[GSK] A força do espírito reside na soberania da alma

Aula ministrada por Gurusangat Kaur Khalsa no dia 19 de fevereiro de 2016

A aula de hoje é uma aula que nunca dei em sala de aula, mas antes de entrarmos nela, quero abordar um assunto muito importante com vocês. Quero falar sobre a conversa em torno dos casos clínicos nesse grupo de sexta-feira.

Talvez vocês não saibam disso, talvez alguns poucos saibam, mas o Yogi Bhajan nunca fez uma consulta, em tempo algum, que fosse particular. Todas as consultas do Yogi Bhajan eram em grupo. Então você se assentava em grupo, onde ele dizia que todos que estavam naquela sala tinham que ouvir o problema de todos. Tinha uma razão para ele fazer isso. Isso não vem do Yogi Bhajan, mas de consultórios e hospitais médicos na Índia. Quem esteve lá já viu isso, quando você vai fazer uma consulta de epidemiologia, de dermatologia, o que for, a consulta é coletiva. Todo mundo está na sala do médico, você se assenta, ele faz a sua anamnese inteira e tal, e te dispensa. Faz parte de uma cultura – eu me pergunto se seria exclusivamente indiano ou não. E o que está por trás disso é o fato de que quando as pessoas se reúnem, elas não se reúnem por acaso, em primeiro lugar. Em segundo, uma questão de alguém ali está servindo para outro, está servindo de esclarecimento para todos. E o Yogi Bhajan sempre trouxe isso para a prática do Kundalini Yoga. Ele nunca recebia ninguém sozinho, e, quando você dizia que queria uma entrevista particular, ele não concedia. Entrevista particular nem para chefes de estado, porque nem chefes de estados vão também sozinhos nas suas entrevistas.

Ele então recomendou demais, em especial para os Lead Teacher’s, que incorporássemos isso – na medida em que você vai tendo a capacidade de tratar um caso de modo a ele ter uma relevância coletiva para a sangat. Ele recomendava demais que a gente trouxesse esses exemplos para sala de aula. Vocês todos aqui já cansaram de fazer Nível 2 e viram ele tratar muito disso, vocês viram os casos que ele trata. Hoje também com o material disponível do Yogi Bhajan em português, como o Master’s Touch, vocês podem ver ele tratando de muitos casos clínicos. Os casos clínicos estão sempre presentes, com a única recomendação, óbvio, de que nomes sejam omitidos. Essa é uma prática também na medicina.

Vocês que estão escutando os casos clínicos sabem: quantas vezes, sentados aqui, escutando, quantas vezes um caso clínico não encaixou diretamente em você? Todas as vezes! É uma piada jocosa que eu faço: “quem me contar o seu problema? ele vai virar um caso clínico!” É um modo de brincar com a situação, mas nem todas as histórias trazidas são pertinentes, aquelas que são pertinentes são aquelas que tem um vínculo com a consciência da sangat e podem ser muito úteis para que vocês se elevem, se espelhem. É uma psicologia do espelho – não sei se esse termo já existe ou se estou criando ele agora. A psicologia do espelho.

Um outro elemento que acho importante vocês saberem é que esses casos clínicos estão potencialmente, quando trazidos para o coletivo, como diz o Yogi Bhajan, cheios de cura. Porque quando um caso desses é tratado em sangat, vocês não se assentam dizendo assim: “nossa, francamente!” “que que é isso?! já era tempo!” “pelo amor de Deus!”. Não é assim que vocês se assentam. Vocês se assentam e escutam em seu modo compassivo, que é o modo de gerar Gurprasad, que é o modo de gerar bênçãos.

Falta um último detalhe: uma pessoa que não é capaz de sustentar no anonimato o seu próprio caso, ela não é digna sequer do caso. Porque todo caso nosso de vida é digno de ser contado, e para um professor de Kundalini Yoga ainda mais – quando você começa a se tornar um professor de Kundalini Yoga mesmo, um treinador de professores de Kundalini Yoga, quando você é capaz de contar aos seus alunos as suas mazelas, as suas crises de superação, os seus deslizes. É isso que acontece quando vocês se tornam um professor de Kundalini Yoga.

