Uma vida pela liberdade

por SS Gurusangat Kaur Khalsa

Tegh Bahadur era o mais jovem dos cinco filhos do sexto Guru Sikh, Hargobind. Seu nome de nascimento era Tyaga Mal e seu próprio pai o renomeou Tegh Bahadur depois de sua performance numa das várias batalhas contra os Mogóis que invadiram a Índia.

Guru Tegh Bahadur é um ícone e um modelo para os tempos aquarianos em que vivemos.

Tegh Bahadur foi criado dentro da cultura do Sikh Dharma tendo sido treinado nas belas artes, nas artes marciais, na filosofia, no yoga e na meditação e medicina. Em razão de sua natureza silenciosa e meditativa, ele se tornou um homem desde jovem reverenciado como santo. Na verdade, Guru Tegh Bahadur era um Bodhisatwa, uma das encarnações de Budha.

Ao se casar, ele se mudou para Bakala, que era uma cidade de Panjab muito próspera e bela, com várias fontes naturais e lagos. Tegh Bahadur meditou em reclusão por quase 20 anos neste local ao lado de sua mulher e seu filho, Gobind Rai (Guru Gobind Singh).

Tegh Bahadur não tinha interesse na linha sucessória dos Gurus, e se contentava muito com a vida que tinha. Mas, por mais que sua natureza contemplativa moldasse seus interesses, ele acabou sendo nomeado o sucessor do Trono Real da Casa de Guru Nanak.

A marca de seu pontificado foi sua entrega corajosa à causa da justiça social e o da liberdade religiosa. Você pode estar pensando em como um Bodhisatwa de vida modesta e reclusa se tornaria um homem de tal envergadura social, política e espiritual.

Essa é uma bela história e para conta-la melhor, preciso levar você comigo ao momento da morte do Guru Har Krishan Dev. Este tinha apenas 5 anos quando foi escolhido para suceder seu pai, Guru Har Rai, que falecera. O Imperador em Delhi não acreditou que uma criança de 5 anos pudesse estar à altura de suceder o Guru e, desconfiado da autenticidade da autoridade do Guru, o chamou a Delhi para ser arguido por comissão imperial. Guru Har Krishan partiu solícito para Delhi. Ao chegar lá encontrou uma cidade devastada pela catapora e logo ordenou que seus médicos cuidassem de todos; e ele próprio se juntou à equipe de sua corte para tratar dos doentes. Durante estes dias, em que mal comia de tanto trabalho que tinha, ele foi interrogado pelo Imperador e declarado de fato o sucessor, portanto, reconhecido como o oitavo Guru da Linhagem de Nanak. O trabalho foi tanto, e ele era tão jovem, que não resistiu e caiu enfermo com sarampo. Antes de fechar seus olhos pela última vez, com uma voz distante e fraca, respondendo à pergunta de quem o sucederia, ele disse “Baba bakale”, aquele de Bakala.

Ninguém fazia ideia de quem em Bakala poderia ser digno desta, e partiram em comitiva na tentativa de encontrar tal pessoa. Vinte e dois impostores tentaram tirar vantagens desta situação e se apresentaram como o nono Guru Sikh. Houve então muitas dúvidas da real identidade do verdadeiro Guru, até que um rico comerciante denominado Baba Makhan Shah Labana apareceu para encontrar o Guru. Em sua viagem, ele foi atingido por uma fortíssima tempestade e, no desespero por salvar sua vida, prometeu oferecer ao Guru 500 moedas de ouro.

Sendo salvo, o comerciante rumou para Bakala. Lá, ele então visitou todos os 22 oferecendo a eles apenas duas moedas. Como todos aceitaram apenas duas moedas, ele teve certeza que nenhum deles era de fato o Guru.

Mesmo Tegh Bahadur não tendo se declarado o novo Guru, o comerciante foi até àquele homem meditativo e santo e lhe ofereceu as tais duas moedas de ouro. Tegh Bahadur lhe abençoou e disse que considerava sua oferta muito pequena já que havia prometido 500 moedas. Makhan Shah imediatamente subiu até a laje e comunicou a todos: Guru ladho re, Guru ladho re – Eu encontrei o Guru, eu encontrei o Guru.

Guru Tegh Bahadur se tornou responsável por instruir e conduzir a enorme comunidade de alunos do Guru Nanak, que vinham em centenas para lhe render homenagens e solicitar conselhos e inspiração. Foi assim que através de seus Ensinamentos e prática, ele moldou uma nova consciência espiritual e social de uma nação inteira.

