Próximo Gurdwara, 03/07

Sat Nam!

Convidamos a todos para o nosso próximo Gurdwara.

Sentaremos mais uma vez em sangat para ressoar frequências Divinas de amor e cura.

Dia 03 de Julho, domingo, às 8h30.

Rua Yvon Magalhães Pinto, 511 – BH/MG

Wahe Guru Ji Ka Khalsa
Wahe Guru Ji Ki Fateh

gurdwara

[GSK] Curando o estômago

Aula ministrada por Gurusangat Kaur Khalsa em 17 de junho de 2016.

[GSK abre a aula]

A beleza do Kundalini Yoga está justamente no fato de que seus mestres maravilhosos não deixaram nada nas nossas mãos para pensarmos um kriya – porque teria sido um desastre –, como é para o Hatha Yoga, porque as pessoas combinam as poses por meio de um  entendimento filtrado pelo acaso. E então a gente perderia várias oportunidades de realmente fazer da aula de Kundalini Yoga um laboratório não só para o corpo, mas para a nossa psique e um laboratório para o nosso amadurecimento emocional.

O título da nossa aula de hoje é Curando o estômago. Você pode dizer que não tem nada no estômago para curar, então por que o tema dessa aula? As poses do Kundalini Yoga derivam de uma estrutura médica muito anterior aos Vedas, anterior ao que a gente conhece como medicina ayurvédica. A base desse sistema médico e clínico, lá da universidade de Taxila, há cinco mil anos, é muito anterior aos brâmanes de canelinhas finas e retirados do mundo. Naquele momento, que é o berço das ciências médicas,  entendia-se que, todas as vezes que a gente trabalha o estômago, trabalhamos o cérebro. E o curioso dessa aula é que nós vamos trabalhar o cérebro e consequentemente vamos trabalhar o estômago, utilizando os braços. Quando nós usamos braços no Kundalini Yoga, estamos trabalhando profundamente o sistema de ajuste neuroendócrino. Nunca ninguém explicou o porquê dessa relação do sistema nervoso com o estômago, e ninguém perguntaria isso a um mestre há cinco mil anos. Primeiro porque não se faziam perguntas. O lema do yogi é viver sem perguntas e morrer sem respostas. Isso de perguntas é ocidental. A nossa medicina teve de passar por cinco mil anos para poder compreender a razão disso e hoje a gente sabe o porquê. A gente sabe hoje que as várias neurossubstâncias que habitam o cérebro e fazem toda função de autorregulagem em nós estão no intestino e no estômago, no sistema digestivo. As mesmas neurotoxinas. Chega a tal ponto que hoje em dia na neurologia, médicos de vanguarda dizem que o cérebro está no intestino.

Aluno: Desenvolvem juntos né, Gurusangat, quando é feto?

GSK: Cérebro e pele desenvolvem juntos, mas o fato de essas neurossubstâncias terem migrado para o intestino, assim como estão no cérebro, é que é radical. E tem outra coisa radical: como nós trabalhamos o intestino, necessariamente estamos trabalhando o coração. Adivinhem qual é o tipo de célula que existe no coração e que a medicina recentemente descobriu? Neurônios. Então tudo é uma coisa só! Vamos começar a trabalhar.

Kriya: Curando o estômago do Manual Autoconhecimento

[GSK fecha a aula] May the long time sun shine upon you

Eu vi muitos de vocês tremendo os braços. Na sociedade ocidental, a gente tem uma forma de trapaça. Eu vi vocês tentando compensar a falta de força no braço, que não vem necessariamente de ser musculoso ou não. Não tem nada a ver com musculatura. Mas vem da ausência de corpo radiante e a gente compensa isso com a cabeça. A gente fala mais de coragem do que a gente prova ter coragem na hora da morte. Vocês lembram do “Song of the Khalsa”? “Many speak of courage. Speaking cannot give it. It’s in the face of death that we must live it”.

A gente não tem corpo radiante para chegar ao objetivo. Na hora que eu começo a minha travessia para o objetivo, sem dúvida alguma eu vou precisar segurar meus próprios braços. Se eu não consigo segurar meus braços, sejam eles magros ou gordos, por 4 minutos, como eu vou chegar lá? Como eu não dou conta de chegar lá com meu próprio esforço, me sustentando, no ocidente desenvolvemos a capacidade de falar sobre chegar lá como se eu tivesse chegado. A gente trapaceia de várias formas. Existem muitas formas de autoenganação, de negação, e todo mundo tem o passaporte do mediocristão. Quem veio a minha palestra me entende melhor. Vocês compreendem isso?

