[GSK] Sofisticando sexualidade e espiritualidade

Aula ministrada por Gurusangat Kaur Khalsa em 7 de abril de 2017

[GSK abre a aula]

O nome da aula de hoje é “Sofisticando a sua sexualidade e a sua espiritualidade”. Isso não tem nada a ver com você eliminar a sexualidade. Esse título, dado pelo Yogi Bhajan, quer dizer que toda manifestação nossa na vida, seja através da palavra, da comunicação, seja absorção através do olhar, sejam os filtros que a gente coloca para absorver a realidade, seja a nossa percepção seletiva, quando você tem isso tudo, mas é pouco requintado ou é apenas filtrado pelo seu ego. Essa manifestação nossa na vida e a absorção nossa da vida em nós diz respeito a uma energia ainda muito pouco refinada, pouco sofisticada da sexualidade.

A energia sexual é uma matéria, uma força pouco lapidada. Quando nós requintamos essa energia dita sexual, e fazemos dela algo sofisticado para absorver o mundo e nos manifestarmos no mundo, essa energia se transformou, de uma pedra bruta, apenas destinada à reprodução, para uma qualidade dessa energia muito sofisticada, que é a espiritualidade. Não tem a ver com eu conter minha energia sexual, e eu experimentar apenas essa energia do ponto de vista espiritual. Isso não tem sentido, não se pode explicar isso. Como você explica o ser humano que é capaz de fazer sexo de modo absolutamente requintado, sofisticado. A energia sexual está lá, só que ela foi transmutada, deixou de ter uma qualidade bruta para ganhar uma qualidade sofisticada. Essa sofisticação tem a ver com a maneira que você põe o mundo para dentro e como você projeta você mesmo no mundo. Não é abstrair, mas absorver.

Se você estiver vibrando muito numa energia pouco sofisticada, como é que você vai colocar o mundo para dentro? Você vai tirar das experiências que você tiver no mundo aquelas que respondem às suas necessidades. E no Kundalini Yoga, a nossa missão é sair desse humanismo dos anos 1960 e 1970, em que se dizia que a coisa mais sagrada é o ego, e a coisa mais importante é acabar com o altruísmo, porque ele é a negação da felicidade de si próprio. Nietzsche falou disso. Quando uma cultura está morrendo, alguns, na agonia dela, tentam exacerbar, tentam reacender o vigor daquilo, mas já está acabando.  Quando a nossa percepção é tal que a gente só tira, só seleciona do meio aquilo que serve a nós, nós estamos vibrando numa energia pouco refinada, pouco sofisticada da realidade. A gente gostaria de transitar por esse lugar para vocês compartilharem com seus alunos que a felicidade humana, a liberdade humana está justamente em nós sustentarmos os valores coletivos, é servir ao outro. Nesse sentido, Kundalini Yoga é totalmente anti-humanista. Por favor, entendam o que eu estou falando. Não é acabar com a humanidade. O ápice dos  valores humanistas é o ser humano, de tal modo que é o ser humano para si, e nunca para o outro. Eu trouxe uma frase que é para vocês entenderem o que eu estou falando. A filósofa norte-americana Ayn Rand diz: “Considero o altruísmo maléfico. O homem deve pensar apenas por si próprio e para si próprio. O altruísmo é imoral porque manda amar todo mundo sem discriminação. Devemos amar apenas aqueles que merecem”. Isso se assenta numa moral religiosa muito fortemente. Quem determina quem merece?

Nós do yoga queremos fazer o trabalho que é justamente o contrário. Queremos amar especialmente aqueles que não merecem. E esse modelo de amar só quem merece vigora na psicanálise, nas políticas, na ideologia, em todos os tecidos sociais. Por isso que nós somos muito esquisitos, porque falamos contra isso, usamos turbante, andamos de bana. Mas nós somos a esperança da Era de Aquário. A gente precisa fazer uma revolução. Vocês precisam estar preparados. E essa aula é para inspirar vocês a terem conexão e não olharem o mundo a partir dos seus filtros pueris, infantis, pequeno-burgueses: minha casinha, meu carrinho, minha escolinha, meu filhinho, minha mamãezinha, meu paizinho, meu namoradinho. A gente precisa olhar para o mundo e ver o mundo, estar no mundo, senão vamos ter mortes agonizantes demais. É isso que nós temos de fazer. Essa que é a esperança. Por isso que eu me coloco aqui para vocês, nessa falação. É para ver se, pelo menos quando a gente se encontra na sexta-feira, a gente reordena nossos valores e vai para o mundo tendo mais compaixão. Agora, por favor, vocês não podem selecionar por quem vocês vão ter compaixão, e muitas vezes a experiência de vocês vai levar para o seu quintal o mais abjeto. E aí o que vocês vão fazer com o abjeto? Chutar? O teste é como amar o abjeto, que não tem separação. Eu quero pedir a vocês professores, que estão ficando muito famosos, vocês têm mil alunos, vocês dão mil cursos, falam em todo lugar… Vocês precisam se lembrar que vocês são os professores, vocês não são donos de ninguém. Vocês precisam dar o exemplo, vocês precisam servir, vocês precisam se colocar na base disso tudo. Por isso que a gente precisa de um lugar para render a cabeça. Vocês não são donos de ninguém. O máximo que vocês podem fazer é colocar as coisas corretas à disposição, e a pessoa ainda assim tem de escolher. Isso também é uma forma de amor. Especialmente quando a pessoa escolhe aquilo que você não considera o que deveria ser.

Aula passada eu estava falando para vocês sobre as altas taxas de suicídioa. Nós estamos diante de uma situação em que a densidade é quase tangível e vocês são o farol, vocês precisam se manifestar na vida como o farol, vocês precisam estar disponíveis para se colocar fortemente. Vocês entendem que você tem de fazer a sua parte bem feita, mas a decisão soberana ainda é do outro e você só pode rezar, que é o que a gente vai fazer, rezar. Vocês não são a bússola das pessoas, vocês não vão pegar essa pessoa, rodar e fala para ela: vai por aqui. Vocês não vão fazer isso. Vocês são apenas aqueles que servem à navegação daquela pessoa. Suicídio é um caso extremo, mas vocês viram bússola das pessoas por causas muito pequenas. Todo tipo de assédio é você virar bússola da pessoa. É quando você pega aquela pessoa e fala: “não olha para aquilo não, olha para mim”: assédio! Ainda mais um assédio vindo revestido da moral pseudocristã: “eu sou a sua salvação, eu sou o caminho e a luz”. “Eu, vem pra mim”. Não podemos fazer isso, não podemos fazer com que as pessoas façam aquilo que a gente quer que elas façam, porque não temos a menor noção do que elas precisam. Do extremo da pessoa precisar ter um probleminha ao extremo da pessoa precisar acabar com a própria vida para ela talvez experimentar esse inferno. O pior professor de Kundalini Yoga é aquele que se veste com aquele manto santo e apodrecido do “eu sou a sua salvação”, querendo apenas ter um interesse. Gancho em todo mundo, como disse o Yogi Bhajan, no curso de Comunicação Consciente. Muitas vezes nossa posição vai ser dura e árida porque muitas pessoas procuram a gente querendo ouvir: “eu sou a sua luz”. Se vocês não estiverem fortes em si, vocês vão caminhar para aquilo que estão te oferecendo e aí você se engancha.

