoje são as terras do Ram Das Puri.

solsticio2

Pouco mais de 1500  anos atrás estes encontros pararam de acontecer e, na tradição Hopi, deste então eles esperavam pelo Bahana, o “irmão branco desaparecido”, que viria do oriente, usando turbante, de branco, para resgatar a antiga e fabulosa tradição Hopi de ajuntar pessoas e trabalhar por uma nova era de paz e justiça sobre a terra. Eles disseram que este momento havia chegado porque viram no Yogi Bhajan a consumação de sua profecia. As terras que antes pertenciam aos Hopis foram resgatadas e adquiridas pela 3HO, e por 10 anos Yogi Bhajan e seus alunos trabalharam no local preparando-as. No dia 22 de junho de 1986, lideres religiosos de todas as denominações, caciques de varias tribos americanas, lideres políticos, ativistas da paz e pessoas interessadas foram convidadas para se encontrarem em Ram Das Puri e meditarem e rezarem pela humanidade.

Assim nasceu o Solstício do Verão!

solsticio