[GSK] Verdade circunstancial e verdade universal

Aula ministrada por Gurusangat Kaur Khalsa em 20 de novembro de 2015

[GSK abre a aula]

Vamos começar com o nosso trabalho de hoje. Antes de começarmos, eu queria falar um pouquinho com vocês sobre um assunto. Hoje pela manhã eu li uma frase da uma monge que dizia assim: “conversa, bar e internet não vão preencher a sua vida”. Eu queria saber o que vocês acham disso. Como isso soa para vocês? Sem dizer se é falso ou verdadeiro.

Aluna: Na minha experiência faz sentido.
Outra aluna: Na minha é uma realidade. Isso realmente é um vazio total.

GSK: Quem mais tem uma opinião? [ninguém se manifesta] OK! E se vocês então estivessem escutando essa frase como professores de Kundalini Yoga? Vocês têm alguma opinião?

Aluno: Acho isso um pouco desconectado do mundo porque essa é realidade da maioria das pessoas: conversa, bar e internet.

GSK: Tá, mas se a gente for por aí, a gente vai pensar que o mundo está do jeito que está porque o mundo todo está no: bar, conversa e internet.

Aluno: É só que existe um tom de julgamento.

GSK: Isso! Nenhum de vocês escutou como uma verdade absoluta? Eu estou trazendo isso para vocês porque são coisas com as quais vocês se deparam toda hora aí fora, e vocês precisam refinar um pouco como vocês abordam uma situação dessas. Na nossa perspectiva agora, “conversa, bar e internet não preenche a vida”, mas “conversa, bar e internet preenche a vida”! Às vezes até a minha. O que quero dizer é: o julgamento moral indica “olha, eu estou querendo dizer isso”, mas ele não explica. Ele apenas dá um julgamento, faz uma crítica, porque existe algo melhor num lugar, mas ele não indica o que é melhor, ele deixa subentendido. Então, quando vocês como professores de Kundalini Yoga, que são professores não só perante seus alunos, mas na sua vida, quando um aluno seu se preenche com conversa, bar e internet, o que você tem a fazer?

Aluna: Mostrar as outras alternativas.

GSK: Não! Por que a gente não mostra as outras alternativas? Porque a gente não é alternativa. A gente não quer que o aluno seja igual a gente, de forma nenhuma. Então a gente não mostra alternativa. Se um aluno seu chega para você e diz assim: “olha, eu faço kundalini yoga, eu faço sadhana, mas eu adoro conversa, bar e internet e isso preenche a minha vida”? Digamos que vocês saibam o projeto espiritual do aluno, o projeto de crescimento daquele aluno; aquele aluno quer realmente ser gente, se transformar, e ele chega para você e diz isso, o que você fala? Nós trabalhamos com esse tema no Kundalini Yoga demais! Quando uma pessoa se preenche com bar, internet e conversa, quem é o professor dela? O que vocês falam para o aluno, gente?! Vocês tem que usar uma coisa chamada Gatka. Gatka é uma penetração profunda como professor. Você não quer ficar no moralismo. Não estou dizendo que a monja que disse isso está errada ou está certa, eu só estou reinterpretando isso à luz do Kundalini Yoga. Não interessa onde ela está certa, ou onde ela está errada, estou falando de nós. Vocês têm que usar uma gatka. Quem gosta de bar, conversa e internet tem uma psique adolescente, essa pessoa pode ter 15 anos como 65 anos, é uma psique adolescente. Vocês lidam o tempo todo com os seus filhos nesse lugar. Não adianta conversa. Qual seria a Gatka? Essa Gatka vem do seu corpo radiante. Qual seria a palavra que deixaria a pessoa boquiaberta?

Aluno: Serviço?

GSK: O aluno vai achar que você está oferecendo uma alternativa. Vocês já mencionaram isso, a questão do tempo. É falar assim: “o que não te falta na vida é tempo, se nesta não der para você cumprir o que você tem que cumprir, tem outra”. Entendeu? Uma gatka! Você não está querendo julgar, você não está querendo polarizar, você só está dizendo “tempo é o que mais você tem”. Vocês têm que entender que uma psique adolescente não está aberta ao diálogo. Ela está só afirmando o que ela quer, o que ela faz, o que ela julga para ela ser importante. Se você entrar numa psique adolescente e começar a dialogar, você nunca vai chegar em lugar nenhum. Vocês precisam sair do lugar em que vocês dão alternativas ou julgam. Vocês precisam se posicionar livres do gancho. Qual é o gancho da psique adolescente? É sempre a provocação. Porque quando ela provoca, o que ela extrai do outro? Quando você é provocado, você vem com o seu moralismo. Seu moralismo está certo? Está certo pra você, mas em nenhuma outra perspectiva ele está certo. A provocação quer que vocês se posicionem para que a pessoa que os provoca se reafirme, dizendo: “certamente, eu não sou isso. Eu sou aquilo”. Todas as vezes em que vocês entrarem nessa conversa – de indagar, de dar alternativas – mais vai reforçando a convicção e o isolamento daquela psique. 