É uma benção, digamos assim, ter um caso retratado, porque alguém está fazendo o serviço por você. Está certo?

É só para contextualizar a questão do caso clínico e dizer que eu vou continuar trazendo e tratando.

Nós vamos fazer uma aula para o nervo ciático. É a clássica, só existe uma aula para o nervo ciático no Kundalini Yoga. Quero falar um pouco sobre o nervo ciático, sobre o qual a gente poderia falar horas, mas quero fazer apenas uma introdução. O nervo ciático é considerado no Kundalini Yoga o nervo da vida, mas vocês sabem qual é o nervo da alma? Professores de Kundalini Yoga, qual é o nervo da alma? [a classe fica em silêncio] Vou perguntar de novo: professores de Kundalini Yoga, qual é o nervo da alma?

Alunos: Kundalini!

GSK: O nervo da alma é o Kundalini. Este é o nervo da alma. O nervo da vida, que é o ciático, traz para a parte sacral e as pernas a base energética e neuromuscular para que o nervo da alma se manifeste. Então, pessoas que têm problema no nervo ciático têm uma grande instabilidade da região sacral. Quando você tem uma instabilidade na região sacral a sua energia do Kundalini não se movimenta. A aula de hoje cria uma base, distribui força neuro-musculares para que no final a gente tenha um portal dessa articulação livre e bem sustentado, para que a energia do sacral se libere.

O Yogi Bhajan fala que com essa aula a gente trabalha com a energia do cérebro como se a gente o manipulasse com as próprias mãos, para colocá-lo no lugar. Vocês vão reparar que as três primeiras poses trabalham no corpo radiante. Como poderia haver um nervo da alma, estimulado por um nervo da vida que não abrisse os corpos sutis? Impossível!

Vamos para a aula?

Kryia para o Nervo Ciático

Queria lembrar a vocês que messe momento psíquico que estamos passando, uma série de desmoronamentos, não se trata mais de olhar para a realidade escolhendo uma lente – e acho que esse o maior presente que o Kundalini Yoga dá para a gente. Não adianta nada olhar para a realidade escolhendo uma lente. Não adianta a gente pegar a lente do nosso filtro político, ideológico, nenhum tipo de lente adiante. Nós temos que olhar para a realidade como ela é e dela apreender que as pessoas estão em sofrimentos. Mas não apenas isso, que as pessoas estão em sofrimentos, mas que nós estamos desmoronando.

Quem não esperava isso se enganou. Muita gente esperava isso porque é aquela história que nós estudamos no Kundalini Yoga, quando nós subimos para as alturas, tem duas maneiras de nós alcançarmos a nossa expansão: ou a gente sobe em forma de balão ou a gente forma valores. E a gente vem subindo em forma de balão há muitas décadas. Então a gente vai cair e ter uma chance de recomeçar. Não é disso que eu quero falar porque vocês estão cansados de saber disso. Agora, mais do que nunca, aquela máxima: “a única liberdade que você tem é a sua liberdade de fazer determinadas escolhas diante de qualquer realidade”. É o que Viktor Frankl descreve tão bem em seu livro “Em busca do sentido”. Professores de Kundalini Yoga, vocês precisam ter um aporte, uma reflexão sobre esse momento em mãos, na ponta da língua. E esse livro ajuda vocês a fazerem essa reflexão. Pessoas em um campo de concentração, o que fez com que elas sobrevivessem? Foi a força do espírito! Onde reside a força do espírito? Será que é no templo, na sinagoga?

A força do espírito reside na soberania da nossa alma. Isso é feito com determinadas escolhas. É por isso que é importante que vocês se instruam um pouco porque o momento nosso, desse ano, vai pedir isso. Vai pedir que a gente reflita em nossas escolhas e estejamos juntos. Nós precisamos estar juntos para nos superarmos. Precisamos discutir nossas dificuldades, e nós teremos muitas dificuldades. Na região onde eu moro não deixo de dar carona um dia pra alguém que perdeu o trabalho, eu não encontro uma vizinha que não tenha fechado o escritório e voltado pra casa. A situação realmente é grave. Por isso que eu acho que a gente precisa refletir mesmo sobre os preços que a gente está cobrando. As pessoas não tem dinheiro e nós queremos continuar servindo. Foi por isso que tomamos a decisão de não aumentar o preço da aula de Kundalini Yoga. Quem está subsidiando isso? Nós! Talvez se a gente fizer um esforço e apertar um pouco nós podemos atravessar essa crise de uma maneira melhor do que se não fizermos um esforço.

