[GSK] Quem sou eu?

Aula ministrada pela professora Gurusangat em 03 de julho de 2015.
Nosso esquema não é nada clichê. Pelo contrário, é ultra revolucionário. E há uma pergunta que a gente deve se fazer, e que o Yogi Bhajan sempre inspirou nós professores a nos perguntarmos e nos prepararmos para perguntarmos aos nossos alunos. Porque a resposta que você der a essa pergunta vai determinar o estilo da sua vida, vai determinar a característica que você vai imprimir na sua vida. Dependendo da resposta que você der a essa pergunta, você vai saber se vai construir uma vida baseada na escassez ou não, na pobreza ou não, e muito mais importante – na coragem ou na covardia. Então depende somente de um tipo de resposta sua. E a pergunta que parece clichê, vocês sabem qual é? “Quem sou eu?”. É uma pergunta clichê – “quem sou eu?”. E se vocês acharem que passaram os anos oitenta bem vividos (quem não viveu os anos oitenta vive na sombra dos anos oitenta, tipo os ídolos ainda são aqueles dos anos oitenta), e quem conhecer e for intelectual o mínimo o suficiente para achar que a sociedade Vitoriana foi superada, onde a gente agora pode se expressar livremente e sem tabu, pode achar que está dando uma grande resposta dizendo: “eu não sou o que você pensa que eu sou, eu sou eu. Eu sou eu.” E essa é a resposta que vai construir sua vida na amargura. A sua vida na pobreza e a sua vida na covardia.

E porque você identificou você, a sua identidade, com seu ego, “eu sou eu”, você vai achar que tem direito de fazer tudo que seu Eu pedir. E isso traça uma rota kamikaze.

Mas se você está se comparando com a sociedade Vitoriana, responder “eu sou eu” é um grande passo. Só que nós não estamos mais no inicio do século XX, nós não estamos mais em 1920. Nós estamos no século XXI, então esse modelo já é o quê?

Alunos: Ultrapassado!

GSK: Isso! Totalmente démodé. E é baseado nesse modelo que nós construímos uma experiência no século XX, e o resultado dela é a amargura que nós estamos vivendo no século XXI. Vocês compreendem isso?

Alunos: Sim.

GSK: Mas tudo bem, nós caminhamos, a humanidade está aprendendo. Porque a gente é burro, então a gente demora a aprender. Então a resposta “eu sou eu” e “tudo que eu fizer para alimentar o desejo do meu e, é legítimo” é que nos trouxe para onde estamos agora.

Mas se em vez de você responder essa pergunta “Quem sou eu?”, hoje no século XXI, onde, como a gente canta lá no nosso Song of the Khalsa: “Se não existir Khalsa esse mundo não vai ter salvação”, e não pense que Khalsa vão ser aqueles que andam com o turbante na cabeça, e vestidos dessa maneira. Khalsa vão ser aqueles puros de mente e coração. A gente canta isso. Então hoje se você responder essa pergunta com “Eu sou Vós”, você irá determinar um outro curso para sua vida. Porque “Eu sou Vós” é você se identificar completamente com a luz da sua alma, porque a alma é Vós. A alma é tudo. E se você se identifica com aquilo que aparentemente, fisicamente, você não identifica como seu, você se identifica com a luz da sua alma, com tudo, você então jamais vai ter de passar pela miséria de não ter, pela miséria da frustração e pela miséria da covardia.

Então no Kundalini Yoga isso é básico, mas essa experiência de “Eu sou vós” é uma experiência muito nova socialmente. Nós não temos ela. A gente tem alguns núcleos na experiência da humanidade que criaram esse modelo – por exemplo, o modelo de Buda, o modelo de Jesus, o modelo dos Guru Sikhs – são modelos de “Eu sou vós”: “eu vivo para uma causa muito maior que a minha. Eu vivo para dar sentido a algo muito maior do que Eu”. Embora sejam bolsões na história, a gente não incorporou isso culturalmente. Por que? Por causa de uma pegadinha do nosso Ego, do nosso intelecto. O que o nosso intelecto diz que essas pessoas são ou foram?

Alunos: Santos!