Kriya: “Sofisticando a sua sexualidade e a sua espiritualidade”, do manual Self Knowledge

Meditação: “Removendo medo do futuro”, do manual Self Knowledge

Se vocês tiverem pessoas em grande desespero ou partido através de suicídio, o mantra Dhan Dhan é o mais indicado. Vocês podem entoar ou colocar para tocar. A única coisa que me fez de novo a voltar para o meu centro depois de tudo que eu vivi foi uma prática que eu fiz de 62 minutos com esse mantra. Eu quero dizer para vocês que no curso do Japji que vamos ter em junho, nós vamos poder falar das yugas, porque tem uma era em que o ego foi para o altar, que é a Kali Yuga. Nós já saímos da Kali Yuga. Nós vamos estudar isso com o Guru Nanak. Mas vocês sabem que quando a gente transita de um estado onde essa cultura amadureceu por quase cinco mil anos – é muito tempo, que nós tivemos sob a influência dessa cultura – é muito comum ainda entrarmos uma nova cultura trazendo todas as maledicências da anterior. Nessa nova sociedade que a gente está para criar, nesses novos tempos, se a gente se basear apenas nos desejos do nosso ego, nós jamais vamos criar uma civilização com cidadãos, a gente vai sempre criar consumidores.

A gente tem de colocar a alma como referência. Vocês contemplem essa possibilidade de colocarem em prática na vida de vocês para não ficarem muito tempo fingindo, só dando aula. Ponham isso em prática para vocês acelerarem essa mudança. Ninguém se realiza no ego. A gente só se realiza na alma. E a cultura leva a gente a pensar assim. Existe um artigo científico na internet muito bom que se chama “O cérebro de um suicida”. Está em inglês. São estudos do Canadá que mostram que o que sai do cérebro do suicida é uma neurossubstância chamada Gaba, e a gente produz demais, nosso cérebro é cheio de Gaba. E essa substância é que tira a gente da depressão quando o meio é muito inóspito. E no cérebro do suicida não tem Gaba, e a falta de produção dela é epigenético, ou seja, não é determinado no gene, é determinado pelo meio. E normalmente isso vem da mãe, dos anos formativos. Quando você já recebeu da mãe, na sua amamentação, “ai, o que é que eu estou fazendo no mundo…” e você ainda você está em uma cultura que só enaltece sua realização pessoal e ter sucesso, isso é potencializado. É isso que nós temos de reverter. Enquanto houver um ser em sofrimento, nós não temos sucesso, não é possível eu ter sucesso. É isso que a gente tem de reverter e trabalhar para que seja mudado.

O Brasil nas estatísticas está competindo no quinto lugar como país mais depressivo. Existe uma forte onda depressiva. Quem acha que está fazendo um grande bem em fazer o movimento para acirrar ainda mais essas divisões precisa sair desse lugar e compreender o macro, porque nós vamos embora, estamos morrendo. Talvez esteja chegando o momento de a gente compreender muitas coisas. Sábado faremos um pequeno Gurdwara para criar esse contraponto. A gente está querendo criar entre ao Gurdwaras mensais um pequeno Gurdwara para fazer o contraponto, porque a frequência está muito ruim e pesada. Para ajudar nesse contraponto, os católicos têm a oração de São Francisco que abre o campo de prana para o coletivo, e tira a gente do medo da morte e do medo da perda. Vocês do Kundalini Yoga podem entoar o Dhan Dhan, que é excelente. Abre o espaço, ele traz muita compaixão e esperança. O suicídio nunca é um passo necessário para o desenvolvimento da alma. Se acontecer é o famoso escorregão. A gente tem de tentar tirar da pessoa a ideia do suicídio. Só lembra que ninguém retira uma pessoa suicida do processo só rezando e dando floral de Bach. É necessário um psiquiatra. Homeopatia tem limites, a medicina ayurvédica tem limites. Tem um limite, um ato que você não vai poder impedir, mas o que a gente puder trabalhar para restaurar a saúde, a gente deveria fazer, mas nem sempre é possível. O prana que foi dado para a gente é para cumprir nosso propósito. E se a gente vai antes, tira a vida antes, não cumprimos o propósito e ainda ganhamos outro, que é ter que pagar por essa consequência. Então, tudo é ótimo, inclusive aquilo que vocês acreditam que não seja ótimo, como, por exemplo, medicação. Tem caso que necessitam de medicação.

May the long time sun shine upon you…

[Transcrição Sada Ram Kaur]

Curso Japji, com Gurusangat Kaur Khalsa

O Japji é a base da Sadhana Aquariana e é considerado uma grande obra poética e filosófica escrita por Guru Nanak. O Naad do Japji impacta profundamente a consciência.

Neste curso, estudaremos cada um dos Pauris do Japji e descobriremos os mapas dos cinco reinos (Khands) abertos `a experiência humana. Teremos uma experiência de Jaap Yoga, que consiste em seis horas contínuas de meditação, bem como toda a estrutura teórica.

O Japji é destinado a pessoas comuns obterem conhecimento espiritual não pelo caminho do yoga, mas pelo caminho do Shabad Guru (Som Primal).

Inscrições através da secretaria da ABAKY: secretaria@abaky.org.br ou pelo telefone: (31) 3090-5508 – de segunda a sexta, das 9 `as 13hrs.

Dias: 10 e 11 de Junho

Local: ABAKY – Rua Yvon Magalhães Pinto, 511 – São Bento – BH/MG

Valor: R$ 230,00 (divididos em até 3x – parcelas quitadas até o dia do curso).

Banco Santander (033)
Titular: ABAKY
CNPJ: 07.129.055/0001-45
Ag. 3477
C/c 130 005 57-6
**Enviar comprovante de depósito, nome completo e telefone para secretaria@abaky.org.br

 

[GSK] Curando o estômago e projetando a identidade

Aula ministrada por Gurusangat Kaur Khalsa em 31 de março de 2017

[GSK abre a aula]

Hoje nós vamos fazer uma aula que está no manual “Self Knowledge”, a aula é de número 21. O nome dela é “Curando o estômago”. Em toda ciência médica indiana, não só no yoga, mas também na medicina ayurvédica, o estômago e o cérebro são parentes íntimos. O estômago e parte inicial do intestino contêm praticamente todas as neurossubstâncias que a gente achava que só o cérebro tivesse. E o cérebro tem muitas substâncias que a gente imaginava que só o estômago tinha. Eles têm uma relação muito próxima e muito íntima. E todas as vezes no Kundalini yoga que a gente trabalha o estômago, ou quando vocês do Sat Nam Rasayan ou da área clínica estiverem com algum paciente cujo tema é o aparelho digestivo, vocês podem escolher trabalhar a distância o aparelho digestivo, trabalhando o cérebro ou o sistema nervoso central. Então esse é o tema da nossa aula aqui.

Essa aula toda é para aumentar o corpo radiante com asanas que vão gerar um tipo de efeito sobre o aparelho digestivo. E o tema do aparelho digestivo é a projeção da identidade. Na Era de Peixes, a projeção da identidade, imaginava-se que trabalhando o terceiro chakra, você estaria trabalhando a sua projeção. E essa é uma abordagem muito equivocada, porque ela faz uso de um impulso que vem do ego. Imaginem que vocês são um homem que, de acordo com os ciclos de vida, vai envelhecendo e, quando entra na andropausa, um dos mecanismos mais comuns que usa para compensação de estar perdendo vigor sexual, é buscar um estímulo sexual, especialmente mulheres jovens. Isso é um clássico. E esse clássico se baseia no engano de achar que a força da identidade, que vem do terceiro chakra associado à sua força de projeção mental, pode fazer com que você restaure a sua identidade espiritual. Isso não vai acontecer. A projeção mental desse homem é que toda mulher nova e jovem vai ser um estímulo para que ele possa superar a depressão hormonal. Então ele projeta mentalmente que aquilo que ele precisa é uma mulher jovem, ele pode projetar qualquer coisa, inclusive qualquer mulher, só para ele não estar sozinho. E uma mulher pode fazer a mesma coisa, ela pode projetar estar na presença de qualquer homem ou de qualquer outra pessoa, imaginando que aquela pessoa é que vai dar a ela a segurança e as condições necessárias para voltar a ser ela, baseada apenas no impulso que vem do plexo.