As pessoas vão precisar da gente mais do que nunca. É isso também que nos fez mudar o programa do acampamento de mulheres, para baixar os custos e o preço final. Nós temos que começar a pensar nessas estratégias para servir as pessoas, para estar com as pessoas. A gente precisa sempre lembrar que a gente não pode deixar a situação nos definir. Nós que precisamos nos definir na situação. É o momento de estarmos juntos. Nossas aulas de sextas-feira vão ser muito importantes e o Gurdwara também. Estarmos juntos em escala. É o momento de termos atenção e, ao mesmo tempo, muita fé. Fé é uma coragem ativa para servir. O lado bom disso vocês sabem qual é: quando a gente atravessa uma constrição dessas nós saímos radiantes, saímos fortalecidos e com bênçãos.

Sat Nam!

May the long time sun

[Transcrição HariShabad Kaur Khalsa]

Programa Mulheres Radiantes I e II

Uma experiência profunda de autoconhecimento associada a vigor físico e clareza mental, com o uso de ferramentas que vão lhe permitir conduzir as transformações necessárias para a sua vida de maneira inteligente e com mais qualidade de vida.

Mulheres Radiantes Nível I – Criando uma comunidade consciente
Um mergulho no centro de força que reside em cada mulher. Oportunidade de autoconhecimento e transformação com o apoio de um círculo sagrado de mulheres. Por meio de técnicas de Kundalini Yoga, meditação e vivências pessoais e coletivas, você vai acessar toda a graça de ser quem você é, descobrindo-se próspera, abençoada e bela.

Mulheres Radiantes Nível II – Livres e destemidas
Um programa para mulheres que querem viver uma nova realidade, livres e conscientes. Por meio de técnicas de Kundalini Yoga, meditação e abordagem de temas atuais, você terá a chance de rever escolhas e acessar a força necessária para realizar as transformações que almeja. Uma experiência profunda de vigor físico, clareza mental e autoconhecimento nas trilhas de seu destino.

Mais informações:

Secretaria ABAKY secretaria@abaky.org.br (31)3297.5508 (das 8:30h às 12:30h) http://www.abaky.org.br

Confira as próximas turmas e centros:

TURMAS NÍVEL I

(12 encontros semanais com 2h de duração cada):
Valor: R$1.120 ou 4x R$280

Segunda-feira, 19h

Local: Hari Nam – Rua Caputira, 21 Floresta. Inscrição: 3484 6113.
Início: não informado.

Quinta-feira, 19h30
Local: Centro Yogi Bhajan – Rua Caracol 128A Cruzeiro. Inscrição: 3221 2899
Início: 31/03

Quinta-feira, 19h30
Local: Espaço Akalbodh – Rua Canadá 67 sala 402 Sion. Inscrição: 99328 7076 (Ditta)
Início: 24/03


TURMAS NÍVEL II

(12 encontros semanais com 2h de duração cada): Valor: R$1.120 ou 4x R$280

Quarta-feira, 07h30
Local: Hari Nam – Rua Caputira, 21 Floresta. Inscrição: 3484.6113
Início: não informado

Quinta-feira, 19h 

Local: Har Rai – Rua Padre Rolim, 815 sala 901 Santa Efigênia. Inscrição: 3063 6202
Início: 10/03

Quinta-feira, 19h30
Local: Amar Das – Rua Mármore, 386 Santa Teresa. Inscrição: 99942 4641 (Jiwan Shakti)
Início: 07/04

Formato Especial (6 encontros):
Sextas-feiras 08/04, 15/04, 29/04, 06/05, 20/05 e 03/06, de 17h30 `as 21h.
Local: Centro Guru Ram Das – Rua Yvon Magalhães Pinto, 511 São Bento. Inscrição: 3297 5508
Início: 08/04

