Nesta sexta-feira! Comemoração do aniversário de Yogi Bhajan

Sat Nam!

No dia 26 de agosto comemoramos o aniversário do nosso professor, Yogi Bhajan. Vamos celebrar juntos e agradecer as bênçãos que ele tão generosamente dividiu com todos nós.
Comemoraremos seu aniversário entoando 2 ½ horas de Longo Ek Ong Kar.

Dia: 26/08/2016 (sexta-feira)
Horário: 6h30 às 9h (Você pode chegar ou sair a qualquer hora)
Local: ABAKY (Rua Yvon Magalhães Pinto, 511 – São Bento)

*** Teremos transmissão ao vivo pela internet através do link: http://livestream.com/sikhdharma/BrazilSangat

Venha participar deste momento especial conosco!

YOGA_BHAJAN

[GSK] Equilíbrio em meio ao movimento

Aula da Gurusangat Kaur Khalsa do dia 26 de fevereiro de 2016

[GSK abre a aula]

Nós vamos fazer uma aula hoje para alcançarmos uma essência dentro de nós, e eu vou usar um paralelo para que vocês compreendam um pouco melhor do que a gente está falando, para que a gente não fique apenas num conceito e num campo intangível, para que a gente possa levar isso para nossas vidas.

Na medicina, por anos, anos e anos, a gente usou um conceito chamado “homeostase”. Se você não sabe o que é, você ao menos já ouviu falar. Homeotase é um conceito para quando tudo sai do lugar, tudo fica de cabeça para baixo, e você então para tudo e trás as coisas para um equilíbrio. É uma busca de equilíbrio em que a gente vai para o zero. Homeostase, na verdade, é zerar tudo. Esse conceito é usado desde os gregos antigos para quando voltamos para o zero.

Num correlato no yoga isso sempre existiu – é uma coisa absurda. Mas não no Kundalini Yoga. No Yoga de um modo geral, para todos aquele de nós, estrangeiros, que fomos à Índia tentar buscar e compreender com os nossos gurus, eles ensinaram isso que eles praticaram de alguma maneira, que é: quando você está fora do equilíbrio, você se retira do mundo. Você vai para uma caverna, você vai para um retiro, você vai para um hotel, para o mato, seja lá onde for, você se retira. A homeostase sempre foi você se retirar de onde está a sua fonte de desequilíbrio até você zerar tudo.

O Guru Nanak sempre ensinou o contrário. Ele ensinava que se a mente era a doença, ela era também a cura. E existe algum lugar na sua mente em que ela para? Não, não existe. Uma característica funcional da mente é ela fazer o quê? Pensar! E como o Guru Nanak punha a doença na mente – e ele tem razão –, mas como ele poderia colocar a cura na mente também? Ou seja, num lugar que nunca para? Ele estava recusando o conceito de que para reganhar o seu equilíbrio você precisa se retirar. E era isso então o corpo dessa tradição do Kundalini Yoga, que o Guru Nanak promoveu, é que você não precisa se retirar para se equilibrar, que nós somos yogis não da caverna, somos yogis da vida.

A medicina demorou dois milênios para falar sobre isso. E atualmente a gente não usa mais o conceito de homeostase, mas, sim, o de alostase. Vocês não podem esquecer esse nome. Alostase é quando você busca o seu equilíbrio sabe onde? Estando em desequilíbrio, estando em movimento, estando em conflito. É quando você reajusta sem necessariamente parar – que é o que faz nosso corpo. Nosso corpo nunca entra em homeostase; ele sempre entra em alostase. Era isso que o Yogi Bhajan falava: vocês ainda vão ter que esperar uns 30 anos para compreender em essência e explicar por que nós não utilizamos o conceito de homeostase. No nosso Nível 2 Estresse e Vitalidade nós já falamos de alostase, do ponto de vista médico. Vocês compreendem isso?

Nós já temos em nosso organismo um mecanismo nato; é muito mais difícil para nós irmos para uma caverna a fim de nós sararmos do que ficarmos em movimento, em conflito, em atribulações, a gente se organizar. Nós não temos que aprender a fazer isso porque o nosso corpo já sabe fazer isso. O que a gente tem é que nos convencer de que esse mecanismo, em que nós nos reequilibrarmos em movimento, em crise e em conflito, faz parte de uma herança que o nosso corpo já tem. O que a gente precisa é quebrar a crença. Quebrar a crença de que a gente precisa se isolar. Parar tudo. Então para a gente poder atingir esse silêncio dentro de nós, que não é uma ausência de ruído – todos os conceitos do Kundalini Yoga nos levam a essa conclusão da alostase – o nosso shunya não é uma ausência de vozes nem de ruídos. Shunya é um estado de consciência em que, a despeito do ruído, você está no nada, permitindo uma nova informação fluir.

