Seminários Abaky 2014

Sat Nam Querida Sangat,
É com alegria que apresentamos os seminários ABAKY 2014 – 1º semestre:

 

Criando negócios de sucesso
com Siri Pritam Kaur Khalsa
11 de abril (sexta), às 20h

Siri Pritam Kaur Khalsa é professora de Kundalini Yoga e visita a nossa sangat para conhecer os nossos projetos e, principalmente nosso Projeto da Escola Miri Piri Brasil. Seu intuito é nos ajudar a arrecadar fundos em outros países. E ela, generosamente, compartilhará também sua experiência com os ensinamentos do Yogi Bhajan sobre gestão de sucesso.
Entendendo a adolescência
com Guru Sangat Kaur Khalsa
31 de maio (sábado), às 9h

Vivida como um momento crítico na vida de nossos adolescentes, a adolescência precisa ser melhor compreendida, em sua psique e em todo seu potencial, por nós educadores, pais e familiares.

 

Estes seminários acontecerão em nosso novo espaço na sede ABAKY! Para celebrar esta inauguração dos nossos seminários em nosso novo espaço lançamos uma promoção, oferecendo 20% de desconto para quem participar dos dois seminários.

Os valores são
1 seminário: R$80 // R$68 (sócio ABAKY)
2 seminários: R$128 // R$108 (sócio ABAKY)

Sat Nam Wahe Guru

Na Cordilheira

por SS Gurusangat Kaur Khalsa

Encontro-me voando de La Paz para Lima, em retorno ao Brasil. Pela minha janela avisto a Cordilheira, poderosa e branca. Tudo à sua volta é silêncio e poder. Mais abaixo de seus picos agudos estão os altiplanos andinos, com suas plantações de quinoa, seus lagos e seus pueblos.

Estive num lugarejo chamado Mecapaca, nas redondezas de La Paz, para uma jornada de quatro dias no programa de formação de professores de Kundalini Yoga. Agora, revendo tudo, posso dizer que duas coisas me impactaram muito.

Primeiramente, as pessoas. Todas com uma fala suave, delicada, sorridentes, abertas e, sobretudo, ávidas por compreender melhor os mapas simplesmente fantásticos do Kundalini Yoga e do Sikh Dharma. Eu senti uma soberania e reverência nestas pessoas que fluía das perguntas, das respostas, da maneira de preparar a comida, de sentar-se à mesa, de trocar opiniões e de olhar profundamente nos olhos e admirar. Eu devia estar preparada, mas de fato me surpreendi em ver sair, dos recôncavos mais retraídos e submersos dessas montanhas, pessoas aparentemente comuns com seus colchonetes à mão, o cheiro do Yogi Chá no ar e a música chamando pelas bênçãos do Guru Ram Das, abraçando a tudo e todos.

Ao começarmos a aula o ambiente foi tomado por uma atenção intensa, e assim fomos nos tornando uma só psique e uma só consciência dedilhando e colocando para dentro, fervorosamente os ensinamentos. No primeiro intervalo, quando retorno ao meu posto, vejo surpresa que todos agora haviam colocado seus turbantes. É impossível não reverenciar tudo que aprendemos, e senti que eles queriam me dizer que agora, realmente, todos nós pertencíamos ao mesmo reino – o  Reino Sagrado da Corrente Dourada!

Agora sobrevoando estas terras, me dei conta da segunda coisa que me impressionou bastante. É inacreditável como os Ensinamentos do Yogi Bhajan viajaram para terras longínquas e atravessaram mares e desertos, florestas e pradarias, para alcançar àqueles que estavam destinados a reconectarem-se com o Guru e a servirem para aplacar a dor do mundo. O Yogi Bhajan sempre dizia que, quando em sua forma sútil, poderia alcançar muito mais gente e servi-las de forma ainda mais profunda. Não tenho dúvida que isto é verdade. Ele está ativo, e no controle!

Deixo na Bolívia muitas pessoas que me amam e que me agradecem por ter compartilhado com elas minha jornada, minha vida e os Ensinamentos do Kundalini Yoga. Trago comigo da Bolívia uma gratidão muito grande por fazer parte deles agora e para sempre.

 

Wahe Guru, Sat Nam.

Belo Horizonte,  24 de março de  2014.