Formato Especial (6 encontros):
Sábados 02/04, 09/04, 16/04, 30/04, 07/05 e 21/05, de 08h30 `as 12h.
Local: Espaço Lazarini – Rua Aimorés, 1297 sala 801 Funcionários. Inscrições: 99328 7076 (Ditta)
Início: 02/04

Programa Homens Autênticos – Palestra de Abertura

Programa Homens Autênticos

PALESTRA DE ABERTURA:
Controlar a mente e emoções para viver sua natureza autêntica
DIA: quinta-feira, 03/03
HORA: 19h30
LOCAL: Centro Hari Nam (Rua Caputira, 21 – Floresta – BH/MG)
Um programa para o homem compreender o seu lugar em um tempo de transformações, criar força e vitalidade para enfrentar o estresse e ganhar coragem e projeção para agir com honra e construir sua trajetória de sucesso.

Homens Autênticos 1:

Locais e datas de início das turmas:

Início em 10/03/2016 (Quinta-Feira) – Local: Centro Hari Nam. (Floresta)
Professor responsável: Sat Sunder. Telefone: (31) 99107-5694

Início em 12/03/2016 (Sábado) – Local: Chardi Kala (Anchieta)
Professor responsável: HariBhagat. Telefone: (31) 99814-4166

Inscrições e Informações: homensautenticosbr@gmail.com
Homens Autênticos 2016

Calendário de Eventos 2016

Sat Nam querida Sangat!

Divulgamos o calendário de eventos já programados para o ano de 2016.
Atentem-se e se programem.

FEVEREIRO
Formação de Professores Nível 2
Estresse e Vitalidade, Brasília, dias 12, 13 e 14; 26, 27 e 28.

MARÇO
Gurdwara, dia 13.
Formação de Professores Nível 2
Ciclos de Vida, Estilo de Vida, Belo Horizonte, dias 18, 19 e 20; 01, 02 e 03 de abril

ABRIL
Gurdwara, dia 10.
Programa Liderança Aquariana – Coaching, aula inaugural dia 30

MAIO
Gurdwara, dia 01.
Treinamento Khalsa para Mulheres, dias 14 e 15, das 8h as 17h

JUNHO
Gurdwara, dia 05.

JULHO
Gurdwara, dia 03.

AGOSTO
Gurdwara, dia 07.
Formação de Professores Nível 2
Mente e Meditação, Belo Horizonte, dias 19, 20 e 21; 26, 27 e 28 de agosto.

SETEMBRO
Gurdwara, dia 04.
Sadhana Aquariana de 40 dias

OUTUBRO
Gurdwara, dia 30.
ABAKY Planeja 2016, dia 30.

NOVEMBRO
Gurdwara, dia 13 (durante a Bienal Abaky)
Bienal Abaky
, de 12 a 14.

INSCRIÇÕES ABERTAS! Treinamento Khalsa para Mulheres

Khalsa Training para Mulheres!

Venha aprender técnicas sagradas das Guerreiras Khalsa para ativar o espírito primal feminino, acessar a força criativa e treinar sua coragem para liderança.

Toda mulher deseja viver na sua soberania e livre das correntes da dúvida e da insegurança e nas práticas deste treinamento vamos experimentar o destemor. Participe destes 2 dias de meditação, yoga e mantra e aprenda sobre como liberar sua “Adi Shakti” – a força criativa primal do universo em você.

Nenhuma experiência prévia de yoga ou meditação é necessária!

Professoras: Shanti Kaur Khalsa, EUA – Diretora da Akal Security
Pritpal Kaur Khalsa, EUA – Diretora da 3HO
Gurusangat Kaur Khalsa, BR – Diretora da ABAKY

Datas: 14 e 15 de Maio, das 8 `as 17 horas (haverá sadhana para interessadas!)
Local: ABAKY – Rua Yvon Magalhães Pinto, 511 – São Bento – BH/MG

Informações sobre valores e inscrições no flyer!

