O Guerreiro da Paz*

por SS Gurusangat Kaur Khalsa

​Eu sempre me encantei com a história da humanidade. Desde muito pequena, eu era um tipo de arqueologista ignorante do ofício e de seus riscos, deixando-me guiar pela inocência em meu coração. Adulta, descobri o que mais me encantava naquelas incursões no passado. Eu buscava gente, eu buscava o que elas pensavam e como elas viviam, mas buscava, principalmente, o que elas deixaram de substancial para minha vida.

Demorou quase três décadas para que eu encontrasse a natureza do que realmente buscava. Foi no Kundalini Yoga que encontrei a ciência que tanto me encantava na história da humanidade — a cartografia da psique humana!

Yogi Bhajan, meu professor, dizia que certas culturas produziam certos seres humanos, os quais poderiam produzir mapas de jornadas que nos serviriam como instrumentos de navegação por territórios desconhecidos no futuro. Esses mapas faziam parte da experiência estética, espiritual e social destes seres singulares e se tornariam parte de uma rica cultura cartográfica da experiência humana.
Houve um momento em que a vida dos meus dias cruzou os dias do passado de meu professor. Foi um encontro fugaz e original e, naquele instante inédito, em vez de seguirmos na diagonal das nossas histórias, decidimos seguir juntos. Claro que ele não poderia seguir comigo literalmente, já que tinha a vida de seus dias para andar; e nem eu poderia seguir com ele, porque, logo de início, ele comunicou na tensão do nosso amor que, “o professor não é a alternativa; o professor é o altar!”

Eu não tinha tempo para pensar, pois ele seguia sua rota e eu, a minha. Mas, eu sabia que não queria andar na diagonal para fora do seu amor e de sua inteligência. Foi aí que entendi sobre a cartografia e logo tomei seus mapas para mim, que seguiram comigo, de forma que ele nunca mais se ausentou dos meus dias.

A história que gostaria de compartilhar com todos é fenomenal. Trata-se dos mapas de um guerreiro da paz.

Sinto estar longe de fazer jus à intensidade de sua poesia e à exuberância de sua existência, mas, seja lá qual for a maneira que Deus me inspire a escrever, não tenho nada mais a fazer a não ser consentir.

O que mais me estimula é pensar nos meus alunos, nos amigos e familiares que já se acercaram da tecnologia dos Gurus Sikhs e que hoje a põem em prática em salas de aula como professores de Kundalini Yoga, nos seus negócios e em seus relacionamentos.

Se você quiser, vou te levar para as ruas da história e da poesia de um povo peculiar. Vou te trazer para perto de um santo-guerreiro que viveu apaixonadamente sua missão, amou com profunda entrega, fez a justiça viver nas artes, na educação e na diplomacia. Quando tudo isso falhou, ele enfrentou o inimigo da paz em campos de batalhas. É sobre este líder espiritual e sobre a historia de seu povo que gostaria agora de me deter.

O momento é inevitável. Existe uma profecia do pai do Guerreiro que diz “seremos 960 milhões puros de coração e mentes”. Nós podemos não ser meros espectadores nesta peça. A decisão paira no instante, e o tempo passa! A decisão é de cada um: andar ou não andar na diagonal daquele amor.

As cortinas se abrem…

Wahe Guru, Sat Nam.

* Prefácio do livro sobre o Guerreiro da Paz, Guru Gobind Singh Ji

Estrume seco de vaca

por SS Gurusangat Kaur Khalsa

Ele era um rei poderoso e também temperamental, mas, tinha um bom coração.

Um dia, em uma de suas cavalgadas, ele passou pela vila e justamente neste dia seu humor estava péssimo.

Na vila, o de costume. Pessoas andando daqui para lá, alguns vendendo suas mercadorias em grandes sacos e cestos e outros apenas passando o tempo.

No momento em que o rei passava pelo local mais movimentado da vila, um mendigo se aproxima com sua vasilha e estende seu braço em direção à misericórdia do soberano. O rei ficou furioso e disse ao mendigo que não o importunasse, atirando em sua vasilha um pedaço de estrume seco de vaca, o qual estava empilhado logo ao alcance de sua mão.

O mendigo recolheu sua vasilha, retirou o estrume seco e o jogou no chão, se virou e seguiu seu caminho de cabeça baixa e consternado.

Não demorou muito para o rei sentir que ele havia feito algo muito errado e que haveria consequências kármicas de peso para ele. Ele sabia que aquele mendigo era um sadhu, um homem de Deus, que apenas meditava e não incomodava ninguém. O rei se sentiu muito mal em ter humilhado e destratado o mendigo como o fizera, e seu coração o comandou para que fosse ao seu encontro e se desculpasse.

