[GSK] Se torne a mente universal

Aula ministrada por Gurusangat Kaur Khalsa em 16 de dezembro de 2016

[GSK abre a aula] 

Eu preparei uma aula para nós, mas antes de eu entrar na aula propriamente dita, queria fazer algumas considerações com vocês. Um yatra não é uma viagem de passeios, é uma viagem de cunho espiritual, embora a gente passeie bastante, coma muito bem, revisite a história juntos e dê boas risadas. A gente faz resgates cármicos quando revisita a história. Vai saber por que um grupo de determinadas pessoas está indo para determinados lugares juntos, carregando não apenas a suas identidades históricas, mas suas identidades espirituais. E nós fomos por terras duras, Berlim, para o centro do império germânico, fomos para Roma, o centro do império do mundo… Fomos para o centro de dois grandes impérios que eram inimigos e depois se tornaram aliados durante o papado. É claro que isso causa na gente resgates do ponto de vista espiritual. Vai saber qual de nós estava com a Sat Simram no Coliseu (gesto de polegar para baixo). Os yatras, a despeito de toda a riqueza e a alegria que eles proporcionam, também são momentos para profundas reflexões. E eu fiz muitas delas sobre esse yatra. E uma das coisas que mais ficou claro para mim é que no yatra a gente é exposto a um determinado tipo de atrito que é propício, e ele acontece para que a gente olhe e faça uma reflexão sobre a gente. Então a gente aprende muito sobre a gente. É claro que você pode ficar no seu lugar e dizer: “Não…!” Pode ficar mais uma vez justificando, mas ele é basicamente para refletir sobre a gente. E o outro tipo de reflexão também importantíssima num yatra, para aquelas pessoas que gostam de refletir de um ponto de vista coletivo – e esse é o papel de um professor, portanto é um papel de todos vocês aqui –, é compreender uma lição maior, de grupo e é essa que eu queria compartilhar com vocês. É claro que eu não teria problema nenhum de contar as minhas lições pessoais, mas essas são minhas e vocês não estão interessados nelas. Mas as lições coletivas podem ajudar a todos vocês. Em primeiro lugar, nós fomos para o Sat Nam Rasayan, e o Guru Dev não pode ir, por questões de saúde, então nós fizemos o Sat Nam Rasayan em Peruggia sem o Guru Dev, só para vocês entenderem o contexto.

Muita gente estava decepcionada, esperando que ele estivesse lá, afinal de contas vai ser um dos poucos momentos que teremos o Guru Dev daqui para frente. A minha reflexão sobre esse yatra foi a seguinte: a coisa mais importante do Kundalini Yoga que a gente tira emprestado do Sikh Dharma e que eu vi o Guru Dev fazer várias vezes é “Man Ji Té Chitta Avé”. “Treine a sua mente para que sua mente se torne a mente universal”. Esse é o básico. Nós não nos tornamos professores de Kundalini Yoga só para mostrar nossa barriga tanquinho, mesmo porque a gente não tem!

Kundalini Yoga não é uma tecnologia para fazer o nosso corpo ficar assim ou assado e sei lá o que. O Kundalini Yoga é uma tecnologia para que a gente possa tirar a nossa mente da história pessoal, que sou eu e que é vocês, e levar a nossa mente para compreender a história dessa pessoa, desse indivíduo, num contexto histórico. Mas não fica aí! Pelo menos não devia ficar. Leva essa danada dessa mente, que insiste em pegar o contexto histórico e justificar o contexto individual, e a leva para um contexto universal, que eu tenho chamado de cósmico, mas Chitta é a mente universal. Quando a gente faz isso e a gente se coloca nesse treinamento, o professor de Kundalini Yoga, que ao assentar nesse tablado para dar uma aula ou assentar em qualquer lugar para se relacionar com os alunos, ele necessariamente fala a partir da mente universal, porque ele não está falando a partir dele mesmo. Então isso aqui nós já garantimos, o momento da sala de aula, vocês todos sabem: no momento em que a gente se assenta aqui, há uma mudança, e a gente fala a partir dessa mente universal. O problema é que, quando a gente desce do tablado, a gente readquire a nossa identidade paralítica. A gente perde a conexão e deixa de falar a partir dessa mente universal. Esse é o treinamento. A gente não deveria ter um hiato entre se assentar aqui, dar vazão aos ensinamentos e ser uma pessoa neutra… – pode errar, não tem problema, ninguém que está assentado aqui é perfeito, mas a visão é uma visão universal. A hora em que a gente sai daqui, o nosso desafio começa. Isso é um aprendizado.

