Seminário ABAKY 2016 – Saber de Cor

Saber de Cor, com S.S. Gurusangat Kaur Khalsa

A prática do Kundalini Yoga cria, a partir do coração, um ponto de radiância que nos coloca no radar de tudo. Em tempos de crise e críticos o coração sangra, e nesta aula vamos aprender a desenvolver o coração compassivo, para que a complexidade dos tempos seja compreendida e perdoada.

DEVIDO AO GRANDE SUCESSO E IMPACTO, IREMOS REPETIR ESTE SEMINÁRIO QUE FEZ PARTE DA PROGRAMAÇÃO DA BIENAL ABAKY 2016.
NÃO PERCA!

Data: 17 de Dezembro de 2016
Horário: 9h30
Local: ABAKY Brasil – Rua Yvon Magalhães Pinto, 511, Bairro São Bento – BH/MG
Valor: R$ 50,00

*S.S. Gurusangat Kaur Khalsa
– Doutora em Epidemiologia pela Universidade de Berlim, Alemanha
– Lead Trainer da Aquarian Teacher Trainer Academy
– Professora aposentada pela UFMG

Mais informações: 
(31) 3297-5508 (atendimento das 9h `as 13h)
secretaria@abaky.org.br

Sat Nam Wahe Guru

Lançamento do Volume 1 da Coleção Seminários

Sat Nam!

Com muita alegria convidamos a todos para o lançamento do volume 1 da Coleção Seminários, da 2 Linhas Editora.

Uma abordagem dos temas “relacionamentos” e “solidão” nos dias atuais, `a luz dos ensinamentos do Kundalini Yoga, através de Seminários ministrados por Gurusangat Kaur Khalsa.

Dia 12 de Novembro, Sábado, `as 18:30, após o Peace Prayer Day, que começará `as 17:00.

Niágara Eventos – Rua Douglas, 142 – Jardim Canadá.

Entrada Franca!

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[GSK] Para conectar o coração à consciência

Aula ministrada por Gurusangat Kaur Khalsa em 11 de setembro de 2015.

[GSK abre a aula.]

Nós estamos na véspera do Tantra, num momento de silêncio, então precisamos fazer uma conexão entre o coração e a consciência. Eu cansei já de explicar que no Kundalini Yoga, quando a gente usa o termo “consciência”, nós estamos falando de um lugar particular, e consciência é a nossa relação direta com a nossa alma. E para não ficar um negócio filosófico demais, quando nós nos aproximamos do ambiente da alma, do corpo da alma, nós estamos falando de algo muito específico e concreto. Então do que estamos falando quando nos referimos à alma, do que estamos falando que é totalmente concreto? Algo que faz sentido absoluto?

ALUNO: Valores.

GSK: Valores. Que tipo de valores? Porque eu posso ter um tipo de valor do tipo: servir a mim mesma; o meu valor é sempre “estar bem na foto”.

ALUNA: Éticos.

GSK: Valores éticos. São diferentes dos valores morais. Mas estamos falando especificamente de quê? Existe um núcleo desses valores éticos. No caso da nossa alma, o núcleo do valor ético é: Eu só estarei completamente realizada e feliz quando, através do meu próprio esforço, com a minha própria atitude, com a minha própria ação, eu conseguir fazer alguma coisa para transformar aquilo que está além de mim. E o que está além de mim? O outro, a sociedade, a estrutura, enfim…

Então vocês entendem? Quando a gente fala em alma no Kundalini Yoga, nós estamos falando de uma ação política em que carregamos o nosso coração, o nosso corpo, vamos suar nossa testa para fazer uma diferença no mundo para que o mundo, com as pessoas que nele estão e com a estrutura nele existente, se transforme. Não é uma coisica, não. O Kundalini Yoga não é um sistema de reclusão, em que você vai para o mosteiro e reza. Esse seria também um valor ético, que não tem problema nenhum, você estaria rezando, só que você estaria nesse sistema fisicamente e socialmente desengajada. Esse é um divisor de águas no Kundalini Yoga, ele surge de uma tradição que não é monástica.

Então quando vamos para um Tantra Yoga Branco, nós vamos para fazer uma limpeza do subconsciente. Nós queremos limpá-lo de impressões, onde está uma gravação marcada em nós durante os anos formativos. De 0 a 7 anos. Nesses anos, nós ganhamos uma gravação; a tecla <REC> foi apertada e gravou-se no nosso subconsciente um tipo de história, um tipo de crença. O Tantra é uma tecnologia muito potente de apertar o <REC> com o <PLAY>. Quando você aperta o <REC> com o <PLAY> – muitos de vocês não eram nascidos quando isso existia, chamava “gravador” [a turma ri], você apertava o <REC> com o <PLAY> e apagava a fita. Então não adianta ter uma gravação e dizer: “eu não gostaria de ser mais assim; muda, muda”. Não adianta. Você tem uma fita em que foi gravada uma bobagem, daí você põe a fita para tocar e diz: “Nossa, que bobagem, por favor, bobagem, apague-se, por favor, bobagem, apague-se!”. Não funciona assim, não adianta você falar para o gravador: “Apaga, por favor, apaga”. Não adianta o poder da mente. Isso não resolve. Não resolve autossugestão do tipo: “Amanhã vou ser diferente”, não resolve. Para funcionar, o que você tem que fazer? Apertar o <PLAY> com o <REC>.  Quando você aperta os dois juntos, ele roda sem gravar nada. Isso é o Tantra. Então vai ser apertar o <PLAY> com o <REC>. O Tantra tem esse poder.

