[GSK] Qualificando o tédio

Aula ministrada por Gurusangat Kaur Khalsa em 28 de abril de 2017

[GSK abre a aula]

A gente vai fazer um trabalho hoje para o sistema glandular. Fiquei em dúvida em fazer uma aula muito simples, para conectar a realidade física com a realidade celestial, mas achei muito sessão da tarde para vocês. E me decidi por essa aula. Tem uma coisa sobre o sistema glandular que é o seguinte: na medicina, o sistema glandular é visto como aquele que media basicamente a nossa vida inteira. Isso não é feito pelo sistema nervoso. O papel do sistema nervoso é colocar o mundo para dentro de nós, para não ficarmos isolados. Basicamente isso. Numa linguagem muito técnica e simples é isso que o sistema nervoso faz. Sem ele, nós somos autistas, sem conexão com o mundo. Mas sem o sistema glandular, o mundo entraria e nós não faríamos nada, nossa resposta para o mundo seria uma resposta incongruente. O sistema glandular é uma inteligência que faz com que o mundo que você pôs para dentro seja metabolizado e haja uma resposta. Se a gente não tivesse esse sistema ativo, nós seríamos todos um caso de esquizofrenia. O mundo entra e eu o processo sem congruência, eu não tenho uma identidade.

No Kundalini Yoga, o fato de nós darmos atenção suprema ao sistema glandular é porque ele cria em nós a tal identidade. Sem ele não haveria identidade. Isso é uma maravilha. O sistema nervoso põe o mundo para dentro e o glandular cria uma resposta, uma identidade nossa em relação ao mundo que entrou. Existe uma diagonal que a gente vai trabalhar e eu quero que vocês a compreendam. Essa diagonal que perpassa o sistema nervoso e o glandular é a diagonal do nosso desenvolvimento espiritual. Vamos entender esse desenvolvimento espiritual como nossa maturidade espiritual. Ela é uma tangente que vai passando pelo sistema nervoso e pelo sistema glandular. Essa maturidade espiritual se faz presente em nós, quer dizer, vamos amadurecendo mais e melhor espiritualmente à medida que sua identidade dialoga com o mundo que você põe para dentro. Quando esse diálogo é muito pobre, quando a mediação do mundo que você pôs para dentro e a resposta que você deu ainda é baseado em clichês, em ideologias, você não existe como ser maduro espiritualmente. Porque o que determina a sua resposta é muito mais o meio externo do que o meio interno.

Na tangente, somos um reflexo determinado pelos parâmetros externos, então nosso sistema nervoso capta tudo e não é capaz de fazer nenhum tipo de filtro, ou seja, não existe a mente neutra; você só reage ao meio. E o seu sistema glandular reponde fortemente ao meio. E à medida que você vai apanhando ou se frustrando ou se você tiver a sorte de ter um professor que te confronta e não só te elogia, você vai passando, crescendo e esse vetor da sua maturidade espiritual vai ficando cada vez mais complexo. Não que as coisas fiquem mais fáceis. Elas não ficam mais fáceis porque seu sistema nervoso vai se fortalecendo e você vai absorvendo mais a realidade, muito mais do que antes, que era o núcleo daquilo que você queria ver, o núcleo da sua ideologia, você vai absorvendo muito mais contradição.

Nós estamos nesse momento no Brasil. Não está fácil, se ficar o bicho pega, se correr o bicho come. Cada vez mais, você tem uma realidade mais complexa e mais contraditória, parece que todos os elementos estão ali para te enlouquecer, essa complexidade. Se a sua reposta a essa absorção for: “eu vou selecionar e ver as coisas apenas numa perspectiva que me traz segurança”, ainda polarizado, você parece que desenvolveu uma maturidade espiritual, parece, mas ainda você força uma interpretação da realidade. Nesse estágio, acontece uma coisa muito especial na nossa meditação: nossa entrega a um processo meditativo. Quando você sai da base e vai para o meio, é uma grande jornada, você encontra muita coisa nova, é mais ou menos quando você começa a fazer os módulos do nível dois, Sat Nam Rasayan, você vai sendo colocado diante de muita novidade, muita técnica que te estimula a crescer. Então quando você chega no meio da jornada, há uma estagnação. Parece que nada está acontecendo conosco, parece que não faz mais sentido repetir o nível dois, ou fazer Sat Nam Rasayan, nem Yatra nenhum. Tudo que era uma novidade e te levou do início para o meio do caminho dá uma estagnada, parece que você está perdendo seu tempo, dá um cansaço. Esse é o lugar em que você precisa simplesmente não arranjar sarna para coçar, como se diz em Uberlândia. Se isso acontece, se você procura algo completamente diferente, como uma pessoa que chega sexta-feira em casa, está superexausto e toma um whisky, para ter um estímulo, para ver se os hormônios respondem do mesmo modo que antes. Essa conversa é muito importante porque eu sinto que muitos de vocês estão nesse lugar. É muito importante vocês aceitarem a monotonia e o tédio daquele platô e ficarem ali, pois é nesse tédio e nessa monotonia que vocês estão gerando o prana, fazendo uma pausa para o sistema da gente ganhar outro tipo de calibre e outra qualidade neuroendócrina para você começar a viagem de novo.

Então aqueles que sentem um tédio e começam uma outra jornada, vão começar lá no Saram, lá embaixo. Até você adquirir a maestria que o Shakti Pad dá, vai demorar demais. Compreendam a necessidade de entregarem a cabeça nesse estágio do meio. A rendição aqui não é aritmética, ela é logarítmica, ela dá um salto, por isso é muito importante vocês qualificarem o tédio. Anos atrás, acho que em 2005, eu olhava a minha condição e pensava que estava presa, que nunca mais poderia deixar de ser uma professora de Kundalini Yoga, achava um horror! Eu me sentia presa, sem poder largar ninguém, presa. Eu pensava que tinha virado uma condenada por esse povo! Era uma sensação horrível, era meu tédio. Eu me sentia condenada. Eu nunca mais ia poder fazer o que eu queria, rodar a baiana… Então, quando vocês chegarem no ponto em que a complexidade do mundo é enorme, mas sua capacidade de dar respostas sem filtro é maior, seu sistema endócrino não estará mais a serviço das suas ideologias, ele estará a serviço dos seus conceitos abrangentes da alma. É muito diferente. Ter um sistema endócrino que responde nesse nível é maravilhoso.

Kriya: Move the Glandular System, do manual Infinity and Me

Relaxamento

* Não houve meditação.

Há uma frase do Yogi Bhajan que explica bem esse nosso tema de hoje: “você precisa entender que você é uma flor de lótus num pântano imundo. E você não pode deixar as suas pétalas se sujarem.”

Se em 2005, eu comentasse com cada aluno ou amigo da Sangat que eu estava aprisionada, eu teria deixado as minhas pétalas se sujarem com a lama. E era 2005. Hoje estamos em 2017. Vocês não podem deixar as suas pétalas se sujarem com o resultado de seu processamento do mundo. Existe um prazo natural para a gente passar pelo Shakti Pad, mas se você reside lá por tempo demais, você se acostuma àquele negócio. Às vezes me surpreendo com vocês me dando notícias que ainda então lá. Ninguém pode tirar vocês desse lugar, vocês é que têm de caminhar para fora dele. Mas a instrução aqui hoje é só para vocês se lembrarem que existe um tédio, esse tédio que exatamente consolida. Você aprende a não deixar as suas pétalas se mancharem com as águas putrefatas desse pântano, onde estão as suas raízes. Eu espero que isso faça sentido para vocês e que compartilhem com seus alunos. Nunca subestimem o lugar em que seus alunos estão. Seus alunos podem estar num processo muito adiantado. Não deixem de compartilhar com eles esses elementos que fazem sentido e ajudam as pessoas a compreenderem a se relacionarem com elas mesmas.

