[GSK] Para reconhecer a autoridade interna

Aula ministrada por Gurusangat Kaur Khalsa em 04 de novembro de 2016

Vocês estão sentindo que o Tantra já começou? Porque a Bienal é Tantra. Quando a Sardani Guru Amrit começa a se organizar e organizar o material do seminário, começam também os eventos liberadores. Diarreia, coisa caem, seres que partem, se sacrificam para que uma coisa pior não acontecesse naquele meio. Eu acho que pode ser ocaso da Tina, que é a cachorrinha da Guru Sant que partiu num acidente. Para nós, uma coisa boa é, pela manhã, ao começar o dia, fazer um Ad Gurê Namê com a intenção de proteção. Como parte dessas coisas que vem para limpar, e como muita gente dessa Sangat faz meditação para a prosperidade e algumas dessas meditações limpam, então entoamos esse mantra para que essa limpeza aconteça no plano sutil sem ter que levar elementos do plano material.

[GSK abre a aula]

A gente hoje vai fazer uma aula mais longa, mas que considerei importantíssima para preparar vocês para a Bienal e para os trabalhos de limpeza que são feitos pela Guru Amrit. É uma aula que vai trabalhar demais o corpo radiante e envolver o triângulo inferior no trabalho desse corpo radiante – o que é sempre muito importante. E se a gente conseguir acessar o espírito da aula, ela é capaz de mudar o nosso psíquico interno e ajustá-lo imediatamente à neutralidade da nossa alma. Ela é ótima para quando a gente vai passar por um processo coletivo de limpeza do subconsciente, porque a gente vai se abrir para essa limpeza sem necessariamente a gente escolher o que a gente tem de entregar. É como se a gente autorizasse a nossa autoridade maior a decidir por nós, o que é muito bom quando fazemos isso. Esse é um dos motivos pelo qual eu sinto muita falta do Yogi Bhajan, sinto muita saudade dele nesse sentido, porque eu tenho de tomar todas as decisões e se ele estivesse vivo, algumas ele poderia me ajudar a tomar. Ele dizia sempre para a gente não ser tolo, pois a autoridade interna que a gente acessa pode ajudar a tomar essa decisão. E às vezes a gente não confia, a gente precisa perder a pessoa a quem recorremos para reconhecer essa autoridade interna, que é o que ele sempre dizia que temos dentro de nós: o guru, nosso professor interno.

Aula “Sadhana Série 1”, do livro Kriya

Meditação “Para Transcender Consciência e Raiva Individual”, do livro Kriya

Dois minutos dessa meditação e não deve ser mais do que isso. Quando vocês estiverem em clínica, em sala de aula, dando curso, é recomendada para terapeutas, para em vez de encerrar o trabalho com a pessoa nela mesma, você encerra com a pessoa no desconhecido, no infinito. Quando é um casal de trabalho que você tenha intimidade suficiente ou quando um casal casado começa uma disputa para ter razão ou seja o que for, o Yogi Bhajan sugere fazer a meditação por dois minutos. Ela muda o panorama, muda a perspectiva em que a gente enxerga o problema. Se não tiver outra pessoa pode fazer com você no espelho. O Yogi Bhajan fala que quando você está sintonizado no desconhecido, o conhecido está muito cheio de paz. Qual é o conhecido? A gente. Então a gente deveria sempre estar sintonizado na frequência modular do desconhecido, no F.M. A gente não devia estar sintonizado no A.M, no I am. Se a gente sintoniza só no conhecido, a gente fica com medo o tempo todo, inseguro o tempo todo, sem saber, então a frequência do desconhecido é melhor, bem melhor.

