[GSK] Viver no fluxo da nossa virtude

Aula ministrada por Gurusangat Kaur Khalsa em 21 de outubro de 2016 

[GSK abre a aula]

Hoje nós vamos fazer uma aula que há muitos milênios a gente não faz. Eu costumava dar essa aula nos anos 90 e todos vocês conhecem, ela está no manual da Kirn Jot. Naquela época, quando se começava um trabalho com os alunos, essa aula era feita para abrir o campo intuitivo. Ajna é o terceiro olho. Abrir uma comunicação, abrir uma visão que não fosse uma visão clichê, aparente das coisas. Mas hoje o sentido dessa aula é muito diferente. A psique desse grupo caminhou muito. Você pode ser uma pessoa que chegou ao Kundalini Yoga há um ano, mas você já vai se enquadrar dentro de uma psique que é muito diferente daquela de 1997. Muita coisa foi construída e hoje uma aula dessa não tem sequer a função de dizer a vocês que ela ajuda a gente a distinguir valores e tentar pôr em prática a virtude. Até isso a gente já passou. Não é nem ser um alerta para a gente colocar em prática a virtude. Mais do que isso: é para a gente ser virtuoso.

É um passo no amadurecimento nosso como ser humano, que é assim: eu sei o que é a virtude, eu sei onde me pego, eu sei onde os meus nós estão, eu sei onde eu sempre caio, então eu vou tentar viver de modo a praticar aquilo que é o correto. Não é isso mais. Se você ainda estiver aí, você está perdendo um pouco o bonde da psique, porque como psique nós já estamos assim: eu não tenho mais dúvida, eu já tenho condições e já experimentei o meu autocontrole, eu já não caio mais nas armadilhas do meu ego, então eu sou uma pessoa virtuosa, que é o máximo aonde temos de chegar. Então nosso teste não é mais se a gente sabe ou não controlar o nosso impulso de defesa, que seria essa prática da virtude. Esse já não é mais o nosso teste. O teste  não é o que eu sou. O nosso teste é, sendo o que sou – virtuoso –, eu não vou me sentir ameaçado por ser quem eu sou, em situações da vida cotidiana, da vida política, da vida econômica, da vida social, da vida cultural, porque a psique do mundo não é virtuosa. Então há um descompasso agora claro, clássico entre a identidade cultural das coisas e a nossa identidade real. Nós já superamos tempos atrás o conflito entre a minha identidade cultural e a minha identidade espiritual. Superada. Não tenho dúvidas que vocês hoje não têm dificuldade em assumir a sua identidade espiritual, como grupo, no grande, tom geral. Mas agora é sobre como pessoas virtuosas vão viver num mundo sem virtudes.

