Inscrições Abertas! Formação de Professores Nível 2 – Estilo e Ciclos de Vida em BH

Sat Nam!

Em Julho teremos mais um módulo do curso de formação de professores nível 2 – Estilo e Ciclos de Vida.

Certificação KRI (Kundalini Research Institute)

Datas: 21, 22 e 23; 28, 29 e 30 de Julho de 2017

Local: Sala de Yoga da Escola Miri Piri Brasil / ABAKY Brasil – Rua Yvon Magalhães Pinto, 511 – BH/MG

Valor: R$ 990,00 (`a vista) ou R$ 1.089,00 (parcelado até o início do curso)
*material não incluído

Inscrições até 07/07/2017

Enviar comprovante de depósito com nome e telefone para: secretaria@abaky.org.br
Banco do Brasil
Ag. 3489-4 | Conta Corrente: 26378-8
CNPJ: 20.936.081/0001-43
AKAL EDUCATION LTDA

Mais informações: (31) 3090-5508 – 2ª a 6ª feira, das 9:00 `as 13:00

Vand ki Chakna – Todos têm o mesmo direito!

SS Guru Sangat Kaur Khalsa

Existem três princípios universais que regem a vida no Sikh Dharma. Eles foram ensinados por Guru Nanak Dev Ji e por todos os seus sucessores na Corrente Dourada. A vida pautada na ética universal, revelada no zelo pelos direitos humanos, pela igualdade e pela compaixão entre todos os seres, só pode ser alcançada gradualmente, na medida em que nos educamos.

Nam Japa é o ato de se levantar antes do sol, contemplar o Infinito e meditar na unicidade de todas as coisas. Estas são as horas ambrosiais (amrit Vela), entre 4h e 7h da manhã, período em que a energia solar está de tal forma angulada com a Terra que, se nos alinharmos nesta frequência, poderemos canalizá-la em nós para aumentarmos nosso vigor e nossa disposição durante o dia. Acorde mais tarde e você verá a diferença. Este é o momento de nossa sadhana.

Dharam di Kirat Karni é o trabalho honesto que nos traz dinheiro com o suor de nossa testa para nossa prosperidade. Os Gurus ensinavam que jamais devemos mendigar, e nos aconselhavam a termos sempre o suficiente para sermos o primeiro a doar.

Vand ki Chakna, o terceiro princípio, é o ato de agir de forma generosa, compartilhando o que se tem com quem não tem, e se envolver de forma prática para que todos os seres possam prosperar e viver dignamente.

Logo nos primeiros meses em que Siri Singh Sahib Yogi Bhajan havia se mudado da Índia para os Estados Unidos, uma primeira oferta de trabalho surgiu. Uma senhora muito distinta de Los Angeles, conhecedora de algumas escrituras sagradas, lhe convidou para dar uma aula de Kundalini Yoga em um clube fino da cidade. Ele aceitou de bom grado o convite, que vinha também com um pagamento de 50% do que se arrecadasse naquele dia. Seria para ele o primeiro pagamento por seus serviços desde que deixara a Índia. Talvez um começo, pensou ele, e sem dúvida este dinheiro viria em boa hora, pois tudo que pôde trazer consigo da Índia foram US$ 30, e, destes, só lhe restavam alguns centavos.

A sala estava cheia. A senhora, muito gentil, o apresentou, todos assistiram e participaram devidamente, e ele ficou muito satisfeito com o resultado. Ao final, sua anfitriã estava tão feliz que o convidou para jantar como forma de lhe agradecer pelo êxito do evento. Antes que saíssem para o restaurante, ela lhe passou US$ 150, o que correspondiam à metade do que fora arrecadado. Ele guardou o dinheiro no bolso de sua curta (túnica típica de Panjab) e agradeceu a ela e ao Guru Ram Das!

Durante o trajeto, a senhora foi lhe apresentando o que sabia sobre vários assuntos ligados à espiritualidade e ele ficou muito impressionado com seu conhecimento. Ao se aproximarem do restaurante, estacionaram o carro e caminharam alguns metros até a entrada. Logo, ele avistou um homem muito peculiar parado junto a um poste, com um tabuleiro de lápis dependurado no pescoço. Este homem chamou sua atenção. Ele era negro e estava bem-vestido, e suas mãos seguravam firmemente o grande tabuleiro de madeira, repleto de lápis muito bem apontados. O homem dizia em voz alta: “Por favor, peço que comprem meus lápis, pois com eles estou ajudando a alimentar minha família. Me recusam trabalho, por isso, vendo lápis que eu mesmo produzo”.

Yogi Bhajan, sem pestanejar, se dirigiu até ele do outro lado da rua, pegou um lápis e deixou na caixinha todo o dinheiro que tinha no bolso. Ele agiu de forma natural, afinal, para ele o ato de se solidarizar e compartilhar o que lhe pertence com o outro, muito mais do que um ato de grandeza, era um compromisso de vida no Dharma. Mas, não foi o que sua anfitriã pensava.