May the long time sun shine upon you…

[Transcrição: Sada Ram Kaur]

[GSK] Aplicando a consciência no tempo

Aula ministrada por Gurusangat Kaur Khalsa em 16 de setembro de 2016 

[GSK abre a aula]

Hoje nós vamos fazer um kriya que é para o equilíbrio dos corpos sutis, mas não é aquele famoso que vocês conhecem e que trabalhamos na formação. Siri Sahib trabalha com ele quando fala dos corpos sutis. O Yogi Bhajan ensinou esse kriya pela primeira vez em 1975, é um trabalho muito antigo e o que ele dizia é muito importante, tem uma relevância muito grande hoje. Naquela época, os alunos dele eram muito jovens, tinham 25, 26, 27 anos. Ele não tinha alunos mais velhos do que isso. É a turma que começou. E nessa faixa etária, as pessoas não têm ainda experiência, não passaram pelo tempo e não tiveram suas experiências confirmadas ou descartadas. Não houve esse processo do amadurecimento frente ao tempo. E esse kriya foi dado a eles com a seguinte história: se vocês vivem uma situação de dificuldade, de conflito, e se você tem certeza que você está certo, que você está do lado do que é justo, por favor se pergunte: o lado que para você é o lado justo é aquele em que a sua posição e a posição em que você acredita são uma coisa só? Se você acha que você está ajustado com aquilo que parece justo, de acordo com suas crenças, duvide um pouco de que aquilo que você está vendo como certo, seja o certo e espere o tempo. Aí o povo não entendia. E perguntava: Então se eu estou do lado dos ensinamentos, e eles são universais, eu acho que estou certo… Só que aí ele faz um parêntese: isso é uma outra coisa. Ficar do lado dos ensinamentos é onde vocês deveriam ficar, porque a primeira coisa que os ensinamentos fazem é te dar uma situação muito difícil, em que você, aparentemente estando do lado correto da história, se vê envolvido em uma trama em que tudo parece sucumbir. Pode ser uma situação de difamação ou uma polarização. Ele dizia então que esse kriya daria para nós um elemento importantíssimo, que é sustentar aquele conflito – não brigando –, levar aquela situação para o seu altar, aplicar nela o tempo e sobre o tempo aplicar a consciência. Lembrem-se dessa fórmula: aplicar na situação de conflito o tempo. O que ele está pedindo para a gente fazer? Aguardar. E aplicar no tempo a sua consciência. E você, sustentando aquela situação de conflito, aguardando no tempo e aplicando nela a sua consciência, ela se dissolveria. E a gente tem relato dessas pessoas que aguardaram realmente décadas para ver um caos resolvido.

E eu trago um caso clínico hoje meu. Os professores mais antigos, talvez aqui só o Siri Sahib e a Satjeet conheçam isso a fundo, sabem o fato de o quanto uma pessoa de determinada cidade no Brasil foi um problema. E tem uma pessoa lá que era muito difícil, resistente e tinha no altar dela um tiro ao alvo e no centro do alvo estava escrito Abaky e a Sadhana dela era todo dia de manhã mirar e ver se matava a Abaky. Era uma coisa muito sagrada para ela. E nós, o que fizemos? Nós nunca pedimos para sair do altar dela. Não adianta. Nós continuamos a fazer o que a gente tinha que fazer: aplicando a estratégia do Yogi Bhajan: aguardar o tempo e aplicar a a consciência. Foi o que a gente fez. Há uns três ou quatro anos, Belo Horizonte veio com uma proposta na Academia de a gente se juntar e fazer uma reunião do Brasil. Vocês podem imaginar que a gente balançou um pouco o altar dela, uma perna do altar dela caiu. Um ano depois disso, a própria Abaky sugere que a gente discuta como é que poderíamos apoiá-la. E ontem um milagre aconteceu – um pedido de colaboração! Vocês podem imaginar um negócio desses? Então a gente precisou de quantos anos? A Abaky foi fundada em 2004. Vocês precisam entender aqueles que colocam vocês no tiro ao alvo do altar deles. Vocês precisam compreender a psique dessas pessoas. Essa aula é para isso, para trabalhar os dez corpos, a fim de dar a vocês um corpo radiante tal que vocês são capazes de estremecer a dinâmica daqueles que querem te destruir. E simplesmente permanecer aguardando o tempo. Mas não é aguardar o tempo sacaneando o outro, não. Não é isso. Não se trata de você responder na mesma moeda. Trata-se de aguardar o tempo aplicando a consciência. E a consciência vai te levar a fazer coisas detestáveis. É um chamado para vocês fazerem coisas que não estão na lista das suas prioridades.

