[GSK] Para conectar o coração à consciência

Aula ministrada por Gurusangat Kaur Khalsa em 11 de setembro de 2015.

[GSK abre a aula.]

Nós estamos na véspera do Tantra, num momento de silêncio, então precisamos fazer uma conexão entre o coração e a consciência. Eu cansei já de explicar que no Kundalini Yoga, quando a gente usa o termo “consciência”, nós estamos falando de um lugar particular, e consciência é a nossa relação direta com a nossa alma. E para não ficar um negócio filosófico demais, quando nós nos aproximamos do ambiente da alma, do corpo da alma, nós estamos falando de algo muito específico e concreto. Então do que estamos falando quando nos referimos à alma, do que estamos falando que é totalmente concreto? Algo que faz sentido absoluto?

ALUNO: Valores.

GSK: Valores. Que tipo de valores? Porque eu posso ter um tipo de valor do tipo: servir a mim mesma; o meu valor é sempre “estar bem na foto”.

ALUNA: Éticos.

GSK: Valores éticos. São diferentes dos valores morais. Mas estamos falando especificamente de quê? Existe um núcleo desses valores éticos. No caso da nossa alma, o núcleo do valor ético é: Eu só estarei completamente realizada e feliz quando, através do meu próprio esforço, com a minha própria atitude, com a minha própria ação, eu conseguir fazer alguma coisa para transformar aquilo que está além de mim. E o que está além de mim? O outro, a sociedade, a estrutura, enfim…

Então vocês entendem? Quando a gente fala em alma no Kundalini Yoga, nós estamos falando de uma ação política em que carregamos o nosso coração, o nosso corpo, vamos suar nossa testa para fazer uma diferença no mundo para que o mundo, com as pessoas que nele estão e com a estrutura nele existente, se transforme. Não é uma coisica, não. O Kundalini Yoga não é um sistema de reclusão, em que você vai para o mosteiro e reza. Esse seria também um valor ético, que não tem problema nenhum, você estaria rezando, só que você estaria nesse sistema fisicamente e socialmente desengajada. Esse é um divisor de águas no Kundalini Yoga, ele surge de uma tradição que não é monástica.

Então quando vamos para um Tantra Yoga Branco, nós vamos para fazer uma limpeza do subconsciente. Nós queremos limpá-lo de impressões, onde está uma gravação marcada em nós durante os anos formativos. De 0 a 7 anos. Nesses anos, nós ganhamos uma gravação; a tecla <REC> foi apertada e gravou-se no nosso subconsciente um tipo de história, um tipo de crença. O Tantra é uma tecnologia muito potente de apertar o <REC> com o <PLAY>. Quando você aperta o <REC> com o <PLAY> – muitos de vocês não eram nascidos quando isso existia, chamava “gravador” [a turma ri], você apertava o <REC> com o <PLAY> e apagava a fita. Então não adianta ter uma gravação e dizer: “eu não gostaria de ser mais assim; muda, muda”. Não adianta. Você tem uma fita em que foi gravada uma bobagem, daí você põe a fita para tocar e diz: “Nossa, que bobagem, por favor, bobagem, apague-se, por favor, bobagem, apague-se!”. Não funciona assim, não adianta você falar para o gravador: “Apaga, por favor, apaga”. Não adianta o poder da mente. Isso não resolve. Não resolve autossugestão do tipo: “Amanhã vou ser diferente”, não resolve. Para funcionar, o que você tem que fazer? Apertar o <PLAY> com o <REC>.  Quando você aperta os dois juntos, ele roda sem gravar nada. Isso é o Tantra. Então vai ser apertar o <PLAY> com o <REC>. O Tantra tem esse poder.

Por que nós insistimos todo ano em fazer isso, algumas vezes vamos para o Solstício e fazemos três dias e tal. Nós insistimos porque o nosso subconsciente pode ser o nosso fim, se estiver lá só reproduzindo a fita dos nossos anos formativos, porque nos tornamos cínicos, mentirosos, enredeiros, sedutores, para fazermos valer a nossa crença. E nós seduzimos através de uma atividade política, através de uma atividade artística, através de uma atividade familiar, seduzimos simplesmente para fazer valer nosso projeto. Esse projeto não te identifica com sua alma, porque a alma não se relaciona com nada limitado. Então o subconsciente não te identifica com a alma. Assim, o Tantra ajuda a gente a limpar esses processos do subconsciente.

