Vand ki Chakna – Todos têm o mesmo direito!

SS Guru Sangat Kaur Khalsa

Existem três princípios universais que regem a vida no Sikh Dharma. Eles foram ensinados por Guru Nanak Dev Ji e por todos os seus sucessores na Corrente Dourada. A vida pautada na ética universal, revelada no zelo pelos direitos humanos, pela igualdade e pela compaixão entre todos os seres, só pode ser alcançada gradualmente, na medida em que nos educamos.

Nam Japa é o ato de se levantar antes do sol, contemplar o Infinito e meditar na unicidade de todas as coisas. Estas são as horas ambrosiais (amrit Vela), entre 4h e 7h da manhã, período em que a energia solar está de tal forma angulada com a Terra que, se nos alinharmos nesta frequência, poderemos canalizá-la em nós para aumentarmos nosso vigor e nossa disposição durante o dia. Acorde mais tarde e você verá a diferença. Este é o momento de nossa sadhana.

Dharam di Kirat Karni é o trabalho honesto que nos traz dinheiro com o suor de nossa testa para nossa prosperidade. Os Gurus ensinavam que jamais devemos mendigar, e nos aconselhavam a termos sempre o suficiente para sermos o primeiro a doar.

Vand ki Chakna, o terceiro princípio, é o ato de agir de forma generosa, compartilhando o que se tem com quem não tem, e se envolver de forma prática para que todos os seres possam prosperar e viver dignamente.

Logo nos primeiros meses em que Siri Singh Sahib Yogi Bhajan havia se mudado da Índia para os Estados Unidos, uma primeira oferta de trabalho surgiu. Uma senhora muito distinta de Los Angeles, conhecedora de algumas escrituras sagradas, lhe convidou para dar uma aula de Kundalini Yoga em um clube fino da cidade. Ele aceitou de bom grado o convite, que vinha também com um pagamento de 50% do que se arrecadasse naquele dia. Seria para ele o primeiro pagamento por seus serviços desde que deixara a Índia. Talvez um começo, pensou ele, e sem dúvida este dinheiro viria em boa hora, pois tudo que pôde trazer consigo da Índia foram US$ 30, e, destes, só lhe restavam alguns centavos.

A sala estava cheia. A senhora, muito gentil, o apresentou, todos assistiram e participaram devidamente, e ele ficou muito satisfeito com o resultado. Ao final, sua anfitriã estava tão feliz que o convidou para jantar como forma de lhe agradecer pelo êxito do evento. Antes que saíssem para o restaurante, ela lhe passou US$ 150, o que correspondiam à metade do que fora arrecadado. Ele guardou o dinheiro no bolso de sua curta (túnica típica de Panjab) e agradeceu a ela e ao Guru Ram Das!

Durante o trajeto, a senhora foi lhe apresentando o que sabia sobre vários assuntos ligados à espiritualidade e ele ficou muito impressionado com seu conhecimento. Ao se aproximarem do restaurante, estacionaram o carro e caminharam alguns metros até a entrada. Logo, ele avistou um homem muito peculiar parado junto a um poste, com um tabuleiro de lápis dependurado no pescoço. Este homem chamou sua atenção. Ele era negro e estava bem-vestido, e suas mãos seguravam firmemente o grande tabuleiro de madeira, repleto de lápis muito bem apontados. O homem dizia em voz alta: “Por favor, peço que comprem meus lápis, pois com eles estou ajudando a alimentar minha família. Me recusam trabalho, por isso, vendo lápis que eu mesmo produzo”.

Yogi Bhajan, sem pestanejar, se dirigiu até ele do outro lado da rua, pegou um lápis e deixou na caixinha todo o dinheiro que tinha no bolso. Ele agiu de forma natural, afinal, para ele o ato de se solidarizar e compartilhar o que lhe pertence com o outro, muito mais do que um ato de grandeza, era um compromisso de vida no Dharma. Mas, não foi o que sua anfitriã pensava.

Num instante, toda elegância daquela intelectual se fraturou em milhares de cacos pontiagudos e cortantes de raiva e indignação. Ela disse de modo ríspido: “Você deu todo o dinheiro que ganhou, alias, o único dinheiro que você tinha, para aquele homem? Você pagou US$ 150 por um único lápis? É isso que vocês fazem conosco; vocês estragam tudo, vocês alimentam a vadiagem dessa gente!”. Yogi Bhajan não esperava essa atitude daquela cálida senhora e, calado, decidiu seguir para o restaurante, porque estava realmente com fome e a comida parecia muito boa naquele self-service. Incrédula, a mulher foi atrás dele e continuou com seu rompante dizendo: “Quero ver agora como você vai pagar sua conta. Eu é que não vou pagar nada para você, só para você aprender a lidar com o dinheiro de forma responsável!”