Quando você é convidado para fazer coisas que não estão na lista das suas prioridades, se você estiver na lista dos ensinamentos, você vai fazer. Se você não estiver, se você estiver do lado apenas das suas crenças, você vai descartar, obviamente. Há uma diferença muito grande entre aquilo que você crê e aquilo que você tem de fazer. O kriya é uma alavanca, mas vocês precisam de fato querer. Nós estamos com uma tecnologia trabalhando em sala de aula coisas que talvez só no novo milênio as pessoas vão compreender, mas a gente já pode experimentar. Afinal de contas, vocês já estão escrevendo para o Yogi Bhajan e ele vai responder (relativo ao Tantra Yoga Branco em SP no mês de Setembro). A gente tem de entrar nesse lugar onde eu quero convidar vocês para irem com essa aula. Vocês são capazes de repetir isso para si? Não repitam isso para seus alunos porque pode ficar confuso e vocês escorregam. Só conversem se vocês estiverem seguros. Cuidado com as confusões! Eu tenho um medo quando vocês falam assim: Gurusangat, você lembra que há tantos anos, você falou assim…? Eu penso: “isso nunca saiu da minha boca”, mas o que eu posso fazer? Eu já não tenho propriedade de nada! Vamos começar.

Kriya: “To Total Balance”, do livro Kriya, p. 31.

Meditação: [Mão direita sobre a esquerda, polegares se tocam. Mul Mantra]

Então, gente, aplicar o quê mesmo? O que vocês vão aplicar no tempo? A consciência e esperar. Essa ideia depois virou uma famosa frase do Yogi Bhajan sobre educação, que é muito bonita. Ele fala: ‘Educação não é aquilo que você ganha com o tempo. É aquilo que você aplica no tempo.’ Esse cara era demais!! Obrigada, gente!

May the long time sun…

[Transcrição: Sada Ram Kaur]

[GSK] Transcender a consciência individual

Aula ministrada por Gurusangat Kaur Khalsa em 19 de agosto de 2016 

[GSK abre a aula]

Bom dia, gente! Sat Nam!

Hoje no fim de tarde começamos o nível dois “Mente e Meditação”. Estou tão animada para esse curso, estou com muito entusiasmo. Acho que vai ser espetacular a gente ter uma chance de entrar no tema mente e meditação para entender como a gente combate as nossas intrigas mentais. Acho que essa é a grande história desse curso. Recentemente tenho ouvido elementos sobre intrigas mentais e é ótimo quando eles chegam para mim porque é sempre rico como material de trabalho.

Tem uma intriga mental que é individual e que a gente nem ousa falar, a gente tem vergonha delas, e a gente lida bem com elas. Porque uma vez que há mente, há intriga mental. Não tem jeito. Faz parte da estrutura, digamos assim. A história é de como a gente lida com a intriga mental, porque a intriga mental da qual a gente não tem nem coragem de falar é ótima porque ela é inocente, ela só atrapalha a gente. Ela só põe a gente para sofrer. Tem um outro tipo de intriga mental que é curiosa, porque você a pronuncia em sua defesa. Essa é dose. Essa é intriga mental que a gente usa como uma muleta para a gente viver no mundo. Duas delas idênticas chegaram em meus ouvidos, que é “eu tenho problemas com a Sangat”. Esse é o “intrigaço” mental. E outra: “a Sangat não me ajudou”. Então existe  esse tipo de gente que não tem um mínimo de estrutura interna para processar o próprio descompasso e deposita a sua justificativa ou a culpa de sei lá onde ela está num negócio chamado Sangat.