No Kundalini Yoga, você penetra numa psique adolescente, normalmente, deixando de lado qualquer desejo de querer ter ou de ser uma autoridade. Nós queremos ser apenas o professor. Um professor diz: assim, nessa vida, em outra, em quinhentas mil, o problema é seu. Quando você vir que aquela pessoa está tomando uma rota que é perigosa, aí sim você tem brigação de fazer alguma coisa. Não é o caso aqui. Mas se ela estiver tomando uma rota perigosa, você diz: “olha, a rota que você está tomando pode te levar para isso, e as consequências é isso, você que escolhe”. Ainda assim você não dá alternativa, você só mapeia. Você dá um mapa. Todas as vezes em que diante de uma psique adolescente vocês quiserem posar como alguém que tem mais autoridade, vocês vão se dar mal. Entenderam isso? A gente precisa usar a gatka. A gatka é uma penetração neutra. Vocês conseguem levar isso para a vida de vocês?

Olha que maravilha a internet! Eu encontrei essa frase hoje de manhã no Facebook depois da minha sadhana. E eu vi: parece uma verdade universal, mas alguma coisa nisso não está boa. Fiquei pensando por que soava para mim como uma provocação, e o que isso tinha a ver com o ensinamento do Kundalini Yoga. Vocês precisam, como professores, criar relações com as coisas e a não partir para dentro desse fluxo do besteirol coletivo. Aquilo que parece essencialmente verdadeiro, às vezes não o é. Às vezes é apenas um caminho. Nós estamos criando uma cultura, a cultura do Kundalini Yoga, que é feita para realmente criar uma cultura da liberdade, da autonomia e da soberania. Não é para a gente ficar repetindo chavão por aí, não é uma cultura do moralismo. É uma cultura da responsabilidade. Em que nos tornamos responsavelmente livres para vivermos. Vocês estão comigo? Vocês só vão fazer diferente, só vão ser diferentes de tudo o que vocês tinham medo antes, se vocês forem e fizerem diferente. E deixar de serem moralistas. Para nós, quando a gente passa dos trinta e a psique deixa de ser adolescente, é uma linha muito tênue essa coisa do moralismo porque a gente começa a valorizar muito a moral. Não tem nada de essencialmente ruim na moral. O que é a moral? É quando alguma coisa é essencialmente boa para quem? Para mim! E a ética é uma coisa que é essencialmente para todo mundo, incluindo a mim. Quando uma frase soa estranha é porque eu já estou tão dentro da ética que eu já falo “pô, mas a pessoa que escolheu isso? Eu não estaria servindo essa pessoa?” Se eu a estiver julgando sob o ponto de vista moral, eu não vou atendê-la. Mas nós somos professores de Kundalini Yoga e nós atendemos aqueles que querem bar, internet e conversa. A gente tem que servir a esses! E como a gente vai servir a esses sem sermos uma alternativa? A gente tem que servir a esses dizendo: “eu vou continuar te servindo. Numa próxima vida, a gente providencia outro professor. E assim por diante, até você descobrir como você vai realizar o seu destino”. Está certo?

Kundalini Yoga, gente, pode ser esse manancial que pode te tornar apto a conversar com qualquer outro ser humano. Em qualquer zona ideológica. Se vocês estivessem se sentando sobre a ética. E nada para nós é estranho, e nada para nós deveria não merecer a nossa atenção. Todo mundo deveria merecer a nossa atenção porque estamos a serviço de todo mundo. Por causa disso, nós vamos despertar os dez corpos. Vocês precisam ganhar força no corpo radiante. Porque é o corpo radiante que dá pra gente esses insights. No dia em que vocês se apaixonarem por essa teoria, vocês vão poder colocá-la em prática. Quando eu me apaixono por isso eu vou cada vez mais me lapidar para que eu seja um instrumento da ética.

Kryia: Para os dez corpos

Meditação do Kyria: Laya Yoga

Quantos de vocês aqui fizeram Nível II Comunicação Consciente? Nesse curso há um capítulo realmente muito, muito fascinante sobre a verdade pessoal, a verdade circunstancial e a verdade universal. Esse exemplo que eu trouxe para o início da aula cabe bem a essa discussão. Um professor de Kundalini Yoga não vai para o mundo e deixa de relacionar com as pessoas em suas verdades individuais. Além da verdade individual, há a circunstancial, na qual se insere todos aqueles que estão preenchendo suas vidas na conversa, bar e internet, e além dessas há a verdade universal. Então quando quiser se relacionar com qualquer coisa que esteja fora da minha verdade pessoal, que esteja no terreno da verdade circunstancial, ao invés de nos relacionarmos de nós mesmos para o outro, a gente se relaciona de nós para com a verdade universal, com Deus, com o mais amplo. Quando a mente se alinha naquela frequência é que cabem as respostas para o outro. Não se trata de convencer o outro de que você faz diferente e está certo. Não se trata de você dizer que não é e o outro dizer que é. Essa é uma disputa eterna entre uma verdade pessoal e uma verdade circunstancial. A história é alinhar o propósito. O Kundalini Yoga e o Yogi Bhajan são realmente impressionantes. Se apaixonem por isso porque isso é raro. Essa é a Era (de Aquários) em que os ensinamentos devem ser compartilharmos de modo que você faça sentido.

May the long time sun

[Transcrição Hari Shabad Kaur Khalsa]

[GSK] Acelerando a depuração e promovendo curas

Aula ministrada por Gurusangat Kaur Khalsa em 20 de novembro de 2015

[GSK abre a aula]

Nós vamos fazer uma aula clássica. Me deu muita vontade de experimentar com vocês mais uma vez um kryia para pana e apana. O que eu gostaria de comentar com vocês antes é o seguinte. A gente dá aula sobre isso, nós fazemos nossos treinamentos sobre isso, a gente faz nossos Níveis 2, trabalhamos intensamente em nosso Coaching Aquariano, para que a gente tenha o equilíbrio e maturidade emocional para que a gente, como professor de Kundalini Yoga, possa realmente pegar um projeto do nosso destino e conseguir realizá-lo. É muito mais fácil – aparentemente mais fácil – nós realizarmos um projeto da nossa sina, do que um projeto do nosso destino.