Por que nós insistimos todo ano em fazer isso, algumas vezes vamos para o Solstício e fazemos três dias e tal. Nós insistimos porque o nosso subconsciente pode ser o nosso fim, se estiver lá só reproduzindo a fita dos nossos anos formativos, porque nos tornamos cínicos, mentirosos, enredeiros, sedutores, para fazermos valer a nossa crença. E nós seduzimos através de uma atividade política, através de uma atividade artística, através de uma atividade familiar, seduzimos simplesmente para fazer valer nosso projeto. Esse projeto não te identifica com sua alma, porque a alma não se relaciona com nada limitado. Então o subconsciente não te identifica com a alma. Assim, o Tantra ajuda a gente a limpar esses processos do subconsciente.

Mas então por que o Tantra não acaba com o subconsciente de uma vez? Por que a gente não pode acabar com o subconsciente de uma vez? Qual a função dele? É a nossa caixa de gordura. A gente só limpa ela, a gente não acaba com ela. Se a gente acabar com essa caixa, nossa gordura vai para a terra e contamina o lençol freático. Se a gente acaba com nosso subconsciente, a nossa gordura e o nosso lixo vai para o nosso sistema e o destrói completamente. Então uma das coisas que mais nos ajuda no Tantra a fazer o processo de limpeza rápido, e fazê-lo valer, sem ficarmos temerosos e tal, é a gente conectar o coração com as meditações. E a aula de hoje é para abrir o coração.

Por que vamos conectar o coração com as meditações? Lembram do que eu falei semana passada, que um dos engodos em que a cultura nos fez acreditar foi que o coração era uma instância para o quê? No que a gente pensa quando se refere ao coração? Gente pensa em sentimento. A gente acha que as emoções estão no coração. Isso não é verdade, as emoções não têm nada a ver com o coração, as emoções estão na barriga. Sentiu o elevador subindo e descendo? As emoções estão nas entranhas, não tem nada a ver com o coração – isso foi nossa aula de semana passada. As emoções não estão no coração, nele reside apenas uma câmara, um quarto amplo, para pegar as emoções e dar sentido a elas. O coração dá sentido.

Então quando vocês estiverem no Tantra, processando, e naquele negócio [Gurusangat estica o braço para cima, demonstrando uma postura], e pensando quantos minutos ainda faltam para acabar – tem gente que conta, eu já vi muita gente fazendo isso, coloca lá o “contador de tortura”, e fica olhando o relógio; o tempo nunca passa, é melhor você não fazer isso, é melhor esquecer. Naquele momento, você precisa conectar o coração com o processo, porque o coração dá sentido à experiência. O coração é a razão, não o sentimento. Acabamos com o romantismo do século XVIII e XIX. Acabamos. Quem revirou na tumba agora? Muitos românticos dos séculos XVIII e XIX. O coração dá sentido à experiência. Ele que qualifica. Ele ajuda a direcionar aquilo para a cabeça. Então, vamos nessa?

Kriya ministrado: “Heart Connection (12 de Março de 1986)”, do manual Transitions to a Heart-Centered World. Meditação do próprio kriya.

May the long time…

[Transcrição: Sat Bhagat Singh Khalsa]

[GSK] Equilibrando os hemisférios cerebrais

Aula ministrada por Gurusangat Kaur Khalsa em 04 de setembro de 2015

 [GSK abre a aula.]

Hoje nós vamos direto para o kriya, que é um trabalho para ajustar três aspectos do cérebro. O aspecto da circulação; ao ajustar a circulação, você ajusta automaticamente as frequências daqui e dali, então as ondas cerebrais estão diretamente relacionadas à circulação, ou à quantidade de atividade circulatória em determinada região do cérebro – e a gente não quer um cérebro com a configuração de um lado alfa, o outro é beta, o outro é gama; a gente quer um cérebro com cada parte na sua frequência. O ideal do cérebro humano é que ele esteja inteiro na mesma frequência, e não importa qual das frequências. Quando ele está na mesma frequência, é capaz de criar um campo único para processar a informação, encontrar resposta e ter uma memorização impecável dos eventos. Então essa é a chave. E outra coisa importante que esse kriya faz é ajustar o hemisfério direito com o esquerdo. Esse ajuste equivale a abrir uma comunicação entre esses dois hemisférios.

Vocês querem saber o que acontece quando esses dois hemisférios não dialogam? A primeira coisa é: vocês escutam aí no Fantástico que o lado direito do cérebro é relacionado a quê? Intuição, criatividade… Na neurologia é tudo isso também, mas isso é feito numa base que não é a realidade. Ouviram isso? Não é a realidade, é a fantasia, a imaginação. Então desculpa dizer assim, mas é uma mentira. Na neurologia a gente diz que é o lado do cérebro que mente, porque ele interpreta e tira conclusões baseado numa suposição, numa imaginação.

ALUNA: É a mulher.

GSK: É a mulher. Exatamente. Esse é o lado feminino, a mulher está muito mais aí. Mas se você for homem, e em determinado momento da sua vida você estiver envolvido demais com um projeto, qualquer que seja, você tende a querer proteger tanto aquele projeto, tende a querer tanto dar vida àquele projeto, tem que dar vida a quê? À mulher. E aí você tende a descolar da realidade completamente. E fantasiar, e julgar, e tirar uma série de conclusões acerca de um evento, de um problema, que dramatizam aquilo a tal ponto para você ficar inflamado na defesa do projeto. Isso é quem? A mulher.

Vocês conhecem isso quando estão envolvidos num projeto? Isso é um infinitésimo da experiência de ser mulher. Então o lado direito, quando fica mais ativo e na defesa de uma ideia ou de um projeto, ele fica absolutamente deslocado da realidade, fora da realidade, e fantasiando.