Eu agradeço demais a presença de vocês aqui hoje. Imaginei que teriam poucos alunos, e a gente ainda foi abençoado por essa chuva. Foi uma aula muito especial de fato. Nos dias mais duros, se a gente se encontra em Sangat com o coração aberto, a gente tem as maiores bênçãos.

May the long time sun shine upon you…

[* Os dias 14 e 21 de abril não tiveram aula por causa dos feriados da Semana Santa e Tiradentes]

[Transcrição: Sada Ram Kaur]

[GSK] Curando o estômago e projetando a identidade

Aula ministrada por Gurusangat Kaur Khalsa em 31 de março de 2017

[GSK abre a aula]

Hoje nós vamos fazer uma aula que está no manual “Self Knowledge”, a aula é de número 21. O nome dela é “Curando o estômago”. Em toda ciência médica indiana, não só no yoga, mas também na medicina ayurvédica, o estômago e o cérebro são parentes íntimos. O estômago e parte inicial do intestino contêm praticamente todas as neurossubstâncias que a gente achava que só o cérebro tivesse. E o cérebro tem muitas substâncias que a gente imaginava que só o estômago tinha. Eles têm uma relação muito próxima e muito íntima. E todas as vezes no Kundalini yoga que a gente trabalha o estômago, ou quando vocês do Sat Nam Rasayan ou da área clínica estiverem com algum paciente cujo tema é o aparelho digestivo, vocês podem escolher trabalhar a distância o aparelho digestivo, trabalhando o cérebro ou o sistema nervoso central. Então esse é o tema da nossa aula aqui.

Essa aula toda é para aumentar o corpo radiante com asanas que vão gerar um tipo de efeito sobre o aparelho digestivo. E o tema do aparelho digestivo é a projeção da identidade. Na Era de Peixes, a projeção da identidade, imaginava-se que trabalhando o terceiro chakra, você estaria trabalhando a sua projeção. E essa é uma abordagem muito equivocada, porque ela faz uso de um impulso que vem do ego. Imaginem que vocês são um homem que, de acordo com os ciclos de vida, vai envelhecendo e, quando entra na andropausa, um dos mecanismos mais comuns que usa para compensação de estar perdendo vigor sexual, é buscar um estímulo sexual, especialmente mulheres jovens. Isso é um clássico. E esse clássico se baseia no engano de achar que a força da identidade, que vem do terceiro chakra associado à sua força de projeção mental, pode fazer com que você restaure a sua identidade espiritual. Isso não vai acontecer. A projeção mental desse homem é que toda mulher nova e jovem vai ser um estímulo para que ele possa superar a depressão hormonal. Então ele projeta mentalmente que aquilo que ele precisa é uma mulher jovem, ele pode projetar qualquer coisa, inclusive qualquer mulher, só para ele não estar sozinho. E uma mulher pode fazer a mesma coisa, ela pode projetar estar na presença de qualquer homem ou de qualquer outra pessoa, imaginando que aquela pessoa é que vai dar a ela a segurança e as condições necessárias para voltar a ser ela, baseada apenas no impulso que vem do plexo.

Isso causa um embrutecimento da pessoa e uma imaturidade espiritual muito grande, porque tudo que a pessoa consegue projetar é que precisa de algo ou de alguém para ser ela mesma e estar bem. Essa é a combinação da força do plexo e a projeção do ego. Vocês podem imaginar a energia que esse indivíduo, homem ou mulher, gasta para criar as condições ideais para mapear o meio e enganchar a pessoa. No momento em que engancha a pessoa que ela considera ideal, começam os jogos: o que eu vou te dar para você ser minha, ou o que eu vou te dar para você ser meu. Isso pode ser feito da maneira mais impressionantemente criativa, inclusive dando um ar de muita legitimidade para esse jogo. Vocês devem ter muitos alunos nessa condição. O mapa dessa condição é uma forte projeção mental, uma forte crença naquilo que está fazendo com uma forte atividade do sistema digestivo ou do terceiro chakra. Isso é que alimenta a projeção mental, porque estômago e cérebro são uma coisa só. Então a pessoa gasta toda sua energia. Se ele não alcança o objetivo dela, ela frustra. Ela deprime. Existem vários graus de depressão, mas é uma depressão. Até a pessoa entrar novamente no programa de autoconvencimento de que a chance apareceu novamente, e recomeça o ciclo de buscar outro alvo.

Isso é um esquema que um professor de Kundalini Yoga precisa conhecer profundamente: uma associação de sistema nervoso, sistema digestivo e projeção mental, e uma forte crença de que aquela pessoa pode dar aquilo que ele precisa, e vice-versa. Isso é tudo estabelecido pela pessoa, inclusive o que o outro está precisando. A única coisa que essa pessoa poderia realmente ter certeza é que ela está só e está precisando de alguma coisa, mais nada, mas ela crê e deduz no outro o que o outro está precisando. Isso nós temos que mudar. Isso é extremamente pisciano. Nós estamos vivendo hoje sob a influência da Era de Aquário, em que nós não nos relacionamos pela escassez. Então a gente não se relaciona porque em mim falta alguma coisa, em você falta alguma coisa, assim eu tenho o que você precisa e você tem o que eu preciso. Esse modelo de relação é pisciano. Isso não funciona na Era de Aquário. Então quando nossa psique se movimenta de modo pisciano na Era de Aquário, nós vamos adoecer gravemente. O primeiro adoecimento é uma perturbação mental, antes de chegar numa perturbação física. Vocês precisam compreender isso primeiramente em vocês porque alguns de vocês vivem isso ainda.

No outro modelo as engrenagens mudam. No outro modelo, a projeção mental está presente, o plexo solar está presente, porque ele é nossa identidade, mas há outros componentes presentes. Então um componente essencial da abordagem aquariana do relacionamento não vem do terceiro chakra, vem do coração. Não tem nada a ver com romance, aquele “eu te amo tanto, eu preciso de você”. É a inteligência que vem do coração, aquela que faz escolhas da alma. Tem a projeção, que é uma identidade mapeada pela compaixão, pela consciência. E no relacionamento, eu me projeto como aquele que não precisa de nada, que está dando. E no momento em que eu estou dando, se o outro quiser me dar, ótimo, se não quiser, paciência. Desobriga o outro de me servir. Isso é um crescimento, um amadurecimento. O outro não tem obrigação de te servir. Vocês compreendem esse mecanismo? É ele que vamos ajustar hoje. Vocês vão experimentar essas vias superiores. Esse processamento é chamado de processamento superior. Eu fui ler a psicologia para entender o que os psicólogos estudam sobre isso. Eu vi nos livros de psicologia, em artigos novos, que esse mecanismo de fazer escolhas conscientes, eles chamam de extrínseco. E o mecanismo de fazer escolhas subconsciente, eles chamam de intrínseco, ou seja, como se fosse natural a escolha do subconsciente, que é essa de fisgar do meio. No yoga, os dois mecanismos são intrínsecos, o de escolha subconsciente é mais automático porque passamos 95% no mundo subconsciente. O outro é intrínseco também, só que ele não é automático. É preciso que as vias neurais sejam desenvolvidas para ele ser acionado. Nós, como professores de Kundalini Yoga, temos muito que estudar, pois nossa ciência é muito ampla e vocês precisam se qualificar para não ficar repetindo abobrinha de banquinha de esquina.