 

Karma instantâneo

por SS Gurusangat Kaur Khalsa

 

Yogi Bhajan mencionou e advertiu a todos sobre as peculiaridades da Era de Aquário desde o início de seu trabalho no ocidente. Uma das coisas que mais me fascinou era sua abordagem sobre karma. Eu, avessa que era a qualquer tipo de clichê, escutei atentamente e reconheci logo que aquele professor era inconvencional o suficiente para garantir que jamais em suas aulas usaria de um pensamento comum, tampouco diria algo apenas para agradar aos seus alunos.

Sobre Karma, ele dizia com muita propriedade que “se você não quer consequências, não inicie sequências”. Agora, olha bem para essa definição, ela é espantosa porque guarda, com mesmo poder e aconchego, duas ideias paradoxais. A primeira delas é aquela que afirma que, fatalmente, nossos atos engendram consequências, o que corresponde literalmente à teoria universal do karma que se encaixa perfeitamente na Lei de Newton — ação e reação opostas e de mesma intensidade –, e que, ao mesmo tempo, transporta o karma desse lugar popular para inseri-lo em local muito mais real e prático. Essa noção afugentava a todos, pois ninguém, em sã consciência gostaria de adquirir karma. A segunda afirma ser impossível não se adquirir karma, a menos que estejamos interessados em passar nossas vidas em estado vegetativo, e olhe lá.

Este paradoxo me fascina, porque explica a questão de forma escancarada e nos coloca sempre diante do fato de que a vida se assenta no paradoxo e que ele se reproduzirá em tudo porquanto durar nossa originalidade.

Sabendo eu que não quero adquirir karma, mas, ao mesmo tempo, não podendo viver no limbo da inoperância, aceito que cada ação e cada pensamento meus criaram uma sequências que dão fruto a consequências, e, portanto, concluo que estarei sempre adquirindo karma, querendo ou não. Contudo, descubro, graças à Deus, que existe uma diferença qualitativa no karma que adquiro. O que define a qualidade das tais consequências é a qualidade da frequência, ou seja, a intenção com a qual coloro as minhas sequências. Por isso, karmas não são necessariamente um déficit na sua conta bancaria espiritual. Podemos acumular karmas que são bônus, muito utéis no momento que cumprimos nosso contrato de alma. Ah, isso é muito bom. Determinados tipos de karma são aqueles que criam tamanha radiância à nossa volta, que nos dão vigor e força para caminhar pelas rotas do nosso destino e desfrutar das realizações inéditas de nossa alma — porque a alma também não suporta clichês.

Uma coisa ainda é bom falar. Yogi Bhajan costumava dizer que na Era de Peixes as sequências que iniciávamos trariam consequências num prazo bem alargado de tempo, numa média de até um ano e meio. Mas, na Era de Aquário isso acabaria, e que estaríamos diante do que ele chamava de Karma Instantâneo.

Isso é um alerta importante, pois ninguém gostaria de rejeitar um bônus espiritual entregue imediatamente após uma ação consequente e elevada. O problema são os outros karmas…

 

Wahe Guru, Sat Nam!

Belo Horizonte, 11 de março de 2014.

Reflexões de uma Khalsa

por SS Gurusangat Kaur Khalsa

Às vezes não acredito, mas se prova verdade logo que eu me lembro que está garantido. Estou falando da mão invisível e protetora de Guru Ram Das, e hoje tivemos mais uma vez a prova dela.

A primeira expedição à Índia, na companhia do Siri Singh Sahib Yogi Bhajan, aconteceu em 1972. Mais de 80 alunos o acompanharam naquele Yatra (viagem sagrada) à Casa do Guru Ram Das, o Golden Temple. Não sei se você que me lê pode imaginar o que isso na época representou. Vou tentar tecer uma imagem: hippies, cabelos longos, magros, brancos de olhos claros, a maioria com um amontoado de panos cobrindo a cabeça dando a entender que se tratava de um turbante, ao lado de um homem de dois metros de altura, impecavelmente bem vestido em sua túnica branca, seu turbante bem colocado, meticulosamente combinando suas joias sobre um tamanco holandês branco, que os conduzia orgulhosamente através do parkarma (pátio ao redor do lago, cujo centro recebe o tempo dourado).

A imagem continua… os milhares de indianos, de todas as religiões, que circulam diariamente no Golden Temple não se contêm e olham descaradamente, pegam, riem, trocam olhares, caretas, as sobrancelhas de uns se levantam em espanto, a boca cai, outros ficam sorrindo sem graça e admirados ao mesmo tempo! Quem serão estas pessoas tão estranhas ao lado deste Sahib?