GSK: Santos! “E eu não sou santo, então eu não tenho que viver esse modelo”. Só que isso pode ser verdade para a Igreja Católica, isso pode ser verdade pro Buda que ganhou isso quando iluminou, mas isso não é verdade no Kundalini Yoga que vem desse rio chamado Sikh Dharma. Porque nesse rio do Sikh Dharma, a primeira coisa para acabar com essa mentira foi dizer o que?

Aluna: Somos todos um.

 GSK: Não! Estou falando a respeito da ideia de alguém ser santo, e eu não sou ele, então vou viver de qualquer jeito. Nessa linha que eu estou falando.

Aluna:  Eu não me rendo.

 GSK: Não! Foi dizer que nenhum de nós viveria uma vida CELIBATÁRIA! Porque a vida celibatária monástica está associada a você só fazer isso porque você está dentro do mosteiro. Vocês entendem a cabeça do Guru Nanak? Ele rompe com aquilo que era a base de uma vida celibatária e que justamente afastava um ser humano comum de alcançar aquele mesmo modelo. E ai ele diz: Nenhum de nós é celibatário e todos nós somos santos.

Então quando vocês identificam a identidade sua com Vós – a minha vontade pessoal é a vontade divina, vocês vão caminhar uma outra estrada. E lembrem-se: eu estou explicando uma coisa que vocês vivem há anos, mas nunca tinham pensado nela.

Tem um mantra que nós entoamos no tantra que diz: “I’m thine in mine myself Wahe Guru”. Olhem essa frase – Eu sou vosso em mim mesmo; ou seja “eu sendo eu, sou vosso, sou de Deus.” É muito radical! É muito radical. Trás a política para um outro lugar, trás a sociologia para um novo lugar, trás a psicologia para um outro lugar, trás tudo para um novo lugar – um lugar de unicidade, um lugar onde não há separação. E nesse lugar, nesse lugar onde a gente identifica a gente mesmo com esse modelo – ou é o modelo do Eu, que é ultrapassadíssimo – e a gente vai cair nesse modelo ainda várias vezes, mas eu espero que se lembrem que quando você é vós, você não deixou de ser você. Você só está se ampliando para ser além de você – ser tudo. Entenderam?

Então a aula de hoje é para deixar vocês claros como um cristal, para que na meditação vocês possam expandir a consciência de que vocês são a vontade de Deus.

E todas as vezes que vocês tentarem caminhar contra a vontade divina, vocês vão caminhar igual… quem foi mesmo na Bíblia que foi engolido pela baleia?

Alunos: Jonas.

GSK: Igual Jonas! Vai ser cuspido exatamente na praia onde ele tinha que ir, só que vai demorar demais para chegar lá. Porque a vontade de Deus é a vontade da sua alma, é o seu contrato de alma. Você sabe disso, só que você esqueceu.

Tá certo? Esse é o tipo da pergunta clichê que tem uma resposta sublime, e desencadeia uma análise sublime da realidade. Ok? Alguma pergunta?

Vamos começar:

KRYIA MINISTRADO:
“Becoming Crystal Clear”.
Livro “Transformation”, volume 1, p. 5.

GSK:

Vocês compreenderam a aula de hoje? Essa aula poderia dar a vocês um espaço dentro da psique onde vocês poderiam acessar o sentido do que nós falamos hoje sem ser de uma forma intelectual. Acessar o sentido sem ser intelectualmente. Da mesma maneira como é muito tranquilo culturalmente a gente identificar a nossa psique – o que é fácil porque tudo que a gente sente de imediato é identificado pela nossa psique. A coisa mais importante que a gente tem de fazer é uma pergunta sobre a origem e o destino dos sentimentos. A origem do sentimento é você, não há dúvida disso. Se o destino é para você: oh oh! Preste atenção! Você está caindo na pegadinha. A origem do sentimento é sua, mas se o destino não é necessariamente você, talvez você esteja caminhando para o lado certo. Uma coisa que a gente precisa lembrar é que todo sentimento nosso é filtrado, ele não é puro! Ele não vem de uma identificação clara, porque nós temos nosso subconsciente filtrando tudo aquilo que a gente percebe e consequentemente como a gente sente. Então sentimento é um recurso muito irreal nosso. Ele não corresponde à realidade, ele corresponde à realidade dos seus filtros e de como eles estão filtrando a realidade. Então tem uma maneira que a gente pode realmente fazer alguma coisa por nós e por essa humanidade que é, quando você sente, ao invés de você se identificar imediatamente com a origem do seu sentimento e com a realidade que eles transparecem, é você qualificar a sua visão, o seu destino. Entenderam gente?