Ele pegou um prato na pilha ao lado do buffet e seguiu tranquilo o ritual do self-service. Pesou, pegou o ticket que indicava o valor devido e foi para a mesa. Sua anfitriã sentou-se calada e comeu ao seu modo. Ao final do almoço, Yogi Bhajan começou a pensar em como pagar sua conta. Ela, que já terminara, se virou para ele e disse com escárnio: “Quero ver de onde virá o dinheiro!”. Ele, então, pensou em si e na situação e, depois, sorriu para ela dizendo calmamente: “Sou filho do Guru, e é dito em todos os versos divinos que o Guru não deixará seus filhos na mão”. Ela revirou os olhos…!

A seguir, uma das garçonetes do local se aproximou e Yogi Bhajan pediu pela conta, esperançoso de o Guru fazer algo, é claro. A moça então disse gentilmente, “Oh, não se preocupe, pois sua conta já está paga”, ele arregalou os olhos e perguntou: “Por quem?”. “Havia um de seus alunos aqui, ele não quis perturbar seu almoço de trabalho, por isso, pagou sua conta e se retirou”, disse a garçonete. “Quer dizer que ele pagou a conta? Pagou a conta dela também?”, peguntou Yogi Bhajan, se referindo à mulher irada ao seu lado. A moça respondeu que sim, que tudo estava pago e que, inclusive, havia sobrado um dinheiro, e lhe entregou então US$ 50 de troco. Ele olhou para sua anfitriã com um largo sorriso matreiro no rosto, pegou o troco e o deu inteiro para a garçonete, que, de tanta felicidade, saiu saltitante dizendo: “Graças a Deus, Deus é bom! Ganhei meu mês!”.

Claro que ninguém sabe o que aconteceu com a anfitriã depois disso. E ele, Yogi Bhajan, bem, suas histórias continuam e cada uma delas mais surpreendentes do que a outra. Todas, sem dúvida, relatam a vida de uma pessoa que viveu o que ensinou e confiou que na bondade reside a fortuna e que no compartilhar reside a fartura.

Wahe Guru, Sat Nam.

Belo Horizonte, 02 de julho de 2013.

Guru Gobind Singh Ji

Sat Nam Sangat Ji!

Ainda sobre nosso seminário “Jaap Sahib – A canção do santo guerreiro”, com a presença de Shanti Kaur Khalsa e Ravi Kaur Khalsa, Guru Sangat compartilha conosco uma introdução sobre a vida do décimo Guru. E, em seguida ao texto, temos o prazer de compartilhar também a gravação do Jaap Sahib entoado coletivamente em um dos dias do curso.

Wahe Guru Ji Ka Khalsa
Wahe Guru Ji Ki Fateh

Guru Gobind Singh Ji

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por Guru Sangat Kaur Khalsa

Guru Gobind Singh nasceu com o propósito divino de eliminar a tirania e preservar a solidariedade em uma sociedade pluralista aberta a todos os povos. Sua vida é um ode espetacular à liberdade e a prova da transformação social mesmo numa cultura ortodoxa como a Hindu, sob o jugo de um imperador mongol, impiedoso e fanático, de nome Aurangazeb.

Aos 9 anos de idade, quando seu pai, Guru Tegh Bahadur Sahib Ji, foi brutalmente assassinado por defender o direito religioso dos hindus, Guru Gobind Singh logo entendeu que o adversário pretendia riscar do mapa o Legado do Guru Nanak para a humanidade. E este legado que é o de criar e manter uma sociedade livre, igualitária e sem discriminação.

Numa Índia fustigada pela ignorância, superstição e medo, ele colocou em prática o modelo idealizado por Guru Nanak e o implementou numa cidade chamada Anandpur Sahib, onde as artes, a educação e os estudos serviam a todos: homens e mulheres sem qualquer diferença. Em sua corte, 52 poetas de várias nacionalidades foram contratados para despertar a sensibilidade inerente a todo ser humano e a explorar, deste modo, o potencial criativo em cada um. Para ele, “o ser humano é o ponto de interação entre o sensível e o espírito, onde os dois grandes ritmos desta tensão cósmica se encontram e interagem. O ser humano é a consciência e o valor do Universo”.