Existe um leque de intrigas mentais que nesse curso a gente vai  trabalhar. As intrigas mentais  – prestem bem atenção nisto – quando elas saem daquele âmbito que é muito íntimo e pessoal, onde tenho a chance de lidar com elas e resolvê-la, e cai no outro, a pessoa acha que ela está solucionando, mas, na verdade, ela está aumentando o problema, porque vira uma rede kármica, aumenta a ignorância e a ilusão. Ninguém quer viver na ignorância e na ilusão. É por aí que a gente vai trabalhar.

Sobre esse impacto, trouxe uma aula para vocês que é sobre as glândulas. Existem no Kundalini Yoga vários kryias para as glândulas, mas esse possui uma característica muito importante, que é fazer vocês experimentarem, viverem o ser de vocês dentro do ser. Viver o ser dentro do ser é você estar em você e, ao mesmo tempo, é estar em um lugar que é muito maior que você. E dentro desse território que não tem fronteiras, que é o ser, que é o que a gente chama de ser universal, você poder experimentar você. É uma belíssima experiência de expansão e contração. Esse kryia é para isso. E porque a gente faz isso, expande e contrai. Porque a gente quer ter uma experiência nessa vida, que é buscar uma verdade e desfrutá-la sem dar nome a ela. No momento em que vocês derem um nome para a verdade, vocês a limitaram.

Essa aula é para experimentar algo que é tão próprio e ao mesmo tempo tão intangível, que seja tão você, embora tão mais amplo que você. Para vocês terem uma experiência muito concreta em vocês que é a seguinte quando vocês estão … Eu tive há dois dias uma forte crise de enxaqueca, eu fiquei muito, muito mal. E eu achei que tinha me livrado das enxaquecas porque eu me livrei da menstruação, então tem três ou quatro anos que entrei na menopausa, então não tenho mais enxaqueca, mas tive uma, e na verdade quando a enxaqueca terminou eu menstruei. Então tinha a ver com os hormônios. E eu estive tão mal, que numa manhã dessas eu me deitei e escolhi não tomar remédio. E ver até aonde isso chegaria. E deitei na minha sala de Sadhana e me sentia tão grata, tão entregue, tão feliz que era uma coisa incompatível, você estar tão mal, com tanta dor e ao mesmo tempo tão grata. Eu ficava grata a tudo,  a mim, ao tapete, ao chão ao travesseiro, às aves que eu via. Grata a tudo. Essa é a experiência de estar no ser e ter a experiência de ter o seu ser no ser. E eu acho que isso é uma bênção, e isso não é um estalo, você não adquire essa experiência num estalo. Você adquire isso com seu estilo de vida, com uma prática consistente da sua meditação. Isso é um processo. Vocês estão compreendendo? E esse kryia ajuda vocês a experimentarem isso que eu tive a benção de viver e a que se chega lá a duras penas e fica-se lá por alguns segundos, então nada está garantido. Não queiram colocar nome numa experiência que é inominável, intangível e ao mesmo tempo é sua. Isso é uma das coisas mais importantes para quem pratica meditação, e para quem é do Sat Nam Rasayan é a base, é a base constitutiva do Sat Nam Rasayan. Para vocês é uma experiência que vocês podem construir, e o teste de que vocês estão consolidando esses hormônios em você é quando vocês estão na pior e vocês estão gratos. Na pior, você sabe que você está na pior e você não reside apenas no território limitado do seu desconforto. Você aceita experimentar aquilo que não tem paredes, você é muito vasto, você pode ficar aqui e ao mesmo tempo pode ficar em todos os lugares. Então esse será nosso trabalho de hoje.