Por isso que no nível 2, no programa de Comunicação Consciente, o Yogi Bhajan ensina que a comunicação consciente não se baseia naquilo que você, qual a primeira coisa que ele fala? Ela não se baseia naquilo que você?

Alunos: Sente.

GSK: Sente. Isso mesmo. Ele continua, ela também não se baseia naquilo que você?

Alunos: Sabe.

GSK: Sabe. E ela tampouco se baseia naquilo que você? Quer. É “sente, quer e sabe”. Porque se não é naquilo que a gente sente então poderia ser naquilo que você quer. Mas não, também não é. E nem tampouco naquilo que você sabe. Por que você acha que sabe. Não se baseia nisso. Ele derruba três pilares! Três pilares da “ferração” do mundo.

Alunos riem.

GSK: Porque senão nós seremos todos como políticos corruptos e fanáticos. Só que representando a nossa ideologia. Cada um de nós. Devemos comunicar então: não aquilo que eu sinto. Não aquilo que eu?

Alunos: Quero.

 GSK: Não aquilo que eu?

Alunos: Sei.

GSK: Nossa comunicação deve se basear no quanto você conhece do outro. Ou no quanto você está disposto a virar Um com o desconhecido – que é o outro. Essa é a realidade.

Então é assim, essa é a história. E o papel do professor… Eu não posso reclamar, o Yogi Bhajan estava quase morrendo e ele olhava para seus alunos e dizia: “Tem vinte e cinco anos que eu estou com vocês e vocês fazem as mesmas loucuras!” Ele falava…

 Alunos riem.

GSK: Então eu não posso reclamar. Vejo cada coisa assim…! Mas há muita esperança, porque o papel do professor é… (Se dirigindo para Hari Shabad Kaur Khalsa): No seu livro novo há um Haikai chamado Egomaniac, que é assim:

Quando meu ego me fizer

vestir uma fantasia puída

e não menos ridícula

por favor, me toque no meu ombro

me sopre no ouvido

não me deixe de bunda de fora.

GSK: esse é o papel do professor. O papel do professor é sempre tocar no seu ombro e sussurrar no seu ouvido: você está de bunda de fora!

Alunos riem.

GSK: Sua bunda está de fora! E aí vocês não querem ouvir isso. Mas o papel do professor, o papel de vocês é dizer: sua bunda está de fora, você quer continuar andando de bunda de fora? Sua bunda está de fora…

Não é um papel muito bom, porque é um pouco constrangedor dizer: “não é por nada não, mas sua bunda está de fora”.

Alunos riem.

GSK: Por isso que o Guru fala que ‘Ainda que mil sóis se levantem, e centenas e milhares de luas brilhem no céu, ainda haverá profunda escuridão sem a presença do professor’. Porque vocês vão achar que vocês estão se lascando de bom, e estão com a bunda de fora. Está tudo bem aqui na frente e a bunda está de fora. Então esse é o papel do professor.

E para vocês se treinarem nesse papel, vocês têm de começar a exercer esse papel. E esse papel é exercido na compreensão de que vocês vão ser confrontados, e é direito seu de se fazer essa pergunta: ‘Quem eu sou?’. Eu sou eu? Ou eu sou vós? Reflitam nas férias de vocês o que significa na sua vida “I’am thine” – eu sou vós. O que isso significa. Lembrem do que vocês sentem quando entram em um Gurdwara.