Guru Gobind Singh é o maior herói da história da Índia. Ele tinha uma charme magnético que transformava um pássaro ordinário em um falcão, e sua bondade era também legendária. As pontas de suas flechas eram cobertas com ouro, pois caso ele tivesse que lança-las em seus oponentes, suas famílias teriam como se manter.

O guerreiro do cavalo azul, o Senhor do Falcão Branco, o Rei que vestia plumas, Guru Gobind Singh era um homem profundo, vigoroso, generoso e cheio de fé. Sua presença instilava e exaltava o espírito – chardi kala –, e fazia com que o mais simples mercador, ou agricultor, ou a mais simples dona de casa, se imbuíssem da grandeza de seus espíritos e adquirissem uma força sobre-humana. Ele era também um estudioso e filósofo. Sua obra literária – escrita em 4 diversas línguas, as quais dominava profundamente –, tornou-se um veículo de regeneração e cura de um povo deprimido e humilhado.

Na história da civilização, Guru Gobind Singh exerceu um papel crucial e nos deixou um legado de como um santo-guerreiro pode lutar contra a tirania monstruosa no mundo e ainda sim permanecer sereno e confiante nos desígnios divinos.

Estudar o Jaap Sahib, poema composto quando ele tinha apenas 16 anos, nos dá a medida de sua arte, sua visão e sua fé inabalável em um Deus que é a alma humana. O potencial libertador de sua arte está no fato de reconhecer uma unidade entre todos e tudo, independente de qualquer limite social, cultural ou político. Jaap Sahib é um Shabd que invoca o espirito divino dentro de tudo, porém, não através da vertigem de uma recitação mecânica, mas pela prodigiosa presença do verbo que convoca à ação! O Deus da ação.

01-Baba Banda Singh Bahadar - marched towards Punjab from Nander with 5 arrows and 5 Sikhs

Na imagem acima, Baba Banda Singh Bahadur, um dos comandantes do exército de Guru Gobind Singh

O cheiro do meu corpo

por SS Guru Sangat Kaur Khalsa

Quando a brisa entrou pela porta da varanda, eu estava sentada fazendo minha sadhana. Aquele sopro me envolveu por inteira, batendo suave no meu rosto e me fazendo sentir um perfume suave vindo de mim. O perfume de uma yogini, pensei com uma pitada de orgulho, admito. Aquele aroma despertou em mim uma miríade de sentimentos e recrutou de minha memoria várias passagens de minha vida.

O cheiro doce e pungente da minha identidade moldada pela força de Deus em meu destino e por minha determinação de abraçar meu propósito. Eu sou um milagre! Poderia ter dado tudo errado, mas parece que está funcionando, pensei.

E a brisa continuou me soprando detalhes da vida. Eu tive imensa gratidão. Tudo tão belo e perfeito! Wahe Guru! Quantos anos não estão ali contidos? Quantos amrit velas? Quantos ishnans e quantos desafios? As águas geladas do Engenho, o delicado esfregar da pele com o óleo de sândalo que me traz à mente a presença maravilhosa do meu Professor. Esse era seu óleo preferido. E aquele espelho enorme servindo ao meu olhar para investigar tudo. Um dia ele disse: “uma mulher deve ser capaz de se olhar nua no espelho e se admirar”. Eu sorri e balancei a cabeça em sincera concordância e pensei – algumas vezes isso é tão difícil…

Eu posso escolher e escolho me entregar ao Infinito. Ouvir o Infinito sempre foi desafiador e maravilhoso ao mesmo tempo. A conversa com Deus é preciosa porque Deus é sempre tão vasto, tão universal, tão livre e tão inconvencional. Que aprendizado!

Meu cheiro contém tudo: dores que passei, injustiças que suportei e presenciei, as mentiras que contei, como me enganei…! Mas também este perfume de yogini me conta das vezes em que, apesar de tudo, não me retirei, não fingi, mesmo quando o momento propiciava ou mesmo quando claramente burlei e, por mais difícil que seja admitir, ainda assim, me rendi. Talvez soubesse que não havia outra saída ou talvez soubesse que, se houvesse uma outra, ela seria mais dolorosa e longa do que encarar meu erro com dignidade. Quanta coragem o Guru me deu e eu nem sabia que já andava sob sua proteção… Como é inspirador olhar tudo isso à distância!