Mas então por que o Tantra não acaba com o subconsciente de uma vez? Por que a gente não pode acabar com o subconsciente de uma vez? Qual a função dele? É a nossa caixa de gordura. A gente só limpa ela, a gente não acaba com ela. Se a gente acabar com essa caixa, nossa gordura vai para a terra e contamina o lençol freático. Se a gente acaba com nosso subconsciente, a nossa gordura e o nosso lixo vai para o nosso sistema e o destrói completamente. Então uma das coisas que mais nos ajuda no Tantra a fazer o processo de limpeza rápido, e fazê-lo valer, sem ficarmos temerosos e tal, é a gente conectar o coração com as meditações. E a aula de hoje é para abrir o coração.

Por que vamos conectar o coração com as meditações? Lembram do que eu falei semana passada, que um dos engodos em que a cultura nos fez acreditar foi que o coração era uma instância para o quê? No que a gente pensa quando se refere ao coração? Gente pensa em sentimento. A gente acha que as emoções estão no coração. Isso não é verdade, as emoções não têm nada a ver com o coração, as emoções estão na barriga. Sentiu o elevador subindo e descendo? As emoções estão nas entranhas, não tem nada a ver com o coração – isso foi nossa aula de semana passada. As emoções não estão no coração, nele reside apenas uma câmara, um quarto amplo, para pegar as emoções e dar sentido a elas. O coração dá sentido.

Então quando vocês estiverem no Tantra, processando, e naquele negócio [Gurusangat estica o braço para cima, demonstrando uma postura], e pensando quantos minutos ainda faltam para acabar – tem gente que conta, eu já vi muita gente fazendo isso, coloca lá o “contador de tortura”, e fica olhando o relógio; o tempo nunca passa, é melhor você não fazer isso, é melhor esquecer. Naquele momento, você precisa conectar o coração com o processo, porque o coração dá sentido à experiência. O coração é a razão, não o sentimento. Acabamos com o romantismo do século XVIII e XIX. Acabamos. Quem revirou na tumba agora? Muitos românticos dos séculos XVIII e XIX. O coração dá sentido à experiência. Ele que qualifica. Ele ajuda a direcionar aquilo para a cabeça. Então, vamos nessa?

Kriya ministrado: “Heart Connection (12 de Março de 1986)”, do manual Transitions to a Heart-Centered World. Meditação do próprio kriya.

May the long time…

[Transcrição: Sat Bhagat Singh Khalsa]

[GSK] Equilibrando os hemisférios cerebrais

Aula ministrada por Gurusangat Kaur Khalsa em 04 de setembro de 2015

 [GSK abre a aula.]

Hoje nós vamos direto para o kriya, que é um trabalho para ajustar três aspectos do cérebro. O aspecto da circulação; ao ajustar a circulação, você ajusta automaticamente as frequências daqui e dali, então as ondas cerebrais estão diretamente relacionadas à circulação, ou à quantidade de atividade circulatória em determinada região do cérebro – e a gente não quer um cérebro com a configuração de um lado alfa, o outro é beta, o outro é gama; a gente quer um cérebro com cada parte na sua frequência. O ideal do cérebro humano é que ele esteja inteiro na mesma frequência, e não importa qual das frequências. Quando ele está na mesma frequência, é capaz de criar um campo único para processar a informação, encontrar resposta e ter uma memorização impecável dos eventos. Então essa é a chave. E outra coisa importante que esse kriya faz é ajustar o hemisfério direito com o esquerdo. Esse ajuste equivale a abrir uma comunicação entre esses dois hemisférios.

Vocês querem saber o que acontece quando esses dois hemisférios não dialogam? A primeira coisa é: vocês escutam aí no Fantástico que o lado direito do cérebro é relacionado a quê? Intuição, criatividade… Na neurologia é tudo isso também, mas isso é feito numa base que não é a realidade. Ouviram isso? Não é a realidade, é a fantasia, a imaginação. Então desculpa dizer assim, mas é uma mentira. Na neurologia a gente diz que é o lado do cérebro que mente, porque ele interpreta e tira conclusões baseado numa suposição, numa imaginação.