Como de costume desde o sexto Guru, Har Gobind, Guru Tegh Bahadur manteve um esplêndido estilo de vida com todas as marcas da realeza, porém ele próprio viveu austeramente.

Sua morte foi um marco para a história da humanidade. Ele foi acorrentado pelos muçulmanos imperiais e torturado para que aceitasse o Islamismo. Quando se notou que ele não abriria mão de sua identidade espiritual, lhe foi dito que só poderia ser liberado se demonstrasse seus dons milagrosos. Ele se recusou e foi decapitado em Delhi no dia 11 de novembro de 1675.

Em seu pescoço foi encontrado uma nota que dizia o seguinte: “vocês podem ter minha cabeça mas jamais minha identidade”.

Guru Tegh Bahadur deu sua vida para salvar os hindus sendo ele mesmo um Sikh e por esta razão recebeu o título do governo Indiano de Hind di Chandar, “o escudo da Índia” em referencia ao seu sacrifício supremo de proteger e garantir liberdade religiosa para todos os não muçulmanos numa Índia Mongol.

Wahe Guru, Sat Nam.

Belo Horizonte, 30 de maio de 2014.

Anand Sahib – Canção do Êxtase

por SS Gurusangat Kaur Khalsa

Estamos comemorando o nascimento do Guru Amar Das nesta semana. Guru Amar Das, o terceiro na sucessão da Casa Real do Guru Nanak, era um reformador social, um educador e defensor do fim da discriminação sexual e de classe social.

Ele foi um grande líder espiritual. Numa manhã durante suas audiências para seus alunos, um yogi, descrevendo sua frustração com a própria vida e prática, lhe pergunta “Venerável Guru, você poderia me ensinar a viver a vida ?”

Guru Amar Das assentiu e lhe disse: “Deixe seu corpo e renasça em minha família. Quando puder venha à mim e eu te ensinarei como viver.”

O yogi se despediu e, em obediência ao comando do Guru, colocou-se em meditação e deixou seu corpo.  No seu devido tempo nasce o neto do Guru Amar Das, que,  ao saber do nascimento da criança, logo sabia que a alma daquele yogi tinha renascido. O Guru pediu ao seu filho que lhe trouxesse o neto e assim que o viu compôs um poema, o Anand Sahib, e cantou em voz alta. Batizando seu neto de Anand.

Por isso o Anand Sahib, constituído de 40 pauris, é considerado a resposta do Guru a todos que queiram aprender a viver suas vida. Cada pauri, ou verso, deste Shabd é uma lição essencial, passo a passo, para o aprendizado sobre como conduzir nossas vidas. Primeiro pauri contem as lições para o primeiro ano de vida, e assim sucessivamente até o quadragésimo ano.

Sendo as lições aprendidas, ano após ano, a pessoa pode desenvolver a sua personalidade de uma forma muito espiritual e consciente. A mente torna-se bem treinada para apoiar a realidade da alma em meio ao cotidiano. De modo semelhante, ler e entoar este Shabd nos faz mais aptos a conduzir nossas vidas em consciente e em paz.

 

Raag Raamkalee do Terceiro Canal de Luz, Anand ~ A Canção do Extase:

 

Uma única Força cria. Compreendida pela Graça do Verdadeiro Guru:

Estou em êxtase, Ó minha mãe, porque encontrei o Verdadeiro Guru.

Eu o encontrei e minha mente vibra com a canção de êxtase.

Uma melodia rica com suas harmonias celestiais recitam a Palavra do Shabd

Deus habita dentro das mentes daqueles que entoam o Shabd,

Diz Nanak, Eu estou em êxtase porque encontrei meu Verdadeiro Guru.

 

raamkalee mehlaa 3 anand

ik-oNkaar satgur parsaad.

anand bha-i-aa mayree maa-ay satguroo mai paa-i-aa.

satgur ta paa-i-aa sahj saytee man vajee-aa vaaDhaa-ee-aa.

raag ratan parvaar paree-aa sabad gaavan aa-ee-aa.

sabdo ta gaavhu haree kayraa man jinee vasaa-i-aa.

kahai naanak anand ho-aa satguroo mai paa-i-aa.

 

 

Wahe Guru, Sat Nam.