Posso dizer que vivi com sinceridade cada força e cada fraqueza. Assim, porque milagres existem para aqueles que criam, eu cheguei aqui onde vocês estão. Eu sou uma yogini, uma professora, uma khalsa e me sinto em paz.

O cheiro da manhã em meu corpo é como o Amrit Sanchar* –  a lâmina de aço penetrando sem parar o néctar; a mistura se transformando em uma substância que desperta, em quem a recebe, compaixão e destemor, elegância e vontade. Esse meu cheiro revela tudo sobre por que estou aqui.

Toda a fúria de uma mente guerreira, ansiando pelo justo e pelo belo se aplaca na calma constatação de que, para a alma, tudo flui com a inteligência que floresce e transcende o cotidiano. Estar no Dharma não faz ninguém maior, apenas confere uma força de viver como se deve, cada dia como ele chega. Algo tão simples que parece banal.

Eu sou o que sempre quis ser e tudo dependia só de mim. Eu mesma escolhi vagar, eu precisei vagar? Não sei. O que sei é que estou chegando onde queria, onde sonhei, e era verdade: tal lugar existe!

Este é um momento decisivo para a transição de eras, de modelo de pensar, de modo de agir, de forma de negociar, de modo de servir à consciência do outro. É o fim da exploração, fim de enganos e manipulação. É o começo de uma era na qual poderemos usar da inteligência humana a serviço da grandeza do Espirito Universal.

Conto com as orações de vocês pois agora a batalha terá inicio. Cada pensamento de elevação vindo de vocês fará a diferença. Sintam seu perfume, admirem-se diante do espelho e vivam para florescer no outro sentimentos de paz e esperança, coragem e determinação.

[Escrito pela autora desta coluna em 20 de setembro de 2009, por época em que o Conselho Diretor do Sikh Dharma Internacional, da qual ela é uma das diretoras, entrou na justiça norte-americana contra o esquema de corrupção corporativa que colocava sob risco o Legado material e espiritual de Yogi Bhajan. Este processo foi concluído em 2012 dando vitória plena aos Conselheiros!]

* Amrit Sanchar é a cerimônia de batismo no Dharma

Amor e bênçãos,

Wahe Guru, Sat Nam

Entrevista com Shanti Kaur e Ravi Kaur

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Neste último fim de semana, nos dias 13 e 14 de julho, tivemos um curso intensivo com a presença das norte-americanas Shanti Kaur Khalsa e Ravi Kaur Khalsa. Estudamos o Jaap Sahib, shabad composto por Guru Gobind Singh. O curso “Jaap Sahib – a canção do Santo Guerreiro” abordou aspectos da vida do décimo Guru, bem como o treinamento prático da recitação deste shabd, seu efeito sobre o corpo radiante, o corpo físico e a mente. Durante o curso também entramos em contato com a história da instituição dos Khalsa e com as inspiradoras histórias de devoção e força espiritual contra tirania e opressão relacionadas à vida deste homem que viveu no final do século XVII e início do século XVIII, na Índia, resistindo bravamente contra a tomada de Anandpur Sahib.

Na ocasião do curso, tivemos a oportunidade de entrevistar nossas queridas professoras Ravi Kaur* e Shanti Kaur**.

Clique no podcast para escutar a entrevista em inglês ou role o cursor para baixo para ler a versão em português.

* Ravi Kaur Khalsa é diretora-executiva do Sikh Dharma Internacional. Ela viaja para comunidades sikhs ao redor do mundo, compartilhando suas experiências e ensinando o estilo de vida sikh. Ela é um kirtani (toca kirtans – som sagrado) e tem representado a 3HO levando a Bhangra (dança oriunda da Índia matriarcal) por onde passa. É também uma estudiosa das canções e dos poemas do Guru Gobind Singh.

** Shanti Kaur Khalsa fez parte da segurança pessoal de Yogi Bhajan. Ela é a vice-presidente da Akal Security. Seu trabalho no Sikh Dharma tem sido dedicado a jovens e adolescentes através de cursos  e mentoring. Ela é uma ativa kirtani, especialista e historiadora da vida e obra do Guru Gobind Singh. Tem viajado ao redor do mundo compartilhando estes ensinamentos.