Essa aula de hoje se chama “Alcance a sua essência”. Seria nós chegarmos o mais profundamente em nós, num lugar onde existe uma voz – ela não é silenciosa, mas ela não é a voz da mente; ela é a voz da nossa essência. É uma voz que sabe o que quer nos dizer. Está certo? Então só pra gente poder chegar lá, eu queria que vocês perdessem essas caras de “meu Deus, que isso?” ou de “Madalena arrependida”, e entrassem nesse kryia com a disposição de virarem vocês, e não esperarem serem tomados pela mão de Deus e serem retirados de cenas para poder naquele segundo dizer: “ah, por que que eu nunca fiz isso? por que eu nunca fiz o que eu tinha que fazer?” O que que vocês estão esperando para fazer o que precisam fazer? Ser vocês! Até quando vocês vão ficar tomando cafezinho e comendo broa às cinco da tarde? Até quando vocês ficar sorrindo quando tudo estiver bem e chorando quando tudo estiver mal? Está na hora de a gente parar de comer broa e tomar cafezinho e começar a fazer o que a gente tem que fazer.

[Aquecimento antes do kryia]

Todo processo de alostase cria um subproduto metabólico chamado “lixo alostático”. É o resultado do processo de enfrentarmos o tranco. E esse lixo alostático é eliminado do nosso corpo quando a gente se alimenta bem, quando o nosso sistema digestivo metaboliza bem e quando nós estamos produzindo ocitocina, que é um hormônio neurotransmissor do prazer quando nós estamos em grupo.  Então, um grupo em que a gente é feliz é algo muito importante. O ambiente em que a gente é feliz é muito importante, para o qual a gente possa ir. Ocitocina não se produz sozinho, quando você está só.

Essa aula do Yogi Bhajan é uma dessas aulas que tem realmente a capacidade de transformar a gente nesse tempo. É muito profunda. Não é uma aula que recomendaria a vocês darem numa sala de aula para iniciantes. De jeito nenhum. Vocês teriam que ter seus alunos com vocês há pelo menos cinco meses para estabelecer a relação de confiança que esse kryia exige. O professor nessa aula é tudo. Ele vai se entregar, ele vai ser o tapete, ele vai se estender entre o lugar em que a informação está ancorada e o destino do aluno. Esse trabalho é quase um tantra.

Kryia: “Alcance a sua essência”, do livro Fountain of Youth

Esse kryia que a gente fez ele mexe com os elementos, ele reposiciona todos os tattvas especialmente quando a gente já tem determinados arranjos emocionais com nossos tattvas – uma quantidade de terra, uma quantidade de água etc – e esse kryia mexe nisso. Vocês foram reajustados. Algumas informações sobre essa prática que a gente fez hoje que gostaria de dizer é que a gente pode realmente fazer tudo, a gente pode estar na presença do Yogi Bhajan e ele por a gente numa determinada situação para que aquela situação nos rearranje, mas, em última instância, quem realmente decide, somos nós. Não adianta. Não tem milagre, vocês precisam decidir.

Eu vim do Fórum dos Professores no fim de semana e veio também a Hari Charan, que já é membro do KRI há muito tempo, e eu pedi a ela que falasse aos meus alunos do Fórum. E eles começaram assim: “ah, é muito bom, mas é uma pancadaria”. E eu só ouvindo aquilo e pensando: “quando é que nós vamos nos elevar desse melodrama e dar um testemunho da beleza que é se transformar? E dar o testemunho de que não existe pancadaria onde existe amor, só existe pancadaria onde há a dualidade. Quantos fóruns ainda, quanto trabalho ainda é necessário para que um treinador possa falar com a voz da alma?” Esse foi meu retorno na hora. E eu pedi a Hari Charan um testemunho das “n” experiências que ela teve com o Yogi Bhajan.