ALUNA: É a mulher.

GSK: É a mulher. Exatamente. Esse é o lado feminino, a mulher está muito mais aí. Mas se você for homem, e em determinado momento da sua vida você estiver envolvido demais com um projeto, qualquer que seja, você tende a querer proteger tanto aquele projeto, tende a querer tanto dar vida àquele projeto, tem que dar vida a quê? À mulher. E aí você tende a descolar da realidade completamente. E fantasiar, e julgar, e tirar uma série de conclusões acerca de um evento, de um problema, que dramatizam aquilo a tal ponto para você ficar inflamado na defesa do projeto. Isso é quem? A mulher.

Vocês conhecem isso quando estão envolvidos num projeto? Isso é um infinitésimo da experiência de ser mulher. Então o lado direito, quando fica mais ativo e na defesa de uma ideia ou de um projeto, ele fica absolutamente deslocado da realidade, fora da realidade, e fantasiando.

O lado esquerdo é o quê? A lógica, a razão e tal. O lado esquerdo então é isso. [Dito de maneira irônica. A turma ri.] E ponto. Não tem grandes problemas, é a lógica, a razão. Absolutamente inserido num contexto e desinserido das outras coisas, mas absolutamente lógico e racional. Então o que a gente quer é misturar esses dois componentes, porque é uma coisa terrível você ter só um hemisfério funcionando, porque ou você vai ficar frio, descomprometido, numa lógica e numa racionalidade impossível de ser rompida, porque está absolutamente inserida na realidade – e vocês, mulheres, sabem do que estou falando quando têm que lidar com o homem. Embora vocês saibam que tem alguma coisa errada, não tem argumento, porque ele é absolutamente lógico e ligado na realidade. Está faltando um elemento de transposição daquilo tudo. Mas o outro lado também é terrível, porque você está só na mentira, só na fantasia.

Então essa aula faz com que esses dois mundos se juntem para você colocar lógica na fantasia, e colocar fantasia e criatividade na sua racionalidade. Aí você vira um ser humano completo, feminino e masculino trabalhando juntos.

Isso tudo é só para fazê-los entender que vocês são professores de Kundalini Yoga. Ontem eu estava fazendo uma consulta e a pessoa repetia para mim: “Eu não estou aguentando mais o meu marido”. Eu disse: “Então coloque em prática tudo que você aprendeu”, ela não estava colocando em prática o que aprendeu. Quantas mulheres aguentam o marido? E quantos maridos aguentam as mulheres? O casamento é o kriya mais difícil, mas existem aqueles que aplicam esses ensinamentos na relação e dissolve a tensão que existe de modo apenas a valorizar a relação.

Não adianta nada vocês fazerem isso tudo, saírem daqui e voltarem para seus hemisférios corriqueiros e continuarem vendo o mundo da mesma maneira. Vocês precisam aplicar, saber que precisam diversificar. Então vamos lá.

Kriya ministrado: Série de exercícios para equilibrar o cérebro. Manual Kundalini Yoga para Juventude, p. 42.

Meditação: Parte do kriya 

É importante levar a experiência dessa aula logo para a hora seguinte, quando a gente tiver que lidar com o mundo como ele é; você lembrar que é preciso ter os dois hemisférios do cérebro atuantes.

Lembrem-se sempre de que, como professores de Kundalini Yoga, vocês só vão ter um sistema nervoso que consegue operacionalizar a vida de vocês no tempo atual se tiverem campo radiante, e esse campo radiante se faz no Kundalini Yoga com os braços. Onde nós temos o maior acúmulo do sistema nervoso? No cérebro. O sistema nervoso é igual uma mulher nervosa, muito sensível; ela precisa fazer muita coisa, mas é muito sensível e irritadiça, e logo pega fogo. Para que uma mulher faça tudo que precisa fazer, ela tem de estar protegida, ela precisa se sentir protegida e amparada, e com o nosso cérebro acontece a mesma coisa. Então se você tem um grande campo magnético, um corpo radiante forte, o sistema nervoso não fica nervoso, ele apenas se sente protegido e faz o que tem de ser feito, igual a mulher. Yogi Bhajan dizia que o nosso cérebro é igual uma mulher, precisa estar muito amparado pelo campo eletromagnético para que possa executar suas funções sem dar tilt. São os braços que dão essa qualidade de proteção.