É claro que as coisas vão aumentando de complexidade e aparentemente a nossa mente negativa vai dizendo: “nossa, fodeu”. Mas é claro também que à medida que as coisas vão aumentando de dificuldade e nós não sucumbimos – a gente sobreviveu –, nós também aumentamos de complexidade. Nós não somos aquelas pessoas simples que conseguimos enfrentar apenas o choque de ter recebido o nome espiritual, mas a gente ganhou complexidade, ganhou requinte, a gente ganhou arte, a gente foi exposto. E aí, então, a gente tem mais mecanismos para viver num mundo onde a virtude não é colocada como pertencente aos processos. Ela é só falada, mas ela não viveu essa história. Tem alguma coisa que foi perversamente e sistematicamente colocada em nós, que tem a ver com o som. Alguém de vocês lembra de ter estudado as frequências de solfejo? Eu passei 12 anos no conservatório. As frequências de solfejo são uma estrutura de escalas musicais que iam do Dó ao Lá. Só. E foi muito praticada pelas músicas gregorianas. E os músicos gregorianos pegaram isso da Índia. E tem uma nota, chamada Ré, que tinha uma frequência em hertz, que era 417, que era a frequência de facilitar mudanças para você poder pensar fora da caixa. E o Papa Gregório muda essa frequência de 417 para 440. Nós estamos falando de Papa Gregório, logo depois dos Borjas, fim de quinhentos e lá vai cacetada. E ele institui uma mudança de nota, de escala de frequência de nota. Tudo passou a ser afinado a partir de um outro lugar. E quando o Ré sai de 417 e vai para 440, a gente pensa dentro da caixa. É uma frequência que impede a gente de facilitar mudanças. Então quando a gente fala que o dogma é a lei, a realidade tem de se adequar ao dogma, não pode haver mudanças. O Yogi Bhajan falava uma coisa curiosíssima: toda escala musical ocidental baseada nas frequências de solfejo são absolutamente em desarmonia com o corpo humano, porque tem essa frequência que saiu daquilo que os cantos gregorianos antigos conheciam. E a igreja católica impediu isso, sumiu com os cantos gregorianos de quando eles usavam a frequência de 417 hertz. Vocês podem imaginar um negócio desses? Uma loucura. Então nós estamos desde o ano quinhentos sendo organizados para criar música clássica e popular que nos faz estranhos em nós mesmos e buscar incessantemente uma segurança no outro, transferindo para o outro a nossa capacidade de estarmos seguros. O Yogi Bhajan falou demais sobre isso nos anos 1970. Eu estou recuperando esse material porque vou dar uma palestra na Faculdade de Música terça-feira que vem e vou falar um pouco disso. A gente, os nossos músicos, entoam shabads e tentam fazer nas talas e nas ragas originais porque não estão usando a frequência de 440, pois as escalas das músicas compostas pelos gurus usavam as frequências originais, e os gregorianos foram beber naquela fonte. Mas toda musiquinha bossa-nova e música sagrada bossa-nova vai repetir essa frequência. Se vocês quiserem buscar um dia na internet, a única peça que ainda existe e que foi escrita na frequência de 417 é um Ode a São Gerônimo, um canto gregoriano, belíssimo. Eu fiquei sabendo que o YouTube tinha, mas não achei. Quem sabe vocês acabam encontrando.

A aula de hoje está no contexto de que já saímos desse lugar de sermos forçados a pensar dentro da caixa, dentro da norma. Quando a gente recebeu o nome espiritual (“ai!! que é isso?”), esse conflito entre a identidade espiritual e a identidade cultural foi atritado. E  hoje o nosso desafio é viver no fluxo da nossa virtude, viver virtuosamente porque somos virtuosos. Então nós vamos fazer esse kriya com isso na cabeça, porque quanto mais a gente pratica deixando o legado, menos difícil será para os meninos (de Miri Piri Índia) entrarem na frequência de se debaterem para viverem quem eles são, quando voltarem da Índia.

Quando muda a escala em Ré, mudam todas as notas. Ele mudou o Ré, porque era a nota que facilitava mudanças. A gente pensa é que coisa de maluco e de hippies falando. Tem um aparelho que afina essas frequências. Você afina o Ré na frequência de 417 e deixa as outras notas se afinarem. O Lá é considerado a frequência para restaurar a ordem espiritual, é 825. Então muda tudo, por isso que os solfejos que a gente usa e trabalha com eles desde quinhentos e lá vai pedrada são completamente desarmônicos à estrutura biológica humana.  Inclusive nós já superamos aquela história de saber que o terceiro olho tem de estar onde? No plexo solar. Eu não tenho de dar mais essa aula com essa intenção.

Kriya e meditação: Ajnaa Stimulation Kriya, do livro Kriya

Eu quero compartilhar com vocês o efeito de cada nota. O Dó vibra a 286 hertz e o bij do Dó é para liberar culpa e vergonha. O Ré, 417 hertz, é para facilitar mudanças. O Mi é 528, é a mesma frequência que o corpo humano usa para reparar o DNA. Isso é muito conhecido por  médicos. Os aparelhos, quando foi decodificado o genoma, usavam a essa frequência, 528, a mesma do Mi, que repara o DNA e era chamado pelos gregorianos a frequência do milagre. O Fá, 639 hertz, facilita engajamento em relacionamentos, uniões. O Sol, 741 hertz, é para buscar e encontrar soluções através da intuição. O Lá, 852 hertz, para a restauração da ordem espiritual dentro de nós.