Kriya Curando o estômago, manual Self Knowledge

Meditação: Em vajra, as mãos estão sobre as coxas, coluna ereta, queixo em jhalandabhanda. Incline a coluna ereta para trás, queixo em jhalandabandha. Permaneça 1 minuto na pose, controle o plexo para você ficar nessa pose. Retorne à posição inicial, coluna ereta, queixo em jhalandabhanda. Incline novamente para trás. Respire com consciência pelo plexo. Mantenha o plexo firme e ativo para manter a coluna ereta. A cabeça não cai para trás. Permaneça por 2 minutos. Inspire, expire e venha retornando para o centro. Quem consegue, continue em vajra. Aqueles que precisam, sentem em easy pose, vocês vão perder parte da pose, mas podem assentar. Mãos no peito, mão esquerda sobre o peito, mão direita sobre a esquerda. Vocês vão entrar no estado de Suni-e por três minutos e depois vão entoar juntos esse shabad. (Waheguru Simran, por Bhai Harinder Singh). Inspire, suave mulabhanda. Expire. Deite para o relaxamento.

[Encerramento]

Eu quero compartilhar uma coisa porque que sei que vocês formam e nunca mais voltam no livro um de vocês. A gente falou sobre as Eras de Aquário e de Peixes. Outro dia, o Siri Sahib estava apresentando o programa do nível 1 para a turma que começou agora. Eu fiquei impressionada com o que o Yogi Bhajan escreveu no primeiro capítulo do livro, no final dos anos 1970. É bom colocar isso em perspectiva para vocês terem uma noção do que ele falava, e hoje a gente pode computar muito bem. Está lá na página 4 do seu manual:

“Na última era, nós podíamos nos safar de muitos comportamentos fraudulentos, que poluem a esperança do outro e a natureza. As pessoas podiam se safar disso. Agora, a partir da entrada da Era de Aquário, isso vai se tornar impossível. No passado, a pessoa podia se embelezar ou embelezar uma persona, ou usar uma máscara e se mostrar ao mundo e ser conhecido no mundo através dessa máscara. Na Era de Aquário, qualquer tipo de persona estará sob auditoria. Não existe nem uma única persona que não estará sob auditoria. Cada ação que qualquer uma dessas pessoas fizer poderá ser rastreada e toda aquela aparência poderá ser dissolvida em questão de instantes. Cada transação financeira, cada negócio feito com base em dinheiro vai deixar para trás não só a marca dessa transação, mas também o caráter que esteve por trás dela. As pessoas serão conhecidas através desse tipo de ação. Na Era de Aquário, a persona que esteve em auditoria antes ou aquelas que observaram a auditoria do outro terão como chance abrir mão dessas personas e entrar no mundo aquariano com a sua verdadeira identidade, e a ação vai ser a linguagem do verdadeiro ser. Todo tipo de antigas defesas e manipulações baseadas em esconder e controlar serão deflagradas, trazidas à tona, clareadas na Era de Aquário. Você vai precisar muito compreender a capacidade de suas ações, as consequências delas, e agir sabendo que você vai ser revelado através das suas ações.”

Eu acho isso muito impressionante. E na página sete, ele fala algo importantíssimo para a gente considerar. Então compreenderam isso da persona, do ser autêntico e da auditoria? Não é porque a gente tem uma cara de professor de Kundalini Yoga que a gente estará livre dessa auditoria. A gente não está livre. Ela vai acontecer. Na página sete, no último parágrafo, ele fala: “A Era de Peixes foi a Era mais horrorosa que já tivemos. Ela foi uma Era em que o feminino foi arrancado de suas raízes e explorado pelo desejo do homem. A relação masculino e feminino não tinha nenhum tipo de força e caráter. Ela só existia sem nenhum tipo de gosto especial. As mulheres na Era de Peixes deram à luz criaturas, homens mais cheios de medo e inseguros, impotentes e supercondicionados por sexo. A desordem sexual foi pior na Era de Peixes do que nos últimos três mil anos. No último século, ela se fez ainda mais presente. Os hábitos sexuais mostravam o quanto o homem era raso e sem honra. E a mulher mostrou-se submissa e indulgente, tentando se fazer segura na presença de um homem sem caráter”. Essa relação precisa ser transformada, a mulher precisa se reerguer.

Eu acho que vocês deveriam ler o primeiro capítulo do livro de vocês, refrescar a memória e levar isso para seus alunos em sala de aula, sem um cunho ideológico, porque a auditoria vai acontecer em todos os meios e ramos. Tem um ano que estou dizendo que vai haver um processo profundo de limpeza. A gente não vai impedir esse processo tentando sair do desconforto imediatamente. O desconforto vai perdurar e nós temos de resistir, porque nesse desconforto reside a tal limpeza e nessa limpeza reside a esperança. Se não houver a limpeza não há esperança. O Yogi Bhajan falou sobre isso nos anos 1970, lembrem-se disso. Quando eu comecei a dar aula de Kundalini Yoga em 1995, era muito difícil falar sobre isso, porque nada disso acontecia. Era uma conversa muito teórica, era mais um preparo para aquilo que viria. Quando entrou o ano 2000, era quase impossível porque nós brasileiros achávamos que o mundo passaria por uma auditoria, mas nós não, que nós já tínhamos feito e que a nossa auditoria tinha sido a ditadura militar – tudo que a gente tinha que sofrer e expurgar, já tinha acontecido na ditadura militar. Ledo engano, a gente tem muita coisa ainda para expurgar.

Esse mecanismo “eu tenho o que você precisa e você tem o que eu preciso, vamos fazer um gancho para a gente se precisar” é o modelo que perpassa tanto a política quanto as relações humanas. É isso que precisa acabar, jogar fora. É muito incrível fazer parte desta tradição, em que o pé é tão inserido na realidade e prepara a gente tanto para ser realmente um instrumento de transformação, se é que vocês aceitam humildemente tomar a posição de um ator muito efetivo, porque tudo que a gente vai precisar fazer agora é manter a base para que as pessoas não sucumbam. Elas estão desesperadas, elas estão sofrendo. Hoje vou me encontrar com uma professora de Kundalini Yoga, uma psiquiatra que coordena uma ONG no Parque das Mangabeiras e atende aos moradores do aglomerado da Serra. Ela quer conversar comigo a respeito das pessoas que estão suicidando no aglomerado. Os pacientes psiquiátricos são mais sensíveis e o suicídio aumentou demais, então nós temos de fazer o nosso papel. Ter uma conversa que ajude as pessoas a se manterem, a transitarem nessa auditoria, porque ela é difícil, longa e aparentemente a gente perde muita coisa, e não sabemos o que vamos ganhar, mas ganhamos a chance de recomeçar com outras bases. A gente não pode ter pressa para construir o modelo que a gente acha que deve ser construído, porque a gente não tem menor ideia. A gente pode ser muito bem surpreendido com uma coisa infinitamente melhor e maior que a gente imagina que seja o bom. Esse é o papel do professor de Kundalini Yoga nesse momento. Explique essa aula para os seus alunos. Faça-os entender que nem tudo vem da projeção do ego com a força do plexo, tirá-los da depressão e fazê-los entrar na radiância do Guru, desse Professor Universal.