Há uma frase do Yogi Bhajan, que eu compartilhei com os pais dos alunos de Miri Piri, que é uma coisa impressionante, ele fala algo como “Se você quer carregar uma coroa, você tem de ter a musculatura do pescoço muito forte. Mas se você quer ler a história, você pode ler a história, se você quer escrever a história, você pode escrever a história. Mas se você quiser fazer a história, você tem de ter ombros para carregar o mundo de forma ampla”. Carregar a sua coroa, vocês já carregam, seus pescoços já são fortes. Agora a história é que nós vamos fazer história, e para fazer história a gente tem de preparar os ombros para carregar o mundo, para sermos capaz de ensinarmos para outras gerações o que temos ensinado em Miri Piri. Como aconteceu com uma de nossas alunas aqui, que identificou um sentimento muito estranho nela, e perguntou para sua mãe por que ela havia reagido de uma certa maneira quando viveu uma situação com um colega dela, perguntando por que ela quis o colo da mãe, e outras coisas mais. Ela não conhecia aquele sentimento. Imagina uma criança nessa idade (4 anos) e querer entender esse sentimento, porque não foi um sentimento que ela achou bom. E a mãe dela explicou o que era – aquilo era ciúmes. Então essa é a parada e o autocontrole. Coisa que sinceramente nenhuma outra escola ensina às crianças. As escolas deveriam ter esse conteúdo que vocês conhecem – e esse conteúdo tem de ser ensinado a essas crianças. E elas vão fazer coisas maravilhosas com isso. Coisa que nós adultos ainda lutamos por fazer. Pensem bem nesse futuro! Se é que nós temos de ter alguma esperança, ela está aqui nessas crianças. Mas deixou de ser uma esperança romântica: ‘ah o futuro vai ser brilhante com esses jovens índigos!’. Como se os meninos índigos fossem descer numa cultura dançada e se tornar índigo. Já imaginaram o que é um potencial índigo numa cultura ferrada?! Que poder esses índigos vão ter de autodestruição. Vocês engolem esse negócio de que o mundo está salvo por que as crianças são índigos? Não existe nenhum ser humano que desce nesse planeta que não vai ser formatado nesse planeta. Se esse planeta não se tornar índigo, todas as crianças índigos que entrarem aqui vão se tornar representantes muito bem qualificados da destruição. Então vocês precisam pensar e sair do romantismo! As crianças desse novo mundo precisam realmente de instrumento para fazer esse mundo diferente. E esse instrumento é a escola. É a escola. E são os anos formativos. Então vamos ter clareza disso e vamos por nossa força nisso. Esse é o nosso legado. E é maravilhoso. A consciência oscila – a gente precisa de um instrumento neutro que é a escola, para ensinar essas crianças a se autorrefletir, como nossa aluna fez. Já imaginou ela quando for adulta e sentir ciúmes de um namorado? Ela nunca vai relacionar com o ciúmes da mesma maneira que vocês se relacionaram. Ela nunca vai se corromper com isso. Só queria lembrar vocês disso. Em agosto nos sentaremos para entendermos a pedagogia da Miri Piri Brasil em detalhes. Vamos fazer isso publicamente.

Gurusangat aborda algumas possibilidades de trabalho para o próximo semestre – visando a construção da consciência de uma identidade universal e um tema que o Yogi Bhajan trabalha de forma radical é que na Era de Aquário, o terceiro olho irá morar no plexo solar. Gurusangat diz como teria sido banal se ele tivesse dito que o plexo solar migraria para o terceiro olho, mas o que o Yogi Bhajan fala é o contrário. Essa talvez seja uma possibilidade de tema para o 2o semestre desse ano. O tema do primeiro semestre foram os corpos sutis e o corpo radiante.

Vamos manter a esperança viva, e a forma de fazer isso é manter nosso compromisso. O compromisso é a base da felicidade, é a base de tudo.

Com essa aula a gente conclui o trabalho desse semestre.

Vocês são alunos do Guru, eu só venho aqui repassar o que ele manda. Retornamos em Agosto.

May The Long Time Sun…

Transcrição: Hari Bhagat Singh Khalsa

[GSK] Experimentando a própria força

Aula ministrada pela professora Gurusangat em 26 de junho de 2015.