Então quando eu lembro do Guru Dev… eu não vou nem falar do Yogi Bhajan, absolutamente, ele foi o professor do Guru Dev, mas eu e Kirn Jot tivemos a honra absoluta de hospedar o Guru Dev em casa e eu pude ver o quanto ele é “Man Ji Té Chitta Avé”. Na sala do Sat Nam Rasayan e lá em casa, era a mesma pessoa, não tinha uma descontinuidade daquela identidade, era a mesma, e num sentido natural, não era forçada. O Guru Dev é supertravesso, então tinha uma moça do Chile que estava implicadíssima com a Sarab Sevak, era puro ego. E o Guru Dev a fez assentar no meio de todas nós e começou a conversar conosco, dizendo que o pior povo do mundo era o chileno. Limpando o ego da moça. Ele não deixou de ser o professor, ele não sentou ali para falar com aquela moça e fazer de conta que não estava vendo o que estava acontecendo. O professor muitas vezes usa de métodos pouco palatáveis. Então aquela moça estava espinhada com tudo e ela entrou na cápsula da sua identidade egoica. O Guru Dev, então, no seu papel de professor, com cinzel e martelo, esculpiu aquela identidade: dói, solta faísca, etc. Essa transição é o que a gente precisa aprender a fazer, e um yatra é maravilhoso para mostrar o quanto estamos apegados à nossa identidade individual.

Uma yatra nossa trouxe um exemplo. Nós estávamos fazendo um curso e uma pessoa levantou a mão e disse que tinha um problema, que era quando ela entrava na TPM. E a pergunta que me foi feita é como é que ficava isso na TPM dela. Então, na TPM toda mulher quer se dar o direito e a autoridade de ser doida, sacana, louca. É com se na TPM ela estivesse autorizada a ser isso, afinal de contas são os hormônios. E a minha resposta, segundo ela mesma, foi que não tinha nada a ver, que o espírito era o espírito. E aí ela disse que tinha ficado puta e tinha comentado com a Siri Sunderta. Então, o espírito é o espírito, não importa a desculpa que a gente dê, não importa a circunstância que a gente esteja. Num yatra, o espírito se coloca livre em circunstâncias adversas para você poder aprender. Então, eu sei que todos vocês entendem isso, mas poucos colocam em prática. Mas é normal, afinal de contas nós somos normais. A gente vai criando a excepcionalidade à medida que se expõe. Natural isso. Para isso existe uma ajuda fundamental e aí eu quero chegar em vocês, líderes. Também estão nos ensinamentos do Sikh Darma que: ainda que mil luas levantem ao céu e centenas de sóis brilhem no horizonte, sem a presença do professor, haverá profunda escuridão. É o professor ainda necessário para treinar aqueles com quem ele trabalha.

Man Ji Té Chitta Avé. Esse é o papel do professor. Por que eu estou com essa ladainha inteira? Para resumir em três coisas: façam yatras, ele ajudam vocês a se fritarem. E nessa fritura, você reflete sobre você e se compreende. Segunda coisa: você é um líder, um professor, e de um professor se espera que ele não tenha um hiato entre o comando que ele dá aqui e o comando que ele dá fora daqui (o tablado do professor). E terceira coisa: se os nossos professores estiverem indo embora, que foi o caso do Yogi Bhajan e o Guru Dev – a gente não sabe quanto tempo ele vai estar entre nós… nós vamos morrer. Por isso vocês precisam urgentemente adquirir essa união da identidade pessoal, histórica e cósmica, para vocês poderem servir como um líder, como um representante do seu professor, porque se vocês não fizerem isso, ao invés de você divulgar e compartilhar os ensinamentos, eles serão diluídos. Eles serão diluídos porque vai haver um filtro daquilo que você gosta, daquilo que na sua cabeça foi criado como referência. A aula de hoje tem um pouco disso.

Claro que uma aula não vai fazer diferença. Eu insisto em compartilhar isso com vocês e a refletir com vocês porque o espaço da reflexão é o que mais o Yogi Bhajan fez conosco. Ele se assentava conosco antes das aulas e refletia, refletia, refletia… Eu acho que refletir, meditar sobre um tema, é muito importante para a gente compreender. Depois a gente tem de ter a experiência de pôr em prática. Essa é com vocês. A prática é com vocês, nenhum professor pode garantir que vocês vão praticar. E a gente tem que começar logo porque demora muito, quando a gente acha que está tudo caminhando, a gente percebe que a gente não está lá. Todas as aulas que trabalham eliminação de apana ajudam a gente. No Kundalini Yoga, no Sat Nam Rasayan, no Gongo, enfim em todas as disciplinas que se originaram dos ensinamentos do Yogi Bhajan há uma máxima que é quando a gente trabalha apana, estamos eliminando as impressões, os samskaras do nosso campo eletromagnético. A cola do samskara é o apana e a mente negativa, então todas as aulas em que a gente trabalha o apana e libera do nosso metabolismo emocional e físico esse produto tóxico, a gente tem uma liberação desse peso de ter que defender o meu ego, coitadinho de mim. A aula tem esse sentido.