Tem uma história que eu gosto demais. Existia uma mulher no dharma que se chamava Surya. Quem já fez o Nível 2 Relacionamentos Autênticos vai lembrar de uma aula em que o Yogi Bhajan dá uma surra nas mulheres. E ele começa a aula dizendo: “Surya, você é a mulher mais indesejada nessa sala, cai fora”. E ninguém entende. A Surya era um diabo. Não é uma força de expressão, ela era realmente um diabo. E ninguém tinha coragem de falar nada com a Surya, porque ela pagava de volta. Ela era realmente muito vingativa. E um dia a Surya faz uma coisa terrível e a Hari Charan escreve para o Yogi Bhajan contando o que aconteceu, mas pôs no grupo algumas pessoas. A peça fundamental do Yogi Bhajan quando se tratava de nós da Sangat era que nós tínhamos que cobrir a honra um do outro, não importa o quanto estivesse errado. Só na presença coletiva do seu professor, a gente poderia falar as coisas nesse nível, do contrário, nós tínhamos que cobrir a honra um do outro. Então, o Yogi Bhajan manda chamar a Hari Charan. E ela então teve uma diarreia: “nó, o que foi que eu que fiz? ele me chamou!” Vocês sabem que ele não chamava para um tetê-à-tetê. E todo mundo dizendo assim: “que isso, você é tão boa, nada vai acontecer”. E ela: “Não, a minha intuição está me dizendo que o bicho vai pegar”.

Quando ela chegou, na hora marcada, havia umas 20 pessoas que Yogi Bhajan convidou especialmente para esse evento. Ele colocou Surya e Hari Charan uma de frente para a outra e disse para a Hari Charan: “diga para a Surya tudo o de ruim que ela faz”. E todo mundo achou que ela jamais falaria. E a Hari Charan então mandou ver e falou tudo. Enquanto ela falava, todo mundo tentou interrompê-la ou diminuir a extensão do relato, pra tirar a Hari Charan daquela situação – porque eles estavam com medo do que a Surya poderia fazer. E então o Yogi Bhajan dizia: “vocês calem a boca e deixem-me fazer o meu trabalho. Estou fazendo uma terapia de 20 mil dólares com a Hari Charan que ela jamais terá dinheiro para fazer. Vocês confiem em mim e calem a boca”. Na hora em que ela terminou de falar, ele olhou para a Hari Charan e falou: “Hari Charan, tudo que acontece de ruim neste darma é por sua causa” e “Tudo o que acontece de bom nesse darma é por sua causa, Surya. Conversa encerrada”.

Claro que ele trabalhou zilhões de coisas na Hari Charan (coragem de enfrentar complexo, coragem de entregar uma mensagem para o demônio etc). Não dá pra interpretar um método de um mestre. Mas naquela hora, a Hari Charan falou: “todos os meus tattvas se dissolveram”. Ela teve três dias de diarreias, vômitos, ela teve uma limpeza profunda. E ele ainda disse: “neste final de semana, você vai trabalhar full time”. Ela ainda trabalhou sábado e domingo o tempo todo. E durante todo o fim de semana, ele aparecia de 11 em 11 minutos e falava: “toma isso”, “come isso”. Ele ficou com ela durante aquele fim de semana ajudando-a a processar. Ao final desse processo, ele disse: “Todas as vezes que você quiser facilitar que uma pessoa limpe seus karmas e seus tattvas se reorganizem para que vocês não ancorem capetas, e que vocês possam falar a verdade, façam esse kryia”. Porque nós não temos mais o Yogi Bhajan para nos colocar em situações únicas desse jeito, onde ele quebrava qualquer lógica que pudesse existir e deixava a gente completamente nu conosco.

Essa foi a aula de hoje. Está certo, gente?

May the long time sun shine upon

[Transcrição: HariShabad Kaur Khalsa]

[GSK] A força do espírito reside na soberania da alma

Aula ministrada por Gurusangat Kaur Khalsa no dia 19 de fevereiro de 2016

A aula de hoje é uma aula que nunca dei em sala de aula, mas antes de entrarmos nela, quero abordar um assunto muito importante com vocês. Quero falar sobre a conversa em torno dos casos clínicos nesse grupo de sexta-feira.