May the long time sun shine upon…

[Transcrição: Sada Ram Kaur]

[GSK] Usando o caos como escada

Aula ministrada por Gurusangat Kaur Khalsa em 1º de julho de 2016.

Esse livro ganhei de presente do KRI, foi lançado agora no solstício, “Enlighten Bodies”, (Corpos Iluminados), é maravilhoso. É uma revisão da anatomia sutil e da anatomia tradicional. 

[GSK abre a aula]

Vamos fazer hoje um trabalho clássico do Kundalini Yoga, que se chama “Ajuste do Corpo para Elevar o Espírito”. Vamos dissecar esse tema, conversar um pouco sobre o que seria, para nós, professores de Kundalini Yoga, elevar o espírito. E é claro que o nosso propósito aqui é, mais uma vez, quebrar o óbvio, quebrar o clichê. Quero convidar vocês agora a pensarem um pouquinho como um arquiteto, construtores de espaços. O que a gente faz na arquitetura é, num espaço vazio, projetar uma forma. E no momento em que você projeta uma forma, num determinado espaço vazio, e quando aquilo que foi projetado se ergue e se torna concreto, aquela forma projeta o espírito, que ficou “encarcerado”, que ficou “preso” naquela forma.

Quando olhamos para um imenso vazio, para o nada, nós não somos capazes de detectar o espírito. No momento em que a gente ergue uma forma naquele espaço vazio, instantaneamente aquela forma, não é que ela traz em si o espírito, mas ela é passagem para o espírito. Aquele espaço deixa de ser vazio e deixa de ter uma identidade. Isso quer dizer que embora o espírito, essa força prânica, esteja em todos os lugares, o tempo todo, em tudo, ela só se manifesta neste plano. Não estou falando de outros planos, mas deste planeta Terra, o espírito só se manifesta através da forma. Então quando você constrói uma casa e olha para o espaço vazio de dentro da casa, digamos, através de uma porta ou de uma janela, tudo ganha uma outra qualidade.

O espírito é tão incomensurável que gente não consegue se relacionar com ele. A psique humana não possui um meio para se relacionar com o incomensurável. Por isso a gente cria identidades. Quando você dá uma forma, você cria uma identidade e ela é a projeção, a passagem para o espírito. Isso é muito importante no Kundalini Yoga. Não é um conceito, mas é uma leitura que o Kundalini Yoga faz – por conta do Sikh Dharma – da realidade. Então quando a gente quer mudar a projeção de algo, a gente muda a forma, porque o espírito é universal. Quando a gente muda a forma, aquele fluxo que ficou preso ali, provavelmente para dar identidade à forma, muda. A gente não muda o espírito para melhorar a projeção, a gente muda a forma. Por isso, no Kundalini Yoga, a forma é tão importante. E por isso que nós não somos yoguis ditos espirituais, um “clichezão”. Esses yoguis são aqueles que se retiram da forma, se retiram do fluxo da natureza, do fluxo da matéria. Nós não, nós nos inserimos no fluxo da matéria, porque nós sabemos que é trabalhando na forma que a gente vai projetar as diferentes qualidades desse espírito, que é universal.

Na aula de hoje, quando a gente for trabalhar o ajuste do corpo para elevar o espírito, a gente vai trabalhar a parte do nosso corpo que faz com que a força do espírito que está dentro de nós ganhe muito calibre, ganhe muita projeção. O plexo solar, o terceiro chacra é a região do nosso corpo responsável por nossa projeção, nosso calibre. Então a aula para aumentar nosso calibre tem de criar uma força de projeção que é da nossa identidade. E ela tem de terminar no sexto chacra, combinando o terceiro e o sexto chacras. O Yogi Bhajan dizia que, na Era de Aquário, o nosso objetivo é pegar o ponto entre as sobrancelhas e colocá-lo no plexo solar. A gente quer pegar a sabedoria, a intuição e colocar onde reside a projeção e o calibre, porque a gente quer saber para onde e como estamos projetando nossa força. A maioria dos Hatha yoguis que foram enganados pelos tais swamis – que ensinam pouca coisa a ninguém – aprende que precisa tirar a força do plexo solar e colocar no terceiro olho. Então eles ficam com muita força meditativa, mas sem nenhuma força de ação. A forma deles não consegue projetar o espírito, porque eles não trataram da forma. São aqueles swamis magrinhos, os brâmanes das canelinhas finas, que foram atrás do Guru Tegh Bahadur morrendo de medo, pedindo para serem protegidos porque seriam mortos por islamitas. Não tem força, a forma não se sustenta. O Kundalini Yoga é maravilhoso, radical, sou fã, é encantador por causa disso, porque quebra, a todo o tempo, esse lugar-comum. Enquanto estivermos vivendo neste mundo, nós precisamos sempre alterar a forma para cada vez mais ela servir à força do nosso espírito. Vamos então trabalhar na forma para o espírito se projetar.

Kryia: Ajuste do Corpo para Elevar o Espírito, do livro The Fountain of Youth.

Uma coisa importantíssima que nós do Kundalini Yoga fazemos e só a nós foi ensinado, pode ser que a gente não lembre, mas nos foi ensinado por meio dos vários exemplos dos professores da Corrente Dourada: “o caos não é um abismo, o caos é uma escada”. E vocês não podem esquecer isso! Porque se vocês entenderem o caos como abismo, vocês são a vítima de vocês mesmos. Caos é uma escada. E para a gente entender o caos não como abismo, a gente precisa entender algumas coisas, primeiro é estar muito familiarizado com o caos. Claro! Na hora em que ele chegar,  você poder dizer, “aaah chegou!!Mais uma vez, chegou…hum…hum… ótimo!” Porque se você não está familiarizado com o caos, na hora que ele chega, você se assusta e …cai no abismo! Caos acontece na vida de todo mundo, você não vai ser o primeiro nem o último. Então a primeira coisa é estar familiarizado com esse sentimento. Segunda coisa, saber que o processo do caos é necessário para a recriação. Saber, não precisa me ligar para saber disso. Eu não preciso falar para vocês o tempo todo que o caos é o substrato do crescimento. Você já sabe! Por mais que seja doido, por mais que seja doloroso, por mais que seja estranho, esquisito, “eu não queria estar no caos, eu queria estar no meu mundo maravilhoso”, mas ele é um processo de transformação grande. E a terceira coisa é não pular no abismo, mas subir a escada, e para subir a escada do caos, a gente precisa ter força.

Essa aula é para isso. Porque em cada passo dessa escada você transforma sua forma para projetar ainda mais a força do espírito. Então cada passo, quando a gente está no caos, quando a gente está na dificuldade e dá um passo, é uma força de projeção que o espírito ganha porque cada passo é uma mudança na forma. Cada passo que você dá para sair do caos, subindo essa escada, você está usando seu plexo solar. É muito importante. Isso é um clássico no Kundalini Yoga. Só não foi colocado nesses termos e nessa frase. E essa frase tampouco é minha, é do Littlefinger, do Game  of Thrones. Então nós, professores de Kundalini Yoga, professores mesmo, que vivemos essa vida,  de repente o Littlefinger , do Game of Thrones, fala uma coisa dessa, ninguém dá nada pelo Littlefinger e nós pensamos, gente! Isso é material para eu trabalhar na aula de Kundalini Yoga. Isso é Kundalini Yoga. Vocês não precisam se retirar do mundo para serem bons professores de Kundalini Yoga, pelo contrário, quanto mais vocês estiveram no mundo, vocês serão melhores professores de Kundalini Yoga. A gente deve fazer ponte com as pessoas. Lamento que só a Seetal Prem, que já foi embora, saiba quem é o Littlefinger.