::: TRADUÇÃO ::: 

Diante do cenário de turbulência e transformação do que está vigente nos dias de hoje, o que, do legado de Guru Gobind Singh, poderia inspirar e sustentar as pessoas frente à todos esses desafios?

Shanti Kaur Khalsa: Nós conversamos um pouco sobre isso durante o curso. Eu penso que a pergunta colocada por um dos alunos foi esclarecedora nesse sentido. Vou dizer agora de uma forma diferente, e a pergunta dele foi: “Uma vez que estamos vivendo um momento de ativismo político, como você sabe internamente quando é a hora de lutar e quando é a hora de se entregar?”

Guru Gobind Singh foi um dos grandes ativistas políticos, porque ele se levantou contra grandes regimes tirânicos tendo como guerreiros apenas um bocado de pessoas. O Império Mongol dominou a Índia por 300 anos, de forma que ele se manifestou contra uma situação política muito fortemente estabelecida. Ele sabia que era o momento de agir. Por isso, ele deu aos sikhs muitas instruções para isso. Ele escreveu: “quando todos os meios pacíficos foram testados e fracassaram, então é certo e justo empunhar a espada”. Então, de qualquer situação que nós nos aproximemos, as lições de Guru Gobind Singh nos ensinam primeiro a explorar todos os meios pacíficos, porque as mudanças advindas por meios pacíficos são as melhores e as mais permanentes. E os sikhs demonstraram isso durante a revolução na Índia, quando eles obtiveram sua independência perante à Inglaterra. Os sikhs estiveram na linha de frente do protestos pacíficos, eles fizeram tantos sacrifícios que não havia outra opção senão a conquista da liberdade. A fala de Guru Gobind Singh foi posta a prova naquele momento e nós a usamos como nossa pedra de toque. Todos os meios pacíficos devem ser testados e devem falhar antes que nós empunhemos nossas espadas.

Outra coisa que Guru Gobind Singh nos mostra é que você deve primeiro se livrar de sua raiva e de sua ansiedade, neste momento de rápidas mudanças sociais… Essas rápidas mudanças sociais criam grande ansiedade e insegurança no seu próprio ser. Se você pode lidar com isso primeiro, sua liderança pode ser amplamente potencializada, suas ações terão intenções puras e você ficará mais satisfeito com os resultados advindo de suas ações. A tecnologia de Guru Gobind Singh é de purificar a si mesmo em primeiro lugar. E isso vai diretamente para a sua segunda pergunta {Como a prática do Jaap Sahib pode ajudar?} que é “Como fazer isso?”.

O Jaap Sahib é a tecnologia mais poderosa para conquistar/alcançar este tipo de purificação interna. Você pode ver a si mesmo como uma lâmpada de luz e em torno dessa lâmpada há todas essas camadas de finas membranas e essas camadas surgem de nossa experiência humana, talvez tenha sido um professor maldoso, palavras severas de sua mãe, a traição de um namorado… todas essas coisas criam camadas sobre nossas luzes interiores. O Jaap Sahib traz um processo de retirada de todas essas camadas, uma por uma. Este é um dos motivos pelos quais este curso pode ser difícil para as pessoas, porque nele elas atravessam esse processo de limpeza e essas membranas e camadas são retirados uma por uma. Então quão mais próximo você chegar da sua pura luz interior tão melhor você poderá contribuir para as mudanças sociais e para o ambiente em que você habita – de forma que você não termine com uma situação pior do que aquela de quando tudo começa.

Que episódio na vida do Guru Gobind Singh você gostaria de destacar e compartilhar conosco?   