Por que a gente precisa de um sistema nervoso bom, se a gente não vai fazer nada? A gente não precisa. Mas se você quiser traçar um destino e quiser caminhar nesse destino, você precisa do seu sistema nervoso forte, e esse trabalho que vocês fizeram para a linha do arco é a forma de proteção que nos impede de nos corrompermos. Alguém de vocês, professores, sabe por quê? Todo trabalho de braço que envolve esses movimentos (movimenta os braços para cima dos ombros), no perímetro de onde meus braços passam, é meu corpo radiante. Eu tenho esse corpo radiante e vocês têm o corpo radiante que estende na dimensão de sues braços. O Guru Gobind Singh tinha um braço que vinha abaixo do joelho, quase no pé, você podem imaginar o tamanho do corpo radiante dele. Tinha um supercorpo radiante. Por que isso impede a gente de se corromper? A forma mais garantida de a gente se corromper é quando a defesa vem do ego, esse já é um clichê. 

Isso vem da psique nossa quando a gente é tão jovem, porque a gente tem medo de se assumir. Por isso que a primeira forma de corrupção é quando você não tem coragem de ser você. Nós somos criados para usar a cabeça para achar desculpas para a gente não ser a gente mesmo. Por isso que um professor na vida da gente é fundamental, a gente reaprende essas coisas. Essa é a defesa do ego. Toda vez que a gente usar o ego como defesa, nós temos uma chance muito grande de nos corromper, muito grande. Por isso, gente, comecem sempre falando aquilo que está difícil. O corpo radiante faz assim (movimento de expansão). Quando fazemos isso, podemos obter dois tipos de respostas. Uma defesa que vem do ego: se o outro se defende a partir do ego, ele começa a julgar. “Nossa, mas que chance você está perdendo, que isso, que aquilo, como assim, por quê?” Não tem menor autoridade espiritual. Mas se a outra pessoa responder assim: “que maravilha, olha eu sinto muito, teria sido muito bom pra mim e para você, mas se você quer outra coisa, conta comigo”. Vem do espírito, vem do corpo radiante. Essa foi a aula que a gente fez.

Então por que a melhor defesa é a que vem do corpo radiante? Porque ela não vem com trapaça. Ela não vem com medo de a gente se assumir, não vem com medo de o outro me julgar.  Muito difícil na nossa sociedade porque ela julga o tempo inteiro. Não estou dizendo que a Índia não tem problema! Mas na psique de um indiano não tem essa forma de corrupção, tem outras, mas essa não.

Por exemplo, na Índia, quando eu cuidava do meu sobrinhozinho, que tinha 5 anos, eu era responsável por fazer dever de casa com ele quando chegava da escola. Já contei essa história para vocês. Jaap Neet era o nome dele. Ele chegava da escola, puxando a mochila dele. Vocês não podem imaginar o que é a mochila de um garoto de 5 anos na Índia, é muito livro, muita coisa. Ele vinha arrastando a mochila, meio bagunçado. Com uma vara na mão e falava: “tia, vamos para o meu dever de casa”. Quando eu via a vara, falava: “o que é isso? Você precisa da vara?” “Eu não preciso não, você precisa”. E ele me entregava para eu bater nele quando precisasse. Ele não ia fazer o dever, ele já estava com preguiça, com sono. Ele já vem com a vara! Não tem o menor medo de se assumir. É gordinho, preguiçoso, não vai fazer o dever e já traz a vara. Bonitinho demais! Mas nós não. Nós aprendemos desde crianças que tínhamos de fingir ser aquilo que a gente não era para a gente poder ser aceito e essa é a moléstia, por isso a gente precisa reforçar o corpo radiante. Por isso o “Ajai Alai”, para vocês não terem problemas de se assumirem, de dizerem não sei. Quando vocês chegarem nesse ponto de dizer não sei, não quero, mas com toda a força do corpo radiante e nenhuma defesa do ego, vocês vão parar de dizer que não sabem. Quando alguém chegar e falar: “faz isso”. Se o Guru Dev chegar e falar com você: “você vai fazer isso”, você não vai falar: “Ai Guru Dev, acho que eu não sei!” Não! Você não tem a mínima ideia do que você tem de fazer, você sabe que você não sabe, mas vai lá e faz.