Quando eu estava em Espanhola, há anos, Game of Thrones está por aí há seis anos, eu e a Pritpal voltávamos das reuniões e encontrávamos o Chiv Charan e o Pritpal Singh sentados no sofá assistindo a Game of Thrones. A gente chegava em casa, ia cozinhar e tal. Um dia eles perguntaram se a gente não via Game of Thrones, então resolvemos sentar para ver. Eu e Pritpal ríamos tanto, porque era uma matança, parecia o Quentin Tarantino. A gente falava que não ia sobrar um personagem, vão matar e no final vão ter de se matar. Aí a Shanti chegou aqui e disse: Guru Sangat, mas é material de trabalho! Incrível! Eu disse: vou olhar. A história é clássica, como o grande mito babilônico do mal sempre vencendo o bem, até que você reza para o mal ser dizimado, até que você vira tão mau quanto o mal. Uma história clássica, o mito da Babilônia, tranquilo, de novo. Mas você assiste ao programa por muito tempo, até extrair uma pérola dessa, dita pelo Littlefinger, para você se conectar com seus alunos, com o Pritpal e com o Chiv Charan, que são dois grandes mestres do Kundalini Yoga e que adoram Game of Thrones. Por favor, gente, fiquem por dentro das coisas. Era isso, essa aula é muito antiga.

[GSK encerra a aula]

May the long time sun shine upon you…

[GSK] Curando o estômago

Aula ministrada por Gurusangat Kaur Khalsa em 17 de junho de 2016.

[GSK abre a aula]

A beleza do Kundalini Yoga está justamente no fato de que seus mestres maravilhosos não deixaram nada nas nossas mãos para pensarmos um kriya – porque teria sido um desastre –, como é para o Hatha Yoga, porque as pessoas combinam as poses por meio de um  entendimento filtrado pelo acaso. E então a gente perderia várias oportunidades de realmente fazer da aula de Kundalini Yoga um laboratório não só para o corpo, mas para a nossa psique e um laboratório para o nosso amadurecimento emocional.

O título da nossa aula de hoje é Curando o estômago. Você pode dizer que não tem nada no estômago para curar, então por que o tema dessa aula? As poses do Kundalini Yoga derivam de uma estrutura médica muito anterior aos Vedas, anterior ao que a gente conhece como medicina ayurvédica. A base desse sistema médico e clínico, lá da universidade de Taxila, há cinco mil anos, é muito anterior aos brâmanes de canelinhas finas e retirados do mundo. Naquele momento, que é o berço das ciências médicas,  entendia-se que, todas as vezes que a gente trabalha o estômago, trabalhamos o cérebro. E o curioso dessa aula é que nós vamos trabalhar o cérebro e consequentemente vamos trabalhar o estômago, utilizando os braços. Quando nós usamos braços no Kundalini Yoga, estamos trabalhando profundamente o sistema de ajuste neuroendócrino. Nunca ninguém explicou o porquê dessa relação do sistema nervoso com o estômago, e ninguém perguntaria isso a um mestre há cinco mil anos. Primeiro porque não se faziam perguntas. O lema do yogi é viver sem perguntas e morrer sem respostas. Isso de perguntas é ocidental. A nossa medicina teve de passar por cinco mil anos para poder compreender a razão disso e hoje a gente sabe o porquê. A gente sabe hoje que as várias neurossubstâncias que habitam o cérebro e fazem toda função de autorregulagem em nós estão no intestino e no estômago, no sistema digestivo. As mesmas neurotoxinas. Chega a tal ponto que hoje em dia na neurologia, médicos de vanguarda dizem que o cérebro está no intestino.

Aluno: Desenvolvem juntos né, Gurusangat, quando é feto?

GSK: Cérebro e pele desenvolvem juntos, mas o fato de essas neurossubstâncias terem migrado para o intestino, assim como estão no cérebro, é que é radical. E tem outra coisa radical: como nós trabalhamos o intestino, necessariamente estamos trabalhando o coração. Adivinhem qual é o tipo de célula que existe no coração e que a medicina recentemente descobriu? Neurônios. Então tudo é uma coisa só! Vamos começar a trabalhar.

Kriya: Curando o estômago do Manual Autoconhecimento

[GSK fecha a aula] May the long time sun shine upon you

Eu vi muitos de vocês tremendo os braços. Na sociedade ocidental, a gente tem uma forma de trapaça. Eu vi vocês tentando compensar a falta de força no braço, que não vem necessariamente de ser musculoso ou não. Não tem nada a ver com musculatura. Mas vem da ausência de corpo radiante e a gente compensa isso com a cabeça. A gente fala mais de coragem do que a gente prova ter coragem na hora da morte. Vocês lembram do “Song of the Khalsa”? “Many speak of courage. Speaking cannot give it. It’s in the face of death that we must live it”.

A gente não tem corpo radiante para chegar ao objetivo. Na hora que eu começo a minha travessia para o objetivo, sem dúvida alguma eu vou precisar segurar meus próprios braços. Se eu não consigo segurar meus braços, sejam eles magros ou gordos, por 4 minutos, como eu vou chegar lá? Como eu não dou conta de chegar lá com meu próprio esforço, me sustentando, no ocidente desenvolvemos a capacidade de falar sobre chegar lá como se eu tivesse chegado. A gente trapaceia de várias formas. Existem muitas formas de autoenganação, de negação, e todo mundo tem o passaporte do mediocristão. Quem veio a minha palestra me entende melhor. Vocês compreendem isso?

Por que a gente precisa de um sistema nervoso bom, se a gente não vai fazer nada? A gente não precisa. Mas se você quiser traçar um destino e quiser caminhar nesse destino, você precisa do seu sistema nervoso forte, e esse trabalho que vocês fizeram para a linha do arco é a forma de proteção que nos impede de nos corrompermos. Alguém de vocês, professores, sabe por quê? Todo trabalho de braço que envolve esses movimentos (movimenta os braços para cima dos ombros), no perímetro de onde meus braços passam, é meu corpo radiante. Eu tenho esse corpo radiante e vocês têm o corpo radiante que estende na dimensão de sues braços. O Guru Gobind Singh tinha um braço que vinha abaixo do joelho, quase no pé, você podem imaginar o tamanho do corpo radiante dele. Tinha um supercorpo radiante. Por que isso impede a gente de se corromper? A forma mais garantida de a gente se corromper é quando a defesa vem do ego, esse já é um clichê. 

Isso vem da psique nossa quando a gente é tão jovem, porque a gente tem medo de se assumir. Por isso que a primeira forma de corrupção é quando você não tem coragem de ser você. Nós somos criados para usar a cabeça para achar desculpas para a gente não ser a gente mesmo. Por isso que um professor na vida da gente é fundamental, a gente reaprende essas coisas. Essa é a defesa do ego. Toda vez que a gente usar o ego como defesa, nós temos uma chance muito grande de nos corromper, muito grande. Por isso, gente, comecem sempre falando aquilo que está difícil. O corpo radiante faz assim (movimento de expansão). Quando fazemos isso, podemos obter dois tipos de respostas. Uma defesa que vem do ego: se o outro se defende a partir do ego, ele começa a julgar. “Nossa, mas que chance você está perdendo, que isso, que aquilo, como assim, por quê?” Não tem menor autoridade espiritual. Mas se a outra pessoa responder assim: “que maravilha, olha eu sinto muito, teria sido muito bom pra mim e para você, mas se você quer outra coisa, conta comigo”. Vem do espírito, vem do corpo radiante. Essa foi a aula que a gente fez.