Agora duas novidades que eu acho importantes, que são dois livros que saíram. Eu fui presenteada e eu vou disponibilizar isso para vocês, para quem precisar. A Bibi Ji soltou um livro sobre mantras e shabads ordenados por necessidade, então é um livro bem grande e bem útil. E a Shanti garimpou em Amritsar, num sebo da cidade, um livro escrito pelo Guru Nanak que se chama “Pram Sangat Lee”, que é o centro de Prana. É um livro sobre yoga completamente, da primeira até a última página. O Guru Nanak escreveu um livro sobre yoga e esse livro está sendo traduzido pelo Chardi Kala Jetha. Em breve a gente vai ter. Isso para mim é muito importante, porque quando vocês tiveram a primeira aula do nível I, eu mostro para vocês que o Guru Nanak é aquele que viajou pelos Himalaias e recolheu o material de yoga e tem muita gente que põe em dúvida essa história. E vem esse livro escrito pelo Guru Nanak, que vai ser muito bom a gente ter. Há também um livro do Guru Gobind Singh em que ele fala sobre o caminho do Simram Maag e são cem mil repetições do Japji, fazendo quarenta repetições de cada pauri. Nós calculamos e são seis anos … Tem também o livro da Hargopal Kaur Khalsa, que são anotações do Yogi Bhajan sobre a morte. O livro dela também deve estar no e-book do KRI, como o da Bibi Ji. Quem estiver interessado no tema da morte, tem esse material novo.

Kriya: Apana Kriya, do manual Sadhana Guidelines

Meditação: Sarab Gian Kriya, do manual Sadhana Guidelines

Yogi Bhajan dizia que a última pose do kriya era para ativar o circuito eletromagnético da psique da aura. Ele sempre fala que a nossa aura tem uma psique, que seria a mente da aura, se eu disser de uma forma rude. A psique da aura não tem nada a ver com a nossa psique. A psique da aura se alinha muito mais com a psique de Chitta, a mente universal, então nessa meditação, ele fala que a verdadeira felicidade acontece quando nós começamos a caminhar de uma intercomunicação, o yoga, uma união, que evolui do sexual para o sensual, do social, local, nacional, internacional e cósmico para o infinito. Então nossa intercomunicação deveria evoluir do sexual para o sensual, no sentido da sensibilidade, do social, local, nacional, internacional, inclusive do cósmico, para o infinito. É só aí que nós podemos usar a psique da aura para conectar com a psique do infinito. Esse Kriya é para isso. Esse mudra sozinho faz a conexão entre a psique da alma e a de Chitta, do universo. Muito simples, muito bonita. Ele recomenda 31 minutos. O treinamento mais usual que os grandes professores faziam conosco para a gente fazer essa conexão era colocando a gente sobre árduo trabalho, em que a gente se sentia ameaçado, contido, naqueles tempos, e você não tinha outra saída a não ser se conectar para poder compreender. Hoje os tempos são outros e quem coloca a gente sobre árdua pressão são as circunstâncias. Por isso que yatra é bom, porque yatra coloca a gente sobre pressão. E nesses momentos a gente pode conectar, deixar a aura conversar com Chitta e aguardar. Porque os processos vão se desenrolar e tem um momento que a gente tem de ficar na Sarab Gyan, nessa perspectiva, não é intelectual. Não é que você termina esse Kriya e sabe o que é que você sabe. A conversa da aura com Chitta não passa pelos filtros do intelecto. Você não vai saber o que foi essa conversa. Isso vai se refletir na sua vida, na maneira como você vive.

May the long time sun shine upon you…

[Transcrição: Sada Ram Kaur]

Yatra Ram Das Puri

por SS Guru Sangat Kaur Khalsa

Em 1970 Yogi Bhajan começou a adquirir terras para o Ashram em Espanola, e um dia, anciãos Hopis vieram ao seu encontro para uma visita formal. O momento era cerimonioso e especial. Eles contaram ao Yogi Bhajan sobre uma historia fantástica de sua Tradição (…) há milhares de anos, os Hopis recebiam pessoas vindas de todo o mundo a cada 108 anos para rezar ao Espírito Supremo, wakantanka, pela paz no mundo. As pessoas vinham da Europa, Asia e Américas cruzando rios, terras e oceanos e se encontravam onde hoje são as terras do Ram Das Puri.

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Pouco mais de 1500  anos atrás estes encontros pararam de acontecer e, na tradição Hopi, deste então eles esperavam pelo Bahana, o “irmão branco desaparecido”, que viria do oriente, usando turbante, de branco, para resgatar a antiga e fabulosa tradição Hopi de ajuntar pessoas e trabalhar por uma nova era de paz e justiça sobre a terra. Eles disseram que este momento havia chegado porque viram no Yogi Bhajan a consumação de sua profecia. As terras que antes pertenciam aos Hopis foram resgatadas e adquiridas pela 3HO, e por 10 anos Yogi Bhajan e seus alunos trabalharam no local preparando-as. No dia 22 de junho de 1986, lideres religiosos de todas as denominações, caciques de varias tribos americanas, lideres políticos, ativistas da paz e pessoas interessadas foram convidadas para se encontrarem em Ram Das Puri e meditarem e rezarem pela humanidade.

Assim nasceu o Solstício do Verão!

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