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[GSK] Abraçando o infinito

Aula ministrada por Gurusangat Kaur Khalsa, em 5 de fevereiro de 2016

[GSK abre a aula]

Esse é um ano especial e crítico, então é muito importante ganharmos uma coesão no espírito. Criar e aprofundar ainda mais os nossos elos, especialmente de confiança. Estive refletindo ontem sobre o tema de trabalho para esse semestre e tive vontade de propor para vocês um tema que dê à gente certa disciplina e certa disposição para abraçar o desconhecido. E o abraço do desconhecido pressupõe que a gente confie. E confie onde não há garantias. Pressupõe que a gente abra dentro de nós um campo para entrarmos em relação com o desconhecido, sem nenhuma garantia. Isso é um pouco o tônus que se requer de um Khalsa, uma pessoa pura de consciência e de mente. É uma disposição. Pode ser que esse abraço com o desconhecido nem ocorra, mas a pessoa tem uma disposição e ela confia. E vocês podem agora perguntar: “confia em quê?” E a pergunta mais pueril e mais romântica seria: “confiar em mim mesma?” Isso é um pressuposto já garantido. Não é confiar em si mesmo, não é confiar no outro, não é a confiança do lugar comum, que talvez a gente pudesse estar falando se essa aula não fosse de Kundalini Yoga. Então, onde estaria essa confiança?

Essa confiança está na relação que você quer ter com o desconhecido. É a confiança de que o desconhecido é a fonte. É a fonte daquilo que você precisa. Confiar no desconhecido. Se a gente desenvolve uma disciplina e uma disposição para confiar no desconhecido, a gente vai reduzir fortemente a carga estressora que atua sobre a gente, porque a confiança dá um certo relaxamento, e a gente vai aumentar fortemente as chances de resolver problemas. Tanto aumenta a criatividade quanto diminui a carga de estresse. É difícil fazer isso? É difícil! Aí entra a tendência das características de cada um. Eu, por exemplo, tenho a tendência a me preocupar. Eu preciso me convencer, me disciplinar e me lembrar que eu confio no desconhecido. Cada um de vocês vai conhecer uma característica própria que impede vocês de se relacionarem profundamente e em paz com o desconhecido. E é isso o que a gente vai fazer esse ano, e como que isso vai se refletir no corpo da gente e como nós vamos deixar que o corpo cristalize essa dificuldade. Porque isso é que é o Kundalini Yoga. Ele usa o corpo, que cristaliza a dificuldade, que cristaliza a alegria, que cristaliza tudo, e a gente trabalha no corpo para dissolver.

A gente usa aquilo que é mais denso e mais palpável para a gente poder fazer um trabalho que tenha um reflexo nos campos sutis da pisque, da mente e da alma. Nós temos razões para fazer isso. Não é uma aventura futurística, não. Nós temos razões de sobra para neste ano querermos abraçar o desconhecido o mais rápido possível. É um ano desafiador. Lembrem, é um ano 9. A tônica deste ano é: tudo pode se desorganizar, reorganizar, todos os conflitos e desafios podem acontecer, mas a gente permanece na nossa identidade. Assim vai ser esseano: o teste da identidade. E justamente por isso nós vamos ser esse canal que espalha essa radioatividade. Qual a radioatividade que vamos espalhar? A da confiança no desconhecido. E um dos importantes recursos que temos para isso é o Gurdwara. Nós vamos precisar demais dos Gurdwaras e vamos precisar de uma linha de Shabads que cria demais esse espírito da vitória. Precisamos reverter uma depressão que está instalada na psique de muita gente. E nós seremos os terapeutas desse processo. As nossas aulas de sexta-feira são importantes porque estabelecem uma frequência para a semana que começa e o Gurdwara vai ser muito importante com o shabad porque a gente precisa espalhar em larga escala.

Então, vamos começar o nosso kryia?

Kryia: Ajuste do Corpo para Elevar o Espírito, do livro The Fountain of Youth.

Meditação: Four-Stroke Breath for Meditative Balance,  do Manual Praana Praane Praanayam.

Essa meditação dá uma forte capacidade para a mente se desligar de tudo o que é tensão, dúvida, polaridade e elementos desnecessários, e ela volta para um lugar que a mente conhece e que é o campo dela própria, que é o infinito. Então essa meditação é muito importante para criar uma relação nossa com o desconhecido. Deixar a mente ir para o infinito ao invés de deixar ela nas inúmeras finitides que ela tem para se preocupar.