Num instante, toda elegância daquela intelectual se fraturou em milhares de cacos pontiagudos e cortantes de raiva e indignação. Ela disse de modo ríspido: “Você deu todo o dinheiro que ganhou, alias, o único dinheiro que você tinha, para aquele homem? Você pagou US$ 150 por um único lápis? É isso que vocês fazem conosco; vocês estragam tudo, vocês alimentam a vadiagem dessa gente!”. Yogi Bhajan não esperava essa atitude daquela cálida senhora e, calado, decidiu seguir para o restaurante, porque estava realmente com fome e a comida parecia muito boa naquele self-service. Incrédula, a mulher foi atrás dele e continuou com seu rompante dizendo: “Quero ver agora como você vai pagar sua conta. Eu é que não vou pagar nada para você, só para você aprender a lidar com o dinheiro de forma responsável!”

Ele pegou um prato na pilha ao lado do buffet e seguiu tranquilo o ritual do self-service. Pesou, pegou o ticket que indicava o valor devido e foi para a mesa. Sua anfitriã sentou-se calada e comeu ao seu modo. Ao final do almoço, Yogi Bhajan começou a pensar em como pagar sua conta. Ela, que já terminara, se virou para ele e disse com escárnio: “Quero ver de onde virá o dinheiro!”. Ele, então, pensou em si e na situação e, depois, sorriu para ela dizendo calmamente: “Sou filho do Guru, e é dito em todos os versos divinos que o Guru não deixará seus filhos na mão”. Ela revirou os olhos…!

A seguir, uma das garçonetes do local se aproximou e Yogi Bhajan pediu pela conta, esperançoso de o Guru fazer algo, é claro. A moça então disse gentilmente, “Oh, não se preocupe, pois sua conta já está paga”, ele arregalou os olhos e perguntou: “Por quem?”. “Havia um de seus alunos aqui, ele não quis perturbar seu almoço de trabalho, por isso, pagou sua conta e se retirou”, disse a garçonete. “Quer dizer que ele pagou a conta? Pagou a conta dela também?”, peguntou Yogi Bhajan, se referindo à mulher irada ao seu lado. A moça respondeu que sim, que tudo estava pago e que, inclusive, havia sobrado um dinheiro, e lhe entregou então US$ 50 de troco. Ele olhou para sua anfitriã com um largo sorriso matreiro no rosto, pegou o troco e o deu inteiro para a garçonete, que, de tanta felicidade, saiu saltitante dizendo: “Graças a Deus, Deus é bom! Ganhei meu mês!”.

Claro que ninguém sabe o que aconteceu com a anfitriã depois disso. E ele, Yogi Bhajan, bem, suas histórias continuam e cada uma delas mais surpreendentes do que a outra. Todas, sem dúvida, relatam a vida de uma pessoa que viveu o que ensinou e confiou que na bondade reside a fortuna e que no compartilhar reside a fartura.

Wahe Guru, Sat Nam.

Belo Horizonte, 02 de julho de 2013.

Carta aberta: Manifestações, educação e respeito à diferença

“Ih, fudeu, Bin Laden não morreu”

por SIRI SAHIB SINGH KHALSA, 25 de Junho de 2013

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Ao participar da bela manifestação que reuniu mais de 120.000 pessoas nas ruas de Belo Horizonte no último sábado, várias vezes ouvi alguém gritando “Ei Bin Laden!”. Em certo momento, ao passar por um grupo, todos cantaram de maneira eufórica: “Ih, fudeu, Bin Laden não morreu”

Sou sikh, minhas barbas são longas e uso turbante.

Um sikh dá a sua vida se sacrificando pelos outros. Ser um sikh significa ter como pressuposto a humildade para estar sempre aprendendo e ter como valores a luta por paz, justiça social e o bem estar de todos. Um sikh vive para servir e faz isso.

O turbante e a barba são algumas das ferramentas que um sikh tem para se manter firme em seu propósito e poder ser reconhecido onde ele estiver como uma instância de paz, amor, ajuda e serviço.

Um sikh não luta por si, mas pelo direito de os outros existirem na sua liberdade, autonomia e soberania. Como um amigo, também sikh, escreveu em seu cartaz na manifestação: “a minha vitória é a vitória de todos”.

Tudo muito diferente de um terrorista.

Esse tipo de atitude parece ser fruto de décadas de abandono da nossa educação, que não educa para a diversidade, que não educa para a diferença, que não ensina o respeito, que não ensina a riqueza que existe na pluralidade, e que não instrui o acesso à informação para que as pessoas saibam quem é quem e por que são dessa forma.

Uma educação que não ensina valores básicos de altruísmo e respeito.

Enquanto sociedade, ainda nos comportamos como os militares da ditadura que atiram antes de perguntar. Ao invés de procurar entender e conversar, como muitos fazem, alguns preferem o escárnio e a diversão barata.

Ao se comportar dessa forma, quem está querendo ser parte da solução se revela também parte do problema.

O que escrevo de longe é uma defesa do meu estilo de vida. Um sikh se treina para manter sua mente em paz diante das adversidades e servir nas condições mais desafiadoras. Quando sou difamado nas ruas penso sempre em todos aqueles que por algum motivo resolveram ser diferentes e não são respeitados por isso.

Que possamos seguir juntos por uma sociedade em paz, justa, que respeite as diferenças e proteja aqueles que não tem condições de se defenderem.