Porque para realizarmos um projeto do nosso ego, a gente cria, digamos assim, uma rede do Estado Islâmico: a gente não se importa em meter o ferro no outro, desqualificar o outro, fazer intriga sobre o outro, se fazer de vítima, inconscientemente a gente não se importa em se colocar num esquema pelo qual teremos que pagar um preço muito alto. E quando dá certo, ótimo! E quando não dá, a gente sempre tem uma razão para justificar porque não deu certo. Mas a gente não se sente responsável por não ter dado certo. Quando não dá certo, a gente não se responsabiliza. É o outro que causou o meu desencanto, o meu fracasso. E quando dá certo, a gente então se vangloria e continua massacrando os que estão no meio do caminho.

O projeto de sina causa menos esforço. O problema desse tipo de projeto é que ele tem um preço cármico muito grande a médio prazo atualmente, porque nós entramos nessa tal Era de Aquário. Vocês não estão com saudade da Era de Peixes, não? Nessa Era de Aquário, a consequência vem imediata. Antes, a gente esperava um ano para pagar, agora é imediato. Uma outra coisa curiosa é que, se a cura se irradia no meio da família e no círculo íntimo, o carma também. A gente acaba sendo o detonador de um grande infortúnio à nossa volta.

Já o projeto de destino depende muito mais de nós para dar certo. Ele é muito mais centrado na determinação que a gente tem de não de superar o outro, mas de se superar. Isso é que é a maravilha, porque embora o projeto de destino seja mais longo, muito mais longo do que a gente queria, ele é uma chance de a gente se depurar, se curar e também liberar os nossos familiares e liberar quem está em nosso círculo íntimo. Então, é importantíssimo a gente continuar investindo nisso. Lembrem do que o Yogi Bhajan dizia: “um professor erra, erra, erra, mas sua disciplina vence”. É um investimento nessa maturidade, é um investimento em nós.

A cada vez que saio do Brasil, cada vez mais sou agradecida por termos constituído essa sangat, porque raros são os lugares onde nós realmente podemos render a nossa cabeça sem que a gente se sinta culpado, sem que a gente se sinta inferiorizado. Não existe entre nós aquela experiência de que estamos em guerra. A gente pode até estar em briga, mas a gente resolve os nossos problemas. O que vejo por aí, em países vizinhos, são pessoas que não tem uma sangat, eles tem grupos de conquista de territórios. É sempre uma posição de que “alguém está me tirando o que conquistei e, por isso então, estou tendo que defender o meu território”. É uma coisa terrível. E aí, há aquela mentalidade de que todo mundo que não se alinha com eles é contra. É uma pobreza! Você vê as pessoas mais qualificadas no Kundalini Yoga vivendo na mais absoluta inconsciência e imaturidade emocional. Então é muito importante que vocês professores de Kundalini Yoga, com seus alunos de Kundalini Yoga, criem esse espírito de sangat com seus alunos. E que vocês valorizem essencialmente essa mente fora das intrigas.

Eu sei que nós levamos tombos e mais tombos, mas cada vez esses tombos precisam ser de proporção menor, porque esses tombaços, de proporções grandes, quando a gente não é mais um ignorante – porque a benção é do ignorante, porque enquanto ele não sabe ele é inocente… mas nós sabemos e temos esses tombos magníficos –, se esses tombos magníficos não nos encherem de vergonha, para que a gente não tenha que cair de novo, a gente vai virar uns sem-vergonha. Vamos aprender a cair e levantar. Cair e levantar. Cair e levantar. E não sair do lugar. Nós temos todas as condições para criarmos em nossas vidas esse espírito: eu cai, mas pelo amor de Deus, esse tombo nunca mais; eu aprendi com essa situação. Nós, como sangat, cristalizamos esse ponto.

Para nós, os projetos de sina não nos alimentam mais. Para nós, agora só projetos de destino. A boa notícia é que isso limpa e cura. A notícia ruim é que é mais difícil. Não vamos apressar. Se demora mais é porque mais cura está sendo necessária. Vocês entendem isso? Porque a cura se estabeleceu – por exemplo, a Escola Miri Piri Brasil. A gente estava sustentando essa escola, rezando para ter mais alunos, mas a Escola chegou num ponto agora que ela saltou além de nós. Vocês estão sabendo, né? A gente tem agora Escola Miri Piri em Uberlândia e Brasília. E agora a gente já tem uma terceira, que se chama Cuenca (Equador). Querem abrir uma Escola Miri Piri Brasil em Cuenca. Quando o projeto fica maduro suficiente, ele se projeta na sua radiância, independente de a gente ter que fazer um esforço. Mas até lá a gente teve que trabalhar quantos anos pela Escola Miri Piri Brasil? Com qual consistência, com qual dedicação? A mesma coisa no nosso projeto pessoal.

