[GSK] Educação e meditação transcendental

Aula da Gurusangat Kaur Khalsa do dia 16 de outubro de 2015.

GSK: Eu não sei como que vocês espalham por aí que eu sou alguém da chibata. Isso é uma injustiça. [A turma ri]

Aluna: Também não entendo. Acho que foi no passado.

GSK: Não! Nem no passado! Nunca fui [a turma ri]. E eu vou explicar por que. É o seguinte: a chibata tem que cortar só na hora que vocês estão na zona de conforto, fazendo as grandes “…a-adas” e aí vocês me ligam e me pedem assim: “Por favor, me ajuda”. Aí, tem que tirar vocês das grandes “…a-adas”. E não tem jeito de tirá-los de lá se não for de uma determinada maneira. Mas vocês vivem permanentemente em grandes “…a-adas”? Não! Mas ficou a fama da chibata, embora as “…a-adas” sejam de vocês, eu que ganhei a fama. É inacreditável! [a turma ri]. Não tem nem a consciência de assumir que as “…a-adas” são de vocês. Já que ninguém defendeu a minha honra, no Dia do Professor eu tenho que fazer isso.

Temos uma notícia boa: nós teremos agora uma Escola Miri Piri em Brasília e outra em Uberlândia. Quando nós lançamos a escola, em 2009, nós não tínhamos ideia que isso viria. E a gente tem clara consciência que esse projeto está muito além de nós pessoalmente.

Nas minhas leituras recentes do Yogi Bhajan, encontrei uma parte em que ele fala sobre escolas e ele diz, em 1983: “No futuro quando nós tivermos as condições para criarmos escolas infantis com as quais possamos entrar na vida das crianças, não através dos pais quando eles se revisitam, mas quando elas estão em seus anos formativos, nós teríamos tocado numa pedra fundamental, que é a base de todos os ensinamentos do Guru Nakak até o Guru Gobind Singh”. Que é: nós precisamos educar e nós precisamos dar às crianças o direito de uma educação que as libertem. Então deixa de ser uma coisa nossa e passa a ser um projeto do Guru. Tenho a impressão que todas as vezes que a gente trabalhar em torno desse modelo de educação, quem vai tomar conta dos nossos projetos vai ser o Guru. A gente pode realmente confiar nisso.

Nós estamos também na eminência de uma grande abertura de um outro ciclo de educação, que é um projeto da Siri Sunderta, da Nirmal e do Harpal, que é o de criar a Casa Fundamental, que vai ser o modelo Miri Piri Brasil. Nós não precisamos mais nos preocupar para onde vão nossas crianças. Teremos outra escola em breve chamada Casa Fundamental.

Kirn Jot: A Siri Sunderta estava contando pra gente de uma palestra em que ela foi… Você quer compartilhar com a gente a respeito, Siri Sunderta?

Siri Sunderta: Nós estávamos numa palestra de uma pessoa muito interessante dentro da área de educação. Ele chama Rafael Ávila, ele é presidente de inovação do grupo Anima. Ele estava dando uma palestra e, falando sobre as novas possibilidades e concluindo que a educação quebrou, uma pessoa levantou a mão no final e falou que tinha dois filhos que estavam em duas escolas tradicionais e que não sabia mais o que fazer. Ela perguntou para ele: “o que eu faço?”. Ele falou para ela procurar alternativa: “Em Belo Horizonte tem, que inclusive chama Miri Piri”. E aí a gente ficou impressionadas porque a gente não sabe da proporção que a escola já tomou.

Então, vamos abrir a aula. Ong Namo Guru Dev Namo…

Nós vamos fazer hoje um kryia que se chama Meditação Transcendental. Vamos equilibrar o nosso corpo através dos líquidos: Indra.

Kryia ministrado: “A Transcendetal Meditation: Maha Shakti Chalnee Indra Mudra”, no manual Sadhana Guidelines, p. 150.

Meditação: Dhan Dhan Ram Das Guru

Yogi Bhajan fala o seguinte a respeito desse kryia. “Meditação transcendental como foi ensinada a séculos atrás é este kryia. As meditações transcendentais têm sempre um ritmo respiratório e um mudra associado com um mantra. Nas escrituras yóguicas existem seis páginas escritas sobre esse kryia. Ele te permite controlar todos os sentidos e pensamentos, equilibra pana e apana, e melhora profundamente a saúde porque aumenta a capacidade pulmonar. Com isso, porque ele trabalha melhorando demais a capacidade pulmonar, ele influencia a força vital que está relacionada com o sistema nervoso. Então os nervos vão se tornando muito, muito fortes porque um dos subprodutos desse kryia é paciência”. Ele também fala que esses exercício mantêm o seu corpo no equilíbrio de dióxido de carbono e oxigênio, e que quando a gente faz os assobios é gerada uma pressão na língua e essa pressão estimula a tireoide e a paratireoide. “Esse kryia pode mudar a sua personalidade, mudar totalmente o seu estilo de vida e mesmo o seu destino”. Essa foi a aula de hoje.