(adaptado do texto de Ek Ong Kaur, publicado no Sikhnet.com)

 

Belo Horizonte,  21 de Maio de  2014.

 

Sadhana time!

por SS Gurusangat Kaur Khalsa

O despertador toca implacavelmente. Reconheço que, na minha mente, toca um mantra — Puta Mata ki Assis, Mata ki Assis… Em algumas de minha sadhana, coloco este Shabd para tocar por mim, pois não duvido que minha Mataji lá dos éteres estaria entoando por sua filha.

Enquanto espreguiço e me preparo para sair da cama para meu banho frio, as palavras do Yogi Bhajan ecoam: “Levantar no amrit vela é sempre sua primeira vitória do dia”. Eu logo sorrio e respondo: “amado professor, dessa vez não está tão difícil assim, afinal é Sodarshan, mil dias e foi um Hukam do Guru”.

É verdade, no dia 11 de julho do ano passado, eu recebi um Hukam e ainda não havia conseguido me organizar para iniciar aquela Sadhana. O Hukam de Jai Dev Ji é uma indicação explícita de uma meditação com pranayama repetindo Wahe Guru 16 vezes!

Raag Maaroo, The Word Of Jai Dayv Jee:

One Universal Creator God. By The Grace Of The True Guru:

The breath is drawn in through the left nostril; it is held in the central channel of the Sushmanaa, and exhaled through the right nostril, repeating the Lord’s Name sixteen times.

I am powerless; my power has been broken. My unstable mind has been stabilized, and my unadorned soul has been adorned. I drink in the Ambrosial Nectar. ||1||

Within my mind, I chant the Name of the Primal Lord God, the Source of virtue.

My vision, that You are I are separate, has melted away. ||1||Pause||

I worship the One who is worthy of being worshipped. I trust the One who is worthy of being trusted. Like water merging in water, I merge in the Lord.

Says Jai Dayv, I meditate and contemplate the Luminous, Triumphant Lord. I am lovingly absorbed in the Nirvaanaa of God. ||2||1||

 

Onde mais eu gostaria de estar agora, se não na presença sagrada do Infinito, no silêncio profundo do néctar ambrosial do Nome, totalmente entregue às orientações do Sat Guru?

Levanto-me e vou direto para meu Ishnan, e graças a Deus a água está realmente fria, o que torna meu banho ainda mais imperdível. Aplico óleo em meu corpo e me visto de forma a garantir conforto e aquecimento. Nem uma única vez após meu Ishnan deixo de imaginar minhas artérias e veias dando passagem a uma forte corrente sanguínea, que vem pranificando e limpando meu corpo e meus órgãos.

Desço as escadas para a sala de yoga, e por lá escuto os ragis do Golden Temple tocando, e assim começa minha Sadhana. Um set de Kundalini Yoga curto e muito vigoroso, Sodarshan Chakra Kriya por 62 minutos, o mantra do Guru Guru Ram Das Guru por 11 minutos, e finalmente um bom relaxamento.

Quando abro os olhos, vejo os primeiros raios de sol. A manhã linda e o ar frio com uma fragrância floral me desperta com um abraço aconchegante e me enche de esperança. Eu sei que a rotina virá como todos os dias: alunos que ligam e mandam mensagem pedindo ajuda, rotina da Escola Miri Piri para seguir à risca, cursos para preparar, professores para orientar, projetos para avaliar, reuniões para participar, gente para inspirar, outros para diagnosticar, e por aí vai. Sei que ainda terei de cruzar a cidade e encarar o desconforto de suas ruas, o lixo espalhado pelos gramados, as pessoas sofridas andando aparentemente sem rumo, mas apressadas demais para ir para algum lugar que não seja absolutamente necessário, portanto concluo que não andem assim tão à esmo.

Mas, naquele momento no Amrit Vela, aquele despertar com o beijo amoroso da manhã, eu não temo, eu não penso, eu não duvido, eu não vejo outra coisa a fazer a não ser atravessar meu dia com todo meu vigor e entusiasmo, e cumprir com meu dever e aproveitar os momentos de alegria e de amor que é estar entre todos que me rodeiam e juntos pincelarmos uma cor no firmamento da vida aqui e agora, compondo uma arte que sirva de inspiração aos que ainda passarão por aqui.

Minha sincera oração é que ninguém se atrase muito para se juntar a mim nos éteres do Amrit Vela!

 

Wahe Guru, Sat Nam.