Muita gente entende mal no Kundalini Yoga que os braços são o cérebro. Não, na verdade, o cérebro é o intestino. Literalmente é o intestino, é o mesmo tecido nervoso. A pele. Mas os braços dão proteção para o sistema nervoso, porque aumentam o campo eletromagnético em torno da cabeça, aumentam o corpo radiante. Mas o cérebro é a pele. E onde a gente tem essa pele extremamente relacionada com a cabeça e com o cérebro, é o intestino. Por isso se diz na medicina ayurvédica que se o intestino não funciona, a cabeça não funciona.

Vamos então fechar nossa aula?

May the long time sun…

[Transcrição: Sat Bhagat Singh Khalsa]

O Toque do Mestre

Sat Nam queridos e queridas!

É com grande entusiasmo que anunciamos o lançamento de “O Toque de Mestre”, tradução para português do livro “Master’s Touch”, de Siri Singh Sahib Yogi Bhajan Ji.

A nova tradução é uma publicação da Abaky, que contou com o trabalho do tradutor e professor de kundalini yoga Sat Bhagat Singh Khalsa. O livro pode ser adquirido no Empório Nanak e pelo site: http://www.emporionanak.com.br/o-toque-do-mestre.html

Apresentação
“Este livro é voltado para todos os alunos da Verdade. Qualquer que seja seu caminho, estes ensinamentos o ajudarão a entender o verdadeiro significado do que é ser mestre. Nesta série de conferências chamada “O Toque do Mestre”, Yogi Bhajan, um dos professores espirituais mais pragmáticos dos nossos tempos, explica o caminho do professor – com humor, compaixão e senso prático dos desafios da vida cotidiana.
Aqui estão reunidos ensinamentos incisivos e inspíradores da Era de Aquário e para a Era de Aquário. Os alunos serão desafiados e revigorados com os exercícios de yoga, além de elevados com a prática das meditações. Yogi Bhajan oferece neste livro uma visão de mundo e um alcance de consciência diferentes de tudo que você já viu, proporcionando descobertas únicas sobre a personalidade humana.
– A mestria de Yogi Bhajan é multifacetada. Ele foi mestre de Kundalini Yoga, Mahan Tântrico e Chefe Religioso e Autoridade Administrativa do Sikh Dharma no Ocidente. Ele ensinou para pessoas no Ocidente e as inspirou durante quase 30 anos. Obteve o título de Ph.D. em Psicologia da Comunicação, usando-a com perfeita maestria em seus ensinamentos.
 
Diferente de qualquer professor dos tempos modernos, Yogi Bhajan usa a ciência sagrada do Kundalini Yoga para solucionar preocupações e problemas concretos do mundo moderno. Ele ensina que “A felicidade é um direito nato de todo ser humano”. Criou a Fundação 3H0 (Healthy, Happy, Holy Organization) para ensinar professores a compartilhar a tecnologia do Kundalini Yoga. Há mais de 2 mil professores de Kundalini Yoga em mais de 38 países.

capa

Webcurso “Produza seu milagre”

Sat Nam!

Começa amanhã o webcurso com Prabhu Nam Kaur e GuruKirin Kaur “Produza seu milagre”. Composto de três aulas através de videoconferência, o curso tem como foco o shabad “Dhan Dhan Ram Das Guru”. Haverá tradução simultânea e as aulas permanecerão gravadas e disponíveis aos alunos para consulta posterior.

Ainda há vagas. Garanta a sua.

Datas: 18 de setembro, 2 e 9 de outubro
Sextas-feiras, às 19h30
Valor: R$ 108

Inscrição na secretaria da Abaky
[secretaria@abaky.org.br ou (31) 3297-5508]

produza seu milagre

[GSK] Associando a alma ao coração

Aula ministrada por Gurusangat Kaur Khalsa em 28 de agosto de 2015

[Gurusangat abre a aula.]