O lado esquerdo é o quê? A lógica, a razão e tal. O lado esquerdo então é isso. [Dito de maneira irônica. A turma ri.] E ponto. Não tem grandes problemas, é a lógica, a razão. Absolutamente inserido num contexto e desinserido das outras coisas, mas absolutamente lógico e racional. Então o que a gente quer é misturar esses dois componentes, porque é uma coisa terrível você ter só um hemisfério funcionando, porque ou você vai ficar frio, descomprometido, numa lógica e numa racionalidade impossível de ser rompida, porque está absolutamente inserida na realidade – e vocês, mulheres, sabem do que estou falando quando têm que lidar com o homem. Embora vocês saibam que tem alguma coisa errada, não tem argumento, porque ele é absolutamente lógico e ligado na realidade. Está faltando um elemento de transposição daquilo tudo. Mas o outro lado também é terrível, porque você está só na mentira, só na fantasia.

Então essa aula faz com que esses dois mundos se juntem para você colocar lógica na fantasia, e colocar fantasia e criatividade na sua racionalidade. Aí você vira um ser humano completo, feminino e masculino trabalhando juntos.

Isso tudo é só para fazê-los entender que vocês são professores de Kundalini Yoga. Ontem eu estava fazendo uma consulta e a pessoa repetia para mim: “Eu não estou aguentando mais o meu marido”. Eu disse: “Então coloque em prática tudo que você aprendeu”, ela não estava colocando em prática o que aprendeu. Quantas mulheres aguentam o marido? E quantos maridos aguentam as mulheres? O casamento é o kriya mais difícil, mas existem aqueles que aplicam esses ensinamentos na relação e dissolve a tensão que existe de modo apenas a valorizar a relação.

Não adianta nada vocês fazerem isso tudo, saírem daqui e voltarem para seus hemisférios corriqueiros e continuarem vendo o mundo da mesma maneira. Vocês precisam aplicar, saber que precisam diversificar. Então vamos lá.

Kriya ministrado: Série de exercícios para equilibrar o cérebro. Manual Kundalini Yoga para Juventude, p. 42.

Meditação: Parte do kriya 

É importante levar a experiência dessa aula logo para a hora seguinte, quando a gente tiver que lidar com o mundo como ele é; você lembrar que é preciso ter os dois hemisférios do cérebro atuantes.

Lembrem-se sempre de que, como professores de Kundalini Yoga, vocês só vão ter um sistema nervoso que consegue operacionalizar a vida de vocês no tempo atual se tiverem campo radiante, e esse campo radiante se faz no Kundalini Yoga com os braços. Onde nós temos o maior acúmulo do sistema nervoso? No cérebro. O sistema nervoso é igual uma mulher nervosa, muito sensível; ela precisa fazer muita coisa, mas é muito sensível e irritadiça, e logo pega fogo. Para que uma mulher faça tudo que precisa fazer, ela tem de estar protegida, ela precisa se sentir protegida e amparada, e com o nosso cérebro acontece a mesma coisa. Então se você tem um grande campo magnético, um corpo radiante forte, o sistema nervoso não fica nervoso, ele apenas se sente protegido e faz o que tem de ser feito, igual a mulher. Yogi Bhajan dizia que o nosso cérebro é igual uma mulher, precisa estar muito amparado pelo campo eletromagnético para que possa executar suas funções sem dar tilt. São os braços que dão essa qualidade de proteção.

Muita gente entende mal no Kundalini Yoga que os braços são o cérebro. Não, na verdade, o cérebro é o intestino. Literalmente é o intestino, é o mesmo tecido nervoso. A pele. Mas os braços dão proteção para o sistema nervoso, porque aumentam o campo eletromagnético em torno da cabeça, aumentam o corpo radiante. Mas o cérebro é a pele. E onde a gente tem essa pele extremamente relacionada com a cabeça e com o cérebro, é o intestino. Por isso se diz na medicina ayurvédica que se o intestino não funciona, a cabeça não funciona.

Vamos então fechar nossa aula?

May the long time sun…

[Transcrição: Sat Bhagat Singh Khalsa]

[GSK] Associando a alma ao coração

Aula ministrada por Gurusangat Kaur Khalsa em 28 de agosto de 2015

[Gurusangat abre a aula.]

Nós precisamos ter uma tremenda confiança no cerne do nosso propósito para podermos servir no tempo e no espaço. E se formos vítimas de qualquer tipo de injustiça ou quando vocês se sentirem impotentes, a coisa que mais precisamos fazer é associar o coração com a alma. Por que o coração tende a… sofrer. O coração tende a levar tudo para dentro. Como se você sentisse um aperto. Mas o coração também é uma ponte. Muitas vezes, quando a gente sente uma aflição, angústia, ansiedade, impotência, percebam que são sentimentos que te encolhem, mas não são sentimentos que te dão raiva, não te levam para o triângulo inferior, são sentimentos que te levam exatamente para o coração. Se eles fossem para o triângulo inferior, você sentiria raiva, vontade de se vingar. Não. Esses que estamos tratando aqui são sentimentos que espremem o coração.

Quando associamos a alma ao coração, essa é a única chance que temos. A alma associa sentimentos de expansão a esses sentimentos que tiram a nossa força nos comprimindo. Como a gente traduz isso em termos não românticos ou não literários? Por que o kriya vai fazer uma associação do coração com a alma em termos práticos. Mas como a gente interpreta e entende isso? Precisamos encontrar algum elemento nessa conexão com a alma que transforma a sensação de encolhimento e de “murchar”.

Vocês sabem que a alma é capaz de liberar sentimentos que nos expandem. Por exemplo?

ALUNA: Gratidão.