Kriya for Glands, p. 71 do livro Kriya

Meditação: Meditation to Transcend Individual Consciousness and Anger, p. 263, do livro Kriya

Eu vou ensinar para vocês hoje uma meditação que só pode ser praticada por dois minutos. E ela é para transcender a consciência individual e a raiva. São esses dois elementos que aprisionam a gente no território finito, ou quando o território está muito bom ou quando está muito ruim. Ajuda a gente a transcender a consciência individual, aquilo que eu sinto, aquilo que eu sei que é verdade, aquilo que eu sinto. Isso é a consciência individual. E leva a gente além da raiva, isso é ótimo em relacionamentos. O Yogi Bhajan deu esta meditação  no acampamento para mulheres e era um recurso para ser usado quando o casamento entrava em conflito, mas pode ser qualquer tipo de relacionamento, em que você precisa transcender a consciência individual e a raiva.

[GSK encerra a aula]
May the long time sun shine upon you

Essa foi a experiência da aula de hoje. A sensação de que no primeiro ásana vocês foram para aquele lugar sem território. É claro que o trabalho todo não foi feito no primeiro ásana. Foi feito realmente porque nós estamos no radar do Guru. O Guru já colocou a gente no primeiro ásana nesse espaço. A gente pediu, a gente projetou e foi isso que nós fizemos. Então vocês precisam confiar demais nesse fato. Confiarem nesse espaço que é criado, como nessa meditação de dois minutos, que parece que nada aconteceu, mas num momento crítico vocês poderem sair da sua consciência individual e lembrarem que quando vocês saem da consciência individual, vocês não ficam sem consciência, você não perdem suas identidades. Pelo contrário, você ganha, enriquece a experiência da realidade, da verdade, porque não é só aquilo que sua consciência individual pode absorver. Pelo contrário, quanto mais você estiver na sua consciência individual, menos você absorve da realidade. Isso é muito importante em tempos de crise, muito importante.

Vocês todos devem ter ido ver o Mondrian e devem ter visto que ele fazia parte da Sociedade Teosófica. Quero falar com vocês da Sociedade Teosófica porque ela é um marco na história da humanidade. É um marco da humanidade depois da Primeira Guerra Mundial. Ela é uma experiência da consciência humana que queria entender o absurdo que foi essa guerra. Mas ao mesmo tempo que acontece uma sociedade teosófica tem esse movimento em busca da espiritualidade apoiado por uma nobreza europeia e por artistas. Então aqueles intelectuais e artistas, que mais estavam transitando por um momento em que nada daquilo que houve na Europa e no mundo fazia sentido, buscam a sociedade teosófica. Ao mesmo tempo, há um grande cara que era um perfeito maluco e que foi o combustível para a revolução Russa de 1917. Era o Rasputin, um padre siberiano, um perfeito mago, que sabia manipular os tattwas, era também um yogui, que se junta à família Romanov e condena a Rússia à experiência mais trágica, que foi a transição do imperialismo czariano, a autocracia czariana, para a autocracia do proletariado. É muito interessante ver que quem é o pivô disso é um yogui piradérrimo, totalmente confuso de seu papel. E isso é incrível.

É incrível a gente compreender que em momentos de grandes crises, é muito importante que a gente esteja não só na nossa consciência individual. É muito importante que a gente esteja nesse lugar vazio, sem fronteiras, para a gente ser parte de um processo que irá transformar realmente sem trauma. Claro que a transformação vai sempre existir e, se a gente pensar na União Soviética, quando o comunismo acabou, ela estava no mesmo lugar que ela está hoje, numa trágica situação. Dessa experiência do comunismo, nada praticamente sobrou para a União Soviética. Poderia ser diferente, mas não foi diferente por causa do Rasputin, porque ele era pela aristocracia totalitária czarista. E ele salva o filho da Alexandra, Alexei Romanov, que era hemofílico. Não sei se vocês sabem disso, mas na Europa do século XIX toda a realeza tinha hemofilia porque praticamente todos eram netos da Rainha Vitória, que tinha o gene da hemofilia e o transmitiu a todos. A mulher teve 22 netos que ocuparam tronos da Rússia a Portugal e todos eram hemofílicos. Então esse menino tinha 8 anos, Alexei Romanov, e estava na beira da morte e o Raputin o salva com técnicas yóguicas. E o menino só não vive bastante porque foi morto pelos bolcheviques. Isso se dá 1919, quando ao mesmo Sociedade Teosófica está sendo erguida na Índia. E o Rasputin tentando manter um regime falido. Então o reajuste que precisamos fazer nas nossas psiques independem de ideologia. Então se aquela coisa não ajudou, vai piorar demais até ajudar.