Nós precisamos ter uma tremenda confiança no cerne do nosso propósito para podermos servir no tempo e no espaço. E se formos vítimas de qualquer tipo de injustiça ou quando vocês se sentirem impotentes, a coisa que mais precisamos fazer é associar o coração com a alma. Por que o coração tende a… sofrer. O coração tende a levar tudo para dentro. Como se você sentisse um aperto. Mas o coração também é uma ponte. Muitas vezes, quando a gente sente uma aflição, angústia, ansiedade, impotência, percebam que são sentimentos que te encolhem, mas não são sentimentos que te dão raiva, não te levam para o triângulo inferior, são sentimentos que te levam exatamente para o coração. Se eles fossem para o triângulo inferior, você sentiria raiva, vontade de se vingar. Não. Esses que estamos tratando aqui são sentimentos que espremem o coração.

Quando associamos a alma ao coração, essa é a única chance que temos. A alma associa sentimentos de expansão a esses sentimentos que tiram a nossa força nos comprimindo. Como a gente traduz isso em termos não românticos ou não literários? Por que o kriya vai fazer uma associação do coração com a alma em termos práticos. Mas como a gente interpreta e entende isso? Precisamos encontrar algum elemento nessa conexão com a alma que transforma a sensação de encolhimento e de “murchar”.

Vocês sabem que a alma é capaz de liberar sentimentos que nos expandem. Por exemplo?

ALUNA: Gratidão.

GSK: Está certo, mas gratidão é um sentimento que se aplica quando você está impotente?

ALUNOS: Não.

GSK: Gratidão pode até ajudar, mas vai ser lá no final. No momento em que você está sentindo a impotência e a angústia, gratidão não é um sentimento que te tira do aperto e te fazer expandir. Qual outro sentimento que vocês conhecem que vem da alma e pode te expandir?

ALUNA: Alegria.

GSK: Não, alegria é uma emoção.

ALUNA: Respeito.

GSK: Respeito é uma qualidade ética que vem. Mas quando você está angustiada, o respeito também não vai ser um sentimento que te expande. Vocês compreendem isso?

ALUNOS: Sim.

GSK: Nós estamos dizendo da angústia e da impotência.

ALUNO: Fé.

GSK: Você leu meus pensamentos. Fé. Só tem uma qualidade que é capaz de te tirar daquela angústia – que é a fé. Não existe outra, é uma qualidade que vem da alma. A impotência só é transmutada com a fé. E o que é a fé?

A fé não é uma passividade, não é uma espera passiva. A fé como espera passiva é a definição de quem? Da religião. No Dharma, a fé não é uma espera passiva. A fé é uma espera ativa. Por quê?

ALUNO: Porque você se coloca como parte da esperança? Como uma plataforma para o outro e para o mundo.

GSK: Mas como você faz isso?

ALUNA: Ação?

GSK: Vamos voltar ao caso – o caso é de angústia e impotência. De uma pessoa se sentindo presa. A qualidade que tira a pessoa desse lugar é a fé. Fé em que, se não é uma espera passiva? A espera passiva é uma fé em quê?

ALUNOS: Num salvador, num Deus fora.

GSK: Eu sei que se vocês me disserem que é num Deus dentro, eu vou dizer “Sim!”. Mas como? Por quê? Então não vou aceitar respostas rasas. A fé ativa o que dentro de você?

ALUNA: A continuidade da sua missão e do seu propósito.

GSK: Isso é uma resposta correta, mas podem haver outras respostas. Mas essa resposta quer dizer que você deveria colocar mais peso no seu trabalho do que no seu encolhimento. Então você pode sofrer, pode ter caganeira, pode ter dor de cabeça, mas você tem de continuar trabalhando, você precisa manter o compromisso. A fé ativa é quando o sentimento de impotência não é suficientemente grande para te tirar do seu compromisso – ele não é grande porque você não o deixa ser, porque senão ele seria. A palavra fé, no Dharma, é idêntica a compromisso. Uma fé dhármica é um compromisso.

Aí entra uma segunda qualidade, porque se você se mantém no compromisso e você se sentiu impotente, o compromisso vai acabar te expandido. Então fica um residual do sentimento de um desejo de restaurar a honra, ou a justiça. Ficamos aguardando. O sentimento que faz com que a justiça seja feita também se relaciona à alma e ao coração – que é a qualidade da paciência convicta de que a verdade prevalece. Paciência convicta. E isso pode demorar vidas. Às vezes isso demora vidas para esse resgate ser feito. A conduta é como a que o Yogi Bhajan sempre teve: “Eu vou fazer meu trabalho, fazer o que tiver de ser feito e pacientemente confiar na justiça. Minha fé é que eu servindo meu propósito e sendo genuíno, a justiça será feita”.