GSK: Está certo, mas gratidão é um sentimento que se aplica quando você está impotente?

ALUNOS: Não.

GSK: Gratidão pode até ajudar, mas vai ser lá no final. No momento em que você está sentindo a impotência e a angústia, gratidão não é um sentimento que te tira do aperto e te fazer expandir. Qual outro sentimento que vocês conhecem que vem da alma e pode te expandir?

ALUNA: Alegria.

GSK: Não, alegria é uma emoção.

ALUNA: Respeito.

GSK: Respeito é uma qualidade ética que vem. Mas quando você está angustiada, o respeito também não vai ser um sentimento que te expande. Vocês compreendem isso?

ALUNOS: Sim.

GSK: Nós estamos dizendo da angústia e da impotência.

ALUNO: Fé.

GSK: Você leu meus pensamentos. Fé. Só tem uma qualidade que é capaz de te tirar daquela angústia – que é a fé. Não existe outra, é uma qualidade que vem da alma. A impotência só é transmutada com a fé. E o que é a fé?

A fé não é uma passividade, não é uma espera passiva. A fé como espera passiva é a definição de quem? Da religião. No Dharma, a fé não é uma espera passiva. A fé é uma espera ativa. Por quê?

ALUNO: Porque você se coloca como parte da esperança? Como uma plataforma para o outro e para o mundo.

GSK: Mas como você faz isso?

ALUNA: Ação?

GSK: Vamos voltar ao caso – o caso é de angústia e impotência. De uma pessoa se sentindo presa. A qualidade que tira a pessoa desse lugar é a fé. Fé em que, se não é uma espera passiva? A espera passiva é uma fé em quê?

ALUNOS: Num salvador, num Deus fora.

GSK: Eu sei que se vocês me disserem que é num Deus dentro, eu vou dizer “Sim!”. Mas como? Por quê? Então não vou aceitar respostas rasas. A fé ativa o que dentro de você?

ALUNA: A continuidade da sua missão e do seu propósito.

GSK: Isso é uma resposta correta, mas podem haver outras respostas. Mas essa resposta quer dizer que você deveria colocar mais peso no seu trabalho do que no seu encolhimento. Então você pode sofrer, pode ter caganeira, pode ter dor de cabeça, mas você tem de continuar trabalhando, você precisa manter o compromisso. A fé ativa é quando o sentimento de impotência não é suficientemente grande para te tirar do seu compromisso – ele não é grande porque você não o deixa ser, porque senão ele seria. A palavra fé, no Dharma, é idêntica a compromisso. Uma fé dhármica é um compromisso.

Aí entra uma segunda qualidade, porque se você se mantém no compromisso e você se sentiu impotente, o compromisso vai acabar te expandido. Então fica um residual do sentimento de um desejo de restaurar a honra, ou a justiça. Ficamos aguardando. O sentimento que faz com que a justiça seja feita também se relaciona à alma e ao coração – que é a qualidade da paciência convicta de que a verdade prevalece. Paciência convicta. E isso pode demorar vidas. Às vezes isso demora vidas para esse resgate ser feito. A conduta é como a que o Yogi Bhajan sempre teve: “Eu vou fazer meu trabalho, fazer o que tiver de ser feito e pacientemente confiar na justiça. Minha fé é que eu servindo meu propósito e sendo genuíno, a justiça será feita”.

Essa aula de hoje foi dada nos anos 1970, e uma das notas que ele fala nessa aula é que: “Todo ser humano que começar a andar no seu destino, no caminho existencial da alma, será confrontado e será acusado. Porque uma pessoa que é autêntica abala o lugar comum onde a massa se esconde”. Então vamos lá?

Kriya ministrado: Heart and soul  (Manual Transitions to a Heart-Centered World). 

GSK: É muito importante a gente entender, no Kundalini Yoga, o que é esse centramento no coração. Não é uma coisa romântica-emocional, mas sim ser capaz de experimentar de forma profunda os valores que residem na alma. E vocês podem treinar isso na comunicação de vocês – não percam a conexão com a alma quando comunicarem a partir do coração. Se vocês comunicam a partir da angústia ou da frustração de vocês, vocês se desqualificam e perdem a conexão com a alma. Toda vez que vocês se colocarem num lugar superior e colocarem o outro num lugar inferior, vocês nunca vão alcançar o coração do outro. Não há conversa assim. O outro vai te responder para te atacar e você vai responder para manipular, para se impor, nunca vai haver uma conversa. Você precisa saber se conter, saber pisar no seu freio. Vocês precisam ser um elo para compreensão e não para a punição do outro. E vocês escutaram um Shabad hoje que dizia:

Kirpan Gopal Gobinde – A sustentação vem com a compaixão e com a luz.

Sustentação é quando a compaixão se traduz em compreensão: Kirpan Gopal Gobinde. Assim se criam relações. Quando se associa Kirpan (compaixão) com Gopal (luz) para que haja Gobinde (sustentação).

May the long time sun shine upon you…

Sat Nam Wahe Guru

[Transcrição Hari Bhagat Singh Khalsa]

[GSK] Criando tapas e gerando limpeza para gerações futuras

Aula ministrada pela professora Gurusangat Kaur Khalsa em 14 de agosto de 2015.

Hoje eu preparei um clássico para fazermos a aula: uma aula para os rins. Uma aula que vocês já fizeram inúmeras vezes; eu não sei se com a mesma consciência com que farão hoje, que é inseri-la no contexto em que trabalhamos.