Enquanto nós não estivermos depurados, e saibam vocês, enquanto existirem os conflitos em volta do seu projeto, ele não está depurado. Não tem jeito. Ou você não está depurado, ou a equipe do projeto não está depurada… Então a nossa aula de hoje é para acelerar a depuração. Para vocês saberem que o centro da depuração é essa identidade que mora aqui (no umbigo) com esse olho que vê com olho da alma, e a gente quer trazer esse olho para cá (o terceiro olho no ponto do umbigo). Para que a sua identidade veja com o seu olho da alma.

Está bem? Vamos começar.

Kryia: Kryia para pana e apana do manual do Professor Aquariano

Meditação: Indra Nitri

A tradução literal de Indra Nitri é os olhos de Indra, e Indra é o terceiro olho, é quando a gente contempla a nossa experiência, a nossa história através dos olhos da alma. Mas Indra é também água e, portanto, é a emoção. Indra Nitri é um dos paradoxos mais maravilhosos do yoga, porque tudo que acaba conosco, tudo o que nos derruba e nos faz irmos para o caminho da sina são as nossas emoções. Indra Nitri é um dos paradoxos mais maravilhosos porque é o olhar da alma, mas porque essencialmente Indra é água e água é o que mais nos leva ladeira abaixo. As nossas emoções são aquilo que nos fazem sairmos de nossa zona de depuração e querermos ir para nossa zona de conforto. E a gente já conhece mil vezes que a zona de depuração não é na zona de conforto. Então são as nossas emoções que nos fazem sentir o mundo de uma determinada maneira e medir o mundo através daquilo que a gente sente. E nós sabemos 100% – não porque vocês me escutam, mas porque vocês escutam o Yogi Bhajan –, as nossas emoções não traduzem a realidade. Então sentir a realidade não significa que a gente está sentindo o que é real. Mas, ao mesmo tempo, são as nossas emoções que se tornam combustível para que possamos ver o mundo através dos olhos da alma. Por isso, que Rakhe Rakhan Har Aap Ubarian. O tempo todo desse mantra é um pedido de ajuda, porque eu não posso abandonar as minhas emoções, mas elas deveriam também ser a força para que eu possa estar dentro deste bote, para eu poder atravessar esse oceano. E quem ajuda a atravessar esse oceano tumultuado e violento das emoções é o Guru! É aquela força dentro de mim absolutamente neutra que me leva da escuridão pra luz.

Essa meditação é para reverter esses dois sintomas que a gente tem, dois sintomas terríveis que a gente tem e que sempre vão levar a gente para a tumba rápido. Primeiro: porque a gente sente, portanto é. Segundo: a negação das emoções e, consequentemente, sem fazer com que elas subam para o triângulo superior. Portanto, porque o que a gente sente não é, o que a gente sente é apenas uma expressão da realidade. E não se esqueçam da bomba cósmica que Yogi Bhajan jogou na gente no curso Nível II Comunicação Consciente. Comunicar consciente não significa comunicar a partir daquilo que você sente, nem daquilo que você sabe, nem tampouco daquilo que você quer. Isso não é Comunicação Consciente. Não tem a ver com o que você sente, com o que você sabe ou com o que você quer. Tem a ver com o tanto que você conhece o outro.

Então Indra Nitri tira a gente dessa volúpia dos nossos sentimentos e faz com que esses sentimentos se assentem no lugar deles, que é no triângulo inferior, mas, ao mesmo tempo que, com a força do olhar da alma, a gente puxe-os para cima. Vocês precisam se lembrar disso quando vocês estiverem fervendo. Aí vendo a Indra Nitri, porque é a água que acalma quando vocês estiverem fervendo. A água é a que ferve, mas é também a que esfria. E o mantra é o Ek Ong Kar Sat Gur Prasad Sat Gur Prasad Ek Ong Kar. É o magic mantra. Depois desse mantra não pode pensar “coisa ruim”. O que você pensar nessa hora entra profundamente na sua programação subconsciente. Yogi Bhajan ensinava não pensar nada negativo nessa hora. Uma coisa que o Yogi Bhajan falou sobre essa meditação é que quando vocês estiverem a esperança de se conectarem com o mantra mágico, lembrem-se de agradecer. Ele fala que se no dia a gente consegue manter esse espírito de esperança e reconectar com ele ao longo do dia a gente reverte grande negatividade cármica. Se eu fosse vocês, colocava um lembrete no celular: lembrar de ser grato, lembrar de agradecer.

May the long time sun

[Transcrição Hari Shabad Kaur Khalsa]

[GSK] Dínamo para corpo prânico e amadurecimento emocional

Aula ministrada por Gurusangat Kaur Khalsa no dia 30 de outubro de 2015

[GSK abre a aula]

Nós hoje vamos fazer um kryia que tem a ver com a defesa imunológica. Escolhi esse kryia porque estamos passando por uma transição climática, e ela debilita a gente, mas também porque a defesa imunológica no Kundalini Yoga nunca começa no corpo físico. A defesa imunológica começa no corpo prânico, que tem uma relação muito direta com seu amadurecimento emocional.

Do ponto de vista ideal, se nós pudéssemos ser formatados num laboratório e saíssemos de lá prontos, a medida que nos tornaria muito bem temperados e aclimatados para a vida na Terra seria se nós saíssemos desse laboratório com a nossa identidade cultural ressonante com a nossa identidade espiritual. Estou falando de uma programação genética com a qual nós não teríamos problemas de assumir, de forma única, a ausência de distâncias entre a nossa identidade cultural e a nossa identidade espiritual.