Esse ano nós vamos precisar criar uma unidade e uma grande maturidade emocional para a gente não andar por aí, como: a gente compra uma sacola de papel de artesanato desses que tem até pedigree e enche-a de água, e anda por aí carregando água numa sacola de papel. Então vai dar para a gente andar por aí carregando água em sacola de papel. Vocês entendem o que estou dizendo? “Ah, eu não sabia que era água! Ah, eu não sabia que não podia colocar água na sacola de papel, eu não sabia que a sacola era de papel”. Não dá mais para a gente dar mais esse tipo de desculpa para os nossos próprios erros. Não é que a gente não vai cometer erros, mas é muito importante que a gente assuma e diga “poxa vida, que mancada! como fui tola!”.

O tema de abraçar o infinito carrega um valor: consciência aplicada. Na hora que pisou na bola, consciência aplicada. Assumir. Não vamos dar espaço para a mente criar uma fantasia, uma intriga que mais uma vez aponta o problema para o outro. Quanto mais a gente dá desculpas, mais presos no finito nós estamos, mais longe de sermos criativos e maduros estamos e mais distante estamos de criar um impacto radioativo do bem à nossa volta. Quanto mais presos em desculpas, mais enclausurados estamos em nosso finito, mais você se decepciona, porque o campo da matéria e do finito é capcioso. É uma frase do Yogi Bhajan. Não sei por que, mas a gente teme que o infinito passe uma rasteira na gente. Mas quem passa a rasteira na gente é o finito. Ele é instável, volátil. Vocês entendem isso?

Quando a gente for meter água na sacola de papel a gente vai assumir que a sacola vai furar e que é só uma questão de tempo. Vocês escutam uma coisa dessas (de colocar a água na sacola de papel) e pensam “mas é claro que isso não existe”.  Mas eu, que escuto vocês várias vezes ao dia, posso garantir: isso acontece, e acontece o tempo todo. A todo tempo. Compreendem isso?

Tem um caso clínico interessantíssimo que eu ganhei para trazer para essa aula. Eu sabia que a sacola ia furar, mas eu não sabia que ia ser tão rapidamente. Tem uma moça aí, e nessa coisa de internet e conexão, ela resolver criar uma relação virtual com um estrangeiro. Ele se separou recentemente e a história dele para essa moça foi: “você sabe, o meu casamento foi arranjado pelo Yogi Bhajan e não deu certo. Eu estava casado há vinte anos, mas agora separei. Tem muito tempo que nós já estávamos separados, esse separando já aconteceu há muito tempo. Que maravilha que você apareceu na minha vida”.

Cinco meses atrás essa moça veio me contar que estava muito feliz que finalmente apareceu o homem da vida dela: um khalsa. E me perguntou: o que você acha? Eu disse: “tudo bem, fala para ele primeiro vir aqui, conhecer a sua sangat. E não crie nenhum outro tipo de expectativa”. Cinco meses se passaram e ela sumiu. E eu pensei: “é claro que alguma coisa está acontecendo”. Antes de sairmos de férias, eu fiquei sabendo que ela estava indo para Espanhola para se encontrar com ele. Com tudo acontecendo no Brasil – o dólar alto, a Petrobras falida, o desemprego aumentando, e tudo o mais que vocês sabem bem – tenho certeza que ela disse: “Vem você primeiro para o Brasil”. Ele respondeu: “Não posso, porque tenho medo de viajar longas distâncias”. Um khalsa que tem medo de viajar longas distâncias e disse que a única distância que ele viaja é entre Los Angeles e Espanhola. Aí ela entrou no modo mãe. “Ah, coitadinho”, “Ele está precisando de mim demais”, “Gamei”. E ela então compra a passagem para ir para Espanhola. E o que aconteceu? O romance acabou no dia seguinte. Ele diz: “Eu achei que eu estava pronto, mas eu não estou pronto. Estou indo a Espanhola para rever a minha mulher”.