Existem no Kundalini Yoga dois tipos de limpezas importantes. Um é a limpeza de karma. Nós não somos agentes de limpezas de karma, não é isso. Um dos serviços que o Kundalini Yoga mais presta é que através desse mecanismo, nós podemos fazer o que Guru Nanak diz com o Salok no Japji: limpar gerações para trás e preparar gerações para frente. Quando Guru Nanak diz que a gente vai limpar sete gerações para trás e promover a limpeza de sete para frente, como vocês acham, no corpo da gente, que a gente faz isso? Aliás, onde no nosso corpo nós vamos limpar?

Aluno: O material genético?

GSK: Isso! É o material genético aquilo que a gente realmente pode limpar, e a força desse mecanismo de limpeza acontece através de um tipo muito particular de calor chamado “tapas“. Esse tipo de calor consegue fazer uma limpeza de impressões psíquicas no nosso material genético. Quando Yogi Bhajan disse isso nos anos 1960, ninguém acreditava que ele estava falando uma coisa que pudesse ser possível. Hoje a gente sabe que isso é possível. E por que a gente limpa gerações para frente?

Vocês estão alcançando com essa limpeza genética a psique daqueles que vieram há sete gerações carregando essa… essa “inconha” [risos], esse núcleo. Como vocês limpam sete gerações para frente? Tem duas maneiras de limpar, uma é óbvia. Qual é a óbvia?

Turma: Material genético.

GSK: Isso! Como? Para sermos precisos, a resposta correta é: através daqueles de nós que colocarmos no mundo novas gerações – aqueles de nós que tiverem filhos. O primeiro mecanismo é esse então: se você limparem o material genético de vocês, vocês não passarão adiante as impressões psíquicas das gerações anteriores. Se vocês limparem o de vocês e fizerem essa limpeza bem feita, vocês vão tirar do campo projecional de vocês essas impressões psíquicas. E consequentemente, vocês, ao morrerem, deixarão um legado para as futuras gerações de que, nas suas moléculas, vocês não têm mais aquela “inconha”. Vocês não têm mais aquela marca genética. No dia em que as suas moléculas forem recicladas num novo ser, aquele novo ser será gerado com aquela nova informação. Vocês entenderam?

Guru Nanak só fala isso: limpa sete gerações para trás e sete para frente. Por que isso tem tudo a ver com a aula de hoje? A aula para os rins trabalha nesse primeiro mecanismo, ela gera tapas. E o segundo mecanismo que o Kundalini Yoga tem é trabalhar dentro do circuito chamado “adeno-hipofisário”. Onde está o adeno?

Turma: Nas glândulas supra-renais.

GSK: E onde está o hipofisário? Está por aqui [Gurusangat aponta para a região central do crânio]. Esse circuito adeno-hipofisário é um circuito muito requintado que nós adquirimos maestria de usar em situações de estresse. Nós acionamos esse circuito, e quando estamos em situações de risco ele nos faz enfrentar ou correr. Esse mecanismo é muito bom. Ele já foi condicionado, mas se nós usarmos o mesmo eixo não para enfrentar nem para fugir, mas para processar os eventos traumáticos ou medo ou o que for, nós vamos gerar um tipo de informação muito importante que é: essa memória vai ser processada, nós vamos registrá-la no córtex, ela não terá mais qualquer tipo de influência na minha vida. Então a aula de hoje, além de gerar tapas, vai gerar um trabalho no eixo adeno-hipofisário para vocês pegarem qualquer memória de trauma e registrá-la no córtex, onde ela não terá mais efeito traumático nenhum. Essa é a importância da aula de hoje. É uma aula antiga, clássica, e vocês já a fizeram dezenas de vezes, mas não com essa consciência.

Na medida em que tapas é gerado é gerado também um incomodo, porque é gerado um esforço, vocês vão por favor manter o esforço e o incomodo. Não desistam!

Aula: Série de exercícios para os Rins (Manual do Professor, páginas 29-30)

GSK: Vocês fizeram uma aula magnífica. Se vocês compreenderem o princípio básico no Kundalini Yoga, que a gente falou hoje: tudo o que queremos é funcionar no cérebro mais evoluído, que é o córtex. Nós queremos sair do drama. Se vocês entenderam que cada kryia, cada meditação do Kundalini Yoga serve a esse propósito, vocês poderão qualificar as aulas de uma maneira muito especial. Por que a gente quer sair do drama? Porque se vocês pensarem com frieza (isso é um modo antigo de dizer), porque se vocês pensarem de um modo neutro, vocês vão entender a vida a partir de outro ângulo. Nós estamos realmente de passagem. Considerem essa possibilidade. Isso é uma passagem.

Nessa passagem que estamos fazendo, nós viemos para cumprir um propósito. O propósito de vocês que estão sentados aqui é algo muito nobre, não precisa ser algo grande que vai aparecer na televisão. É algo muito nobre: ou você vieram para lutar por uma causa, ou vocês vieram para construir uma nova realidade, ou vocês vieram para fazer o trabalho que vocês fazem de modo íntegro para gerar a informação de que existe integridade no trabalho, ou vocês vieram para servir a alguém. Vocês têm um propósito. A história é que quando você se lembra que você vai morrer, fica muito secundário o fato de você ter prazer. Vocês estão sabendo de que prazer estou falando, não é? Aquele de que está tudo bem e vocês estão felizes da vida [modo irônico]. Torna-se muito mais importante vocês descobrirem o prazer de servir ao outro. E o serviço é sempre duro, mas o prazer que vem do serviço tem outra qualidade. Ele vem da gratidão do outro. Quanto nós estivermos preocupados, querendo tirar férias, lembre-se bem do Yogi Bhajan dizendo: “Férias, que férias? Deixe para tirar férias quando você morrer”. A gente pode fazer isso no sentido figurado. Yogi Bhajan não disse isso no sentido figurado, ele era totalmente literal e era contra férias. Mas a gente pode fazer isso e dizer pra si mesmo: “Por que estou cansando? Estou cansado? Descanso e continuo porque existe algo muito maior do que eu, existe algo além de mim”. Vocês entendem isso?