Essa aula de hoje foi dada nos anos 1970, e uma das notas que ele fala nessa aula é que: “Todo ser humano que começar a andar no seu destino, no caminho existencial da alma, será confrontado e será acusado. Porque uma pessoa que é autêntica abala o lugar comum onde a massa se esconde”. Então vamos lá?

Kriya ministrado: Heart and soul  (Manual Transitions to a Heart-Centered World). 

GSK: É muito importante a gente entender, no Kundalini Yoga, o que é esse centramento no coração. Não é uma coisa romântica-emocional, mas sim ser capaz de experimentar de forma profunda os valores que residem na alma. E vocês podem treinar isso na comunicação de vocês – não percam a conexão com a alma quando comunicarem a partir do coração. Se vocês comunicam a partir da angústia ou da frustração de vocês, vocês se desqualificam e perdem a conexão com a alma. Toda vez que vocês se colocarem num lugar superior e colocarem o outro num lugar inferior, vocês nunca vão alcançar o coração do outro. Não há conversa assim. O outro vai te responder para te atacar e você vai responder para manipular, para se impor, nunca vai haver uma conversa. Você precisa saber se conter, saber pisar no seu freio. Vocês precisam ser um elo para compreensão e não para a punição do outro. E vocês escutaram um Shabad hoje que dizia:

Kirpan Gopal Gobinde – A sustentação vem com a compaixão e com a luz.

Sustentação é quando a compaixão se traduz em compreensão: Kirpan Gopal Gobinde. Assim se criam relações. Quando se associa Kirpan (compaixão) com Gopal (luz) para que haja Gobinde (sustentação).

May the long time sun shine upon you…

Sat Nam Wahe Guru

[Transcrição Hari Bhagat Singh Khalsa]

[GSK] Perdendo o medo do desconhecido

Aula ministrada pela Gurusangat Kaur Khalsa em 21 de agosto de 2015

Bom dia, Sat Nam!

Hoje vamos fazer um kryia para equilibrar os chakras e os órgãos correspondentes. E eu gostaria de rever um pouco com vocês esse sistema de proteção e propulsão que nós temos. No Kundalini Yoga, não existe gafe maior do que um professor dizer assim: “Vou ajustar seu primeiro chakra porque o sétimo está muito ativo”. É uma gafe absurda descontextualizar os chakras.

Os chakras existem num contexto, e esse contexto tem dois grandes propósitos: proteção e propulsão. Quem fez o Coaching Aquariano sabe do que estou falando. Um é o modo de crescimento e outro é quando você está em modo de recuperação. Nós não precisaríamos dos sistema de chakras se fôssemos usar apenas nossa defesa animal, porque nossa defesa animal, aquela reativa, já está bem trilhada e formada em nosso corpo. Nosso corpo tem uma ação que na neurologia a gente chama de ação reflexa. O que acontece é que o outro tipo de defesa que o sistema de chakras se dispõe a fazer é muito qualificado e requintado. E o sistema de chakras surge no ser humano na medida em que a parte mais evoluída do cérebro surge.

Os animais têm um sistema de chakras muito diferente, em que o máximo deles é o nosso mínimo. E o máximo dos animais é o nosso triângulo inferior. Nós começamos evolutivamente no mínimo e evoluímos de uma forma tão requintada, tão fina no nosso sistema de defesa, que temos o triângulo superior, que foi uma evolução que surgiu junto com o cérebro. E é esse o lugar do sistema de chakras que está disponível para nosso uso. Mas acontece que a gente não faz uso dele (dos chakras superiores) para uma defesa animal porque não temos uma reação de defesa do triângulo superior que seja de forma reflexa. Então a forma reflexa da defesa do triângulo superior é algo que precisa ser conquistado. E conquistar esse triângulo superior é basicamente nosso objetivo na vida. No momento em que conquistamos esse sistema, uma coisa maravilhosa acontece conosco. Tudo que serve para nos chacoalhar, nos confrontar, nos tirar do lugar comum, e que numa defesa animal a gente rechaça, numa defesa superior, é justamente ali que está disposto para a realização do nosso destino.