Então todo ajuste que temos de fazer do ponto de vista evolutivo para que a gente se torne um ser compassivo, competente e transcendentes vai acontecer, é uma questão de tempo. Ou a gente pode facilitar isso, intervindo nos processo históricos não apenas com nossa consciência individual, mas com essa consciência coletiva, ética ou o processo histórico vai depurar, vai piorar, piorar, piorar… até melhorar. Nós no Brasil estamos vivendo isso, um momento não tão drástico quanto a Primeira Guerra Mundial.

[Transcrição Sada Ram Kaur]

[GSK] Para conectar o coração à consciência

Aula ministrada por Gurusangat Kaur Khalsa em 11 de setembro de 2015.

[GSK abre a aula.]

Nós estamos na véspera do Tantra, num momento de silêncio, então precisamos fazer uma conexão entre o coração e a consciência. Eu cansei já de explicar que no Kundalini Yoga, quando a gente usa o termo “consciência”, nós estamos falando de um lugar particular, e consciência é a nossa relação direta com a nossa alma. E para não ficar um negócio filosófico demais, quando nós nos aproximamos do ambiente da alma, do corpo da alma, nós estamos falando de algo muito específico e concreto. Então do que estamos falando quando nos referimos à alma, do que estamos falando que é totalmente concreto? Algo que faz sentido absoluto?

ALUNO: Valores.

GSK: Valores. Que tipo de valores? Porque eu posso ter um tipo de valor do tipo: servir a mim mesma; o meu valor é sempre “estar bem na foto”.

ALUNA: Éticos.

GSK: Valores éticos. São diferentes dos valores morais. Mas estamos falando especificamente de quê? Existe um núcleo desses valores éticos. No caso da nossa alma, o núcleo do valor ético é: Eu só estarei completamente realizada e feliz quando, através do meu próprio esforço, com a minha própria atitude, com a minha própria ação, eu conseguir fazer alguma coisa para transformar aquilo que está além de mim. E o que está além de mim? O outro, a sociedade, a estrutura, enfim…

Então vocês entendem? Quando a gente fala em alma no Kundalini Yoga, nós estamos falando de uma ação política em que carregamos o nosso coração, o nosso corpo, vamos suar nossa testa para fazer uma diferença no mundo para que o mundo, com as pessoas que nele estão e com a estrutura nele existente, se transforme. Não é uma coisica, não. O Kundalini Yoga não é um sistema de reclusão, em que você vai para o mosteiro e reza. Esse seria também um valor ético, que não tem problema nenhum, você estaria rezando, só que você estaria nesse sistema fisicamente e socialmente desengajada. Esse é um divisor de águas no Kundalini Yoga, ele surge de uma tradição que não é monástica.

Então quando vamos para um Tantra Yoga Branco, nós vamos para fazer uma limpeza do subconsciente. Nós queremos limpá-lo de impressões, onde está uma gravação marcada em nós durante os anos formativos. De 0 a 7 anos. Nesses anos, nós ganhamos uma gravação; a tecla <REC> foi apertada e gravou-se no nosso subconsciente um tipo de história, um tipo de crença. O Tantra é uma tecnologia muito potente de apertar o <REC> com o <PLAY>. Quando você aperta o <REC> com o <PLAY> – muitos de vocês não eram nascidos quando isso existia, chamava “gravador” [a turma ri], você apertava o <REC> com o <PLAY> e apagava a fita. Então não adianta ter uma gravação e dizer: “eu não gostaria de ser mais assim; muda, muda”. Não adianta. Você tem uma fita em que foi gravada uma bobagem, daí você põe a fita para tocar e diz: “Nossa, que bobagem, por favor, bobagem, apague-se, por favor, bobagem, apague-se!”. Não funciona assim, não adianta você falar para o gravador: “Apaga, por favor, apaga”. Não adianta o poder da mente. Isso não resolve. Não resolve autossugestão do tipo: “Amanhã vou ser diferente”, não resolve. Para funcionar, o que você tem que fazer? Apertar o <PLAY> com o <REC>.  Quando você aperta os dois juntos, ele roda sem gravar nada. Isso é o Tantra. Então vai ser apertar o <PLAY> com o <REC>. O Tantra tem esse poder.