Isso é a Era da Aquário – eu sei que já está dando saudades da Era de Peixes em alguns de vocês [risos]. Essa é a Era de Aquário! A gente ainda não está totalmente preparado para viver nela. Porque a gente passou grande parte do tempo da nossa psique na Era de Peixes, quando quem tinha dinheiro contratava pra fazer. Basta ver os prédios construídos com quarto de empregada. Na Era de Aquário, nós somos aqueles que fazemos. E estamos aqui juntos para nos preparar.

A vida pessoal tem um limite na sua importância quando você se coloca na perspectiva cósmica – que é a perspectiva que a gente deveria se colocar. Nós estamos fazendo um grande bem para as futuras gerações. Isso é um saponáceo impressionante. A gente precisa não deixar que o tempo dissolva o nosso propósito – especialmente quando a gente sente que existe uma demora. E em nosso caso, com a Escola Miri Piri, olha há quanto tempo estamos num propósito! E muitos de vocês estão desistindo no meio do caminho.

A gente tem que ter um propósito coletivo – isso é aquariano. Esse propósito coletivo está cuidando de geração para frente, muito além de nossas famílias. Se vocês compreenderam o princípio do sacrifício – não é o sacrifício judaico-cristão, de se negar. Pelo contrário, é o de você se oferecer para servir o outro.

Quem aqui entre vocês tem problema em casa com a mulher ou o marido, levante a mão por favor? Quem aqui entre vocês tem problemas de dinheiro? Quem é de vocês que está infeliz porque estamos no meio de uma enxurrada caminhando para o esgoto do ponto de vista social e político?

Nós estamos todos infelizes, mas nem por isso a gente deixa de sorrir e de servir. A gente não pode esperar estar feliz para só então podermos fazer alguma coisa. Porque esse estado é artificial. A gente não pode esperar querer estar livre para poder servir porque não existe essa tal liberdade. Só existe a liberdade de escolher.

É este tipo de processamento lógico que essa aula de hoje dá. Eu sei que vocês estão se perguntando: “Até que ponto a gente sustenta a inconha?” Essa é uma boa pergunta. E a resposta é simples: se o processo não te dignifica mais, você não tem que sustentar. O parâmetro é a dignidade e não a covardia. Vocês entendem a diferença? Porque se vocês fogem antes… Vocês precisam saber de forma neutra se o processo ainda te dignifica, se não dignifica, adios! Mas você precisa dar uma chance. Às vezes quando a gente serve a partir de outra perspectiva, ela passa a dignificar. Às vezes a gente serve numa situação indigna, mas a gente serve com pureza, fazendo o propósito, e a coisa só vai dignificar na hora da morte.

É nesse espírito que eu gostaria de convocar vocês para entrarmos na sadhana da prosperidade que começamos na quarta-feira. A prosperidade assenta-se na vida daqueles que não têm dúvida de que estão a serviço. Nunca o dinheiro vai parar de entrar se o dinheiro não for seu, entende? Se você tiver a ideia de que “o dinheiro é meu”, ele não entra. Não entra! O dinheiro está a serviço. Tem que estar a serviço para poder entrar. Vocês precisam acreditar nisso para vocês ficarem prósperos.

Eu só estou falando assim para que vocês se sintam apoiados, vocês não estão sozinhos na dor de vocês.

Uma última coisa que eu gostaria de dizer para vocês hoje é: nas suas relações pessoais e familiares, mantenham-se eretos, firmes, e não se curvem diante do melodrama e das chantagens do outro. Isso é muito importante. Quando o outro vê que vocês permanecem em vocês quando melodramas e chantagens estão acontecendo, eles desenvolvem a médio prazo um grande respeito por vocês. Isso é uma conquista que vem quando vocês não se curvam para melodramas e chantagens. Vocês precisam permanecer vocês: doces, confiantes, amorosos, com a mão estendida, mas permanecer vocês. Não se curvem e mantenham a sua graça preservada. Lembrem disso com seus filhos e nas suas relações ao seu entorno.

May the long time sun shine upon you all love surround you and the pure light within you guide your way on.

 

[Transcrição: Hari Shabad Kaur Khalsa]

 

[GSK] Choque de realidade

Aula ministrada pela professora Gurusangat em 07 de agosto de 2015.

Vamos trazer as mãos em prana mudra, assentem-se de maneira elevada, expandida, com a coluna ereta e o peito aberto, queixo em ligeira jalandabhanda. Assuma sua identidade e postura yogica, e deiea fluir a partir dessa certeza.

(Entoam-se os mantras de abertura).

Sat Nam,

Vamos iniciar com um pequeno aquecimento para a coluna.

Em seguida passamos para o Kriya para elevação (Manual do professor página 17).