Gurusangat Kaur Khalsa inicia a aula explicando que, ao entoar o mantra de abertura,
Ong Namo Guru Dev Namo, os professores precisam ficar atentos para não deixarem caír o tom na hora de entoar o “Deeeeeev”. Alguns professores, segundo ela, acabam com o naad ao começar a entoar o “Dev” aberto e baixar o tom ao chegar ao pico, como se uma onda fosse formada. Ela reitera diversas vezes que, ao entoar, não podemos fazer uma curva descendente – as vogais são sempre abertas e sem oscilar a nota, pois descer o tom equivale a se retirar no momento de receber a frequência mais sutil do naad.

(Começa a transcrição):

Bom, a gente hoje vai experimentar nossa própria força. Antes, porém, eu gostaria de dar uma geral no tema e trazê-lo para a vida prática.

Tudo que a gente quer no Kundalini Yoga é desenvolver uma força interna, como vocês viram na aula passada o Yogi Bhajan falando: a psique da gente pode funcionar tanto no modo careless quanto no modo carefree. Então se a psique está no modo careless, do tipo “não estou nem aí, só estou aí para mim”, você se transforma o centro de toda a importância – não necessariamente você, às vezes seu núcleo familiar, ou o que for. Você desenvolve uma série de intrigas para justificar aquilo que está defendendo. E aí você desenvolve muita força interna, porque se você não desenvolve força interna, não consegue sustentar nem o seu modo careless. Quem não tem força interna não está carefree nem careless, não tem nenhum poder. Então quando a psique funciona em um desses dois modos, ela tem uma força interna, e é isso que vocês confundem: vocês acham que só tem força interna quem vive no modo carefree, que é aquele que coloca em seu altar o outro, em vez de si próprio. Quem está no modo “dane-se o mundo, eu vou justificar minha emoção”, essa pessoa tem muita força interna, só que a força interna que ela gera é guardada para ser usada na sua defesa.

Qual é o problema disso? Ou melhor, qual é a vantagem disso? Vamos começar pela vantagem. A vantagem é desenvolver uma superforça interna para defender seu próprio domínio. Eu estou falando isso de um modo bem negativo, porque não tem nenhum problema você defender o seu domínio quando ele estiver ameaçado. O que estou falando é você se tornar uma defesa egoísta da sua posição. Qual é a vantagem disso? A capacidade de fazer o que você precisa fazer. E a força interna vai ser gerada e usada onde? Onde essa pessoa careless sustenta sua posição? Onde no corpo? No intelecto. Só no intelecto. Não tem força de plexo nenhuma, ela gera uma força interna e em vez de coloca-la à disposição do serviço, ela põe no intelecto, e essa força interna levada para o intelecto dá a essa pessoa a capacidade de fazer uma boa argumentação. Para fazer uma boa argumentação, ela precisa ter gerado muita intriga mental. Então a força está aí, entenderam? Entenderam esse caminho?

Quando vocês estão em disputa, então pode ser tanto a questão do museu discutida em Brasília quanto definições banais da vida da gente, como qual médico escolher, qual escola escolher, qual dentista escolher, qualquer coisa que envolva a nossa vida pessoal, todas as vezes que eu pego a realidade do meio, filtro-a de acordo com o meu interesse, crio uma linha de argumentação para justificar minha posição evitando me entregar para o possível confronto que poderia depurar a situação, eu estou usando a minha força interna para gerar uma linha de argumentação, uma justificativa. Qual é a consequência disso na era de Aquário? Essas pessoas geram um tipo de frequência que atrai gente que está na mesma situação, então o dia em que ela se frustra e tudo dá errado, ela se sente isolada, se perguntando o que aconteceu consigo e ainda assim não admite que foi ela quem iniciou tudo isso, ela ainda se justifica. O problema disso na era de Aquário é que a gente gera karma instantâneo, e quem vai pagar pelo nosso karma instantâneo? Quem gerou a força interna? Não. Se a força interna é muito grande, a pessoa não paga o karma imediatamente, pode até pagar daqui a pouco, o karma chega para ela, mas ela gerou uma força interna de defesa, e esse karma não recai sobre ela imediatamente, mas no núcleo dela, nas pessoas que são mais fracas e mais vulneráveis. Entenderam isso?

E aí assim, lentamente, quando essa pessoa fica vulnerável porque aquele karma está se espalhando no seu entorno, ela então começa a se enfraquecer. Por isso que os mestres todos dizem que existe – o Guru Nanak no Japji fala – existe um ensinamento na dor, a dor também ensina. Porque aquela pessoa que gerou uma linha interna de defesa muito grande para poder justificar suas posições muito confusas, ela finalmente sucumbe. É a chance. Está certo?