Todos aqui tem na sua identidade espiritual o desejo grande de luta para que haja igualdade, justiça, nós queremos um mundo justo e cheio de oportunidades para todo mundo. Então, digamos que essa seja uma identidade espiritual forte nossa. Nós não viemos para sermos recluso ou nos excluírmos socialmente para termos uma paz de espírito. E é por isso que vocês fazem Kundalini Yoga. Se vocês tivessem outra forma de prática espiritual, vocês viriam com outro traço espiritual. Mas o Kundalini Yoga te prepara para entrar na vida cheio de fogo e cheio de entusiasmo. E aí você poderia ter nascido em qualquer cultura e em qualquer tempo, esse traço espiritual se manifestaria e você não o recusaria. Imagine então que você nasça numa comunidade de monges tibetanos, você nasce com o traço cultural de querer abraçar a vida e transformar a vida, mas você tem uma identidade cultural. Como você aproxima isso?

A identidade cultural, num laboratório, poderia ser trazida muito próxima da identidade espiritual. Isso acontece? Rarissimamente. Tem um jeito de isso acontecer. Na verdade, nós já nascemos com esses traços. No momento em que você escolhe a mãe, você está escolhendo uma identidade cultural. Mas, antes de você escolher a mãe, você já é alma – uma identidade espiritual. É certíssimo isso que o Yogi Bhajan diz: “você não tem uma alma. você é uma alma com uma identidade cultural”. No momento em que você escolhe a mãe então, você agrega um espaço cultural à sua identidade espiritual, e ali começa uma jornada. E essa jornada vai ser cada vez mais a de testar se a sua identidade cultural e a sua identidade espiritual estão em ressonância ou não. O tempo todo. Mas a maioria de nós faz o que? Cada vez mais a identidade cultural e a espiritual se afastam. Não estou falando de identidade espiritual como professor vestindo paramentos. Não! Estou falando da identidade espiritual.

Uma das coisas que ajuda esse movimento de afastamento reverter é uma coisa muito básica chamada vibração da maturidade emocional. O pulso, ou o dínamo, que faz essa convergência, é a maturidade emocional. Quanto mais imaturo emocionalmente você for, mais a sua identidade espiritual se desagrega da sua identidade cultural. Esse elo que é a maturidade emocional, a base dele é o corpo prânico. E a base da sua defesa é o corpo prânico. Seja ela de cunho muito sutil, seja ela de cunho mais denso, como é, por exemplo, a sua defesa imunológica.

No próximo fim de semana do curso de formação, a Kirn Jot vai falar sobre prana e apana e tem uma pergunta que ela faz que é assim: “por que a respiração é o seu Guru?”. A história é assim: o corpo prânico é a base do ajuste dessas duas identidades. No momento em que você amadurece emocionalmente, você começa a fazer uma coisa que é básica para que você ajuste essas duas identidades, que é: você aceita o desconhecido. É você não temer o desconhecido. Na respiração, você inspira para colocar o desconhecido dentro de você e você expira para colocar o conhecido para fora. Então, a respiração é um desconhecido e o conhecido o tempo todo. E como é que esse ajuste é feito? O que facilita essa maturidade emocional? É a gente aceitar o desconhecido. Mas até aí é uma tese plausível.

Uma das coisas que facilita a gente a amadurecer emocionalmente é a gente abrir mão de duas coisas: a primeira delas é a gente não querer ter razão – não importa quem tem razão. Numa disputa, você não luta para ter razão, você luta para ter clareza. A segunda coisa é você criar em você uma linha de ação que seja consistente com a sua vida. O que estou querendo dizer? Vou dar um exemplo: digamos que vocês sejam professores de Kundalini Yoga, vocês se expuseram a esses ensinamentos de forma consistente, vocês estão aplicando e estão dando esses ensinamentos para várias pessoas. Então vocês estão por aí distribuindo esses ensinamentos e vocês, enquanto grupo, estão abrangendo desde a maternidade à idade adulta. Vocês estão abrangendo toda a psique do desenvolvimento emocional dessa coisa chamada humanidade. Mas você mesmo não aplica os ensinamentos em você. Ou tem alguma coisa na sua vida com a qual você decide que é muito melhor fazer uma outra coisa. Quando você faz isso, quando você não vive os ensinamentos – em inglês a frase é “walk the talk” –, quando você não faz aquilo que você fala, você cria dentro da sua psique uma distância enorme entre essas duas identidades e você deixa de amadurecer emocionalmente. A pergunta é: por quê?

Porque todas as vezes em que vocês forem testados para amadurecer emocionalmente, e o teste do amadurecimento emocional se chama confronto, todas as vezes em que você for testado nessa disciplina, você tem uma escapatória, você foge da sua zona de conflito e entra numa zona de conforto.