Pela primeira vez em suas vidas, estas pessoas foram levadas a experimentar um estado de puro êxtase sem o uso de LCD ou maconha. Eles entraram e pisaram no chão onde o Shabd Guru pode ser sentido, quase tocado. Eles se banharam nas águas cristalinas e puras do Sarovar, eles se prostraram diante do Guru, eles foram meditar ao lado dos minaretes no telhado do templo. Eles se extasiaram com a frequência daquele lugar, e tudo parecia simplesmente fluir divinamente, digamos, quando os problemas começaram.

Em pé, falando para a sangat em um dos gurdwaras dentro do Golden Temple, Yogi Bhajan começou a explicar para o indianos o valor sublime daqueles jovens mal-ajambrados. Ele dizia que muito diferente deles indianos, aqueles “ungresis” (termo usado pelos indianos para nós estrangeiros) eram disciplinados, se assentavam e meditavam no amrit vela, faziam yoga, praticavam o bem, serviam e vivam o Dharma de uma maneira viva, enquanto os indianos se escondiam atrás de aparências, corrompidos pelo desejo de possuir e perdidos numa hipocrisia religiosa que criava uma separação entre o momento do tempo e a vida em si.

Na medida em que ele discursava a tensão só aumentava. Dava para sentir a atmosfera pesada e a multidão dentro do Gurdwara se irritando. Eles trocavam olhares entre si, ouvia-se murmúrios indignados, até que um deles irrompeu por entre a multidão e, com uma espada na mão, partiu para cima do Yogi Bhajan. Ele já sabia e antevira tudo e sabia o que o esperava. Imediatamente, Shanti Kaur partiu para protegê-lo, junto com outros da equipe de segurança, tomando a espada do agressor e levando todos para fora daquele espaço, onde foram colocados numa sala reservada dentro do Golden Temple e lá se trancaram.

Do lado de fora, a multidão furiosa nao arredava o pé e mandara avisar que eles não sairiam dali impunemente.

O Yogi disse aos seus alunos que o momento era difícil, que havia confrontado a hipocrisia religiosa de muitos e que eles estavam sob perigo, mas que o Guru Ram Das haveria de achar uma solução. Assim dito, ele se retirou para um cochilo, sob olhos incrédulos da maioria – “como ele pode dormir numa situação desta!”. Passado algum tempo, ele abre os olhos e diz: “Guru Ram Das apareceu para mim pessoalmente e me disse para entoarmos este mantra: Guru Guru Wahe Guru, Guru Ram Das Guru”. E todos se assentaram e entoaram a noite toda. No Amrit Vela, houve um grande silêncio do lado de fora. Eles espiaram e viram que havia nenhuma pessoa sequer vigiando a porta. Todos tinham ido para o outro lado do Templo, acompanhar a carruagem do Guru, a qual o traria de seus aposentos para o centro da corte. Eles abriram a porta e saíram em absoluta segurança, atravessaram o portal do templo e foram para casa.

Talvez você esteja pensando que aquelas pessoas não teriam feito nada com os ungresis e que tudo não passara de uma ameaça. Yogi Bhajan não acreditava nisto. Aqueles eram anos duros, quando a Índia e seus cidadãos viviam na barbárie das guerras. O Paquistão estava em guerra com a Índia, a guerra fria entre EUA e URSS estimulava ainda mais a rivalidade e a violência na região. O que aconteceu naquela noite foi de fato limítrofe e nos ensinou desde então uma coisa:
> Que ninguém deve deixar de proteger e enaltecer os santos, por mais que as aparências digam o contrário.
> Que ninguém deve alimentar o preconceito em si ou do outro.
> Que ninguém deve se retirar sem proteger sua palavra e sua identidade.
> E que tudo isso pode causar confrontos e, consequentemente, problemas, e que quando eles surgirem não devemos nos esquecer do mantraque espalha e irradia amor – Guru Guru Wahe Guru, Guru Ram Das Guru.
Este é o mantra pessoal de proteção para todos que, em suas vidas se sintam ameaçados e acurralados. Ele nunca falha!

Wahe Guru, Sat Nam.

Belo Horizonte, 21 de Fevereiro de 2014.