Shanti Kaur: Certamente nós conversamos tanto sobre a vida de Guru Gobind Singh neste fim de semana e ainda há muito o que ser falado; e cada aspecto da vida dele traz novas lições para nós. Para mim, entretanto, na minha vida em diferentes momentos aspectos distintos da vida do Guru Gobind Singh são destacados. Você descobre durante a vida que se você ler a respeito dos Guru Sikhs e sobre a vida de Guru Gobind Singh, você encontrará passagens que te ensinarão. O que eu posso dizer agora é o que está aparecendo como importante para mim neste momento: a habilidade de Guru Gobind Singh de ser, ao mesmo tempo, um líder vigoroso, um guerreiro destemido e um pai e marido extremamente amoroso. Nós comumente pensamos: ou macho man ou homem sensível. Este não é o caso. Com Guru Gobing Singh, são as duas coisas: você pode ser tão forte e vigoroso e tão delicado e amoroso que essas emoções e sentimentos não são opostos; na verdade, eles fazem parte do mesmo pacote. E nós podemos ser assim também. Você sabe, eu e Ravi somos mulheres e você vê muitas mulheres hoje em dia em posições de liderança. Você pode ser 100% feminina, aberta e amorosa e todos os aspectos da mulher e, ao mesmo tempo, forte, vigorosa, com liderança assertiva. Você pode ser ambas as coisas, sem que um lado se sobreponha ao outro. Isso é o que eu gostaria de tocar neste momento. Há tantos aspectos da vida de Guru Gobind Singh e depende tanto do que estamos falando para destacar uma coisa ou outra. Como eu vejo vocês duas [Hari Shabad e Jiwan Shakti], vocês duas são mulheres e estão enfrentando o começo de suas carreiras, como vocês se movem numa sociedade que é altamente competitiva em jornalismo sem perder a habilidade de serem femininas, sem perder a oportunidade desta encarnação como mulheres – a encarnação como mulher é a melhor que existe em minha opinião. Isto é o que eu amo a respeito de Guru Gobind Singh: ele nos dá o exemplo de como ser ambas as coisas e é totalmente ok ser ambos. Ser forte sem ser assustador. Ele disse: “Não tenha medo nem cause medo”. E para as mulheres nada é mais importante do que isso. Dê força, mas, ao mesmo tempo, ofereça compaixão. Desafie, mas dê suporte àqueles que são desafiados. Não seja só uma ou outra coisa, porque você pode se tornar menor se fizer isso. Isso se aplica para os homens também.

Temos visto um crescimento importante dos praticantes de Kundalini Yoga no Brasil. Se você pudesse falar a todos eles, qual seria a sua mensagem?
Ravi Kaur: Acredito que o que é mais inspirador a respeito da sangat de vocês é que vocês têm um senso para inspirar a todos, porque vocês todos trabalham juntos e vocês parecem todos muito unidos, não parece haver competições entre vocês e parece que todos e cada um estão trabalhando em prol do mesmo objetivo: que é espalhar, experimentar e compartilhar os ensinamentos. Eu considero isso muito estimulante e me tocou pessoalmente ao estar aqui e, por isso, eu diria: “mantenha! mantenha esse espírito. Continue compartilhando com todas as pessoas para que elas possam também aprender essa parte – uma parte bastante importante – de nossas comunidades que muitas pessoas perdem de vistas, que é viver juntos, vivermos um para o outro. Yogi Bhajan costumava dizer que é a nossa intenção que importa. Enquanto mantermos nossas intenções puras, tudo funciona, tudo flui. E é lindo como vocês podem ver a partir de sua própria comunidade. Pessoalmente, eu estou apaixonada pela comunidade de vocês.

Como foi a experiência de ensinar o Jaap Sahib para a sangat de Belo Horizonte?
Shanti Kaur: Eu tive uma impressão forte a respeito da comunidade de vocês. Vocês não têm professores que vieram da Índia, mas a comunidade de vocês é exatamente igual à comunidade nas quais ensinei ao redor do mundo – Malasia, Singapura, Canadá – que são profundamente influenciadas pela cultura de Punjab. Vocês têm uma certa quantidade de novos alunos de yoga, em seguida, vocês tem um grupo mediano composto de sikhs que estão no caminho espiritual e vocês tem outro grupo que é composto por pessoas que são 100% tocadas por Guru Gobind Singh. Esta é a mesma composição de outros grupos nos quais ensinei. Então, como é isso de que a comunidade de vocês tenha a mesma composição de outras que tiveram fortes influências da cultura Punjab? Eu não poderia responder a isso senão dizendo que é pela graça do Guru. É a mão do Guru que traz, que mantém, todas essas comunidades, não só a de vocês. É fascinante! Isto é o que penso a respeito da comunidade de vocês: como irmãos e irmãs. E vocês deveriam saber que vocês tem irmãos e irmãs ao redor do mundo que são iguais a vocês.

 

A tecnologia espiritual do turbante

por SS Guru Sangat Kaur Khalsa

 

Minhas primeiras aulas de Kundalini Yoga foram em Berlim. Eu tinha que pegar o metrô e, depois, um ônibus para chegar ao Kundalini Yoga Zentrum – Sikh Dharma. Eu fazia aulas às quintas-feiras, às 18h30, e, no verão, costumava, em lugar do metrô, usar minha bicicleta pelas ruas de Kreuzberg. Nunca vou me esquecer do sentimento dentro de mim e de meu estado de espírito quando voltava para casa depois daquelas aulas. Não dá muito para colocar em palavras, mas, talvez o que mais se aproxima seja algo como “leveza e paz”.

