[GSK] Acelerando a depuração e promovendo curas

Aula ministrada por Gurusangat Kaur Khalsa em 20 de novembro de 2015

[GSK abre a aula]

Nós vamos fazer uma aula clássica. Me deu muita vontade de experimentar com vocês mais uma vez um kryia para pana e apana. O que eu gostaria de comentar com vocês antes é o seguinte. A gente dá aula sobre isso, nós fazemos nossos treinamentos sobre isso, a gente faz nossos Níveis 2, trabalhamos intensamente em nosso Coaching Aquariano, para que a gente tenha o equilíbrio e maturidade emocional para que a gente, como professor de Kundalini Yoga, possa realmente pegar um projeto do nosso destino e conseguir realizá-lo. É muito mais fácil – aparentemente mais fácil – nós realizarmos um projeto da nossa sina, do que um projeto do nosso destino.

Porque para realizarmos um projeto do nosso ego, a gente cria, digamos assim, uma rede do Estado Islâmico: a gente não se importa em meter o ferro no outro, desqualificar o outro, fazer intriga sobre o outro, se fazer de vítima, inconscientemente a gente não se importa em se colocar num esquema pelo qual teremos que pagar um preço muito alto. E quando dá certo, ótimo! E quando não dá, a gente sempre tem uma razão para justificar porque não deu certo. Mas a gente não se sente responsável por não ter dado certo. Quando não dá certo, a gente não se responsabiliza. É o outro que causou o meu desencanto, o meu fracasso. E quando dá certo, a gente então se vangloria e continua massacrando os que estão no meio do caminho.

O projeto de sina causa menos esforço. O problema desse tipo de projeto é que ele tem um preço cármico muito grande a médio prazo atualmente, porque nós entramos nessa tal Era de Aquário. Vocês não estão com saudade da Era de Peixes, não? Nessa Era de Aquário, a consequência vem imediata. Antes, a gente esperava um ano para pagar, agora é imediato. Uma outra coisa curiosa é que, se a cura se irradia no meio da família e no círculo íntimo, o carma também. A gente acaba sendo o detonador de um grande infortúnio à nossa volta.

Já o projeto de destino depende muito mais de nós para dar certo. Ele é muito mais centrado na determinação que a gente tem de não de superar o outro, mas de se superar. Isso é que é a maravilha, porque embora o projeto de destino seja mais longo, muito mais longo do que a gente queria, ele é uma chance de a gente se depurar, se curar e também liberar os nossos familiares e liberar quem está em nosso círculo íntimo. Então, é importantíssimo a gente continuar investindo nisso. Lembrem do que o Yogi Bhajan dizia: “um professor erra, erra, erra, mas sua disciplina vence”. É um investimento nessa maturidade, é um investimento em nós.

A cada vez que saio do Brasil, cada vez mais sou agradecida por termos constituído essa sangat, porque raros são os lugares onde nós realmente podemos render a nossa cabeça sem que a gente se sinta culpado, sem que a gente se sinta inferiorizado. Não existe entre nós aquela experiência de que estamos em guerra. A gente pode até estar em briga, mas a gente resolve os nossos problemas. O que vejo por aí, em países vizinhos, são pessoas que não tem uma sangat, eles tem grupos de conquista de territórios. É sempre uma posição de que “alguém está me tirando o que conquistei e, por isso então, estou tendo que defender o meu território”. É uma coisa terrível. E aí, há aquela mentalidade de que todo mundo que não se alinha com eles é contra. É uma pobreza! Você vê as pessoas mais qualificadas no Kundalini Yoga vivendo na mais absoluta inconsciência e imaturidade emocional. Então é muito importante que vocês professores de Kundalini Yoga, com seus alunos de Kundalini Yoga, criem esse espírito de sangat com seus alunos. E que vocês valorizem essencialmente essa mente fora das intrigas.