Talvez vocês não saibam disso, talvez alguns poucos saibam, mas o Yogi Bhajan nunca fez uma consulta, em tempo algum, que fosse particular. Todas as consultas do Yogi Bhajan eram em grupo. Então você se assentava em grupo, onde ele dizia que todos que estavam naquela sala tinham que ouvir o problema de todos. Tinha uma razão para ele fazer isso. Isso não vem do Yogi Bhajan, mas de consultórios e hospitais médicos na Índia. Quem esteve lá já viu isso, quando você vai fazer uma consulta de epidemiologia, de dermatologia, o que for, a consulta é coletiva. Todo mundo está na sala do médico, você se assenta, ele faz a sua anamnese inteira e tal, e te dispensa. Faz parte de uma cultura – eu me pergunto se seria exclusivamente indiano ou não. E o que está por trás disso é o fato de que quando as pessoas se reúnem, elas não se reúnem por acaso, em primeiro lugar. Em segundo, uma questão de alguém ali está servindo para outro, está servindo de esclarecimento para todos. E o Yogi Bhajan sempre trouxe isso para a prática do Kundalini Yoga. Ele nunca recebia ninguém sozinho, e, quando você dizia que queria uma entrevista particular, ele não concedia. Entrevista particular nem para chefes de estado, porque nem chefes de estados vão também sozinhos nas suas entrevistas.

Ele então recomendou demais, em especial para os Lead Teacher’s, que incorporássemos isso – na medida em que você vai tendo a capacidade de tratar um caso de modo a ele ter uma relevância coletiva para a sangat. Ele recomendava demais que a gente trouxesse esses exemplos para sala de aula. Vocês todos aqui já cansaram de fazer Nível 2 e viram ele tratar muito disso, vocês viram os casos que ele trata. Hoje também com o material disponível do Yogi Bhajan em português, como o Master’s Touch, vocês podem ver ele tratando de muitos casos clínicos. Os casos clínicos estão sempre presentes, com a única recomendação, óbvio, de que nomes sejam omitidos. Essa é uma prática também na medicina.

Vocês que estão escutando os casos clínicos sabem: quantas vezes, sentados aqui, escutando, quantas vezes um caso clínico não encaixou diretamente em você? Todas as vezes! É uma piada jocosa que eu faço: “quem me contar o seu problema? ele vai virar um caso clínico!” É um modo de brincar com a situação, mas nem todas as histórias trazidas são pertinentes, aquelas que são pertinentes são aquelas que tem um vínculo com a consciência da sangat e podem ser muito úteis para que vocês se elevem, se espelhem. É uma psicologia do espelho – não sei se esse termo já existe ou se estou criando ele agora. A psicologia do espelho.

Um outro elemento que acho importante vocês saberem é que esses casos clínicos estão potencialmente, quando trazidos para o coletivo, como diz o Yogi Bhajan, cheios de cura. Porque quando um caso desses é tratado em sangat, vocês não se assentam dizendo assim: “nossa, francamente!” “que que é isso?! já era tempo!” “pelo amor de Deus!”. Não é assim que vocês se assentam. Vocês se assentam e escutam em seu modo compassivo, que é o modo de gerar Gurprasad, que é o modo de gerar bênçãos.

Falta um último detalhe: uma pessoa que não é capaz de sustentar no anonimato o seu próprio caso, ela não é digna sequer do caso. Porque todo caso nosso de vida é digno de ser contado, e para um professor de Kundalini Yoga ainda mais – quando você começa a se tornar um professor de Kundalini Yoga mesmo, um treinador de professores de Kundalini Yoga, quando você é capaz de contar aos seus alunos as suas mazelas, as suas crises de superação, os seus deslizes. É isso que acontece quando vocês se tornam um professor de Kundalini Yoga.

É uma benção, digamos assim, ter um caso retratado, porque alguém está fazendo o serviço por você. Está certo?

É só para contextualizar a questão do caso clínico e dizer que eu vou continuar trazendo e tratando.

Nós vamos fazer uma aula para o nervo ciático. É a clássica, só existe uma aula para o nervo ciático no Kundalini Yoga. Quero falar um pouco sobre o nervo ciático, sobre o qual a gente poderia falar horas, mas quero fazer apenas uma introdução. O nervo ciático é considerado no Kundalini Yoga o nervo da vida, mas vocês sabem qual é o nervo da alma? Professores de Kundalini Yoga, qual é o nervo da alma? [a classe fica em silêncio] Vou perguntar de novo: professores de Kundalini Yoga, qual é o nervo da alma?

Alunos: Kundalini!

GSK: O nervo da alma é o Kundalini. Este é o nervo da alma. O nervo da vida, que é o ciático, traz para a parte sacral e as pernas a base energética e neuromuscular para que o nervo da alma se manifeste. Então, pessoas que têm problema no nervo ciático têm uma grande instabilidade da região sacral. Quando você tem uma instabilidade na região sacral a sua energia do Kundalini não se movimenta. A aula de hoje cria uma base, distribui força neuro-musculares para que no final a gente tenha um portal dessa articulação livre e bem sustentado, para que a energia do sacral se libere.