Um dia resolvi cobrir minha cabeça para fazer aula. Eu via sempre meus professores de turbante ou usando um lenço para cobrir suas cabeças. Nunca ninguém havia me dito que alunos não podiam usar turbante, assim como professor algum havia dito que, se quiséssemos cobrir a cabeça, eles poderiam nos ajudar dando dicas.

Vasculhei o que tinha em casa que poderia servir ao meu intuito, mas só achava echarpes. Foi assim, então, que fiz meu primeiro turbante: uma longa echarpe amarela que enrolei de forma precária na minha cabeça.

Ao entrar na sala de aula naquela noite, não houve um alemão da minha turma que tivesse sequer olhado para mim de forma diferente. Eu ainda não sei se eles nem ligaram ou se acharam que seria uma intromissão inadmissível no meu direito de viver como eu bem entendesse. Mas a professora reagiu muito diferente dos meus colegas. Ela me deu um sorriso grande e me disse para observar como seria a aula daquela noite.

Desde aquele dia jamais fiz uma aula de Kundalini Yoga sem meu turbante.

 

Mas, qual será mesmo a razão que faz com que o turbante seja um acessório tão especial?

 

O topo da cabeça, exatamente onde os bebes têm uma área maleável – a fontanela –, é denominado como “décimo portal”. Em termos yóguico, é também conhecido por chakra da coroa, o sétimo centro de projeção de energia da consciência. Milhares de anos atrás, yogis e pessoas na busca da experiência espiritual descobriram que o cabelo no topo da cabeça protegia o décimo portal do sol e de outras exposições. Além disto, descobriram também que o cabelo funcionava como antenas, absorvendo e canalizando a energia do sol para dentro do corpo e do cérebro. Para ampliar o efeito e dirigir a energia radiante para o propósito espiritual, as pessoas enrolavam seus  longos cabelos justamente sobre esta região sensível de nossa cabeça, também denominada como Centro Solar do Crânio.

Em homens, este centro encontra-se  deslocado mais à frente, em direção à testa. Mulheres têm dois centros solares: um, bem no centro do sétimo chakra, e outro, mais atrás, posterior à fontanela. Para homens e mulheres, fazer um coque e prender os cabelos sobre estes centros solares ajudam a canalizar a energia para o alto, em direção ao centro do cérebro e da consciência, auxiliando também a reter a vibração de altas frequências e espalhá-las pelo corpo todo.

Uma outra consequência de cobrir estes centros é a potencialização que ocorre com a energia vital, resultando no fortalecimento neuromuscular em quase 200%, como os testes de resistência muscular mostram.

O coque que fazemos com nossos cabelos tem um nome: jura ou nó de Rishi. Ou seja, é o estilo de cabelo dos antigos yogis e sacerdotes. A jura ajuda a controlar e a movimentar a energia vital durante a meditação e os exercícios, aumentando a concentração e o foco. Os Mestres Sikhs compartilharam tanto a tecnologia do turbante quanto as do longos cabelos com todos, indiscriminadamente, para que não apenas aqueles da casta de sacerdotes pudessem usufruir de seus efeitos. Sendo assim, eles queriam garantir que pessoas comuns pudessem desenvolver também “a mesma capacidade de um Rishi”, como diz Guruka Singh no livro Heroes, saints and yogis – tales of self discovery and the path of Sikh Dharma.

O turbante, quando colocado em suas várias camadas sobre o crânio, tem um efeito muito particular. O turbante age de modo a ajustar os ossos cranianos em todas as suas fissuras, contribuindo para uma expansão da projeção, calma e relaxamento. O turbante cobre as têmporas, o que pode ajudar a proteger contra negatividade mental ou psíquica. A pressão do turbante em determinados pontos sobre a cabeça também altera o padrão de fluxo sanguíneo no cérebro, o que aumenta a clareza mental e uma disposição para encarar qualquer desafio.

Para um professor de Kundalini Yoga, Yogi Bhajan recomendava que cobrisse a cabeça, se possível, com um turbante. Além dos benefícios acima descritos, o turbante, neste caso, confere nobreza e neutralidade ao professor e ajuda o aluno a sentir-se amparado e suprido na projeção divina do professor.