Não existem garantias. Não adianta o cara ser khalsa. E não adianta a garota ter um certificado de professora de Kundalini Yoga, com horas de conversa comigo. Não adianta. Nós ainda somos livres para fazermos a bobagem que queremos fazer. Então, eu disse para ela: “Se ele não vir aqui, é uma sacola de papel que você vai carregar água”. Então, o que aconteceu? Ao invés de ela admitir que fez tudo errado e que pisou na bola, o que ela fez? Virou a vitima, a enganada. E escreveu um email para ele citando o primeiro pauri do Japji, citando o Guru Nanak… vocês podem imaginar. Então, gente, aprendam, vocês não vão para um conflito com a cabeça. Por favor, num conflito, resgatem o espírito de vocês porque só o espírito de vocês é capaz de fazer uma gatka.

Ela veio conversar comigo e me contou o que ela escreveu e eu disse: “agora você fecha a sua boca e me escuta: tudo errado! tudo errado! Se você acha que esse homem ainda pode ter a graça da sua luz como uma mulher, se você acha que esse homem pode ainda ser ajudado, você, como uma Shakti, se é que você ainda quer viver no espírito de uma mulher, você tem uma última coisa a fazer, que é mandar isso para ele”. E aí eu escrevi umas cinco linhas, que é dar a ele ainda uma chance de viver e habitar o espírito de um homem, e não só um corpo e uma psique de um homem.

Eu disse a ela: você não tem nada a perder, você já perdeu, e pelo menos você resgata a sua graça e a sua dignidade. Quando vocês forem comunicar em conflito, não comuniquem com a cabeça, “blablabla”. Comuniquem com o espírito. Assumam o erro e comuniquem do lugar do espírito. Não existem garantias. A questão é como você vai garantir a sua graça e aplicar a sua inteligência. Não existe coisa fácil. Eu achei que esse negócio iria se enrolar um pouquinho mais, mas ele acabou em cinco meses. Se você vai andar com a sua sacolinha de papel com água dentro, saiba que ela vai furar. Depois não acuse ninguém. O filme preferido do meu pai era “Acusada de morte”. Era o filme preferido quando ele queria falar que a gente tinha feito uma grande cagada, quando a gente pisava na jaca e nós não assumíamos. Quando você decreta a própria morte em não assumir é a “cusada” de morte

Aluna: Realmente esse papel da vítima é o que mais tem por aí e é o que mais a gente vê. Fala a verdade.

Aluna: É um padrão muito forte que a gente tem, não sei se só dos latinos, mas qualquer coisa acontece e a gente entra nesse lugar.

GSK: Acho que de um modo geral. Porque ele também, que não é latino, fez o papel de vítima. É o jogo de vítima da psique masculina. Que é o comum, a maioria dos homens faz esse jogo.

Aluna: E o jogo da mulher é que ela é especial.

GSK: Ah, é! Qual é a fantasia da mulher? É a conexão, é reconectar. No momento em que ela é retirada do útero, ela foi cortada da outra metade dela, que é a mãe. Ela quer reconectar. Mulher reconecta. E a história é que a reconexão só pode se dar completamente pelo espírito e a mulher acha que a reconexão vai se dar pelo corpo, ou pela cabeça. E o que o homem quer é se autoafirmar o tempo todo. É um jogo muito precário e primário, mas nós estamos jogando ele o tempo todo. Em conflito, espera-se que a gente faça igual à cabra do filme “O Pequeno Buda”. A cabra está morrendo, mas ela ensina. Mesmo morrendo, ela ensina. A gente não faz igual ao cordeiro, que fica dando desculpa. A posse do seu vigor e da sua inteligência é ser universal. Seja espírito. Vai morrer, morre com dignidade. Está certo?

May the long time sun shine upon you

[Transcrição Hari Shabad Kaur Khalsa]

Formação de Professores Nível 2 – Estilo e Ciclo de Vida

Sat Nam!

Atenção professores de Kundalini Yoga, em Março teremos curso de formação Nível II.

Estilo e Ciclo de Vida, começando dia 18 de março, em Belo Horizonte.

Datas: 18, 19 e 20 de Março; 01, 02 e 03 de Abril de 2016

Valor: R$ 990 (material não incluso)

Informações e Inscrições: secretaria@abaky.org.br
(31) 3297-5508

Confira mais detalhes no flyer e garanta sua vaga.

Sat Nam

N2 ECV