 

Belo Horizonte, 14 de maio de 2014.

Prazer, dor e o desconhecido

por SS Gurusangat Kaur Khalsa

A vida não deve ser vivida para se ter prazer e a vida tampouco se valida no sofrimento.

O “princípio do prazer”, como na psicologia Freudiana, se resume, de modo geral, ao instinto que nos faz buscar o prazer e evitar a dor, satisfazendo assim nossas necessidades biológicas e emocionais. Viktor Frankel, após analisar o comportamento de seus companheiros prisioneiros em campos de concentração nazista, introduz um viés existencialista na psicologia. Trata-se do “princípio do significado”, a partir do qual se busca intensamente o sentido da própria vida.

Como já discutido nesta coluna, a busca pelo prazer per se nos afasta justamente daquelas preciosas possibilidades de sairmos de nossa zona de conforto. A busca do sentido como força motriz nos conduz à avaliar nossa própria existência, de modo a encontrar algo que a qualifique, o que muda o foco anterior drasticamente, uma vez que justamente o que anteriormente se gostaria de evitar, dores e agruras, passa a ser o elemento motivador para nossa superação.

Para nós kundalini yogis, o princípio da vida é “Jiwan Mukta”: a morte em vida. Neste estado, desafios e dores, alegrias e prazer pesam igualmente e não criam nenhum tipo de apego ou interferência. Criam aprendizagens, as quais são utilizadas para que se viva além da moldura habitual dos impulsos e hábitos. Jiwan Mukta é o princípio da vida que nos leva a encarar a realidade, seja ela qual for, e a aceitar o desconhecido, pois justamente neste incógnito habita a fonte de nossa proteção e inspiração. Quando entregamos nossa energia de ação, nossa inteligência e nossa vontade na interação com o desconhecido do conhecido, estamos aceitando a morte aqui e agora, e desta forma transformamos nossos desejos de prazer e aprovação, ou medo e negação, em combustível para termos coragem e garra de viver uma vida autêntica e singular.

A busca do prazer ou o evitar do sofrimento parte de uma premissa improvável, que é a de nos relacionarmos apenas com o conhecido do desconhecido, neste caso, nós mesmos. Neste modo de existência, passamos uma vida inteira tentando nos superar e transformar, e ao final, muitas vezes morremos vazios e murchos no nosso próprio perímetro, aquele que era apenas conhecido.

Yogi Bhajan compartilhou com seus alunos dez segredos sagrados para o sucesso em vida, e eu gostaria  de traduzi-los para que vocês os contemplem com calma e sabedoria.

 

 

  • Aprender não é uma fraqueza – Oh yogi, a vida é uma chance viva sempre…
  • Se alguém te evita, não evite este alguém, o alcance – Oh yogi, isso é conhecimento…
  • Seja o altar e não a alternativa – Oh yogi, esse é o segredo da prosperidade…
  • Deixe que seus modos te representem – Oh yogi, esse é o segredo do sucesso…
  • Trabalho nunca espera – Oh yogis, este é o segredo da salvação…
  • Desculpas e atrasos não evitam as consequências – Oh yogi, este é o segredo da vitória…
  • Analisar pros e contras ajuda a evitar jogos– Oh yogi, este é segredo de ganhar amigos…
  • Seja um diplomata e um estadista – Oh yogi, este é o segredo da liderança…
  • Sua individualidade, suas roupas e atitude contam – Oh yogi, este é o segredo de seu memorial no coração do outro…
  • Aja de três modos: ação, apoio, proteção (inclua relaxamento em lugar seguro) – Oh yogi, este é o segredo da felicidade na vida…

 

 

Abençoado é Guru Nanak, grande fonte de sabedoria.

Abençoado é Guru Gobind Singh, grande exemplo de coragem.

Abençoado é Guru Ram Das, grande senhor dos milagres.

E abençoado é o Khalsa Panth (Sangat), grande fonte de pureza, piedade e poder.

Abençoados todos, Oh yogi, que seguem este caminho de sabedoria…

 

Mantenha-se intacto diante de qualquer situação. Mantenha sua unidade e você terá paz, fonte de toda prosperidade. Para isso mantenha sua Sadhana! Respeite Deus em você, reverencie essa unidade. Você é a parte conhecida de Deus, e Deus é a parte desconhecida de você. Lembre-se disso em sua Sadhana!

 

Wahe Guru, Sat Nam.