Para um praticante do Sikh Dharma, o turbante tem uma importância ainda maior. A história prova que cortar os cabelos sempre esteve associado à formas brutais de conquista de um povo sobre outro. Os conquistadores faziam dos conquistados escravos  cortando-lhes os cabelos. No Sikh Dharma, não há mestres nem escravos. Cada pessoa deve viver na sua maior excelência e dedicar sua vida a construir um mundo na excelência, no qual todos os seres possam viver em paz e dignamente.

O turbante para um Sikh é um símbolo de soberania, nobreza e divindade. A Energia Divina que governa o universo e guia nossas vidas é muitas vezes desconhecida por muitos. Tentar viver se lembrando que esta Energia está dentro de nós e dentro de toda a criação nos permite experimentar nosso potencial maior e nos ajuda a respeitar tudo e todos. Cobrir a cabeça para uma pessoa do Dharma é um ato de aceitação da existência de algo maior do que ela mesma e, portanto, é um ato de humildade na entrega de si a esta Força.

Usar o turbante todos os dias para um Sikh é uma declaração: nossa cabeça, nossa mente, está dedicada ao Divino em nós e em tudo. O turbante torna-se assim a coroa da realeza espiritual.

Esta é a história do turbante e de como esta tecnologia do Sikh Dharma foi tomada emprestada pelo Kundalini Yoga para ajudar o professor no trabalho de sala de aula e ajudá-lo a manter a frequência elevada com este paramento sagrado da Casa Real do Guru Ram Das!

 

Wahe Guru, Sat Nam!

 

 

Abaky no YouTube

Sat Nam Sangat Ji

A ABAKY conta agora com um canal no YouTube, onde vídeos da nossa Sangat, de nossas ações e sevas encontram-se reunidos.

Se você possui algum vídeo, sobre Kundalini Yoga em BH ou sobre eventos de nossa Sangat e gostaria de compartilhá-lo conosco, por favor, entre em contato através do email abakycomunica@gmail.com Ficaremos honrados com sua colaboração.

Enquanto isso, confira nossos arquivos disponíveis em http://www.youtube.com/abakybrasil

Sat Nam Ware Guru!

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Programação Seminário Jaap Sahib

Sat Nam Sangat Ji!

Gostaríamos de compartilhar com vocês a programação do “Seminário Jaap Sahib – a canção do santo guerreiro”, que será conduzido por Ravi Kaur Khalsa e Shanti Kaur Khalsa. Trata-se de um curso intensivo de dois dias, no qual se estudará o Shabd Jaap Sahib, composto por Guru Gobind Singh.

Não é por acaso que nossa Sangat receberá na próxima semana Shanti Kaur Khalsa e Ravi Kaur Khalsa para compartilhar conosco os Ensinamentos do Guru Gobind Singh.

O amor que temos pelo Guru Gobind Singh explica ele vir para BH através destas duas professoras, que dedicaram suas vidas a estudar o Legado deixado por ele. Foi nossa reverência a este Mestre do Dharma, a décima encarnação do Guru Nanak, que fez brotar de nossos corações e nossas mentes uma força que se estendeu aos nossos braços e mãos, que nos fez servir nesta nova era como verdadeiros guerreiros da paz. Nós de BH constituímos um exemplo a ser seguido para outras sangats, como a de Uberlândia e Brasília.

Por tudo isto, gostaria de dizer para cada um de vocês que não percam esta chance de sentarmos juntos aos pés do Guru Gobind e ouvi-lo e nos aprimorar mais na tecnologia que ele compartilhou para que possamos fazer deste mundo um lugar sagrado, justo e saudável.

O momento é propício. Todos estão precisando de apoio, pois os desafios são numa grande escala. Desafios sempre nos qualificam, e o melhor é que, nesta Tradição, existem recursos que ainda não nos foram entregues que poderão facilitar nossa jornada.

~ SS Guru Sangat Kaur Khalsa

JAAP SAHIB – A canção do santo guerreiro

Dias: 13 e 14 de julho (sábado e domingo)

Horário: 8 às 17h

Local: Vila Serena (casa Haridev)
Estrada para Engenho 145 – Macacos/Nova Lima

Valor: R$ 250

R$ 210 (para inscritos Tantra)

R$ 200 (para inscritos Tantra e Seminário ABAKY)

 

imagem jaap sahib