Então por que a melhor defesa é a que vem do corpo radiante? Porque ela não vem com trapaça. Ela não vem com medo de a gente se assumir, não vem com medo de o outro me julgar.  Muito difícil na nossa sociedade porque ela julga o tempo inteiro. Não estou dizendo que a Índia não tem problema! Mas na psique de um indiano não tem essa forma de corrupção, tem outras, mas essa não.

Por exemplo, na Índia, quando eu cuidava do meu sobrinhozinho, que tinha 5 anos, eu era responsável por fazer dever de casa com ele quando chegava da escola. Já contei essa história para vocês. Jaap Neet era o nome dele. Ele chegava da escola, puxando a mochila dele. Vocês não podem imaginar o que é a mochila de um garoto de 5 anos na Índia, é muito livro, muita coisa. Ele vinha arrastando a mochila, meio bagunçado. Com uma vara na mão e falava: “tia, vamos para o meu dever de casa”. Quando eu via a vara, falava: “o que é isso? Você precisa da vara?” “Eu não preciso não, você precisa”. E ele me entregava para eu bater nele quando precisasse. Ele não ia fazer o dever, ele já estava com preguiça, com sono. Ele já vem com a vara! Não tem o menor medo de se assumir. É gordinho, preguiçoso, não vai fazer o dever e já traz a vara. Bonitinho demais! Mas nós não. Nós aprendemos desde crianças que tínhamos de fingir ser aquilo que a gente não era para a gente poder ser aceito e essa é a moléstia, por isso a gente precisa reforçar o corpo radiante. Por isso o “Ajai Alai”, para vocês não terem problemas de se assumirem, de dizerem não sei. Quando vocês chegarem nesse ponto de dizer não sei, não quero, mas com toda a força do corpo radiante e nenhuma defesa do ego, vocês vão parar de dizer que não sabem. Quando alguém chegar e falar: “faz isso”. Se o Guru Dev chegar e falar com você: “você vai fazer isso”, você não vai falar: “Ai Guru Dev, acho que eu não sei!” Não! Você não tem a mínima ideia do que você tem de fazer, você sabe que você não sabe, mas vai lá e faz.

Quando você deixou de trapacear, o seu corpo radiante entra em direta conexão com o corpo do Guru. Acabou esse negócio de não sei, não vou dar conta. Se você estiver no corpo radiante do Guru, acabou. Se nós formos pensar bem mesmo, o que são 4 minutos aqui? Nada. Mas que desafio que é? Está desafiando a nossa estrutura corrupta de a gente se negar. Os intestinos têm a ver com isso, porque se você tem um corpo radiante, mas não tem o intestino que funciona, alguma coisa não está certa. Porque quanto maior o corpo radiante, ele está entrando em contato, ele está irradiando. Mas ele tá cheio de samskaras, impressões cármicas das mais pesadas, não suas, necessariamente, mas do mundo, um corpo radiante grande é um grande lixeiro. E o intestino é que limpa, então precisa do intestino funcionando para ajudar a limpar o corpo radiante. Por isso que a gente tem a palavra em português “enfezado”. Está com raiva, mas é também estar cheio de fezes. Você está completamente impuro. E aí é claro que você não consegue liberar seu corpo radiante, pois está cheio de samskara da raiva, pode ser sua, pode ser do mundo. E nós estamos vivendo um momento no mundo muito duro, com Ísis, enfraquecidos, mas querendo dar sinais de que estamos fortes, com o Trump disputando uma eleição. E o mais aterrorizante é que ele está quase pau a pau em intenções de voto. Então o branco americano que ficou pobre está agora dando as caras, vocês já imaginaram na vida de vocês verem um branco, clássico, cristão, pobre? Não, a gente só vê o clássico negro pobre. Então a gente está vendo o branco pobre se assumindo através de um boçal como o Trump. Quanto ao Brasil não estamos nem podendo qualificar. Tomara que aqui ainda fique muito pior, porque talvez seja a única chance que a gente tem de virar alguma coisa que não seja um monte de cocô com flor em cima.

A gente tem a Europa agora numa grande disputa porque a Inglaterra está para sair da União Europeia. Um momento crítico, com muitos imigrantes vindo para cá, então o mundo está sem sentido. E é justamente nesse momento que a gente precisa estar com o corpo radiante mais forte, porque é com corpo radiante forte que você vai ser capaz de captar e limpar. Então muita respiração do fogo e muito cocô. Tem que fazer cocô, tem que limpar. Quem tem um corpo radiante forte serve como antena e como um agente de limpeza dos samskaras do mundo. Essa é a riqueza do momento. Poucos de vocês não estão passando por uma turbulência pessoal. Só que a vida inteira nós vamos passar por uma turbulência pessoal, aí quem tem corpo radiante forte, não importa mais com isso, faz “hahahahahaha, turbulência pessoal”. Assim a gente consegue entender  o Yogi Bhajan quando ele dizia que: “meu café da manhã é uma tragédia, meu almoço é uma catástrofe e meu jantar é uma miséria”. E daí?

Esse foi o trabalho de hoje e essa foi a reflexão de hoje para vocês se lembrarem de que não estão desintegrados desse todo. Você pode pensar: “se eu tenho um corpo radiante forte, eu vou ficar servindo para limpar samskara de outro, não vou fazer isso de jeito nenhum”. Eu vou recolher ainda mais meu corpo radiante. É uma teoria. E faz sentido. Vocês não devem fazer isso, porque é muito pior. Quando você retira o seu corpo radiante da história, você se torna peça cármica do jogo. E aí em vez de samskara ser do outro, você está gerando o seu próprio samskara. Então a melhor saída é a gente ativar nosso corpo radiante, para não ficar gerando carma através da corrupção interna.

Se você imaginar uma conta bancária espiritual, você está com crédito, quando você limpa samskara. Quando você retira seu corpo radiante, você fica em dívida e adoecido, porque o corpo radiante expandido protege o corpo prânico, que nos protege de doenças. Não é que a gente não possa adoecer, não tem problema nenhum. As doenças são um grande bem, um maravilhoso bem humano, tesouro da humanidade, pois através delas a gente vai embora daqui, se a gente tiver de ir embora daqui. Vamos por tudo em sua dimensão positiva e negativa. Evitem virar esses yogis de pasquim, da mente positiva de florzinhas, edições paulinas. Yogi edições paulinas, flores e você olhando pro mundo e dizendo quando você está em si e meditando, o mundo está lindo. Não! Quando você está em si e meditando o mundo está um cocô, a gente vê o mundo como ele é. O dia que alguém disser que esse mundo é bom, esse alguém está doido ou no lugar errado, porque esse mundo é o lugar onde a gente vem para pagar carma, como é que ele pode ser bom? Ele é bom só porque é uma chance de a gente resgatar. A gente faz yoga para ficar guerreiros da paz, guerreiros dessa limpeza.

Sat Nam!