Eu sei que nós levamos tombos e mais tombos, mas cada vez esses tombos precisam ser de proporção menor, porque esses tombaços, de proporções grandes, quando a gente não é mais um ignorante – porque a benção é do ignorante, porque enquanto ele não sabe ele é inocente… mas nós sabemos e temos esses tombos magníficos –, se esses tombos magníficos não nos encherem de vergonha, para que a gente não tenha que cair de novo, a gente vai virar uns sem-vergonha. Vamos aprender a cair e levantar. Cair e levantar. Cair e levantar. E não sair do lugar. Nós temos todas as condições para criarmos em nossas vidas esse espírito: eu cai, mas pelo amor de Deus, esse tombo nunca mais; eu aprendi com essa situação. Nós, como sangat, cristalizamos esse ponto.

Para nós, os projetos de sina não nos alimentam mais. Para nós, agora só projetos de destino. A boa notícia é que isso limpa e cura. A notícia ruim é que é mais difícil. Não vamos apressar. Se demora mais é porque mais cura está sendo necessária. Vocês entendem isso? Porque a cura se estabeleceu – por exemplo, a Escola Miri Piri Brasil. A gente estava sustentando essa escola, rezando para ter mais alunos, mas a Escola chegou num ponto agora que ela saltou além de nós. Vocês estão sabendo, né? A gente tem agora Escola Miri Piri em Uberlândia e Brasília. E agora a gente já tem uma terceira, que se chama Cuenca (Equador). Querem abrir uma Escola Miri Piri Brasil em Cuenca. Quando o projeto fica maduro suficiente, ele se projeta na sua radiância, independente de a gente ter que fazer um esforço. Mas até lá a gente teve que trabalhar quantos anos pela Escola Miri Piri Brasil? Com qual consistência, com qual dedicação? A mesma coisa no nosso projeto pessoal.

Enquanto nós não estivermos depurados, e saibam vocês, enquanto existirem os conflitos em volta do seu projeto, ele não está depurado. Não tem jeito. Ou você não está depurado, ou a equipe do projeto não está depurada… Então a nossa aula de hoje é para acelerar a depuração. Para vocês saberem que o centro da depuração é essa identidade que mora aqui (no umbigo) com esse olho que vê com olho da alma, e a gente quer trazer esse olho para cá (o terceiro olho no ponto do umbigo). Para que a sua identidade veja com o seu olho da alma.

Está bem? Vamos começar.

Kryia: Kryia para pana e apana do manual do Professor Aquariano

Meditação: Indra Nitri

A tradução literal de Indra Nitri é os olhos de Indra, e Indra é o terceiro olho, é quando a gente contempla a nossa experiência, a nossa história através dos olhos da alma. Mas Indra é também água e, portanto, é a emoção. Indra Nitri é um dos paradoxos mais maravilhosos do yoga, porque tudo que acaba conosco, tudo o que nos derruba e nos faz irmos para o caminho da sina são as nossas emoções. Indra Nitri é um dos paradoxos mais maravilhosos porque é o olhar da alma, mas porque essencialmente Indra é água e água é o que mais nos leva ladeira abaixo. As nossas emoções são aquilo que nos fazem sairmos de nossa zona de depuração e querermos ir para nossa zona de conforto. E a gente já conhece mil vezes que a zona de depuração não é na zona de conforto. Então são as nossas emoções que nos fazem sentir o mundo de uma determinada maneira e medir o mundo através daquilo que a gente sente. E nós sabemos 100% – não porque vocês me escutam, mas porque vocês escutam o Yogi Bhajan –, as nossas emoções não traduzem a realidade. Então sentir a realidade não significa que a gente está sentindo o que é real. Mas, ao mesmo tempo, são as nossas emoções que se tornam combustível para que possamos ver o mundo através dos olhos da alma. Por isso, que Rakhe Rakhan Har Aap Ubarian. O tempo todo desse mantra é um pedido de ajuda, porque eu não posso abandonar as minhas emoções, mas elas deveriam também ser a força para que eu possa estar dentro deste bote, para eu poder atravessar esse oceano. E quem ajuda a atravessar esse oceano tumultuado e violento das emoções é o Guru! É aquela força dentro de mim absolutamente neutra que me leva da escuridão pra luz.