O mendigo, por sua vez, que era mesmo um homem santo, tinha o poder de ensinar uma lição ao rei de duas maneiras: ou ele o colocaria em suas orações e o perdoaria, ou ele lhe daria a oportunidade de aprender através de uma lição muito desafiadora. Ele escolheu o segundo caminho.

O estrume seco de vaca que o mendigo jogara ao chão, lá na vila, já não era mais um apenas. Ele havia se multiplicado e se transformado em uma pilha. O rei assustado com aquilo decidiu procurar o sadhu em sua casa imediatamente para se desculpar.

Quando o rei lá chegou, o seguinte diálogo foi travado:

REI: Eu sei que o que fiz foi muito errado, eu sinto muito mesmo por isso. Eu jamais deveria ter agido daquela maneira e gostaria que você me dissesse se há algo que eu possa fazer para resolver a situação!

SADHU: Humm. Entendo seu sentimento de arrependimento. Há sim algo que você possa fazer – o rei abre um sorriso – e o sadhu continua: Você deve ir à vila e comer a pilha de estrume que lá se formou.

REI: O que? Comer o estrume seco de vaca? Isso não é possível!

SADHU: Oh, sim, é possível. Você, inclusive, deve comer o quanto antes, porque quanto mais demorar, mais a pilha vai aumentar. A decisão é sua!

REI: Oh, meu Deus! Que coisa terrível. Eu preciso tentar então.

Ele saiu da casa do sadhu e foi à vila. Lá, ele encarou a pilha de estrume seco de vaca e realmente tentou dar a primeira mordida, mas não conseguiu. Ele fez vômitos e concluiu que não seria capaz de fazer aquele sacrifício. Desesperado, sabendo que seu karma ia aumentar, galopou novamente até à casa do santo e lhe fez a seguinte pergunta:

REI: Santo Ji, maf karo (me desculpe), mas eu não consegui comer o estrume. Tenha piedade de mim e me diga se há outra forma de eu me desculpar com você. Por favor!

SADHU: Humm. Bem, na verdade existe sim outra maneira – o rei abre novo sorriso; o sadhu continua – você deve voltar ao seu palácio e convocar o maior número de palacianos possível e pedir a eles que se dirijam pelo reino afora, muito além da vila, e comecem a difamar o rei. Eles devem iniciar uma rede de maledicências a seu respeito. Esta seria a única maneira de você fazer com que a pilha de estrume diminua porque a difamação come o karma!

REI: Meu Deus! Eu serei difamado por todo o reino? … Bem, se é isso que deve ser feito, que seja feito então! Assim será. Obrigado Sadhu Ji. Eu vou fazer exatamente como você manda.

Assim o rei partiu e, em poucas horas, o reino inteiro começava a falar mal dele. Coisas horríveis e muitas inverdades foram espalhadas e elas ganhavam força em cada lábio que o difamava. O rei, por sua vez, verificava de hora em hora a pilha de estrume, que realmente diminuía a cada dia! Era impressionante, pensava ele, a pilha realmente estava desaparecendo.

O dia em que restava apenas um estrume seco de vaca, ele ficou muito feliz. Mas logo sua felicidade se transformou em ansiedade porque, por mais que falassem mal dele, esta única peça de estrume não era eliminada. Ele não entendia por que e, assim, decidiu procurar o sadhu mais uma vez.

REI: Sadhu Ji, maf karo (me desculpe) por importunar suas meditações, mas eu preciso saber o que está acontecendo com um único pedaço de estrume seco de vaca que resiste a todo custo, que está lá no chão e não desaparece! Estou ficando atônito e quero saber o que posso fazer para resolver esta situação! Por favor, tenha piedade de mim!

SADHU: Humm. Entendo. De fato existe uma única pessoa neste reino que não falou mal de você. Vá até a sua casa. Ele é um eremita que vive isolado. Procure-o e veja com ele o que você pode fazer.

Assim fez o rei; procurou o ermitão em sua choupana e o seguinte diálogo entre os dois se travou:

REI: Prezado senhor, estou aqui para pedir que se junte ao povo deste reino em me difamar. A história é que através da difamação meu karma está sendo pago. Eu fiz algo muito ruim para um santo deste reino, e ele me disse que se eu deixasse que falassem mal de mim, uma pilha de estrume, que cresce em consequência de minha atitude, seria eliminada. Acontece que uma única peça de estrume resiste em desaparecer, e eu preciso que você me ajude a eliminá-la falando mal de mim.