Por isso que o Yogi Bhajan dizia que se você pegar uma coisa e fizer essa coisa para o mundo inteiro, para você e os seus filhos e para as geração futuras, não tem jeito de você não conhecer tudo. O conhecimento de tudo parte do pressuposto de você pegar uma parte do tudo e descer nela profundamente. Como diz um ditado indiano, todos os dedos das mãos são diferentes, mas quando você vai profundamente neles, eles todos caem num lugar que é comum. Quando a gente começa a escolher duas, três, “n” coisas, quando você começa a segregar para criar uma zona de conforto, ou por querer experimentar de tudo um pouco, vocês nunca vão descer na unidade das coisas. O amadurecimento emocional não teme aprofundar na base onde tudo nasce. Muitas vezes a gente teme aprofundar porque a gente acha que está perdendo aqui, aqui, aqui e aqui. Começou um confronto aqui, você pula pra lá. Começou um confronto ali, você pula pra cá. Esse samba te deixa na superfície das coisas e te deixa imaturo. A aula de hoje é um dínamo no nosso corpo prânico para que a gente possa ter essa força de aprofundar. E a palavra de convergência é: ganhar consistência. Consistência. Ninguém vai acreditar em você se você ensina uma coisa e faz outra. Ninguém acreditará em você. Escolham! Façam uma escolha! E deixem de ficar fazendo “gamble”, parem de brincar com a sorte ou o azar. Escolham e se entreguem.

Uma das coisas maravilhosas dessa tecnologia do Kundalini Yoga é que ela é infalível. Se você for um bom canal, você vai atingir todo mundo e fazer sentido, mas você precisa atingir um sentido mais profundo para você mesmo.

Kryia: Manual de formação

Meditação: Treshula Tryia

May the long time sun shine

[Transcrição Hari Shabad Kaur Khalsa]

 

[GSK] Educação e meditação transcendental

Aula da Gurusangat Kaur Khalsa do dia 16 de outubro de 2015.

GSK: Eu não sei como que vocês espalham por aí que eu sou alguém da chibata. Isso é uma injustiça. [A turma ri]

Aluna: Também não entendo. Acho que foi no passado.

GSK: Não! Nem no passado! Nunca fui [a turma ri]. E eu vou explicar por que. É o seguinte: a chibata tem que cortar só na hora que vocês estão na zona de conforto, fazendo as grandes “…a-adas” e aí vocês me ligam e me pedem assim: “Por favor, me ajuda”. Aí, tem que tirar vocês das grandes “…a-adas”. E não tem jeito de tirá-los de lá se não for de uma determinada maneira. Mas vocês vivem permanentemente em grandes “…a-adas”? Não! Mas ficou a fama da chibata, embora as “…a-adas” sejam de vocês, eu que ganhei a fama. É inacreditável! [a turma ri]. Não tem nem a consciência de assumir que as “…a-adas” são de vocês. Já que ninguém defendeu a minha honra, no Dia do Professor eu tenho que fazer isso.

Temos uma notícia boa: nós teremos agora uma Escola Miri Piri em Brasília e outra em Uberlândia. Quando nós lançamos a escola, em 2009, nós não tínhamos ideia que isso viria. E a gente tem clara consciência que esse projeto está muito além de nós pessoalmente.

Nas minhas leituras recentes do Yogi Bhajan, encontrei uma parte em que ele fala sobre escolas e ele diz, em 1983: “No futuro quando nós tivermos as condições para criarmos escolas infantis com as quais possamos entrar na vida das crianças, não através dos pais quando eles se revisitam, mas quando elas estão em seus anos formativos, nós teríamos tocado numa pedra fundamental, que é a base de todos os ensinamentos do Guru Nakak até o Guru Gobind Singh”. Que é: nós precisamos educar e nós precisamos dar às crianças o direito de uma educação que as libertem. Então deixa de ser uma coisa nossa e passa a ser um projeto do Guru. Tenho a impressão que todas as vezes que a gente trabalhar em torno desse modelo de educação, quem vai tomar conta dos nossos projetos vai ser o Guru. A gente pode realmente confiar nisso.

Nós estamos também na eminência de uma grande abertura de um outro ciclo de educação, que é um projeto da Siri Sunderta, da Nirmal e do Harpal, que é o de criar a Casa Fundamental, que vai ser o modelo Miri Piri Brasil. Nós não precisamos mais nos preocupar para onde vão nossas crianças. Teremos outra escola em breve chamada Casa Fundamental.

Kirn Jot: A Siri Sunderta estava contando pra gente de uma palestra em que ela foi… Você quer compartilhar com a gente a respeito, Siri Sunderta?

Siri Sunderta: Nós estávamos numa palestra de uma pessoa muito interessante dentro da área de educação. Ele chama Rafael Ávila, ele é presidente de inovação do grupo Anima. Ele estava dando uma palestra e, falando sobre as novas possibilidades e concluindo que a educação quebrou, uma pessoa levantou a mão no final e falou que tinha dois filhos que estavam em duas escolas tradicionais e que não sabia mais o que fazer. Ela perguntou para ele: “o que eu faço?”. Ele falou para ela procurar alternativa: “Em Belo Horizonte tem, que inclusive chama Miri Piri”. E aí a gente ficou impressionadas porque a gente não sabe da proporção que a escola já tomou.

Então, vamos abrir a aula. Ong Namo Guru Dev Namo…

Nós vamos fazer hoje um kryia que se chama Meditação Transcendental. Vamos equilibrar o nosso corpo através dos líquidos: Indra.

Kryia ministrado: “A Transcendetal Meditation: Maha Shakti Chalnee Indra Mudra”, no manual Sadhana Guidelines, p. 150.