Isso causa um embrutecimento da pessoa e uma imaturidade espiritual muito grande, porque tudo que a pessoa consegue projetar é que precisa de algo ou de alguém para ser ela mesma e estar bem. Essa é a combinação da força do plexo e a projeção do ego. Vocês podem imaginar a energia que esse indivíduo, homem ou mulher, gasta para criar as condições ideais para mapear o meio e enganchar a pessoa. No momento em que engancha a pessoa que ela considera ideal, começam os jogos: o que eu vou te dar para você ser minha, ou o que eu vou te dar para você ser meu. Isso pode ser feito da maneira mais impressionantemente criativa, inclusive dando um ar de muita legitimidade para esse jogo. Vocês devem ter muitos alunos nessa condição. O mapa dessa condição é uma forte projeção mental, uma forte crença naquilo que está fazendo com uma forte atividade do sistema digestivo ou do terceiro chakra. Isso é que alimenta a projeção mental, porque estômago e cérebro são uma coisa só. Então a pessoa gasta toda sua energia. Se ele não alcança o objetivo dela, ela frustra. Ela deprime. Existem vários graus de depressão, mas é uma depressão. Até a pessoa entrar novamente no programa de autoconvencimento de que a chance apareceu novamente, e recomeça o ciclo de buscar outro alvo.

Isso é um esquema que um professor de Kundalini Yoga precisa conhecer profundamente: uma associação de sistema nervoso, sistema digestivo e projeção mental, e uma forte crença de que aquela pessoa pode dar aquilo que ele precisa, e vice-versa. Isso é tudo estabelecido pela pessoa, inclusive o que o outro está precisando. A única coisa que essa pessoa poderia realmente ter certeza é que ela está só e está precisando de alguma coisa, mais nada, mas ela crê e deduz no outro o que o outro está precisando. Isso nós temos que mudar. Isso é extremamente pisciano. Nós estamos vivendo hoje sob a influência da Era de Aquário, em que nós não nos relacionamos pela escassez. Então a gente não se relaciona porque em mim falta alguma coisa, em você falta alguma coisa, assim eu tenho o que você precisa e você tem o que eu preciso. Esse modelo de relação é pisciano. Isso não funciona na Era de Aquário. Então quando nossa psique se movimenta de modo pisciano na Era de Aquário, nós vamos adoecer gravemente. O primeiro adoecimento é uma perturbação mental, antes de chegar numa perturbação física. Vocês precisam compreender isso primeiramente em vocês porque alguns de vocês vivem isso ainda.

No outro modelo as engrenagens mudam. No outro modelo, a projeção mental está presente, o plexo solar está presente, porque ele é nossa identidade, mas há outros componentes presentes. Então um componente essencial da abordagem aquariana do relacionamento não vem do terceiro chakra, vem do coração. Não tem nada a ver com romance, aquele “eu te amo tanto, eu preciso de você”. É a inteligência que vem do coração, aquela que faz escolhas da alma. Tem a projeção, que é uma identidade mapeada pela compaixão, pela consciência. E no relacionamento, eu me projeto como aquele que não precisa de nada, que está dando. E no momento em que eu estou dando, se o outro quiser me dar, ótimo, se não quiser, paciência. Desobriga o outro de me servir. Isso é um crescimento, um amadurecimento. O outro não tem obrigação de te servir. Vocês compreendem esse mecanismo? É ele que vamos ajustar hoje. Vocês vão experimentar essas vias superiores. Esse processamento é chamado de processamento superior. Eu fui ler a psicologia para entender o que os psicólogos estudam sobre isso. Eu vi nos livros de psicologia, em artigos novos, que esse mecanismo de fazer escolhas conscientes, eles chamam de extrínseco. E o mecanismo de fazer escolhas subconsciente, eles chamam de intrínseco, ou seja, como se fosse natural a escolha do subconsciente, que é essa de fisgar do meio. No yoga, os dois mecanismos são intrínsecos, o de escolha subconsciente é mais automático porque passamos 95% no mundo subconsciente. O outro é intrínseco também, só que ele não é automático. É preciso que as vias neurais sejam desenvolvidas para ele ser acionado. Nós, como professores de Kundalini Yoga, temos muito que estudar, pois nossa ciência é muito ampla e vocês precisam se qualificar para não ficar repetindo abobrinha de banquinha de esquina.

Kriya Curando o estômago, manual Self Knowledge

Meditação: Em vajra, as mãos estão sobre as coxas, coluna ereta, queixo em jhalandabhanda. Incline a coluna ereta para trás, queixo em jhalandabandha. Permaneça 1 minuto na pose, controle o plexo para você ficar nessa pose. Retorne à posição inicial, coluna ereta, queixo em jhalandabhanda. Incline novamente para trás. Respire com consciência pelo plexo. Mantenha o plexo firme e ativo para manter a coluna ereta. A cabeça não cai para trás. Permaneça por 2 minutos. Inspire, expire e venha retornando para o centro. Quem consegue, continue em vajra. Aqueles que precisam, sentem em easy pose, vocês vão perder parte da pose, mas podem assentar. Mãos no peito, mão esquerda sobre o peito, mão direita sobre a esquerda. Vocês vão entrar no estado de Suni-e por três minutos e depois vão entoar juntos esse shabad. (Waheguru Simran, por Bhai Harinder Singh). Inspire, suave mulabhanda. Expire. Deite para o relaxamento.

[Encerramento]

Eu quero compartilhar uma coisa porque que sei que vocês formam e nunca mais voltam no livro um de vocês. A gente falou sobre as Eras de Aquário e de Peixes. Outro dia, o Siri Sahib estava apresentando o programa do nível 1 para a turma que começou agora. Eu fiquei impressionada com o que o Yogi Bhajan escreveu no primeiro capítulo do livro, no final dos anos 1970. É bom colocar isso em perspectiva para vocês terem uma noção do que ele falava, e hoje a gente pode computar muito bem. Está lá na página 4 do seu manual:

“Na última era, nós podíamos nos safar de muitos comportamentos fraudulentos, que poluem a esperança do outro e a natureza. As pessoas podiam se safar disso. Agora, a partir da entrada da Era de Aquário, isso vai se tornar impossível. No passado, a pessoa podia se embelezar ou embelezar uma persona, ou usar uma máscara e se mostrar ao mundo e ser conhecido no mundo através dessa máscara. Na Era de Aquário, qualquer tipo de persona estará sob auditoria. Não existe nem uma única persona que não estará sob auditoria. Cada ação que qualquer uma dessas pessoas fizer poderá ser rastreada e toda aquela aparência poderá ser dissolvida em questão de instantes. Cada transação financeira, cada negócio feito com base em dinheiro vai deixar para trás não só a marca dessa transação, mas também o caráter que esteve por trás dela. As pessoas serão conhecidas através desse tipo de ação. Na Era de Aquário, a persona que esteve em auditoria antes ou aquelas que observaram a auditoria do outro terão como chance abrir mão dessas personas e entrar no mundo aquariano com a sua verdadeira identidade, e a ação vai ser a linguagem do verdadeiro ser. Todo tipo de antigas defesas e manipulações baseadas em esconder e controlar serão deflagradas, trazidas à tona, clareadas na Era de Aquário. Você vai precisar muito compreender a capacidade de suas ações, as consequências delas, e agir sabendo que você vai ser revelado através das suas ações.”

Eu acho isso muito impressionante. E na página sete, ele fala algo importantíssimo para a gente considerar. Então compreenderam isso da persona, do ser autêntico e da auditoria? Não é porque a gente tem uma cara de professor de Kundalini Yoga que a gente estará livre dessa auditoria. A gente não está livre. Ela vai acontecer. Na página sete, no último parágrafo, ele fala: “A Era de Peixes foi a Era mais horrorosa que já tivemos. Ela foi uma Era em que o feminino foi arrancado de suas raízes e explorado pelo desejo do homem. A relação masculino e feminino não tinha nenhum tipo de força e caráter. Ela só existia sem nenhum tipo de gosto especial. As mulheres na Era de Peixes deram à luz criaturas, homens mais cheios de medo e inseguros, impotentes e supercondicionados por sexo. A desordem sexual foi pior na Era de Peixes do que nos últimos três mil anos. No último século, ela se fez ainda mais presente. Os hábitos sexuais mostravam o quanto o homem era raso e sem honra. E a mulher mostrou-se submissa e indulgente, tentando se fazer segura na presença de um homem sem caráter”. Essa relação precisa ser transformada, a mulher precisa se reerguer.