Agora vamos para o outro lado da questão. Eu estou nessa falação toda porque essa aula gera força interna para ser usada em qualquer lugar. Por isso que estou fazendo uma advertência. Tá certo? Então agora a pessoa gerou força interna e vai usá-la na psique do carefree, ou seja, ela está confiante em Deus, está livre, leve e solta, confia na mão de Deus, ela tem conflito, tem situação difícil, em qualquer âmbito – no ambiente de um projeto trabalho, no âmbito pessoal, na família, no âmbito que envolve os filhos, mas essa pessoa honra o processo insistentemente. Ela não deixa de confiar no processo, entendeu? Então ela está lá, trabalhando firmemente para alcançar uma vitória. A força interna que ela gera vai ser usada não para ganhar intelectualmente da outra pessoa, mas para espalhar uma coisa que chama confiança, fé, determinação. Ela não duvida do objetivo. Se o objetivo está criando um obstáculo, ela não desiste do objetivo – esse é o determinante se a pessoa está usando sua força interna para viver de um modo egocêntrico ou de um modo altruísta. Ela não duvida do objetivo. Vocês estão entendendo o tanto que vocês, em conflito, começam a duvidar do objetivo? Essa pessoa não duvida do objetivo e então permanece envolvida na construção de um processo para atingir aquele objetivo que é honroso. O processo pode ser duro porque às vezes o objetivo é tão nobre que ele implica numa depuração de quem está envolvido.

Só que às vezes a nossa tendência é buscar logo o conforto: “Ah, quer saber de uma coisa, dane-se o objetivo”, daí você entra no modo careless. E aí naquele processo de um objetivo que é duro, que está distante ou que provoca em mim irritação, que provoca em mim dúvida, você honra o processo para alcançar o objetivo. Quando você faz isso, qual é o resultado na Era de Aquário? É algo muito bonito. Você teve a força que não se localizou no seu triângulo inferior, mas uma força que se espalhou para o seu corpo radiante. Seu corpo radiante ficou gigante, e o que você vai fazer com o karma? Queimar! Você gera uma energia capaz de queimar karmas de quem? De todo mundo envolvido no processo, de sete gerações para trás e prepara o campo para desobstruir sete gerações para frente.

Então em um modo você recolhe karma e o espalha, pois teve uma força de se proteger, e no outro você recebe o karma e o queima. Por isso o Yogi Bhajan disse que a primeira força sustentadora do amor é a paciência. Porque num processo de amor – e aí não estou falando apenas do amor entre dois seres humanos – num processo em que você se lança com amor num objetivo, você precisa ter muita paciência para não desistir do objetivo. Porque o processo é de cura. Em qualquer âmbito, como eu disse, ou um grande projeto de trabalho ou em projetos familiares de qualquer natureza – desde a escolha de um médico, de uma escola, das férias do casal.

Então quando estamos vivendo um desafio – é isso que a gente aprende nesse dharma – o desafio nunca deveria ser um estímulo para você entrar no modo careless, entrar no modo de desonrar o processo e mudar o objetivo. O desafio deveria ser um estímulo para você entrar no modo carefree, confiar e continuar.

Agora um ponto final. Vou mudar de parágrafo para a gente começar a fazer a aula. O que a gente faz quando vê pessoas, especialmente crianças, quando a gente vê essas pessoas vulneráveis, sendo atacadas pelo karma? A única coisa que a gente pode fazer é rezar. Porque a criança ainda está muito aberta para absorver essa frequência. E podemos nos fortalecer, nunca julgar nem dizer “puxa vida, por que essa criança está fazendo isso?”, porque também é uma escolha da alma dela pagar por aquele karma para se liberar logo. Está certo? Vamos então para a aula?

KRYIA MINISTRADO:
“Kryia to experience your own strength”.
Livro “Transformation”, volume 1, p. 4.

MEDITAÇÃO:
“Meditation into thoughtlessness”.
Livro “Transformation”, volume 1, p. 69.