GSK: Yogi Bhajan gostava de dizer que por mais de dois mil anos nós temos sido enganados, porque há mais de dois mil anos tem sido dito para nós que alguém virá nos salvar. Nós estamos esperando um salvador. Ai fomos capturados nessa grande pegadinha; por que se alguém vem para nos salvar, nossa psique se acostumou com a ideia de termos um tutor, um Salvador daqui-Dalí, para tirar a gente da enrascada que nós nos colocamos. Aí ele fala assim: “Desculpa, mas ninguém vem para te salvar, você tem que se salvar! É você mesmo que precisa fazer isso!”. Essa chave cultural que nós temos – que é religiosa, mas que se tornou tão forte a ponto de virar um traço cultural, essa ideia de que alguém vem para nos salvar – por mais que você seja ateu, ou outra coisa qualquer, ou sikh ou budista ou xamanista, católico ou o que for, por mais que você não acredite nisso intelectualmente, quando se torna um traço cultural, passa a não depender do seu intelecto: você absorve aquilo e aquilo vira parte de você. Isso na nossa cultura é muito forte. Talvez por que na nossa cultura nós estejamos muito mais ligados ao que foi a tradição do barroco católico mineiro do que nós gostaríamos. Então isso, em nossa cultura, é muito forte: a ideia de termos um tutor, nós vivemos sob tutela e queremos ser tutelados. No Kundalini Yoga, que é uma tradição que vem do Dharma – em qualquer Dharma não existe a ideia de tutela. Você entrou aqui por que você quis; por que você concordou em entrar, você tinha um acordo e você concordou com aquele acordo, você veio e você vai aprender na conjunção da linha do espaço e do tempo. Essa é a regra desse plano – existe uma convergência de espaço e de tempo, em que você concordou, então agregue naquela convergência de espaço e de tempo a sua vontade, você. Então tudo que nós fazemos nessa vida é fazermos o que bem entendemos, a gente faz o que a gente pensa que a gente deveria fazer, nesse espaço e nesse tempo. Mas quando a gente entra nessa cunha de espaço e tempo, a gente sabe que existe uma vontade que é a nossa, e a vontade da nossa encarnação, que é o nosso contrato de alma – e é por ele que a gente está aqui, e a gente sabe que a gente se esqueceria dele. É um negócio bem ferrado!

(Alunos riem.)

GSK: Como a gente tem uma vontade, a gente tem um compromisso e quando a gente entra nessa cunha de espaço e de tempo a gente sabe que vai se esquecer dele. E aí então a gente penetra nesse mundo e vamos ter que ajustar nossa vontade – que a gente se torna consciente dela – com a vontade que a gente resolveu chamar de “vontade de Deus”, que na verdade nada mais é que a nossa própria vontade antes de nascermos. Mas como ajustar essas duas coisas é um negócio é muito difícil, é mais conveniente a gente esperar pelo salvador. Por que o salvador viria e diria: “não, vem cá, vou te mostrar, não é por aqui não, é por ali, e eu vou te levar lá…”. E isso não existe. Ninguém vai fazer isso por nós. No Kundalini Yoga, a gente faz isso na medida em que compreende duas coisas: a primeira é que não é errado ter desejo, de forma nenhuma, o desejo é uma coisa importantíssima. Por que os desejos são o que para a alma? O combustível. O desejo é um combustível, é um prana importantíssimo. O negócio é que os nossos desejos não deveriam ser atendidos para servir apenas ao nosso narcisismo. Essa é a história. O nosso desejo deveria ser combustível para que ao ser realizado, a gente se realize junto com muitos outros. Essa é a distinção. Quando você é capaz de nessa cunha de espaço e de tempo sentir o seu desejo, e dar vazão ao seu desejo, realizar o seu desejo de modo que não só você seja atendido, você está atendendo a vontade da sua alma, a vontade de Deus, a vontade do desconhecido. Então é fácil! A dificuldade vem justamente pelo segundo elemento – uma força interna, uma força prânica, que reverbera na linha do arco, que serve para podermos ter força de vontade e discernimento. Por que o conhecimento a gente tem, o negócio é no momento em que a gente é colocado para sentir o desejo, a gente optar ou não por aquilo que responde ao nosso narcisismo. Então a meditação é para gente aumentar essa linha do arco. E essas são as razões pelas quais a gente vê toda hora pessoas que tem todo o conhecimento, toda a beleza, toda a radiância, fraquejarem e se entregarem a uma caminhada narcísica. A nossa jornada na linha do tempo e do espaço que atende só a nós é paupérrima! Ela não traz mudança!

Essa tomada de consciência que causa um choque. Como é que é?

Hari Shabad Kaur Khalsa: A tomada de consciência causa um grande choque.

GSK: A tomada de consciência causa um grande choque. Mas acho que vocês ainda não entenderam.

 A turma ri.

GSK: Essa cunha, essa vida que apenas é vivida para trazer prazer para gente, ela já era! Mas a gente toda hora cai e tem recaídas. Então o que a gente precisa é de uma forte radiância na linha do arco. Porque é essa linha do arco (no entorno da cabeça) que faz a gente discernir o que é correto para mim e o que é correto para minha alma. A linha do arco aqui de baixo, que as mulheres têm (que vai de mamilo a mamilo), é a linha do arco que vai ajudar as mulheres a saberem a quem o coração delas vai se entregar – que tipo de conexão amorosa eu farei?; que escolhas que eu faço, afetivas, que vão dar força ao meu propósito de alma? Afinal, uma história é discernir e a outra é como você se entrega, com quem você cria parcerias. A mulher tem essa outra linha do arco justamente para escolher quem serão seus parceiros, a quem ela vai dar o seu coração. Então vamos meditar.

 Meditação para auto-benção e orientação através da intuição. (Manual do professor página 115).

 GSK: Essa é uma meditação para nos autoabençoarmos e nos orientarmos pela nossa inteligência intuitiva.

Nós estamos precisando discernir e aplicar nossa inteligência porque as circunstâncias estão muito caóticas, então essa meditação ajuda a manter um alinhamento e uma tranquilidade.

É crucial para vocês nesses tempos difíceis – e tempos difíceis são maravilhosos, porque são eles que nos mostram o quão diferenciado nós estamos e o quão a gente pode realmente fazer algo espetacular nos tempos difíceis. Mas é um teste.