Eu acho que vocês deveriam ler o primeiro capítulo do livro de vocês, refrescar a memória e levar isso para seus alunos em sala de aula, sem um cunho ideológico, porque a auditoria vai acontecer em todos os meios e ramos. Tem um ano que estou dizendo que vai haver um processo profundo de limpeza. A gente não vai impedir esse processo tentando sair do desconforto imediatamente. O desconforto vai perdurar e nós temos de resistir, porque nesse desconforto reside a tal limpeza e nessa limpeza reside a esperança. Se não houver a limpeza não há esperança. O Yogi Bhajan falou sobre isso nos anos 1970, lembrem-se disso. Quando eu comecei a dar aula de Kundalini Yoga em 1995, era muito difícil falar sobre isso, porque nada disso acontecia. Era uma conversa muito teórica, era mais um preparo para aquilo que viria. Quando entrou o ano 2000, era quase impossível porque nós brasileiros achávamos que o mundo passaria por uma auditoria, mas nós não, que nós já tínhamos feito e que a nossa auditoria tinha sido a ditadura militar – tudo que a gente tinha que sofrer e expurgar, já tinha acontecido na ditadura militar. Ledo engano, a gente tem muita coisa ainda para expurgar.

Esse mecanismo “eu tenho o que você precisa e você tem o que eu preciso, vamos fazer um gancho para a gente se precisar” é o modelo que perpassa tanto a política quanto as relações humanas. É isso que precisa acabar, jogar fora. É muito incrível fazer parte desta tradição, em que o pé é tão inserido na realidade e prepara a gente tanto para ser realmente um instrumento de transformação, se é que vocês aceitam humildemente tomar a posição de um ator muito efetivo, porque tudo que a gente vai precisar fazer agora é manter a base para que as pessoas não sucumbam. Elas estão desesperadas, elas estão sofrendo. Hoje vou me encontrar com uma professora de Kundalini Yoga, uma psiquiatra que coordena uma ONG no Parque das Mangabeiras e atende aos moradores do aglomerado da Serra. Ela quer conversar comigo a respeito das pessoas que estão suicidando no aglomerado. Os pacientes psiquiátricos são mais sensíveis e o suicídio aumentou demais, então nós temos de fazer o nosso papel. Ter uma conversa que ajude as pessoas a se manterem, a transitarem nessa auditoria, porque ela é difícil, longa e aparentemente a gente perde muita coisa, e não sabemos o que vamos ganhar, mas ganhamos a chance de recomeçar com outras bases. A gente não pode ter pressa para construir o modelo que a gente acha que deve ser construído, porque a gente não tem menor ideia. A gente pode ser muito bem surpreendido com uma coisa infinitamente melhor e maior que a gente imagina que seja o bom. Esse é o papel do professor de Kundalini Yoga nesse momento. Explique essa aula para os seus alunos. Faça-os entender que nem tudo vem da projeção do ego com a força do plexo, tirá-los da depressão e fazê-los entrar na radiância do Guru, desse Professor Universal.

May the long time sun shine upon…

[Transcrição: Sada Ram Kaur]

[GSK] Coordenando corpo, mente e alma

Aula ministrada por Gurusangat Kaur Khalsa em 24 de março de 2017

[GSK abre a aula]

A aula de hoje chama-se Coordenando corpo, mente e alma. Esse tema é obvio e, por si, não fala mais nada do que ele já fala. Mas ele revela. Quando você se ajusta nessa tríade, pode dar entrada a várias conversas. E a conversa que eu quero ter hoje com vocês é sobre Shakti Path. Eu não sou a professora de vocês que vou ensinar como meditar profundamente em uma técnica, ou criar necessariamente um espaço muito estável para vocês terem uma experiência profunda de meditação, num determinado momento. Eu não sou a professora que estarei aqui para dar a vocês um kriya e dizer que é para você fazer por três anos, na sua Sadhana, porque você está precisando de transformar isso ou aquilo. Tampouco vou ser a professora que vai, por receio de confrontar, me calar em determinas situações. Então eu escolhi, ou o destino me escolheu para ser uma professora que vai cuidar da jornada inteira de vocês. Eventualmente vocês vão precisar de uma meditação, eventualmente vocês vão precisar de um kriya que eu possa dar, eventualmente vocês vão precisar de uma conversa. Mas eu não vou me preocupar, não me atento apenas em cobrir uma área particular de vocês para que vocês se sintam em vocês satisfeitos. Eu vou sempre cuidar para que vocês organizados, satisfeitos ou não, continuem servindo o destino de vocês. Tem uma diferença bem grande. Isso no Kundalini Yoga chama-se o Professor Espiritual. É aquela pessoa que está entregue a um projeto que vai muito além do eu de si e do eu do outro. Vai numa construção de almas. É isso que vocês acabam se tornando para os seus alunos, quando vocês conseguem passar por Shakti Path.

No Kundalini Yoga, a gente tem um leque. Se a gente for para uma imersão profunda no Kundalini Yoga, nós temos os Kryias, que são reveladores demais. Quem de vocês já teve a chance de pegar um Kryia e fazê-lo por 90 dias sabe o poder dele. Mas se vocês querem, por exemplo, fazer um Jap Yoga, um Naad Yoga, vocês vão recitar, vocês vão pegar um bani, um shabad, um mantra e experimentar aquele mantra por 90 dias. Vocês conhecem essa experiência. Mas se vocês quiserem meditar, nós temos um braço do Kundalini Yoga, que é o Satnam Rasayan, que é impressionante e dá a vocês uma experiência profunda do espaço meditativo. E o mais bonito de tudo é que essa experiência do espaço meditativo que o Satnam Rasayan dá não é para você se servir. É para servir ao outro. Então, para quem não achou seu espaço em nenhum desses ramos e uma vez por mês que aparece aqui no Gurdwara senta e medita, transcendeu, fez o serviço, ou aqueles ainda que fizeram tudo isso apenas para servir. Tá certo também.

Não existe um modelo de um yogi, não existe um modelo ideal. Quando a gente escolhe qualquer um desses modelos isolados ou combinados e caminha, há no início um grande progresso. Vocês sabem do que eu estou falando. Há muito progresso. Mas depois o progresso para, você se sente estagnado. Quando essa estagnação acontece, há duas maneiras de reagir, se o ego preside, vai ser de uma maneira, se o ego não preside, vai ser de outra. Quando a gente passa pela estagnação, que é própria de qualquer caminho, através da força do ego, você se rebela contra o seu professor espiritual ou contra o caminho. Mas você não se rebela saindo de uma meditação e falando: agora eu não quero mais saber! A vida vai sempre dar oportunidade entre você e o caminho, entre você e o professor para que essa relação seja testada, sempre. E as oportunidades são espinhosas, quando parece que tudo justifica você dizer “chega!”. São os testes de Shakti Path.