[Transcrição: Sada Ram Kaur]

[GSK] Coração calmo e tough love

Aula da Gurusangat Kaur Khalsa do dia 10 de junho de 2016

[GSK abre a aula]

Nós vamos fazer uma aula que é para um coração aberto e calmo. Eu escolhi essa aula hoje durante a minha sadhana e, desde ontem nós criamos um campo que é o campo do que o Guru quer que eu fale amanhã, digamos assim; acho que é o modo mais honesto de eu colocar. O tema da palestra de amanhã é bastante interessante porque é uma reflexão sobre o que distingue o yogi nos dias atuais – não na reclusão da sua prática, mas na sua vida, no seu cotidiano social, político, cultural; o que distingue o yogi de um ser humano que não tem acesso aos ensinamentos; basicamente é isso. E o que fazer em determinadas situações para evitar uma armadilha do engajamento não contemplativo. E como fazer o contrário. O que fazer quando parece que não há nada a fazer, que é o que eu estou chamando de contemplação engajada.

Dentro dessa frequência, muitas coisas vão ser faladas, inclusive sobre um estilo de vida que parece muito correto, que é o estilo de vida daqueles engajados não contemplando a história, e que não poupa, não distingue ninguém, nem por ideologia, nem por modo de sentir o mundo, nem por títulos acadêmicos, não poupa, coloca tudo no mesmo saco, vegetarianos com não vegetarianos, veganos com não veganos, artistas com não artistas.

Então nós vamos estudar essa categoria do que a gente chama de engajamento não contemplativo. E o que distingue isso daquelas pessoas que contemplam de forma engajada. E aqui nessa categoria estão todos, inclusive aqueles que a gente menos espera. Ou podem estar todos, inclusive aqueles que a gente menos espera. Com isso, a gente abriu determinados limites. Amanhã nós não vamos cercear o nosso olhar para o mundo, para a nossa vida no mundo, com base naquilo que é aparentemente correto. Nós vamos olhar o mundo a partir de um olhar, e vamos atravessar determinadas fronteiras e olhar para a gente no mundo a partir daquilo que é necessariamente correto.

Então, por isso, é muito importante que a aula de hoje seja uma aula para um coração aberto. E um coração aberto não é um coração só sensível e que se compadece do mundo. Um coração aberto é um coração que realmente não bloqueia informações que vêm da base do nosso triângulo inferior e repercutem na gente com grande impacto: muita indignação, muita raiva, muito medo, muita impotência.

Vocês estão sentindo esse tipo de sentimento? São sentimentos ou que paralisam a gente por indignação ou por raiva, ou que mobilizam a gente por indignação ou raiva. Então se o coração não está aberto, esses sentimentos ficam aprisionados e geram um tipo de requerimento, requerem que a gente aja. E todas as vezes que a gente age com base nesse tipo de sentimentos, estamos agindo para o mal de todo mundo, inclusive o nosso. A gente adquire carma demais e gente não é efetivo.

Então o coração aberto possibilita que esses sentimentos subam e vão para a cabeça, e aí a gente tem uma chance de pensar essa circunstância em que estamos envolvidos – seja ela qual for – e dar a ela um sentido e aplicar nela um sentido. Vocês entendem a distinção? Se não houver o coração aberto, isso não tem condições de acontecer. Isso só tem condição de acontecer, porque nós estamos mobilizados a partir da compaixão. E compaixão não é comiseração. Compaixão é tough love, como diz a Pritpal. Tough love, a tradução em português não é muito boa, amor duro, mas em inglês é boa. Tá certo?

Então vocês estão prontos? Beleza.

Kriya para o coração calmo e aberto, do manual Self Knowledge.

May the long time sun shine upon you

[Transcrição Sada Ram Kaur]

[GSK] A força do espírito reside na soberania da alma

Aula ministrada por Gurusangat Kaur Khalsa no dia 19 de fevereiro de 2016

A aula de hoje é uma aula que nunca dei em sala de aula, mas antes de entrarmos nela, quero abordar um assunto muito importante com vocês. Quero falar sobre a conversa em torno dos casos clínicos nesse grupo de sexta-feira.

Talvez vocês não saibam disso, talvez alguns poucos saibam, mas o Yogi Bhajan nunca fez uma consulta, em tempo algum, que fosse particular. Todas as consultas do Yogi Bhajan eram em grupo. Então você se assentava em grupo, onde ele dizia que todos que estavam naquela sala tinham que ouvir o problema de todos. Tinha uma razão para ele fazer isso. Isso não vem do Yogi Bhajan, mas de consultórios e hospitais médicos na Índia. Quem esteve lá já viu isso, quando você vai fazer uma consulta de epidemiologia, de dermatologia, o que for, a consulta é coletiva. Todo mundo está na sala do médico, você se assenta, ele faz a sua anamnese inteira e tal, e te dispensa. Faz parte de uma cultura – eu me pergunto se seria exclusivamente indiano ou não. E o que está por trás disso é o fato de que quando as pessoas se reúnem, elas não se reúnem por acaso, em primeiro lugar. Em segundo, uma questão de alguém ali está servindo para outro, está servindo de esclarecimento para todos. E o Yogi Bhajan sempre trouxe isso para a prática do Kundalini Yoga. Ele nunca recebia ninguém sozinho, e, quando você dizia que queria uma entrevista particular, ele não concedia. Entrevista particular nem para chefes de estado, porque nem chefes de estados vão também sozinhos nas suas entrevistas.

Ele então recomendou demais, em especial para os Lead Teacher’s, que incorporássemos isso – na medida em que você vai tendo a capacidade de tratar um caso de modo a ele ter uma relevância coletiva para a sangat. Ele recomendava demais que a gente trouxesse esses exemplos para sala de aula. Vocês todos aqui já cansaram de fazer Nível 2 e viram ele tratar muito disso, vocês viram os casos que ele trata. Hoje também com o material disponível do Yogi Bhajan em português, como o Master’s Touch, vocês podem ver ele tratando de muitos casos clínicos. Os casos clínicos estão sempre presentes, com a única recomendação, óbvio, de que nomes sejam omitidos. Essa é uma prática também na medicina.

Vocês que estão escutando os casos clínicos sabem: quantas vezes, sentados aqui, escutando, quantas vezes um caso clínico não encaixou diretamente em você? Todas as vezes! É uma piada jocosa que eu faço: “quem me contar o seu problema? ele vai virar um caso clínico!” É um modo de brincar com a situação, mas nem todas as histórias trazidas são pertinentes, aquelas que são pertinentes são aquelas que tem um vínculo com a consciência da sangat e podem ser muito úteis para que vocês se elevem, se espelhem. É uma psicologia do espelho – não sei se esse termo já existe ou se estou criando ele agora. A psicologia do espelho.

Um outro elemento que acho importante vocês saberem é que esses casos clínicos estão potencialmente, quando trazidos para o coletivo, como diz o Yogi Bhajan, cheios de cura. Porque quando um caso desses é tratado em sangat, vocês não se assentam dizendo assim: “nossa, francamente!” “que que é isso?! já era tempo!” “pelo amor de Deus!”. Não é assim que vocês se assentam. Vocês se assentam e escutam em seu modo compassivo, que é o modo de gerar Gurprasad, que é o modo de gerar bênçãos.

Falta um último detalhe: uma pessoa que não é capaz de sustentar no anonimato o seu próprio caso, ela não é digna sequer do caso. Porque todo caso nosso de vida é digno de ser contado, e para um professor de Kundalini Yoga ainda mais – quando você começa a se tornar um professor de Kundalini Yoga mesmo, um treinador de professores de Kundalini Yoga, quando você é capaz de contar aos seus alunos as suas mazelas, as suas crises de superação, os seus deslizes. É isso que acontece quando vocês se tornam um professor de Kundalini Yoga.