O Yogi Bhajan fala que com essa aula a gente trabalha com a energia do cérebro como se a gente o manipulasse com as próprias mãos, para colocá-lo no lugar. Vocês vão reparar que as três primeiras poses trabalham no corpo radiante. Como poderia haver um nervo da alma, estimulado por um nervo da vida que não abrisse os corpos sutis? Impossível!

Vamos para a aula?

Kryia para o Nervo Ciático

Queria lembrar a vocês que messe momento psíquico que estamos passando, uma série de desmoronamentos, não se trata mais de olhar para a realidade escolhendo uma lente – e acho que esse o maior presente que o Kundalini Yoga dá para a gente. Não adianta nada olhar para a realidade escolhendo uma lente. Não adianta a gente pegar a lente do nosso filtro político, ideológico, nenhum tipo de lente adiante. Nós temos que olhar para a realidade como ela é e dela apreender que as pessoas estão em sofrimentos. Mas não apenas isso, que as pessoas estão em sofrimentos, mas que nós estamos desmoronando.

Quem não esperava isso se enganou. Muita gente esperava isso porque é aquela história que nós estudamos no Kundalini Yoga, quando nós subimos para as alturas, tem duas maneiras de nós alcançarmos a nossa expansão: ou a gente sobe em forma de balão ou a gente forma valores. E a gente vem subindo em forma de balão há muitas décadas. Então a gente vai cair e ter uma chance de recomeçar. Não é disso que eu quero falar porque vocês estão cansados de saber disso. Agora, mais do que nunca, aquela máxima: “a única liberdade que você tem é a sua liberdade de fazer determinadas escolhas diante de qualquer realidade”. É o que Viktor Frankl descreve tão bem em seu livro “Em busca do sentido”. Professores de Kundalini Yoga, vocês precisam ter um aporte, uma reflexão sobre esse momento em mãos, na ponta da língua. E esse livro ajuda vocês a fazerem essa reflexão. Pessoas em um campo de concentração, o que fez com que elas sobrevivessem? Foi a força do espírito! Onde reside a força do espírito? Será que é no templo, na sinagoga?

A força do espírito reside na soberania da nossa alma. Isso é feito com determinadas escolhas. É por isso que é importante que vocês se instruam um pouco porque o momento nosso, desse ano, vai pedir isso. Vai pedir que a gente reflita em nossas escolhas e estejamos juntos. Nós precisamos estar juntos para nos superarmos. Precisamos discutir nossas dificuldades, e nós teremos muitas dificuldades. Na região onde eu moro não deixo de dar carona um dia pra alguém que perdeu o trabalho, eu não encontro uma vizinha que não tenha fechado o escritório e voltado pra casa. A situação realmente é grave. Por isso que eu acho que a gente precisa refletir mesmo sobre os preços que a gente está cobrando. As pessoas não tem dinheiro e nós queremos continuar servindo. Foi por isso que tomamos a decisão de não aumentar o preço da aula de Kundalini Yoga. Quem está subsidiando isso? Nós! Talvez se a gente fizer um esforço e apertar um pouco nós podemos atravessar essa crise de uma maneira melhor do que se não fizermos um esforço.

As pessoas vão precisar da gente mais do que nunca. É isso também que nos fez mudar o programa do acampamento de mulheres, para baixar os custos e o preço final. Nós temos que começar a pensar nessas estratégias para servir as pessoas, para estar com as pessoas. A gente precisa sempre lembrar que a gente não pode deixar a situação nos definir. Nós que precisamos nos definir na situação. É o momento de estarmos juntos. Nossas aulas de sextas-feira vão ser muito importantes e o Gurdwara também. Estarmos juntos em escala. É o momento de termos atenção e, ao mesmo tempo, muita fé. Fé é uma coragem ativa para servir. O lado bom disso vocês sabem qual é: quando a gente atravessa uma constrição dessas nós saímos radiantes, saímos fortalecidos e com bênçãos.

Sat Nam!

May the long time sun

[Transcrição HariShabad Kaur Khalsa]

[GSK] Equilibrando os hemisférios cerebrais

Aula ministrada por Gurusangat Kaur Khalsa em 04 de setembro de 2015

 [GSK abre a aula.]