Mas se o ego não está presidindo, então você está caminhando com a sua mente, mas ela está insegura e não sabe se dá razão para o ego ou para a alma. Será que eu escuto meu ego? Será que eu escuto a minha alma? A gente nem tem clareza de que essa dualidade está acontecendo, mas o ego não está presidindo e você caminha por esse lado, a reação é você sentir que você precisa ser preenchido. O vazio é próprio da dualidade. Esses são os testes de Shakti Path, para todo mundo acontece assim. Para mim aconteceu desta maneira: eu me rebelei contra o meu professor, contra o Yogi Bhajan. Mas eu sempre tive uma maneira muito honrosa de me rebelar. E muito respeitosa, porque no fundo eu tinha certeza de que era eu que não estava compreendendo. Essa consciência me fez compreender que eu devia insistir. Então vocês precisam ter atenção a esse momento de vocês. Porque se vocês passarem por esse teste, e ele, no período mais longo, dura sete anos. No mais longo, você pode encurtar isso. Se você passa, você estava sendo preparado em suas estruturas. É uma pausa de crescimento que todo ser humano tem. Uma criança tem pausa de crescimento, a psique tem pausa de crescimento, o adulto tem pausa de crescimento e a nossa identidade espiritual também. Então você passa por uma pausa de crescimento, em que você processa aquilo que já foi adquirido, e depois desse processamento, você precisa ganhar força para dar um outro salto. Quando vocês derem esse outro salto, vocês vão entrar em Sahej, que é quando vocês vão servir os seus alunos numa perspectiva muito natural, muito tranquila, onde vocês não têm dúvida de compartilhar o que o aluno precisa. Muitos de nós buscamos preencher para servir, mas observe. Se você estiver em Shakti Path, o preencher não é necessário porque você precisa permitir esse espaço para que outras coisas possam ser colocadas quando você caminhar para Sahej. Se você chega com um pouco de água no copo, acha que ele está vazio e você o preenche, na verdade, você ocupa um espaço que o divino iria te preencher talvez não com água, mas com outra substância para que você pudesse misturar a sua água e servir de alguma maneira, entende? Você se sente vazio e preenche. Você está aflito, você não permite uma pausa nesse nada. Qual o problema de você ficar bem, se sentido mal? Porque vocês só têm de ficar bem se sentido bem o tempo todo, isso não é normal. A história é quando a gente estiver mal é a gente se sentir tranquilo porque aquilo é o espaço de processamento. Claro que existem adoecimentos nesse luta, mas não estamos falando deles. Estamos falando de quando você se rebela contra o caminho, o professor ou o tédio, e você quer se preencher. Essa aula é para isso.

Eu terminei a leitura de um livro ontem sobre a vida do Guru Nanak escrito por um muçulmano do Paquistão. Eu fiquei encantada porque queria olhar para o Guru Nanak a partir dos olhos de um muçulmano. Mas os olhos muçulmanos só querem absorver do Guru Nanak o que ele foi para os Sufis. Eles têm grande resistência de absorver o Guru Nanak no que ele foi, por exemplo, para os Khalsas. Então todo tempo o autor faz uma crítica aos demais Gurus, e deixa Guru Nanak fora da crítica. Mas tem um relato que a gente só fica sabendo pelos olhos de um muçulmano. Nas suas viagens pelo vale do Hindus, depois de treze anos que o Guru Nanak está fora de casa, morrendo de saudade da mãe e da mulher, ele dá uma piradinha. Ele sente tanto tédio, que o tocador de rababa que o acompanha fala assim: “em algumas noites, o meu mestre está completamente doido. Eu finjo que estou dormindo e ele olha para o céu e conversa com Kabir e um outro santo sufis muçulmanos como se eles estivessem presentes.” É claro que o Guru Nanak tem um surto, e o surto é de tédio. Vocês podem imaginar 13 anos andando, conversando, sendo mal tratado. E um dos poemas que o Guru Nanak escreve é assim: “eu posso estar sentindo tédio, mas é porque eu não posso alcançar a luz, que ainda reside em mim e foi dada por ti. Por que você não me ajuda a alcançar essa luz, ao invés de me prender no sentimento de que eu fiz tudo isso em vão?” É o sentimento que a gente tem. Então a aula é para a gente trazer essa compreensão para nós. Quando eu comecei a dar aula de Kundalini Yoga, no meu sexto ano talvez, me deu um desespero. Eu pensei que nunca mais sairia disso, que eu estava presa, que nunca mais eu poderia fazer outra coisa, eu preferia morrer. É quando, então, você contém numa sadhana a sua mente negativa para ser feliz.

Kriya: “Coordenando corpo, mente e alma”, do manual Self Knowledge, página 10.

Sempre quando dou nível 1, me maravilho com a quantidade de coisas que eu tomo contato e não sabia. Por exemplo, preparando Mente e Meditação recentemente, eu descobri um material do Yogi Bhajan que sempre esteve no meio da pilha de coisas que tenho dele, se não me engano está num manual de nível dois, em que ele fala sobre o Magic Mantra. “Ek Ong Kar, Sat Gur Prasad, Sat Gur Prasad, Ek Ong Kar.” De tudo que ele fala, fiquei impressionada quando ele diz que nenhum mantra tem o poder de retaliar a gente. Todos os outros mantras, se você entoa mal, ou com a pronúncia do Gurumuki errada, ou sem reverência, nada vai acontecer. Se você entoa bem, você vai obter benefícios, se você entoa mal, não vai acontecer nada, exceto o Magic Mantra. Eu fiquei muito surpresa com isso, achei muito bom de ter tido a chance de conhecer isso. Por isso, ele recomenda que, antes de entoar esse mantra, a gente faça uma pequena oração. E a que ele recomenda é o Mool Mantra. O Magic Mantra tem a capacidade de desbloquear a gente de processos neuróticos. Muitas vezes a própria mente criou esses processos e acaba caindo nele.

Meditação: Mahan Gyan

May the long time sun shine upon…

[Transcrição: Sada Ram Kaur]

[GSK] A defesa sutil nos nadis

Aula ministrada por Gurusangat Kaur Khalsa em 10 de março de 2017 

[GSK abre a aula]

Essa turma de sexta feira é de professores. A Lídia está fazendo o curso de formação, começou recentemente, semana passada, bem-vinda. Você vai estranhar um pouco porque é uma aula em que eu falo um pouco mais do que deveríamos falar em sala de aula. A gente também treina os professores para o trabalho.

Hoje nós vamos trabalhar os nossos meridianos. Meridiano é uma terminologia chinesa, a gente fala a palavra meridiano porque foi incorporada ao Português através da medicina chinesa. Nós do Kundalini Yoga, ao invés da palavra meridianos usamos a palavra nadis. São canais sutis por onde o naad passa, o som primal passa. Os meridianos ou nadis têm uma correspondência com o sistema linfático, onde tem linfa tem o sistema de nadis. Então é uma rede muito grande. Eu acho que meridianos está muito mais no inconsciente coletivo do que nadis, quando eu falo meridianos, vocês logo compreendem, imediatamente vocês imaginam o corpo em rede.

Por que o corpo teria além dos sistemas linfático, nervoso e vascular, uma rede de meridiano? Lembrem que vocês têm que fazer sentido. Não tem nada a ver com o sistema linfático. Os nadis carregam o naad, carregam uma frequência. Alguém suspeita por que tem a ver com a parte energética? São ondas, frequências, mas por que temos uma rede tão dispersa, tão grande, que acompanha muito o sistema linfático? Ele está no nosso corpo para limpar aquilo que o sangue não consegue limpar, isso a gente sabe da medicina. Então o sangue chega de um jeito e sai de outro, limpa muita coisa, o sistema linfático está onde o sangue não consegue limpar, ele é um sistema de defesa. O sistema linfático faz a defesa do nosso sistema imunológico. E a nossa rede de nadis defende a gente onde o sistema linfático não consegue defender. O sistema de nadis faz a defesa dos nossos corpos sutis. Ele se responsabiliza por tratar a nossa defesa mais sutil. Qual corpo é responsável pelas defesas mais sutis? O corpo radiante, áurico, sutil, campo eletromagnético e o prânico. Sendo que o corpo prânico é o primeiro que barra o adoecimento e é o primeiro a precisar da defesa que vem dos nadis. Por isso que a gente usa tanto pranayama para estimular os nadis, porque são eles que são responsáveis pela defesa do corpo prânico.