Na medida em que você conquista uma ação reflexa no seu triângulo superior, você está garantindo realizar aquilo que você veio para realizar e pagar sua conta aqui. Para agirmos de acordo com a acão reflexa do triângulo superior a gente precisa de oportunidades. Falta oportunidade para alguém aqui para se sentir mal? Então, muitas vezes o que falta é tempo. Às vezes a gente precisa cair 500 vezes, às vezes precisa cair 500 mil vezes. O tempo é livre e é deslimitado. Por isso, o que a gente quer é acelerar esse processo e é pra isso que a gente vai trabalhar na aula de hoje.

Kryia ministrado: Equilibrando os Chakras e órgãos correspondentes (Livro: Transformation – volume I)

Observação sobre mantra “Har Wahe Guru Har Sat Nam”. GSK: Esse mantra pode mudar a sua ação reflexa. Ele elimina a dor na hora da morte. É uma morte a gente não se submeter ao desafio. Entoe com grande respeito.

Vamos fazer agora uma meditação (Aap Sahae Hoa) para comandar os cinco tattvas e perder o medo do desconhecido. Mas aí você diz: “Ah, eu sou uma pessoa muito destemida”. As pessoas muito destemidas tem um tipo especial de medo do desconhecido que é aquilo que as derruba: que as faz ficarem guerreiras, mas não santas guerreiras. A terem sempre uma visão míope e amedrontada de quem aos seus olhos aparece absolutamente errado. Um julgamento em que o outro é absolutamente errado se fundamenta no temor de entrar em contato com aquilo que é absolutamente diferente de mim. Isso fere o princípio que o Yogi Bhajan ensinou segundo o qual, numa comunicação consciente, não importa o que você sente, o que você sabe ou o você quer, importa o tanto que você conhece o outro e o quanto você pode entrar no outro. Uma das coisas que o Guru Gobind Singh mais ensinou na vida dele, o legado principal dele – além de ser a absoluta igualdade e o direito de todos existirem na excelência –, foi que você precisa entrar no universo do inimigo. Você precisa ser capaz de se sentar e conversar com seu inimigo sem nenhum tipo de medo.

O ideal é fazer essa meditação com a versão do Gurudass, porque ela tem uma freqüência que restaura o estado de graça. E é justamente essa radiância que leva a gente a respeitar o adversário. Preciso dizer uma coisa, eu gosto demais de séries de época e assistindo a uma delas esses dias, o personagem de um príncipe disse a seguinte frase: “Um dos sinais mais importantes da realeza é que a pessoa tem que ter generosidade e elegância”. E esse elemento foi algo que o Guru Gobind Singh trabalhou demais. E lembrem-se que o Guru Gobind Singh levou os párias para a realeza, seguindo o princípio do Guru Nanak completo: não vamos viver numa sociedade igual igualando todos por baixo, vamos viver numa sociedade igual distribuindo a riqueza. Uma das coisas importante para ele era a elegância – não só no modo de vestir, mas de falar e agir, essa elegância da casa real do Guru Ram Das –, e a generosidade. Vocês veem que não são só aqueles que nascem em uma casta que podem desenvolver isso. Nós também podemos desenvolver generosidade porque ela é base fundamental de nossa prosperidade. E uma das coisas que mais nos leva a nos recolhermos diante do desconhecido é a nossa falta de generosidade. Nós somos pouco generosos com o desconhecido. Esse mantra faz com que o nosso corpo radiante aumente tanto – um momento em que o corpo radiante explode é o momento em que não estamos mais inseguros –, que estamos cheios de infinito. Nesse momento é muito tranquilo lidar com a feiura da oposição.

Yogi Bhajan diz que a prática dessa meditação nos ajuda demais a lidar com a animosidade. Todas as vezes que a gente progride demais a gente atrai animosidade. São as quadraturas. Não tem jeito. A sombra é proporcional à luz. Nessa atração da animosidade você precisa não ficar reativo. Você precisa interagir. Esse mantra é para isso também.

May the long time sun shine upon you…

Sat Nam Wahe Guru

[Transcrição Hari Shabad Kaur Khalsa]