Meditação: Dhan Dhan Ram Das Guru

Yogi Bhajan fala o seguinte a respeito desse kryia. “Meditação transcendental como foi ensinada a séculos atrás é este kryia. As meditações transcendentais têm sempre um ritmo respiratório e um mudra associado com um mantra. Nas escrituras yóguicas existem seis páginas escritas sobre esse kryia. Ele te permite controlar todos os sentidos e pensamentos, equilibra pana e apana, e melhora profundamente a saúde porque aumenta a capacidade pulmonar. Com isso, porque ele trabalha melhorando demais a capacidade pulmonar, ele influencia a força vital que está relacionada com o sistema nervoso. Então os nervos vão se tornando muito, muito fortes porque um dos subprodutos desse kryia é paciência”. Ele também fala que esses exercício mantêm o seu corpo no equilíbrio de dióxido de carbono e oxigênio, e que quando a gente faz os assobios é gerada uma pressão na língua e essa pressão estimula a tireoide e a paratireoide. “Esse kryia pode mudar a sua personalidade, mudar totalmente o seu estilo de vida e mesmo o seu destino”. Essa foi a aula de hoje.

Uma das coisas que a gente não está preparados como cidade é para lidar com esse calor e com essa secura. No Novo México, quando o clima está assim nessa secura, em qualquer vendinha é possível comprar eletrólitos. E toda vez que o clima fica seco e quente, o corpo compensa o desequilíbrio hídrico pondo pra fora o suor, e, no suor, a gente perde os eletrólitos. Não sei se vocês já repararam que, nesses dias, ao final do dia o xixi está clarinho. E todo mundo pensa: “nossa, como estou saudável”. É porque o corpo já limpou todos os eletrólitos, não tem mais nada. Então tem que repor. Uma das formas naturais e caseiras de repor é terem uma água mineral gasosa (é o modo indiano) e colocarem sal, pimenta do reino e limão. É muito bom, na hora do almoço especialmente. Usem um sal bom, tipo sal rosa do Himalaia.

Aluna: Gurusangat, quando a gente está sem eletrólidos no corpo a gente fica com o raciocínio lento?

GSK: Sim, a gente fica com o raciocínio lento, dá dor de cabeça, dá moleza, sua energia e seu raciocínio caem. É muito importante, quando estiver assim, dormir. Se você tenta fazer alguma coisa, você depaupera o seu cérebro. É por isso que em países muito quentes, durante o verão em especial, todo mundo para e faz uma siesta, e depois retoma o trabalho.

May the long time sun shine upon you

[Transcrição por Hari Shabad Kaur Khalsa]

[GSK] Unificando identidade cultural e espiritual

Aula ministrada por Gurusangat Kaur Khalsa no dia 23 de outubro de 2015

[GSK abre a aula]

Nós hoje vamos trabalhar uma área no nosso corpo que é muito básica no Kundalini Yoga, que é o abdómen. A área do abdómen é a mais fundamental em qualquer linha de yoga porque é o local de nossos instintos animais, mas também é a fonte e é o local de nossa preservação intuitiva. Sem o processamento que vem aqui de baixo, você não alimenta seus centros superiores. É quase como honrando a nossa parte animal para que nós possamos existir em nossa parte mais elevada. A maioria esmagadora das linhas de yoga não explica mais do que isso. E tem muitas linhas que trabalham o abdómen para ficar com aquilo que a gente chama de “bikini belly”, a barriga tanquinho, pra ficar bem na foto. Mas no Kundalini Yoga tem um enunciado que é belissímo e se a gente compreender isso a gente compreende o Kundalini Yoga e para sempre aquilo fará sentido na vida da gente. O enunciado é: “você não tem uma alma. Você é uma alma. O que você tem é um corpo”.

Essa premissa derruba um tanto de fantasias e manipulações que ocorrem nesse universo chamado espiritual. Quando o corpo é dado a uma alma é muito diferente de quando a alma é dada a um corpo. A premissa de que a alma vai ser dada a você, de que você irá conquistá-la pressupõe que você é nada, pressupõe uma inferioridade, pressupõe uma distância entre você e a sua alma, e o pior ainda pressupõe que vocês não tem uma alma. E aí a gente alimenta com isso uma linguagem que a gente chama por aí de a linguagem do chacal. Aquela que precisa que um seja merecedor e outro não, que aquele que não for merecedor seja punido e o que for merecedor seja presenteado. Esse jogo, sinceramente gente, é o jogo que eu faço e que vocês fazem e que todo mundo faz. Tudo bem, esse é o tema da palestra Abaky de dezembro. Mas focando na gente aqui agora, quando você rasga essa premissa, você entende que você não tem que ser merecedor da alma e que você vai adquirir alma, mas sim que você é alma.

É uma premissa completamente distinta. A primeira coisa que ela faz é igualar a todos. Todos somos iguais. Todos temos a capacidade de nascer na alma. O que a gente adquire é um corpo. A gente sai da manipulação daquele que não merece e daquele que merece, sai do campo do que pune e presenteia e entra no campo em que você precisa descobrir para poder honrar o por quê de você ter ganhado este corpo. Vocês já pensaram um segundo apenas nesta conversa? Você se perguntou, na perspectiva de alma: “por que eu ganhei esse corpo para mim?” Não é a conversa de por que o meu corpo tem ou não tem uma alma. Não! A perspectiva do Kundalini Yoga é: por que eu ganhei este corpo.

A alma é o primeiro dos dez corpos, mas ela já traz consigo quais corpos. Sem dúvida alguma, ela traz consigo o corpo sutil, que vem encapsulado nela. Mas o corpo sutil, para entrar nesta dimensão, precisa de outros corpos, especialmente do prânico. Com a junção do corpo prânico, da aura e do corpo sutil para proteger a alma, entra uma outra parte importante que são os corpos mentais e o corpo físico. Quando os corpos mentais e o físico servem ao destino da alma, qual corpo que incendeia? O radiante!