Toda defesa promovida pelos nadis, ou seja, dos corpos sutis, é eliminada quando nós seres humanos estamos na condição de existir apenas em uma metade. A existência de uma metade vem do romantismo. O romantismo não é eu me apaixonar, mas é filosófico que assolou a gente depois do Iluminismo, no século XVIII. O romantismo diz que quando eu encontro com uma outra pessoa, eu encontro com a minha metade, a minha cara-metade. Essa ideia de que só quando estou com minha cara metade eu estou completo é que arrasa com nosso sistema de defesa, porque quando eu estou me sentido metade, esperando que a outra metade me complete, não estou inteiro e quando não estamos inteiros psiquicamente os nossos nadis estão totalmente subutilizados.

A primeira coisa que a gente faz no Kundalini Yoga é acabar com essa premissa de que sou metade para encontrar com outra metade. Eu sou um inteiro para encontrar com outro inteiro. A aula de hoje vocês vão fazer como se vocês fossem inteiros, encontrando com outros inteiros. Essa é a base da chave geral do sistema de meridianos. É uma concepção, uma clareza do modo de existir. Mesmo quando nós estivermos na pior, nós somos na pior, mas inteiros. Vocês yoguis não padecem mais desse mal de se sentirem metades, encontrando com outras metades, mas vocês têm alunos que são assim, que são metades buscando por outras metades. Vocês começaram por aí, com certeza a maioria, como metades querendo encontrar outras metades. A aula de hoje é para resgatar essa inteireza, essa unidade dentro de nós. Então, o sistema de defesa mais requintado que nós temos é o sistema de nadis, e o sistema de nadis só é ativado com o som, então vamos usar o som nesta aula. E vamos usar um som muito especial, um dois, um dois… como se nós fossemos computadores.

Kriya: “Trabalhando os meridianos”, do manual Infinity and Me

Nós vamos fazer uma meditação muito sagrada. Talvez a gente nunca tenha feito esta meditação. Ela é uma meditação para o diafragma. Existem duas circunstâncias que mostram que temos um problema grave de fluxo dos nossos nadis, portanto nós estamos muito indefesos, pois nossa defesa mais sutil está desligada. É quando um professor está no Shakti Path, então o Shakti Path é uma negação do papel do professor. Esse Shakti Path é muito doloroso e ele indica um bloqueio completo no sistema de nadis. Nele, você só está atuando com a sua defesa do triângulo inferior. Você se recolhe do seu espírito mais expandido do ser real, nós nos recolhemos do ser real e vamos imediatamente criar a residência no ser oculto, que na verdade não é oculto. Para o mundo inteiro, é fácil olhar e reconhecer alguém que está no Shakti Path, porque você se recolheu completamente da identidade do seu ser oculto. E na identidade do seu ser oculto, você se justifica, então é onde você tem o maior contato e riqueza com suas intrigas mentais. A meditação pode resolver ou não. Existem muitas pessoas que permanecem no Shakti Path meditando. A meditação vira apenas mais um instrumento de garantia daquela posição que a pessoa está. Então esse é um caso em que o nosso sistema de nadis bloqueou.

A segunda condição é quando o nosso diafragma está pouco flexível. O sistema de naad é dependente do fluxo de prana e, sem diafragma flexível, esse sistema de defesa, não é ativado. Quando uma pessoa está no Shakti Path, ela está completamente inflexível no diafragma. Não tem jeito, se o diafragma se torna flexível a primeira coisa que vai acontecer é que o que está no triângulo inferior vai para o triângulo superior, não tem jeito. O diafragma possibilita essa passagem, essa meditação é para dar flexibilidade ao diafragma. Ela se chama Pant Grani Kriya. O Yogi Bhajan fala sobre ela: para abrir o diafragma para que você mude de dentro para fora. E tudo que a gente quer no Shakti Path é mudar, porque ele é o caminho do adolescente. A pessoa no Shakti Path que não consegue absorver uma crítica, está completamente residindo na defesa mais vulgar que a gente pode ter. Vulgar no sentido de ser a mais comum. A defesa mais sutil e eloquente da excelência é a defesa dos nossos nadis, que é do corpo radiante.

Meditação Pant Grani Kriya

Nós ainda temos 3 minutinhos, vocês têm alguma dúvida?

Aluno: Você pode falar sobre  a glândula da finitude e a pineal do infinito?

A hipófise é a glândula que comanda o finito porque ela comanda o corpo físico. Essa é uma frase do Yogi Bhajan, porque ela comanda todas as outras glândulas. Então nós somos exatamente aquilo que a hipófise manda secretar. E a pineal é uma instância, uma glândula do nosso corpo que comanda a nossa relação com o infinito, e ela faz isso usando o sistema de nadis e projeções dos corpos sutis. A Kirn Jot estava lendo um artigo sobre Kirtan Kriya que fala sobre ponto de Deus no cérebro. O tal Ponto de Deus, que acho que eles chamam de Zona de Deus, a gente pode pensar que isso é coisa maluca de yogi, mas pode até ser coisa de gente maluca, mas não é do Yoga é da neurologia mesmo. Eles identificaram no cérebro o ponto onde nós fazemos a conexão com o infinito. Esse ponto no cérebro é a regência da pineal. Então ele comenta isso, que a pineal é nossa conexão com o infinito e a hipófise somos nós com o finito. É importante vocês saberem que esse tema do trabalho da aula de hoje tem uma aplicabilidade prática muito grande que é quando nós estamos muito presos no enredo e nas intrigas mentais, especialmente quando nós estamos em conflito, porque é o melhor lugar para a gente saber disso, é quando estamos em conflito. Porque fora do conflito não pensamos sobre nada, só experimentamos a maravilha que é um período da vida da gente sem conflito. Porém, quando estamos em conflito e nós nos confinamos, é o melhor momento de pensar em como estamos nos defendendo. Se nós nos defendemos a partir de um enredo, de uma narrativa que justifica a nossa vitimização, com certeza, 120 por cento de certeza de que nós estamos na nossa defesa mais pobre. E perdendo a chance de aprender. Isso é o Shakti Path.

Quando nós estamos em conflito e ficamos abalados, desgastados, a gente tem um gosto amargo na boca, a gente não queria estar ali, tudo isso é legítimo, nós sentimos raiva, medo, asco, o que for que a gente sinta em conflito, é legítimo, desde que não encarcere a gente naquilo. A gente precisa compreender a lição, o aprendizado e, especialmente, a parte que temos de compreender naquela zona de conforto porque não existe nenhum conflito na vida de um ser humano que seja por acaso. E tem um período na vida da gente que é natural a gente ter mais conflito. No meu período de UFMG, eu tinha conflito … eu era a rainha do conflito. E a minha narrativa era sempre assim: eu sou mais justa, a mais democrática, a mais sei lá o quê. Sempre denotando a minha pobreza de persistir sem querer aprender com o conflito. Mas é natural quando a nossa evolução emocional acompanha a nossa maturidade cronológica. Tem um tempo para a gente viver conflitos, relacionamentos pobres, podres, tem um tempo. Isso deveria acabar na vida da gente com uns trinta e poucos anos, deveria acabar. Porque é quando o amadurecimento emocional se dá concomitante com o glandular. Então você sai daquela infantilidade e você amadurece, quando isso acontece. Não que os conflitos vão deixar de existir. Eles existem, mas você não deixa que eles persistam. Você aprende logo. E o melhor é quando você chega perto dos 47 anos, em que os conflitos nem chegam a materializar porque antes de eles se materializarem, você já aprendeu através da intuição. Com exceção feita a quem está no Shakti Path. É tristíssimo ver uma pessoa de 60 anos no  Shakti Path. Os anos mais difíceis dessa pessoa foram os seus primeiros 50 anos de infância. Essa pessoa está entrando na adolescência com 60 anos. Então é melhor que a gente tenha o nosso  Shakti Path quando a gente tem 30, do que tardio. Porque é a hora de a gente estar sábia, e a gente está criando arestas. Eu tenho zilhões de exemplos, mas eu não vou dar nenhum, inclusive de vocês. Mas vamos parar por aqui. Ah… Essa meditação não pode ser feita por mais de 11 minutos, isso é muito importante.