O shabad que vocês entoaram é do Bhai Harinder Singh e se chama Wahe Guru Simram. A diferença dele e do canto gregoriano é que usa 22 notas e o canto gregoriano só usa 6 notas.

Siri Sahib: o Si com o Lá era chamado de diabolus.

Porque o Si foi introduzido depois pelo Gregório. Não havia outra nota, porque eles achavam que depois da ordem espiritual não era necessário nenhum outro tom porque inauguravam uma dissidência. Então é o que eles chamam de diabolus. O diabo é a dissidência.

May the long…

[Transcrição: Sada Ram Kaur]

Elevando a frequência – a Bana

SS Guru Sangat Kaur Khalsa

Yogiji estava passando por Columbus, em Ohio, e uma dúzia de seus alunos foram até o aeroporto para estar com ele durante algumas horas. Quando nos assentamos em um terminal, Yogiji, vestido em seu longo robe branco e com seu turbante, fechou os olhos e esticou suas longas pernas. Todos nós sabíamos muito bem que era melhor não pressupor que ele estava dormindo.

Subitamente, um homem com aparência de um empresário norte-americano penetra rudemente nosso espaço. Ele estava imaculadamente vestido em um terno de três peças e gravata, tudo muito bem passado, e carregava uma maleta. Seus sapatos caros brilhavam de longe. Parecendo indignado, ele se aproximou do Yogiji e disse com uma voz irritada e alta: “Quem é você?!”

Yogiji lentamente abriu um de seus olhos e olhou o empresário de cima em baixo. Fechou, então, seus olhos mais uma vez e disse: “Um ser humano”.

Impaciente, o homem respondeu: “Sim, eu sei. Mas de onde você é?”

Yogiji respondeu sem abrir seus olhos: “Vênus”.

Naquele momento, o cara começou a ficar realmente irritado, e perguntou, gritando: “Que tipo de roupas são essas?”

Yogiji abriu os olhos – bem abertos – e, cuidadosamente, escrutinou o homem de cima abaixo, antes de responder à sua pergunta com outra pergunta: “Que tipo de roupas são estas suas?”

“Estas são roupas americanas!”, o homem respondeu.

“Não”, disse Yogiji. “Você não sabe que esta roupa sua é inglesa?”

Indignado, o homem disse: “Ahã, e que tipo de roupas são essas que você está usando?!”

Yogiji fechou seus olhos e se acomodou confortavelmente. “Estas”, ele disse com um leve sorriso nos lábios, “são as roupas do futuro”.

 

(texto de Guruka Singh Khalsa, do livro Heroes saints and yogis – tales of self Discovery and the path os Sikh Dharma; p.79 – traduzido pela autora desta coluna)

 

Bana é um estilo de roupas que aumenta a frequência interna e, consequentemente, a projeção de quem a usa.  É composta de duas peças, uma túnica longa até os joelhos e uma calça longa ou curta até o joelho, no caso de homens. O turbante faz parte da Bana e ele protege o décimo portal (fontanela), recolhendo a energia deste ponto sagrado e transferindo-a para o corpo todo. Bana completa produz um efeito impressionante de penetração na psique do ambiente e das pessoas. A Bana é o paramento utilizado pelos professores de Kundalini Yoga, e este estilo tem sua origem no Sikh Dharma.

A palavra Bana significa “penetrar”, e este paramento é usado pelas pessoas com o intuito de criar um impacto, a partir da pureza de suas mentes e seus corações, e revelar bondade e compaixão. Bana sela um compromisso pessoal com o servir ao outro de forma desinteressada e sem discriminação, pondo em prática os valores mais nobres do ser humano.

Nos tempos dos Gurus, o uso de Bana se tornou importante por dois motivos:

1) Identificar os alunos do Guru Nanak no meio da multidão para que as pessoas pudessem reconhecê-los, caso precisassem de ajuda.

2) Aumentar a autoestima já que Bana é uma vestimenta que confere dignidade e nobreza.

 

Wahe Guru, Sat Nam!

 

Belo Horizonte, 02 de julho de 2013.