Há um caso que eu estou orientando no momento. É uma pessoa casada que se apaixona doidamente. O casamento depois de algum tempo – e quem é casado há algum tempo sabe – o casamento muda demais o tipo de envolvimento, não é a mesma coisa. E o Yogi Bhajan fala: “amor que encolhe não é amor, é paixão. O amor sustenta o insustentável”. Então chega num determinado momento em que o casamento muda de qualidade, a relação muda, a relação sexual muda, tudo muda. E aí essa pessoa continuou buscando, ela continuou buscando o quê?

Alunos: Paixão.

GSK: O desejo dela está ainda servindo apenas ao prazer narcisista dela. Ela se apaixonou por outra! E então abandona tudo. Mas quanto tempo isso iria durar? Vocês estão achando que isso é uma coisa pequena, parece ridículo ao ser contado e visto por essa ótica, mas esse tipo de coisa é característica dos tempos atuais. Precisamos selecionar as nossas relações, usar a linha do arco para criar um filtro. No momento em que a gente decide criar uma conexão com alguém, o fio de conexão não pode ser o do desejo sexual. Não pode ser. O fio de conexão tem de ser o propósito daquelas duas existências estarem unidas – um propósito maior. Por que se o fio da conexão for o sexo, quando ele acabar, acabou o fio de conexão.

Esse poder de discernir, você pensa bem, alguém colocar a própria vida num jogo amoroso, e aí quando o jogo amoroso acaba essa pessoa perde a vontade de viver. Essa pessoa está sofrendo muito, mas do que essa pessoa precisa? Sendo como vocês, conhecendo a tecnologia como vocês. Essa pessoa precisa do quê? Do choque da tomada de decisão! Ela precisa por a mão dentro da tomada de decisão e levar um choque! BUZZZZ! Por que a tomada de decisão dá fortes choques. E essa pessoa precisa tomar uma decisão que a alinhe de novo com o propósito da alma dela, e não dos órgãos sexuais dela!

(A turma ri.)

GSK: Que psique tem a “pitchuna”?

(A turma ri.)

GSK: Qual que é o dharma da “pitchuna”?

(A turma ri.)

GSK: Ela tem de ser inserida num conjunto, numa Sangat muito maior, nessa Sangat chamada organismo. Onde todas as partes desse organismo têm uma psique. Cada parte tem uma psique, cada parte tem o seu Dharma, cada parte passa pela sua dúvida, cada parte passa pela sua necessidade de realização. Pense nos nossas zilhões de células, imagine se cada uma delas quisesse alguma coisa? Todas elas trabalham sob um comando, o comando da mente. Por que a vagina ou o bráulio não vão trabalhar sob um comando? O comando da alma. O pênis tem uma psique. O que ele quer? Além de fazer xixi.

(A turma ri.)

Existe um momento em que temos de alinhar isso tudo com um comando muito maior. Porque os seres humanos que vivem a vida pautada pelos comandos do pênis e da vagina vão viver como animais. Claro!

É como o Yogi Bhajan ensinou: o comando é animal. E ele também diz que 10% são as circunstâncias, 10% é a nossa inteligência e 80% é o desconhecido! Então no desconhecido nós seremos totalmente testados. O nosso tempo-espaço com a nossa intenção. E o nosso teste vai ser: o que eu quero para mim?, e o que minha alma quer para mim? Nessa resposta, nessa confluência, está a sabedoria. Como eu garanto o que eu quero para mim sem desonrar o que minha alma quer para mim? Por que é uma parte importante minha. Só que não necessariamente elas querem a mesma coisa.

E aí então uma pessoa como essa vai ser capaz de confrontar o sofrimento dizendo: “Eu realmente estou sofrendo, mas isso é ridículo. Deixa eu me recolocar diante do infinito. E fazer escolhas de novo”. A sorte dessa pessoa é que ela veio conversar isso com a professora dela. Que saiu igual um raio de trovão cortando o ar para trazer a realidade de novo à tona!

Esses são os tempos. Esses são os tempos em que nós estamos sendo colocados diante de uma realidade que nós não quisemos olhar com olhos da neutralidade. Isso está doendo?  Sim. As escolhas já estão aí para serem feitas? Não, ainda não estão. Não existe ainda, nós vamos ter de construir essas escolhas. Nós vamos ter de elaborar internamente e trazer para realidade política e social novas escolhas. O momento é auspicioso demais, porque ele é uma desconstrução total. E não existe nada melhor para uma desconstrução total do que a chance que ela dá para uma reconstrução. Nós não temos de lamentar. Os tempos agora estão exigindo que a gente tenha contenção. É igual quando você está numa postura muito difícil e você quer ir até o final. Você vai passar por aquilo pensando: esse negócio vai acabar, eu só vou manter minha resiliência. Nós estamos só precisando manter a contenção e não desesperarmos. Não ir desalinhado da alma e de você mesmo, para vocês poderem ajudar todos que precisam. E as pessoas vão precisar muito.

Esse semestre vai ser muito duro, nós temos que servir, alinhar as pessoas, nós temos que levar esperança, nós temos que ser catalizadores dessa mudança, e nós podemos fazer isso com a nossa presença e com a nossa frequência. Mas para isso precisamos estar alinhados, sempre com um sorriso no rosto e sempre lembrando que o caos social e político que estamos vivendo é como na vida da gente: quando ele acontece dá uma chance para gente se recolocar. É um momento importante para revermos as nossas posições e o nosso olhar crítico para irmos para a realidade. Temos de ter vigor na realidade.

Nós não tememos a escuridão. E a gente não quer só a luz. A gente sabe que esse é um ciclo.

May the long time…