O corpo radiante incendeia quando a alma consegue que nós possamos usar o nosso corpo físico para expressar a sua natureza. Sem o corpo radiante, a alma não expressa a sua própria natureza, porque não está a serviço dessa expressão o corpo físico – ele mais os corpos mentais, a psique. Enquanto vocês não acreditarem que vocês são almas e estão aqui adquirindo uma experiência física para realizar alguma coisa, vocês não vão ser capazes de honrar aquilo que vocês são. Vocês não são apenas a linhagem de vocês, de pai e de mãe. Vocês são uma identidade espiritual. Que vem com um propósito.

Então, por que a gente trabalha a força do abdómen? A força do abdómen só é usada no Kundalini Yoga, como em todos os yogas, porque ela explica um pouco para nós a força que a gente tem que ter para aceitar a junção de duas coisas importantíssimas nas nossas vidas, aceitar o casamento de duas coisas dentro de nós, que é a minha identidade cultural e a minha identidade espiritual. Quando a minha identidade cultural e a minha identidade espiritual se tornam uma, eu não troco de máscara para existir culturalmente de um jeito e existir de outro jeito no mundo dos yogis. Para isso se tornar um, você precisa da força do plexo e de reconhecer esta distinção. Entenderam?

As duas coisas mais importante são: a primeira é que nós somos uma alma e que nós temos um corpo; a segunda é que quando este corpo serve essa alma o que ele tem que fazer com o uso do terceiro chakra é cultivar a identidade espiritual na identidade cultural. Porque a identidade cultural vem com o que? Com o corpo, com a latitude e a longitude com as quais a gente se insere neste planeta. A identidade espiritual vem conosco do universo. É um despautério a gente colocar de lado, renegar a nossa identidade espiritual que é a mais perene. A mais ampla e a que mais constituiu as nossas experiências pregressas. E em detrimento a ela a gente escolhe uma identidade cultural, que é algo muito temporário. Cada vez que você vier para esta vida você terá uma identidade cultural. O que faz um Kundalini yogi ser uma pessoa dhármica é ela expandir a sua identidade espiritual ao máximo para que ela aceite todas as identidades culturais. Você admitir que é uma alma que tem um corpo, que você é uma identidade espiritual e que já morou em você várias identidades culturais é fundamental para você ser inclusivo nessa experiência de vida. Entenderam isso? Isso tudo se faz na associação do plexo solar com o discernimento, de como você é capaz de pegar os ensinamentos e traduzi-los para a sua vida.

Vocês serão testados como professores de Kundalini Yoga, se vocês serão amplos suficientes para não terem preconceitos. E o teste pode ser muito duro. Tipo um Eduardo Cunha aparecer no seu quintal e, mesmo sendo ele, se vocês se negarem, vocês não passam no teste. São em pequenos eventos em sangat que a gente testa se a nossa identidade espiritual é maior do que a nossa identidade cultural. E se eu estou aberto na minha identidade espiritual a acalentar e a receber todo tipo de identidade cultural, mas para isso eu preciso ter feito as pazes com a minha identidade cultural. Amanhã a gente tem o curso de formação começando e é isso o que a gente vai debulhar com eles em doze meses. Então vamos começar?

O teste sempre chega. Quem de vocês aqui não teve um teste duro? Se a gente tiver na presença dos ensinamentos do professor é sempre mais tranquilo. Fiquem atentos e não se deixem enquadrar em categorias culturais. O que um professor de Kundalini Yoga que ser é universal. Você está a serviço do que é mais nobre e universal possível, que é a ética. Mas se você passa publicamente a defender uma determinada posição que exclui outras, você se aprissiona numa identidade cultural. Você pode ser um ser político na essência da palavra, quando se define como aquele na defesa dos valores universais. Como professores de Kundalini Yoga, nós precisamos servir a todos. Indistintamente.

Não é fácil unir a identidade cultural à espiritual porque o corpo resiste a ser livre. Ele resiste muito a ser inclusivo. Na Era de Peixes era suficiente, se a gente queria se dizer inclusivo, a gente se rotular: “eu sou de esquerda”. Desculpa, mas isso não vale mais na Era de Aquários. Só denota mais prisão.

Kryia ministrado: Fortalecimento abdominal, Manual Kundalini Yoga?, p. 134

Meditação:

Tem uma frase do Yogi Bhajan que se aplica demais a essa meditação que vocês fizeram, que fala assim: “Você nasceu com uma cabeça e no topo do seu corpo. Cada um de vocês tem uma cabeça. Vocês não precisam ir para o centro da vila”. Como se a cabeça estivesse em outro lugar e vocês tivessem que ir lá para saber o que fazer. Não, a gente tem uma cabeça e a gente precisa saber o que fazer. O caminho da escuridão para a luz é o caminho, e qualquer escuridão e qualquer luz é a realidade. Nós, no nosso romantismo, tendemos a nos libertar somente quando estamos na luz, mas ninguém está na luz se não passar pela escuridão. E a escuridão é também parte do plano. Quando a gente põe isso na cabeça da gente fica mais fácil para realizar essa travessia.
May the long time sun shine

[Transcrição Hari Shabad Kaur Khalsa]