Uma das coisas que a gente não está preparados como cidade é para lidar com esse calor e com essa secura. No Novo México, quando o clima está assim nessa secura, em qualquer vendinha é possível comprar eletrólitos. E toda vez que o clima fica seco e quente, o corpo compensa o desequilíbrio hídrico pondo pra fora o suor, e, no suor, a gente perde os eletrólitos. Não sei se vocês já repararam que, nesses dias, ao final do dia o xixi está clarinho. E todo mundo pensa: “nossa, como estou saudável”. É porque o corpo já limpou todos os eletrólitos, não tem mais nada. Então tem que repor. Uma das formas naturais e caseiras de repor é terem uma água mineral gasosa (é o modo indiano) e colocarem sal, pimenta do reino e limão. É muito bom, na hora do almoço especialmente. Usem um sal bom, tipo sal rosa do Himalaia.

Aluna: Gurusangat, quando a gente está sem eletrólidos no corpo a gente fica com o raciocínio lento?

GSK: Sim, a gente fica com o raciocínio lento, dá dor de cabeça, dá moleza, sua energia e seu raciocínio caem. É muito importante, quando estiver assim, dormir. Se você tenta fazer alguma coisa, você depaupera o seu cérebro. É por isso que em países muito quentes, durante o verão em especial, todo mundo para e faz uma siesta, e depois retoma o trabalho.

May the long time sun shine upon you

[Transcrição por Hari Shabad Kaur Khalsa]

A melhor escolha

por SS Gurusangat Kaur Khalsa

Eu nunca me cansarei do meu trabalho como professora do Kundalini Yoga. Como cientista de carreira, esta Tradição me oferece todos os meios para investigar um dilema, um problema ou um empasse sob seus vários ângulos psíquicos, físicos e espirituais. Os mapas do Kundalini Yoga foram emprestados do Sikh Dharma, e isso é ainda mais envolvente e espetacular – sobremaneira, o fato dessa cartografia do século XV ser ainda tão atual e servir para, inclusive, perscrutar e planejar o futuro ainda muito distante.

A educação, sem dúvida o elemento mais fundamental para nossa sociedade se erguer da desesperança e caos social, é um desses muito bem traçados mapas. Guru Nanak expressa a importância que dá ao professor: “Se centenas de luas no céu despontassem e milhares de sóis aparecessem, mesmo com tamanha luz haveria apenas breu sem a presença do Professor (SGGS p. 463). Qual seria a razão desse reforçado enaltecimento ao professor e ao seu papel educador? A resposta é simplesmente fenomenal.

Venha comigo entender a figura abaixo. Ela explica muito bem do ponto de vista da neurologia algo que é para o Kundalini Yoga o pilar do nosso trabalho.

 

 

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Os seis primeiros anos de vida, a contar da gestação, são fundamentais para a formação de uma identidade livre, soberana e criativa. A criança nestes primeiros anos sofre absoluta influência do meio porque seu cérebro, como uma esponja, absorve e registra todas as experiências tanto na família quanto fora dela, sem nenhum filtro. Neste período, criamos um sistema de defesa subconsciente, um programa muito poderoso, que ficará ativo pelo resto de nossas vidas guiando a maneira que respondemos aos desafios e o modo que processamos emocionalmente a vida.

Da gestação até os 2 anos, o cérebro da criança funciona apenas com a onda do subconsciente, ou seja, ele registra tudo de modo passivo. Dos dois anos até os seis anos, ela acrescenta à absorção subconsciente, a imaginação. A atividade de uma onda que permite uma consciência primária acontece apenas a partir dos seis anos, e a consciência só surge a partir dos 12 anos.

Isto revela algo muito importante: todo ser humano cria seu programa básico subconsciente nos seis primeiros anos de vida e se quisermos ajuda-la a criar uma identidade forte que não se sustente sobre pilares do medo, complexos de inferioridade e insegurança, precisamos investir na educação que saiba o que fazer neste período fértil.

Educar a família sobre a questão é também um desafio que esta escola não deveria se negar. Trabalhar com a criança nestes primeiros anos fará com que ela na vida adulta não tenha que se apresentar ao mundo de modo violento, ou em fuga de si mesmo, por não ter aprendido a apreciar sua origem e, principalmente, não ter aprendido a se fortalecer em sua essência com valores nobres e éticos que a acompanharão vida afora.

A Escola que precisamos nesta fase não é aquela que oferece apenas momentos lúdicos e entretenimento, mas aquela que entende profundamente a mente, a psique e o modo de utilizar métodos para auxiliar na educação destes futuros adultos.

A Escola Miri Piri Brasil utiliza precisamente recursos pedagógicos para cumprir esta tarefa com excelência. Além da metodologia clássica cognitiva, a utilização da Arte Marcial, do Kundalini Yoga, da Humanologia, da Música e das Artes fazem do programa educacional desta Escola algo espetacular para lidar efetivamente com a criança e a formação de sua identidade.

Miri Piri utiliza os mapas da cartografia da consciência traçados por clássicos mestres para educar a criança e ajudá-la a se tornar um Ser Humano completo, livre, criativo e soberano.

 

Wahe Guru.

Belo Horizonte, 12 de novembro de 2014.