ERMITÃO: Não me venha com essa história de forma alguma. Você é um rei tolo. Eu jamais falarei mal de ninguém. Eu não falarei mal de você porque não quero adquirir karma algum com você.

REI: Deus do céu, você me parece uma pessoa sábia – insistiu o rei –, e talvez saberia me dizer o que eu preciso fazer para eliminar aquele único pedaço de estrume antes que comece a se formar outra pilha a partir dele. Diga-me, existe algo que possa ser feito?

ERMITÃO: Sim, claro que existe – o rei sorriu e se sentiu aliviado – Você precisa ir até lá na vila e comer aquele pedaço de estrume seco de vaca!

Yogi Bhajan sempre dizia que quando somos difamados, nosso karma seria eliminado. Esta história mostra também o lado de quem difama. Em nossas vidas, quando estivermos passando pelo processo de limpeza de nossos karmas, encontraremos sempre algumas pessoas bondosas que nos darão amor e respeito. Por causa da compaixão delas, nós, mais cedo ou mais tarde, haveremos de comer o estrume seco de vaca resultado de nossa insensatez e ignorância por viver fora do reino de nossa própria divindade e desalinhados com nossa identidade real.

Wahe Guru, Sat Nam.

Blo Horizonte, 17 de setembro de 2013.

(* Visite o site do Sikhnet para mais histórias como essa)

Por quê Tantra Yoga Branco?*

por Iêda Ferreira

– Sim, foi um sábado inteiro – respondi sorrindo para os amigos impressionados com meu ar de cansaço.

Mas a ocasião festiva não permitia que eu me estendesse em explicações e, se permitisse, eu certamente não teria a clareza que tenho agora.Agora eu sei que não foi só um sábado de silêncio e busca. Não foi só um sábado de mente quieta, espinha ereta e coração tranquilo. Não foi só um sábado de atividades desafiadoras. Descobri, algumas horas depois de chegar em casa, que foram muitos sábados. Naquele sábado, meus sábados se integraram. Estavam ali todos os sábados em que andei sem rumo,  todos os sábados em que perguntei e não obtive resposta,  todos os sábados em que me senti magoada, frustrada, ferida, incompreendida, injustiçada. Estavam ali todos os sábados, domingos e segundas-feiras, todos os dias da minha vida. Dias alegres também, dias de conquistas, dias de orgulho, vaidade e cobiça. Estavam ali meus atos, bons e maus pensamentos. Estavam ali, sobretudo, meus sonhos e desejos mais profundos. Quando se mexe com a vida, é com ela toda que se mexe, é com a bagagem, com a memória, com o corpo, com a alma, com a história.

De um jeito muito especial, delicado e sutil, no Tantra Yoga Branco, dia de meditação promovido pela ABAKY, a minha vida foi mexida. Agora, eu inteira sinto isso. Quando  estava sentada diante da moça que seria minha parceira de meditação, não imaginava que seria uma desconhecida a me estender as mãos e a compartilhar comigo a descoberta de que eu aguento um grande esforço mais do que penso, de que me comovo profundamente com o outro e de que acredito em mudanças que dispensam explicações lógicas.

Jamais imaginei que seria capaz de meditar por uma hora inteira, mantendo os braços estendidos à frente, enquanto sustentava as mãos de outra pessoa entre as minhas mãos. Jamais imaginei que não me levantaria, imprecando desaforos de rebeldia contra o gesto de muito esforço e pouca lógica. Também não pensei que colocaria o meu dedo na testa de uma estranha e que sentiria bater no meu peito, como afago, a unidade universal. Por 62 minutos, meu dedo indicador pousou amoroso na fronte do mundo que eu atingi.

Será que eu preciso falar de punhos fortes se sustentando mutuamente? Será que eu preciso falar de um relaxamento profundo, tão profundo que a respiração parecia vir da infância, passar pela adolescência e vir subindo, subindo até que, na boca, saia em suspiro de reconhecimento e alívio? Será que eu preciso falar que aguentei sentada mais uma hora de braços estendidos, mais uma hora de mãos se tocando? Sim e está dito. Foi feito. Dei conta.

E, agora, relembro a outra pergunta que os amigos me fizeram: “Por quê?”

Isso eu não preciso dizer. Para saber, é só ler de novo e deixar a emoção das entrelinhas te co-mover.