Quando você deixou de trapacear, o seu corpo radiante entra em direta conexão com o corpo do Guru. Acabou esse negócio de não sei, não vou dar conta. Se você estiver no corpo radiante do Guru, acabou. Se nós formos pensar bem mesmo, o que são 4 minutos aqui? Nada. Mas que desafio que é? Está desafiando a nossa estrutura corrupta de a gente se negar. Os intestinos têm a ver com isso, porque se você tem um corpo radiante, mas não tem o intestino que funciona, alguma coisa não está certa. Porque quanto maior o corpo radiante, ele está entrando em contato, ele está irradiando. Mas ele tá cheio de samskaras, impressões cármicas das mais pesadas, não suas, necessariamente, mas do mundo, um corpo radiante grande é um grande lixeiro. E o intestino é que limpa, então precisa do intestino funcionando para ajudar a limpar o corpo radiante. Por isso que a gente tem a palavra em português “enfezado”. Está com raiva, mas é também estar cheio de fezes. Você está completamente impuro. E aí é claro que você não consegue liberar seu corpo radiante, pois está cheio de samskara da raiva, pode ser sua, pode ser do mundo. E nós estamos vivendo um momento no mundo muito duro, com Ísis, enfraquecidos, mas querendo dar sinais de que estamos fortes, com o Trump disputando uma eleição. E o mais aterrorizante é que ele está quase pau a pau em intenções de voto. Então o branco americano que ficou pobre está agora dando as caras, vocês já imaginaram na vida de vocês verem um branco, clássico, cristão, pobre? Não, a gente só vê o clássico negro pobre. Então a gente está vendo o branco pobre se assumindo através de um boçal como o Trump. Quanto ao Brasil não estamos nem podendo qualificar. Tomara que aqui ainda fique muito pior, porque talvez seja a única chance que a gente tem de virar alguma coisa que não seja um monte de cocô com flor em cima.

A gente tem a Europa agora numa grande disputa porque a Inglaterra está para sair da União Europeia. Um momento crítico, com muitos imigrantes vindo para cá, então o mundo está sem sentido. E é justamente nesse momento que a gente precisa estar com o corpo radiante mais forte, porque é com corpo radiante forte que você vai ser capaz de captar e limpar. Então muita respiração do fogo e muito cocô. Tem que fazer cocô, tem que limpar. Quem tem um corpo radiante forte serve como antena e como um agente de limpeza dos samskaras do mundo. Essa é a riqueza do momento. Poucos de vocês não estão passando por uma turbulência pessoal. Só que a vida inteira nós vamos passar por uma turbulência pessoal, aí quem tem corpo radiante forte, não importa mais com isso, faz “hahahahahaha, turbulência pessoal”. Assim a gente consegue entender  o Yogi Bhajan quando ele dizia que: “meu café da manhã é uma tragédia, meu almoço é uma catástrofe e meu jantar é uma miséria”. E daí?

Esse foi o trabalho de hoje e essa foi a reflexão de hoje para vocês se lembrarem de que não estão desintegrados desse todo. Você pode pensar: “se eu tenho um corpo radiante forte, eu vou ficar servindo para limpar samskara de outro, não vou fazer isso de jeito nenhum”. Eu vou recolher ainda mais meu corpo radiante. É uma teoria. E faz sentido. Vocês não devem fazer isso, porque é muito pior. Quando você retira o seu corpo radiante da história, você se torna peça cármica do jogo. E aí em vez de samskara ser do outro, você está gerando o seu próprio samskara. Então a melhor saída é a gente ativar nosso corpo radiante, para não ficar gerando carma através da corrupção interna.