É uma benção, digamos assim, ter um caso retratado, porque alguém está fazendo o serviço por você. Está certo?

É só para contextualizar a questão do caso clínico e dizer que eu vou continuar trazendo e tratando.

Nós vamos fazer uma aula para o nervo ciático. É a clássica, só existe uma aula para o nervo ciático no Kundalini Yoga. Quero falar um pouco sobre o nervo ciático, sobre o qual a gente poderia falar horas, mas quero fazer apenas uma introdução. O nervo ciático é considerado no Kundalini Yoga o nervo da vida, mas vocês sabem qual é o nervo da alma? Professores de Kundalini Yoga, qual é o nervo da alma? [a classe fica em silêncio] Vou perguntar de novo: professores de Kundalini Yoga, qual é o nervo da alma?

Alunos: Kundalini!

GSK: O nervo da alma é o Kundalini. Este é o nervo da alma. O nervo da vida, que é o ciático, traz para a parte sacral e as pernas a base energética e neuromuscular para que o nervo da alma se manifeste. Então, pessoas que têm problema no nervo ciático têm uma grande instabilidade da região sacral. Quando você tem uma instabilidade na região sacral a sua energia do Kundalini não se movimenta. A aula de hoje cria uma base, distribui força neuro-musculares para que no final a gente tenha um portal dessa articulação livre e bem sustentado, para que a energia do sacral se libere.

O Yogi Bhajan fala que com essa aula a gente trabalha com a energia do cérebro como se a gente o manipulasse com as próprias mãos, para colocá-lo no lugar. Vocês vão reparar que as três primeiras poses trabalham no corpo radiante. Como poderia haver um nervo da alma, estimulado por um nervo da vida que não abrisse os corpos sutis? Impossível!

Vamos para a aula?

Kryia para o Nervo Ciático

Queria lembrar a vocês que messe momento psíquico que estamos passando, uma série de desmoronamentos, não se trata mais de olhar para a realidade escolhendo uma lente – e acho que esse o maior presente que o Kundalini Yoga dá para a gente. Não adianta nada olhar para a realidade escolhendo uma lente. Não adianta a gente pegar a lente do nosso filtro político, ideológico, nenhum tipo de lente adiante. Nós temos que olhar para a realidade como ela é e dela apreender que as pessoas estão em sofrimentos. Mas não apenas isso, que as pessoas estão em sofrimentos, mas que nós estamos desmoronando.

Quem não esperava isso se enganou. Muita gente esperava isso porque é aquela história que nós estudamos no Kundalini Yoga, quando nós subimos para as alturas, tem duas maneiras de nós alcançarmos a nossa expansão: ou a gente sobe em forma de balão ou a gente forma valores. E a gente vem subindo em forma de balão há muitas décadas. Então a gente vai cair e ter uma chance de recomeçar. Não é disso que eu quero falar porque vocês estão cansados de saber disso. Agora, mais do que nunca, aquela máxima: “a única liberdade que você tem é a sua liberdade de fazer determinadas escolhas diante de qualquer realidade”. É o que Viktor Frankl descreve tão bem em seu livro “Em busca do sentido”. Professores de Kundalini Yoga, vocês precisam ter um aporte, uma reflexão sobre esse momento em mãos, na ponta da língua. E esse livro ajuda vocês a fazerem essa reflexão. Pessoas em um campo de concentração, o que fez com que elas sobrevivessem? Foi a força do espírito! Onde reside a força do espírito? Será que é no templo, na sinagoga?

A força do espírito reside na soberania da nossa alma. Isso é feito com determinadas escolhas. É por isso que é importante que vocês se instruam um pouco porque o momento nosso, desse ano, vai pedir isso. Vai pedir que a gente reflita em nossas escolhas e estejamos juntos. Nós precisamos estar juntos para nos superarmos. Precisamos discutir nossas dificuldades, e nós teremos muitas dificuldades. Na região onde eu moro não deixo de dar carona um dia pra alguém que perdeu o trabalho, eu não encontro uma vizinha que não tenha fechado o escritório e voltado pra casa. A situação realmente é grave. Por isso que eu acho que a gente precisa refletir mesmo sobre os preços que a gente está cobrando. As pessoas não tem dinheiro e nós queremos continuar servindo. Foi por isso que tomamos a decisão de não aumentar o preço da aula de Kundalini Yoga. Quem está subsidiando isso? Nós! Talvez se a gente fizer um esforço e apertar um pouco nós podemos atravessar essa crise de uma maneira melhor do que se não fizermos um esforço.

As pessoas vão precisar da gente mais do que nunca. É isso também que nos fez mudar o programa do acampamento de mulheres, para baixar os custos e o preço final. Nós temos que começar a pensar nessas estratégias para servir as pessoas, para estar com as pessoas. A gente precisa sempre lembrar que a gente não pode deixar a situação nos definir. Nós que precisamos nos definir na situação. É o momento de estarmos juntos. Nossas aulas de sextas-feira vão ser muito importantes e o Gurdwara também. Estarmos juntos em escala. É o momento de termos atenção e, ao mesmo tempo, muita fé. Fé é uma coragem ativa para servir. O lado bom disso vocês sabem qual é: quando a gente atravessa uma constrição dessas nós saímos radiantes, saímos fortalecidos e com bênçãos.

Sat Nam!

May the long time sun

[Transcrição HariShabad Kaur Khalsa]

Kundalini Yoga no Supremo Tribunal Federal

por Abaky Brasília

f709e2b2153732d735bc88d116798e63 (1)

As professoras de Kundalini Yoga em Brasília

 

A noite de quarta-feira, 12 de novembro, marcou o fim de uma etapa revigorante para os 13 alunos que participaram da turma de Kundalini Yoga de 2014 no Supremo Tribunal Federal de Brasília.

“Eu achei muito bom”, diz Maria das Graças Pereira, servidora lotada na Presidência, que apostou na Kundalini Yoga como forma de aliviar o estresse do cotidiano no STF. “A nossa carga de trabalho é grande, absorvemos muitos problemas do jurisdicionado também. Então, é preciso ter alguma coisa para nos ajudar”, explica ela, que garante ter passado a dormir melhor este ano. Maria das Graças também ressalta o fato de que com a prática semanal passou a conhecer melhor colegas de outras áreas do Tribunal. E avisa: “Eu não quero parar, me fez muito bem.”

A turma de 2014 começou em 19 de fevereiro, com os alunos já inscritos na lista de espera de 2013. As aulas foram ministradas pelas professoras voluntárias Satyapal (Inez Guimarães Altafin Cavéchia) e Harsaroop (Marisa de Souza Alonso) e uma nova funcionária do Supremo já está se capacitando na Formação em Kundalini Yoga para aumentar a equipe do STF.

As aulas de Kundalini Yoga são uma ação do Programa de Qualidade de Vida no STF – Viva Bem e acontecem desde 2013. Este ano, a iniciativa ganhou destaque na imprensa, sendo citada na coluna Saber Viver, do Jornal Correio Braziliense, com o tema “Lazer Criativo”, como exemplo positivo de estímulo à qualidade de vida no trabalho.

Parabéns a vocês que compartilham estes Ensinamentos no STF.