May the long time sun shine upon…

[Transcrição Sada Ram Kaur]

[GSK] A força de existir em nós mesmos

Aula ministrada por Gurusangat Kaur Khalsa em 17 de fevereiro de 2017 

[GSK abre a aula]

Nosso trabalho hoje é com um kriya que vocês exercitaram quando vocês estavam lá no curso de formação, nível 1. É muito bonito, chama-se Base para o Infinito. Dito assim, parece uma coisa romântica, que eu tenho certeza que ninguém quer se negar a ela, a base para o infinito. Mas eu tenho certeza também que a maioria não está pronto para colocar em prática. De alguma maneira, a gente vive uma vida em que a gente reconhece a admite que os anos mais difíceis foram os primeiros cinquenta anos da nossa infância. Esses primeiros 50 anos da nossa infância são muito difíceis para nós. A gente vive como um adolescente, querendo ter prerrogativas, querendo ter alguns direitos garantidos, mas nós não gostamos muito de assumir a responsabilidade por aquilo. Então é uma vida muito dura essa dos primeiros 50 anos da nossa infância. E acontece que (porque nossa infância foi prolongada demais nesses anos em que a gente se negou à responsabilidade da luta, pelos direitos e pelas prerrogativas –, como um bom adolescente) isso é fora do tempo da psique humana.

É uma coisa muito estranha você passar 50 anos na infância. Como isso é estranho, o corpo estranha e é muito comum os vários tipos de adoecimentos dentro desse tema. Não estou dizendo que adoecer é anormal. É natural. Um dia vamos ter de adoecer e morrer. Ou cansados da vida ou doentes, não importa, isso ninguém sabe, mas eu estou falando daquele tipo de adoecimento que se dá quando você se nega à sua maturidade. O Yogi Bhajan diz “não existe nada como o problema, o problema é uma bolha que nós criamos por nossa autoignorância, ignorância de nós mesmos. E a solução de todo problema é criarmos a autoidentidade. Uma força de existir em nós mesmos.” Isso é idêntico à frase alicerce para o infinito, todo mundo acha bonito, mas na hora de pôr em prática acha difícil, muito difícil. O que quer dizer “pôr em prática” quando a gente faz um trabalho de alicerce para o infinito? O que vocês imaginam quando nos estamos querendo trabalhar em nós para a gente evitar esses 50 primeiros anos difíceis da infância? O que vocês imaginam, vocês são professores de Kundalini Yoga?

Aluno: uma maturidade física, mental, espiritual caminhando juntos?

GSK: Certo. Qual foi minha pergunta mesmo?

Aluno: O que significaria trabalhar o alicerce para o infinito na prática.

Aluno: Força do plexo.

GSK: Não! Existem muitas crianças de 50 anos com forte plexo. Elas têm muita capacidade de fazer birra e dizer mamãe eu quero, mamãe eu quero, mamãe eu quero mamar, me dá chupeta… Elas estão todas com o plexo muito bom para gritar, fazer birra, fazer manha, somos nós. O que nós queremos trabalhar quando trabalhamos a base para o infinito? E aí você falou uma coisa importantíssima que é alinhar os três níveis de desenvolvimento, porque não é possível que haja o envelhecimento do nosso corpo físico e um atraso no desenvolvimento do nosso corpo emocional. O corpo espiritual é consequência do que?

Aluno: Do amadurecimento psíquico e emocional.

GSK: É lógico! É o resultado de quando a psique, a mente amadureceu junto com o corpo físico. É o resultado. O tal do corpo espiritual nada mais é que uma capacidade que você tem de, diante de problemas, enfrentá-los com sua identidade divina, com a sua verdadeira identidade, e não ficar preso na sua dualidade. A gente não vai adquirir o corpo espiritual no tempo. Ele é a nossa liberdade psíquica para visitar o infinito e trazer o componente do infinito para o finito. É a nossa liberdade psíquica de estar no finito e buscar no infinito algum tipo de inspiração. É essa liberdade de movimento. Você está confinado num problema, o problema existe. Se você está confinado no problema e reside no problema ontem, hoje, amanhã e sempre e eventualmente você coloca a cara fora do problema e volta para ele, você está focado, completamente engolido pelo problema. O corpo espiritual dá uma força psíquica para você poder não abdicar do problema, mas tratar dele a uma certa distância, para que você possa olhar para ele, inspirado por outras perspectivas. O simples fato de você estar num outro lugar, já faz com que você tenha uma outra frequência muito diferente da do problema. Isso é exatamente amadurecer. Não é não ter o problema, não tem jeito, mas é a gente não se identificar a ponto de nos tornarmos um com ele, é nos desidentificarmos daquele finito para ganharmos um tipo de identidade infinita. Mas como ganhar uma identidade infinita? Como eu vou para o infinito? A pergunta é boa, e é para vocês. Pode virar uma peça romântica ou uma filosofia de pasquim, que é: você está no problema, então se você ficar ali no problema, você não vai ver outra coisa além do problema, você precisa ir para o infinito, ir para outro lugar para ver o problema. Como é que você faz isso concretamente, para não virar só um blábláblá…?

Aluno: Através da oração.

GSK: Não, eu conheço gente que vai muito mais profundamente no finito na meditação e na oração. Quanto mais você faz uma oração estando no problema, mais a sua oração tem uma baixa frequência e mais você está mais ainda no problema. Oração, não dessa maneira.

Onde está o infinito? Onde está Deus? Vocês estão no problema e vocês escutam dizer que é preciso ir para o infinito para resolver o problema, o que você faz? Existem problemas de todas as ordens, de circunstâncias, de trabalho, etc… Quando você está no finito do problema, sair e ir para o infinito quer dizer mudar de perspectiva. Como nós mudamos de perspectiva? Depende. Pode ser visitando o outro, vendo como ele olha para a realidade muito diferente da sua, isso é mudança de perspectiva, ir para o outro, ir para o desconhecido, para o infinito, ir para Deus. Mas para fazerem isso, vocês têm de ter uma superdisposição porque, para olhar para a realidade do outro, você precisa abrir mão das suas convicções. Você está pronto para abrir mão das suas convicções? Isso não é fácil. Para vocês aprenderem a sair da bolha da ignorância e vencer esse problema você precisa ir para a autoidentidade. O Yogi Bhajan chama esse movimento de ir do finito para o infinito de autoidentidade, porque nós somos parte humana e parte divina. Isso é quando existe o outro na questão. Quando não existe o outro na questão, muitas vezes a gente só precisa mudar de perspectiva, sair de onde estamos e fazer diferente. Muitas vezes a gente precisa abrir no nosso campo eletromagnético um espaço para a gente simplesmente se expor de maneira diferente. Às vezes, a gente estabelece uma rotina, de caminhada, de nadar, de fazer um curso novo, a gente muda de perspectiva para quebrar o feitiço do problema. A aula de hoje é para isso, criar um alicerce para o infinito, e esse alicerce é nada mais, nada menos que uma coragem para sair da bolha da ignorância, é essa de você não ser capaz de se identificar com você mesmo, você se autoidentifica com o problema.

Aluno: Você criar uma perspectiva cósmica…

É. Eu só queria que isso ficasse em palavras mais concretas. De todas essas a mais fácil é você mudar de perspectiva, caminhar, nadar, fazer um curso. Isso é o mais fácil porque é bom. O mais difícil é quando está envolvido o outro e você tem de ir para a perspectiva do outro. Isso é o mais difícil porque você tem de abrir mão das suas prerrogativas. Isso é bem difícil. Bendito é aquele que vive isso, porque tem uma chance muito grande de crescer.

Kriya: Alicerce para o Infinito

Meditação: do livro A Prosperidade do espírito, do KRI

A meditação é para desenvolver segundo coração, o que espera, o coração da compaixão, não o coração que sangra. Esse nós todos temos.  E ela aumenta demais esse espaço do coração, não para a gente ficar mais emocional, porque o coração não tem nada a ver com emoção. O triângulo inferior é que tem a ver com a emoção. O coração tem a ver com dar passagem para uma compreensão maior dessas emoções.