Se você imaginar uma conta bancária espiritual, você está com crédito, quando você limpa samskara. Quando você retira seu corpo radiante, você fica em dívida e adoecido, porque o corpo radiante expandido protege o corpo prânico, que nos protege de doenças. Não é que a gente não possa adoecer, não tem problema nenhum. As doenças são um grande bem, um maravilhoso bem humano, tesouro da humanidade, pois através delas a gente vai embora daqui, se a gente tiver de ir embora daqui. Vamos por tudo em sua dimensão positiva e negativa. Evitem virar esses yogis de pasquim, da mente positiva de florzinhas, edições paulinas. Yogi edições paulinas, flores e você olhando pro mundo e dizendo quando você está em si e meditando, o mundo está lindo. Não! Quando você está em si e meditando o mundo está um cocô, a gente vê o mundo como ele é. O dia que alguém disser que esse mundo é bom, esse alguém está doido ou no lugar errado, porque esse mundo é o lugar onde a gente vem para pagar carma, como é que ele pode ser bom? Ele é bom só porque é uma chance de a gente resgatar. A gente faz yoga para ficar guerreiros da paz, guerreiros dessa limpeza.

Sat Nam!

[Transcrição: Sada Ram Kaur]

[GSK] Coração calmo e tough love

Aula da Gurusangat Kaur Khalsa do dia 10 de junho de 2016

[GSK abre a aula]

Nós vamos fazer uma aula que é para um coração aberto e calmo. Eu escolhi essa aula hoje durante a minha sadhana e, desde ontem nós criamos um campo que é o campo do que o Guru quer que eu fale amanhã, digamos assim; acho que é o modo mais honesto de eu colocar. O tema da palestra de amanhã é bastante interessante porque é uma reflexão sobre o que distingue o yogi nos dias atuais – não na reclusão da sua prática, mas na sua vida, no seu cotidiano social, político, cultural; o que distingue o yogi de um ser humano que não tem acesso aos ensinamentos; basicamente é isso. E o que fazer em determinadas situações para evitar uma armadilha do engajamento não contemplativo. E como fazer o contrário. O que fazer quando parece que não há nada a fazer, que é o que eu estou chamando de contemplação engajada.

Dentro dessa frequência, muitas coisas vão ser faladas, inclusive sobre um estilo de vida que parece muito correto, que é o estilo de vida daqueles engajados não contemplando a história, e que não poupa, não distingue ninguém, nem por ideologia, nem por modo de sentir o mundo, nem por títulos acadêmicos, não poupa, coloca tudo no mesmo saco, vegetarianos com não vegetarianos, veganos com não veganos, artistas com não artistas.

Então nós vamos estudar essa categoria do que a gente chama de engajamento não contemplativo. E o que distingue isso daquelas pessoas que contemplam de forma engajada. E aqui nessa categoria estão todos, inclusive aqueles que a gente menos espera. Ou podem estar todos, inclusive aqueles que a gente menos espera. Com isso, a gente abriu determinados limites. Amanhã nós não vamos cercear o nosso olhar para o mundo, para a nossa vida no mundo, com base naquilo que é aparentemente correto. Nós vamos olhar o mundo a partir de um olhar, e vamos atravessar determinadas fronteiras e olhar para a gente no mundo a partir daquilo que é necessariamente correto.

Então, por isso, é muito importante que a aula de hoje seja uma aula para um coração aberto. E um coração aberto não é um coração só sensível e que se compadece do mundo. Um coração aberto é um coração que realmente não bloqueia informações que vêm da base do nosso triângulo inferior e repercutem na gente com grande impacto: muita indignação, muita raiva, muito medo, muita impotência.

Vocês estão sentindo esse tipo de sentimento? São sentimentos ou que paralisam a gente por indignação ou por raiva, ou que mobilizam a gente por indignação ou raiva. Então se o coração não está aberto, esses sentimentos ficam aprisionados e geram um tipo de requerimento, requerem que a gente aja. E todas as vezes que a gente age com base nesse tipo de sentimentos, estamos agindo para o mal de todo mundo, inclusive o nosso. A gente adquire carma demais e gente não é efetivo.

Então o coração aberto possibilita que esses sentimentos subam e vão para a cabeça, e aí a gente tem uma chance de pensar essa circunstância em que estamos envolvidos – seja ela qual for – e dar a ela um sentido e aplicar nela um sentido. Vocês entendem a distinção? Se não houver o coração aberto, isso não tem condições de acontecer. Isso só tem condição de acontecer, porque nós estamos mobilizados a partir da compaixão. E compaixão não é comiseração. Compaixão é tough love, como diz a Pritpal. Tough love, a tradução em português não é muito boa, amor duro, mas em inglês é boa. Tá certo?

Então vocês estão prontos? Beleza.

Kriya para o coração calmo e aberto, do manual Self Knowledge.

May the long time sun shine upon you

[Transcrição Sada Ram Kaur]