Por que nós insistimos todo ano em fazer isso, algumas vezes vamos para o Solstício e fazemos três dias e tal. Nós insistimos porque o nosso subconsciente pode ser o nosso fim, se estiver lá só reproduzindo a fita dos nossos anos formativos, porque nos tornamos cínicos, mentirosos, enredeiros, sedutores, para fazermos valer a nossa crença. E nós seduzimos através de uma atividade política, através de uma atividade artística, através de uma atividade familiar, seduzimos simplesmente para fazer valer nosso projeto. Esse projeto não te identifica com sua alma, porque a alma não se relaciona com nada limitado. Então o subconsciente não te identifica com a alma. Assim, o Tantra ajuda a gente a limpar esses processos do subconsciente.

Mas então por que o Tantra não acaba com o subconsciente de uma vez? Por que a gente não pode acabar com o subconsciente de uma vez? Qual a função dele? É a nossa caixa de gordura. A gente só limpa ela, a gente não acaba com ela. Se a gente acabar com essa caixa, nossa gordura vai para a terra e contamina o lençol freático. Se a gente acaba com nosso subconsciente, a nossa gordura e o nosso lixo vai para o nosso sistema e o destrói completamente. Então uma das coisas que mais nos ajuda no Tantra a fazer o processo de limpeza rápido, e fazê-lo valer, sem ficarmos temerosos e tal, é a gente conectar o coração com as meditações. E a aula de hoje é para abrir o coração.

Por que vamos conectar o coração com as meditações? Lembram do que eu falei semana passada, que um dos engodos em que a cultura nos fez acreditar foi que o coração era uma instância para o quê? No que a gente pensa quando se refere ao coração? Gente pensa em sentimento. A gente acha que as emoções estão no coração. Isso não é verdade, as emoções não têm nada a ver com o coração, as emoções estão na barriga. Sentiu o elevador subindo e descendo? As emoções estão nas entranhas, não tem nada a ver com o coração – isso foi nossa aula de semana passada. As emoções não estão no coração, nele reside apenas uma câmara, um quarto amplo, para pegar as emoções e dar sentido a elas. O coração dá sentido.

Então quando vocês estiverem no Tantra, processando, e naquele negócio [Gurusangat estica o braço para cima, demonstrando uma postura], e pensando quantos minutos ainda faltam para acabar – tem gente que conta, eu já vi muita gente fazendo isso, coloca lá o “contador de tortura”, e fica olhando o relógio; o tempo nunca passa, é melhor você não fazer isso, é melhor esquecer. Naquele momento, você precisa conectar o coração com o processo, porque o coração dá sentido à experiência. O coração é a razão, não o sentimento. Acabamos com o romantismo do século XVIII e XIX. Acabamos. Quem revirou na tumba agora? Muitos românticos dos séculos XVIII e XIX. O coração dá sentido à experiência. Ele que qualifica. Ele ajuda a direcionar aquilo para a cabeça. Então, vamos nessa?

Kriya ministrado: “Heart Connection (12 de Março de 1986)”, do manual Transitions to a Heart-Centered World. Meditação do próprio kriya.

May the long time…

[Transcrição: Sat Bhagat Singh Khalsa]