O que eu quero que vocês lembrem com essa aula é isto: quando a gente tem um problema, tudo que a gente quer é a solução. E a gente escuta dizer que a solução do problema está dentro dele mesmo. E faz todo sentido. Só que, quando a gente tem a solução, a gente não quer o problema, mas toda solução traz outro problema, senão não seria justo. Isso me faz lembrar aquela história que conta que Hanakash(?) era um rei muito mal, há várias histórias dele no Siri Guru Granth Sahib. Ele era um diabo, morava num castelo maravilhoso e tinha uma mulher que tinha tudo. Ela era uma rainha e vivia num castelo com tudo que era possível dar a ela. O rei então um dia sai para caçar e é visitado por um grande demônio. Essa pessoa era muito má, mas era superamiga do rei. Quando ele chega no castelo e falam que fulano está aí, todo mundo some. Vocês conhecem esse tipo de força! Pois bem, ele entra e pergunta pelo rei. E respondem que o rei tinha ido caçar. Ele lamenta muito bravo que não era possível que tinha ido no dia errado. Então o homem que atende ele, para fazer média diz: “o rei não está, mas rainha está, é quase a mesma coisa.” Ele concorda: “vou ver a rainha.” E foi. Quando a rainha viu quem era, ficou muito aliviada. Ele perguntou o que poderia fazer por ela, pois estava lá para fazer um favor para o rei e como ele não estava, ele faria qualquer coisa que a rainha escolhesse. E ela: “nossa, mas foi Deus que te mandou, eu sou superinfeliz aqui. Eu vivo presa neste castelo, eu não faço nada, tenho todo o conforto, tenho tudo isso, mas vivo presa, não posso sair para outro lugar, a minha vida é horrível, você tem noção  do tanto que minha vida é ruim?” Vocês conhecem mulher reclamando… “E tudo que eu quero é poder voar, visitar outras terras.” E ele: “Você quer voar?”, ele perguntou três vezes e ela confirmou três vezes. Aí ele fez qualquer coisa e a mulher saiu voando. E ela então ficou louca com aquela vida, visitou todos os lugares, e voava, e voava, e voava, e voava, e voava… Um dia a vida dela começou a ficar um inferno porque ela só voava… Ela já tinha perdido a prerrogativa do castelo e tudo que ela queria era poder voltar.

Então o Siri Guru Granth Sahib quando conta essa história é para lembrar a gente que quando a gente tem um problema, a gente quer uma solução, mas toda solução carrega em si um problema. A gente deveria saber administrar isso conscientemente. Não existe nenhuma condição que nos é dada que é permanentemente boa ou ruim.

May the long time sun shine upon you…

[Transcrição: Sada Ram Kaur]

[GSK] Criando Equilíbrio Muscular

Aula ministrada por Gurusangat Kaur Khalsa em 10 de fevereiro de 2017 

[GSK abre a aula]

O kriya de hoje é para criar o equilíbrio muscular. E o Yogi Bhajan explica que esse kriya é para fazer um movimento de acessar determinadas regiões musculares que a gente hiperativa e outras que a gente subutiliza. Ele pede para a gente fazer uma reflexão sobre isso. É óbvio que nosso estilo de vida, de trabalho, faz com que a gente crie um padrão de estar sempre numa determinada posição e é claro que você vai ter uma musculatura mais ativa que outra. Eu fico pensando em mim e nos professores de formação, que passamos o final de semana inteiro assentado nessa posição, é claro que o paravertebral da gente – e de vocês que se assentam o final de semana inteiro, constantemente – é hiperativado, senão nós não estaríamos com a coluna em pé. E outras regiões vão ficando subutilizadas, vão ficando fracas, e não há problema nenhum. É só uma questão de você, nos movimentos, acessar esses músculos, se esticar e eventualmente ir lá na Parampurkh, para ajustar a musculatura. Mas o Yogi Bhajan pede para fazermos um outro tipo de reflexão, que é a reflexão do estresse elementar básico.

No curso de nível 2, Estresse e Vitalidade, estudamos o estresse elementar básico. É muito curioso, que a gente nunca associa uma couraça, como a psicologia chama, com o estresse elementar básico. Relaciona-se a couraça ao estresse. A diferença é que o Yogi Bhajan localiza o DNA das couraças, vamos chamar assim, a raiz desse problema, na formação do nosso subconsciente, ou seja, nos três primeiros anos de vida, mais particularmente nos primeiros nove meses de vida. Então vocês podem imaginar que a gente não tem nenhum acesso ao mundo de forma consciente, somos totalmente dependentes da psique da mãe, da psique do pai; um momento em que estamos completamente dependentes do meio. Parece uma armadilha isso e sem nenhum tipo de interação consciente com o meio, de modo a gente poder fazer escolhas. E é justamente nessa dependência do meio, quase subjugados ao meio, é que nós formamos o nosso padrão de subconsciente, que vai regular a gente para o resto da vida, incluindo aí o estresse elementar básico, que é um padrão de couraça. E esse padrão só vai ser desfeito à medida que a gente começar a limpar o subconsciente. Parece uma armadilha, está certo? Parece que Deus estava de pileque nesse momento e colocou a gente dependente de uma mãe inconsciente, de um pai irresponsável, desconectado. Mas a minha única pergunta de hoje é: por que não é uma armadilha?

Aluno: Porque a gente pode escolher.

[GSK]: O que a gente pôde escolher? Na verdade, a gente não pode, a gente pôde.

Aluno: Os pais.

[GSK]: É por aí. A gente pôde escolher a mãe. Só não é uma armadilha porque nós sabíamos. Essa é a única condição que a alma sabia, qual era a psique da mãe. E a gente escolheu a mãe porque naquela psique, naquele contexto, a gente escolhe para pagar o tal do nosso karma. É claro que parece uma armadilha quando a gente olha com olhos históricos desse momento.

Aluno: Por que não o pai?

[GSK]: Não sei, o Yogi Bhajan diz que a gente escolhe a mãe e a mãe escolhe o pai. O pai é uma responsabilidade da mãe, mas a alma escolhe a mãe, escolhe o “barco” para ela atravessar esse oceano. É muito bonito. No Siri Guru Grant Sahib se fala que a mãe é um barco, é uma fragata e, dentro dela, a gente se coloca para atravessar esses mares revoltosos da gestação, porque é um mar, nós estamos dentro do líquido amniótico. Vocês compreendem isso? Isso é um pouquinho de cultura yoguica para vocês, em suas salas de aula. Aos olhos históricos desse momento, quando eu olho para essa situação, ela me parece uma armadilha. Não parecia uma armadilha aos olhos de um bebê. Ele não tem consciência disso. Da mesma maneira que a gente tem de ter um olhar além do histórico, para nossa própria vida, a gente precisa desenvolver esse próprio olhar para além do histórico para a vida do outro, do planeta, das circunstâncias, do histórico, da política. Então é esse chamado para a gente ter um olhar cósmico é muito, muito importante. Quando a gente olha do ponto de vista cósmico, a gente descobre que não era uma armadilha. Eu sabia, mas esqueci. E aí é todo esse jogo de como resolver o estresse elementar básico. Essa é uma aula que vai trabalhar nessa couraça do estresse elementar básico.

Kryia: Criando Equilíbrio Muscular, de 1984, 22 de junho, do livro Infinity and me.

A meditação de hoje é para ajudar a gente a ver o invisível, escutar o inaudível, entrar com a realidade através da sua intuição. É uma ótima meditação para fazer com seus alunos, ela é muito sensível e cria um espaço intuitivo muito grande. Ela está no mesmo livro do Kryia.

Meditação: Sa-Ta-Na-Ma, segunda fase.

May the long time sun shine upon you…

[Transcrição: Sada Ram Kaur]