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Este artigo foi originalmente publicado em Zen Humorado, no dia 11 de setembro de 2013, sob o título “Desafio II – Por quê?”
Leia também “Desafio I – Para quê te quero”, em http://zenhumorado.blogspot.com.br/2013/09/desafio-i-pra-que-te-quero.html

por SS Gurusangat Kaur Khalsa

A maioria dos ocidentais tem uma ideia constituída sobre o conceito de fé. Para a maioria de nós, o significado da fé foi internalizado culturalmente, em especial através da religião, em idade muito precoce e muito antes de nossa escolarização formal. As crianças ouvem seus pais conversando, elas observam como eles se relacionam com a realidade e com a fé, elas percebem suas atitudes e as incorporam e, desta maneira, a introjeção é realizada e a ideia, apreendida.

O filamento cultural a partir do qual o senso comum em torno da fé foi construído nos ensina que a fé é uma questão de crença. Uma atitude estabelecida na esperança de que “Deus virá para resgatar ou salvar a humanidade”. Lembro-me de uma conversa com uma amiga, lá no inicio dos anos 90, em Berlim, sobre o risco de escassez de água no planeta, caso não mudássemos nosso estilo de vida e nossa consciência em relação ao problema. Sua posição foi cheia de fé, a despeito do fato de ela ser ateia assumida. Sua resposta foi divertida: “Eu acho você muito preocupada. Tenho certeza que se isso acontecer, algum cientista nos EUA vai descobrir algo que possibilite trazer a água de algum outro planeta para a Terra”. Ela não estava brincando! Ela realmente acreditava nisso!

O problema da fé como visto em nossa cultura ocidental é que, sutilmente, ela invoca uma atitude de passividade e transferência de responsabilidade, colocando a ação em algum lugar fora de nosso alcance pessoal. E isso é muito perigoso, não dá para negar.

Mas Yogi Bhajan devota grande parte de seus Ensinamentos para transformar o conceito da fé compartilhado entre seus alunos e, consequentemente, mudar a forma como a vivemos e como agimos a partir dela. Ele, mais uma vez, toma emprestado do Sikh Dharma a visão de fé e a transporta para a tecnologia do Kundalini Yoga a fim de ser usada em nossas vidas pessoais.

Nestes sistemas, ao contrário de a fé se alinhar com uma crença, ela se torna uma questão de se ter confiança, e um tipo não banalizado de confiança. Trata-se do sentimento que brota do interior, sem traço algum de dúvida sobre sua divindade, já que Deus habita nenhum outro lugar a não ser dentro de cada um de nós. Neste contexto, não há lugar para uma invocação de crença em algo que você não vê, não tem certeza que existe, mas quer, ou precisa, acreditar que é real. A crença é uma idealização e, por que não, uma fantasia. A confiança é uma edificação que ampara e sustenta.

Ao colocar Deus dentro de cada ser, o Dharma ensina e promove uma experiência de fé sofisticada, onde a unidade Eu-Deus pode agir, fornecendo respostas e formas de evoluir a partir da natureza humana de cada um. A confiança e a realização na certeza desta unidade e, ainda, a força interna e o poder que resultam de tal condição proporcionam, inevitavelmente, uma parceria indispensável para a fé, qual seja, a coragem. No instante em que o estado de destemor é alcançado, você é capaz de ouvir um comando interno, e você se torna então o comandante e o comandado. E quando todos ficam juntos, outra condição vital é adquirida, sem a qual você ficaria desorientado na vida para agir. Neste exato momento, um mecanismo requintado, uma forma de radar interior que poderá te guiar é acessado e você toma posse da sua intuição.

Existe uma singularidade nesta equação da fé. Reconhecê-la como produto de coragem mais intuição é radical e belo. Você deixa de esperar que algo aconteça e que você seja salvo. Você torna-se o ator e, portanto, você toma para si a responsabilidade de agir. Ao fazer algo, você também se liberta da reação em cadeia da culpa e da vitimização. Já imaginou este ganho duplo!

Tanto no Sikh Dharma quanto no Kundalini Yoga, o que se espera do individuo é que haja uma ação divina, o que nem de longe pode ser confundida como uma ação mística. Muito pelo contrário, a ação divina é uma ação inteligente, original e corajosa daquela pessoa que vive a unidade com Deus. A fé, sob este prisma, é profundamente revolucionária e libertadora porque, como explicou tão bem Yogi Bhajan, ela reconhece que o ser humano é a parte conhecida de Deus e que Deus é a parte desconhecida do ser humano.

Era o desejo deste grande Mestre chamado Siri Singh Sahib, conhecido entre seus alunos de Kundalini Yoga como Yogi Bhajan, que estes princípios fossem compartilhados e ensinados e que cada um de nós pudéssemos incorporá-los vividamente, para que o mundo ganhasse em amor, paz e consciência através da nossa ação inteligente, compassiva e destemida.

 

Wahe Guru, Sat Nam.

 

Belo Horizonte, 10 de setembro de 2013.