Essa meditação é para reverter esses dois sintomas que a gente tem, dois sintomas terríveis que a gente tem e que sempre vão levar a gente para a tumba rápido. Primeiro: porque a gente sente, portanto é. Segundo: a negação das emoções e, consequentemente, sem fazer com que elas subam para o triângulo superior. Portanto, porque o que a gente sente não é, o que a gente sente é apenas uma expressão da realidade. E não se esqueçam da bomba cósmica que Yogi Bhajan jogou na gente no curso Nível II Comunicação Consciente. Comunicar consciente não significa comunicar a partir daquilo que você sente, nem daquilo que você sabe, nem tampouco daquilo que você quer. Isso não é Comunicação Consciente. Não tem a ver com o que você sente, com o que você sabe ou com o que você quer. Tem a ver com o tanto que você conhece o outro.

Então Indra Nitri tira a gente dessa volúpia dos nossos sentimentos e faz com que esses sentimentos se assentem no lugar deles, que é no triângulo inferior, mas, ao mesmo tempo que, com a força do olhar da alma, a gente puxe-os para cima. Vocês precisam se lembrar disso quando vocês estiverem fervendo. Aí vendo a Indra Nitri, porque é a água que acalma quando vocês estiverem fervendo. A água é a que ferve, mas é também a que esfria. E o mantra é o Ek Ong Kar Sat Gur Prasad Sat Gur Prasad Ek Ong Kar. É o magic mantra. Depois desse mantra não pode pensar “coisa ruim”. O que você pensar nessa hora entra profundamente na sua programação subconsciente. Yogi Bhajan ensinava não pensar nada negativo nessa hora. Uma coisa que o Yogi Bhajan falou sobre essa meditação é que quando vocês estiverem a esperança de se conectarem com o mantra mágico, lembrem-se de agradecer. Ele fala que se no dia a gente consegue manter esse espírito de esperança e reconectar com ele ao longo do dia a gente reverte grande negatividade cármica. Se eu fosse vocês, colocava um lembrete no celular: lembrar de ser grato, lembrar de agradecer.

May the long time sun

[Transcrição Hari Shabad Kaur Khalsa]

O yoga é

por Dharamjeet Singh

Ao contrário do que muitos pensam e falam comigo ao saberem que sou professor de Kundalini Yoga, yoga não é só se sentar, ficar parado e não pensar em nada. Eu, ao tentar explicar o que é yoga, acabo dizendo que há exercícios (Asanas), respirações (Pranayamas), posturas para as mãos (Mudras), meditações, mantras e que o objetivo principal é a experiência pessoal de cada um ao praticar. No entanto, isso pode soar confuso para alguém que nunca praticou. Por isso, resolvi compartilhar algumas das minhas experiências e aprendizados com a prática regular de Kundalini Yoga.

Quais seriam os aprendizados que as poses e as meditações nos proporcionam, se soubermos aproveitar a oportunidade que nos é dada?

Muitas vezes somos testados no nosso limite através da dor. Posturas difíceis de serem sustentadas. Minutos parecem virar horas. No entanto, continuamos firmes, porque sabemos que o resultado final é uma paz profunda, uma sensação de dever cumprido, de termos feito o nosso melhor, de podermos então esperar pela recompensa do bem-estar.

É um teste de resistência física contra a nossa própria mente. Aprendemos que a vida não é fácil e que não podemos simplesmente mudar para um lugar mais confortável, quando uma dor surge, pois, após poucos segundos, uma nova dor aparece, às vezes pior do que a anterior. O melhor que podemos fazer é simplesmente aprender a aceitar a dor, senti-la profundamente, escutar o que ela tem a nos dizer sobre o momento que estamos atravessando e agradecer a oportunidade de sermos testados com tamanha intensidade — tendo a certeza que logo após a dor, se a atravessarmos com dignidade, receberemos a recompensa. Sairemos com maior calibre, mais seguros de nós mesmos e prontos para outros testes e desafios, que sempre existirão.