Belo Horizonte,  7 de Maio de  2014.

 

Porque sou Khalsa

por SS Gurusangat Kaur Khalsa

Há milênios, a prática de explorar níveis profundos da consciência estava intimamente ligada aos estudos da psique humana, da natureza do universo e das particularidades do corpo. Os yogis que viviam nas montanhas do Himalaia deram início a estes estudos e criaram um corpo muito sólido de conhecimento válidos ainda hoje universalmente.

Entretanto, a tomada das terras do Vale do Indus (sociedade matriarcal) pelos arianos criou uma tremenda mudança na acessibilidade a estas fontes.

Na medida em que o sacerdote se ascendia na hierarquia recém-criada, ele próprio estabeleceu que apenas os das altas castas poderiam estudar. Definitivamente privados desta oportunidade ficaram os demais indivíduos membros de outras religiões e as mulheres, já que no sistema védico elas são consideras menos do que animais.

A humanidade precisou aguardar séculos até que surgisse a voz de Guru Nanak Dev Ji denunciando a segregação e a discriminação inerentes a este sistema, que separava – e ainda separa – seres humanos por castas e gênero de forma a limitar o acesso e a experiência da expansão da consciência humana.

Os Ensinamentos do Guru Nanak e das outras nove emanações de sua luz presentes nos demais Gurus eram claros: restituir o direito de todos ao conhecimento e revogar indefinidamente a discriminação da mulher, lhe concedendo os mesmos direitos tanto nos estudos quanto na participação nos protocolos da vida espiritual. No ministério do Guru Nanak, Dharamsalas – salas de estudo do Dharma – foram abertas a todos, dando início a uma verdadeira revolução educacional em pleno século XV.

Séculos depois, a Índia se vê novamente tomada, desta vez pelos muçulmanos. Um de seus imperadores, famoso pela sua visão conservadora e radical do Alcorão e por sua impiedosa discriminação, deu início a uma política de conversão em massa ao Islamismo. Seu nome era Mohamed Aurangseb, e seu reinado perdurou de 1658 a 1707.

Dentre as várias restrições impostas por ele gostaria de destacar duas. A primeira foi proibir que as pessoas de outras religiões expressassem sua fé em público, e a segunda foi fechar qualquer Dharamsala, agora conhecida por Gurdwara (portal para o Professor).

Mais uma vez a voz do Guru Nanak se fez presente através do Guru Gobind Singh Ji. Após ter tido seu pai decapitado pelo Imperador Aurangseb em razão de sua defesa em prol da religião Hindu, que a propósito nem era a sua, Guru Gobind Singh declarou que os Gurdwaras eram, em sua essência, locais assegurados à qualquer indivíduo, independente de sua religião ou gênero, para que todos tivessem a chance de experimentar o Shabd Guru, uma forma universal de diálogo entre a consciência humana e a Consciência Divina. Bandeiras foram erguidas (Nishan Sahib) em todos os Gurdwaras para que se identificasse de longe aquele local como um templo aberto a todos. Além disto, os Gurdwaras teriam por obrigação alimentar e abrigar a todos, independentemente da casta, credo ou religião.

O Gurdwara se tornou, portanto, um lugar sagrado dedicado à meditação, à leitura, aos cantos de louvores ao Arquiteto do Universo, e a fim de servir a todos deveria ser também um local livre de qualquer ritual de adoração.

Os Ensinamentos dos Gurus são preservados nos Gurdwaras, e eles poderiam ser agrupados desta maneira;

  • Os Sikhs do Guru devem amar e servir a todos independente de qualquer predicado,
  • Ver Deus em tudo e servir Deus em cada ser existente,
  • Não temer,
  • Não ameaçar,
  • Não permitir crueldade e injustiça a ninguém,
  • Controlar seus desejos, sua mente, ter paciência e ser compassivo.
  • Ser um meio vibrante envolvido com a prosperidade de todos os seres no planeta (Nanak nam chardi kala, teri bani sarbt da bala)

Eu entendo o Gurdwara como um território soberano, livre e a serviço de todos para que possamos juntos vibrar na consciência do universo e corajosamente assumirmos nossa verdadeira identidade e servir para uma sociedade de paz e justiça social. É por isso que eu me tornei uma Khalsa e espero honrar meu compromisso até meu último suspiro nesta terra do Dharma.

 

Wahe Guru Sat Nam.

Santa Fé,  29 de Abril de  2014.