 

Como é servir no Tantra?

foto de Zail Kaur

foto de Zail Kaur

Ao fim do Tantra Yoga Branco de ontem, seguimos de volta para casa no carro conduzido por Satya Amrit, eu (Hari Shabad), Sat Kirat e Siri Jot e mais uma visitante do Rio de Janeiro. Comentando sobre os vídeos que havia conseguido gravar, disse que precisava fazer mais uma entrevista para fechar o número em oito, ou mais quatro — mais difícil — para fechar em onze. Brincamos que gravaríamos ali mesmo no carro, numa luminação duvidosa, o relato com Satya Amrit, sobre como havia sido a experiência dela em servir no Tantra. A brincadeira continuou na cozinha, quando chegamos ao AmarDas, mas a gravação mesma não vingou.
O relato a seguir, escrito por ela, chegou na minha caixa de email na manhã de domingo. Sobre ele, o que há a fazer é compartilhar, além claro, de me emocionar e me calar. Espero que este seja o primeiro relato escrito de muitos outros que virão, advindos dos nossos participantes.

Sat Nam!

Como é servir no Tantra

Por Satya Amrit Kaur

Estava cansada, tinha dormido muito tarde depois de um dia extremamente cansativo. Pensei então em ir mais tarde, chegar por volta de 7:30, descansar um pouco mais. Mas o telefone tocou às 4:20 era o Simram Jeet (simram: fluxo profundo de espiritualidade, jeet: vitória) para me “dizer” que aquela era a hora de começar a servir. Siri Jot (Siri: indescritível, Jot: raio de luz) me esperava no Hotel para irmos juntas para a sadhana. Estava a postos e, em 30 minutos, pronta.

Chegamos lá, estava começando a amanhecer. Fui abençoada ao ter que ficar, por alguns minutos, ao portão de entrada, em frente à imensa lagoa e embaixo de um céu profundamente azul. Foi quando vi um avião a jato, subindo verticalmente deixando um rastro branco entre algumas nuvens. Naquele momento senti, com uma lágrima que desceu, uma grande saudade de “Casa”. Eu queria ser aquele avião e pensei: no dia em que partir, poderei deixar todo o peso, todas as lutas e batalhas e simplesmente flutuar livre e leve em direção àquela imensidão, deixando apenas um rastro suave e claro. Que sensação plena de amor e entrega pude experimentar naquele exato momento. Voltar para a Casa era tudo o que queria naquele instante.

O porteiro chegou, voltei para o que estava fazendo, coloquei a manteiga e os pães na mesa. Assim o dia começou e terminou, entregue ao que precisava e devia ser feito.

Como é servir no Tantra? É assim, como voltar para a Casa envolta num Amor profundo, compartilhado entre lágrimas e sorrisos, envolta num indescritível raio de luz vindo do infinito para iluminar o finito.

Sat nam!

Shabad Guru e a Era de Aquários

shabad guru

 

 

“Guru Granth Sahib é a mensagem universal de irmandade e de prosperidade para todos”.
Dalai Lama

“Eu estudei as escrituras das grandes  religiões mas, não encontro em nenhum outra o mesmo apelo ao coração como no Siri Guru Granth Sahib. Esta Escritura é compacta, apesar do tamanho, e é uma revelação do conceito de Deus embora insista nas necessidades práticas do corpo humano. Existe algo estranhamente moderno sobre esta Escritura e isso me intriga (…) Talvez este senso de unidade seja a fonte de poder que encontrei Nela. Ela fala para a pessoa de qualquer religião, ou de nenhuma. Ela fala para o coração humano e para a mente que busca”.
Miss Pearl S. Buck, vencedora do Prêmio Nobel

“Seria difícil apontar uma religião mais original ou com um sistema ético mais completo do que o Sikh Dharma. A Escritura Sikh contém verdades sublimes, cujo estudo pode elevar espiritual, moral e socialmente. Não existe nenhum traço de sectarismo nela. Ela ensina os princípios mais puros e elevados que servem para unir as pessoas e inspirá-las com uma ambição de servir ao outro, sacrificar tudo e até morrer pelo outro”.
Max Arthur Macauliffe, importante pesquisador britânico

“O futuro religioso da humanidade pode ser obscuro, mas uma coisa é inegável. As religiões vivas nos influenciarão muito mais do que antes, nesta época de aumentada comunicação entre todas as partes do mundo e os braços da raça humana. No debate religioso atual, o Sikh Dharma e sua Escritura, o Guru Granth, terão algo valoroso para dizer ao resto do mundo”.
Arnold Toynbee, historiador

 

traduzido por Guru Sangat Kaur Khalsa