Ao permanecermos imóveis em uma posição, também aprendemos a sermos firmes como rochas e montanhas, e a não arredarmos o pé do que acreditamos ser o justo. Não importa o que aconteça do lado de fora, internamente, sustentamos nossa dignidade. Ouvimos tanto em silenciar a mente para meditar e, justamente na hora da yoga e da meditação, todos os pensamentos resolvem aparecer. “Buscar filhos, levar filhos; lista de compra; planos para o dia, semana, mês; como anda aquele amigo; o que eu faria com o dinheiro da loteria; quando serão as próximas férias; será que o professor esqueceu de mim nesta pose”, entre tantos outros pensamentos.

Não aprendemos a silenciar a mente no Kundalini Yoga, mas sim a percebermos os pensamentos, tomarmos consciência da qualidade deles, agradecê-los e deixá-los seguirem seus respectivos caminhos, sem nos prendermos a qualquer um deles. E, assim, chegamos a um estado de presença, e o silêncio aparece — Shunya.

As árvores possuem uma raíz firme no chão, mas possuem maleabilidade no tronco e nos galhos. O vento chega acariciando suas folhas, elas farfalham e as árvores se movem. Quando, então, o vento segue seu caminho, elas permanecem calmas, serenas e sem preocupações. Se as árvores não tivessem esta maleabilidade, tombariam no primeiro vento forte. E assim somos nós. Se fixarmos tamanha atenção aos pensamentos, nos prenderemos a eles e nos perderemos no caminho do encontro com nossa Divina Presença. Mas, se permitirmos, os pensamentos passarão como o vento e nos deixarão em completa união com nossa mais Alta Consciência.

Durante as aulas de Kundalini Yoga, esbarramos em conflitos internos e emoções mal-resolvidas que nos impedem de seguir nosso caminho livremente. Raiva, orgulho, medo, etc. Nosso lado instintivo e animal. São registros de uma época quando sofremos abusos e traumas. Registros que ainda operam como uma barreira de segurança ao nosso redor. Embora a natureza livre da nossa alma queira que nos libertemos desta prisão, muitas vezes não gostamos e nem queremos olhar para este aspecto nosso. São nossas sombras, que podem nos confrontar por toda a vida, se não tomarmos consciência delas, abraçá-las, resolvê-las e devolvê-las ao Infinito.

E como num passe de mágica, sem necessariamente tomarmos consciência do que estava travando nossa vida, vamos liberando nossas dores, nossos medos e dúvidas, simplesmente com nossa disciplina, mantendo uma prática regular de Kundalini Yoga e uma sadhana diária. Vamos ficando mais leves, mais presentes, mais conscientes, mais compassivos e compreensivos.

Começamos a nos desconectar aos poucos de nossos apegos, falsas verdades, muletas, e nos conectamos com nosso verdadeiro lado humano, intuitivo. Abrimos espaço para o desconhecido. Reconhecemos conscientemente que Deus (Sagrado, Sat Nam, Divina Presença, o nome que você der à Força que Cria) vive dentro de nós, e vive igualmente em todas as coisas: rochas, plantas, animais, TODOS os seres humanos (independente do nosso julgamento) planetas, galáxias, e toda Sua Criação. E esta união com tudo e com todos é o Yoga.

A prática de exercícios físicos e meditações são ferramentas simples e eficazes que servem para nos tirar do lugar de conforto e nos trazer a experiência máxima desta união com o Todo. Mas sim… Começa se sentando, não se movendo, tentando manter a mente em silêncio, o resto da sua experiência está em suas mãos.

Sat Nam Wahe Guru

Belo Horizonte, 04 de dezembro de 2013.