Hoje nós vamos direto para o kriya, que é um trabalho para ajustar três aspectos do cérebro. O aspecto da circulação; ao ajustar a circulação, você ajusta automaticamente as frequências daqui e dali, então as ondas cerebrais estão diretamente relacionadas à circulação, ou à quantidade de atividade circulatória em determinada região do cérebro – e a gente não quer um cérebro com a configuração de um lado alfa, o outro é beta, o outro é gama; a gente quer um cérebro com cada parte na sua frequência. O ideal do cérebro humano é que ele esteja inteiro na mesma frequência, e não importa qual das frequências. Quando ele está na mesma frequência, é capaz de criar um campo único para processar a informação, encontrar resposta e ter uma memorização impecável dos eventos. Então essa é a chave. E outra coisa importante que esse kriya faz é ajustar o hemisfério direito com o esquerdo. Esse ajuste equivale a abrir uma comunicação entre esses dois hemisférios.

Vocês querem saber o que acontece quando esses dois hemisférios não dialogam? A primeira coisa é: vocês escutam aí no Fantástico que o lado direito do cérebro é relacionado a quê? Intuição, criatividade… Na neurologia é tudo isso também, mas isso é feito numa base que não é a realidade. Ouviram isso? Não é a realidade, é a fantasia, a imaginação. Então desculpa dizer assim, mas é uma mentira. Na neurologia a gente diz que é o lado do cérebro que mente, porque ele interpreta e tira conclusões baseado numa suposição, numa imaginação.

ALUNA: É a mulher.

GSK: É a mulher. Exatamente. Esse é o lado feminino, a mulher está muito mais aí. Mas se você for homem, e em determinado momento da sua vida você estiver envolvido demais com um projeto, qualquer que seja, você tende a querer proteger tanto aquele projeto, tende a querer tanto dar vida àquele projeto, tem que dar vida a quê? À mulher. E aí você tende a descolar da realidade completamente. E fantasiar, e julgar, e tirar uma série de conclusões acerca de um evento, de um problema, que dramatizam aquilo a tal ponto para você ficar inflamado na defesa do projeto. Isso é quem? A mulher.

Vocês conhecem isso quando estão envolvidos num projeto? Isso é um infinitésimo da experiência de ser mulher. Então o lado direito, quando fica mais ativo e na defesa de uma ideia ou de um projeto, ele fica absolutamente deslocado da realidade, fora da realidade, e fantasiando.

O lado esquerdo é o quê? A lógica, a razão e tal. O lado esquerdo então é isso. [Dito de maneira irônica. A turma ri.] E ponto. Não tem grandes problemas, é a lógica, a razão. Absolutamente inserido num contexto e desinserido das outras coisas, mas absolutamente lógico e racional. Então o que a gente quer é misturar esses dois componentes, porque é uma coisa terrível você ter só um hemisfério funcionando, porque ou você vai ficar frio, descomprometido, numa lógica e numa racionalidade impossível de ser rompida, porque está absolutamente inserida na realidade – e vocês, mulheres, sabem do que estou falando quando têm que lidar com o homem. Embora vocês saibam que tem alguma coisa errada, não tem argumento, porque ele é absolutamente lógico e ligado na realidade. Está faltando um elemento de transposição daquilo tudo. Mas o outro lado também é terrível, porque você está só na mentira, só na fantasia.

Então essa aula faz com que esses dois mundos se juntem para você colocar lógica na fantasia, e colocar fantasia e criatividade na sua racionalidade. Aí você vira um ser humano completo, feminino e masculino trabalhando juntos.

Isso tudo é só para fazê-los entender que vocês são professores de Kundalini Yoga. Ontem eu estava fazendo uma consulta e a pessoa repetia para mim: “Eu não estou aguentando mais o meu marido”. Eu disse: “Então coloque em prática tudo que você aprendeu”, ela não estava colocando em prática o que aprendeu. Quantas mulheres aguentam o marido? E quantos maridos aguentam as mulheres? O casamento é o kriya mais difícil, mas existem aqueles que aplicam esses ensinamentos na relação e dissolve a tensão que existe de modo apenas a valorizar a relação.

Não adianta nada vocês fazerem isso tudo, saírem daqui e voltarem para seus hemisférios corriqueiros e continuarem vendo o mundo da mesma maneira. Vocês precisam aplicar, saber que precisam diversificar. Então vamos lá.

Kriya ministrado: Série de exercícios para equilibrar o cérebro. Manual Kundalini Yoga para Juventude, p. 42.

Meditação: Parte do kriya 

É importante levar a experiência dessa aula logo para a hora seguinte, quando a gente tiver que lidar com o mundo como ele é; você lembrar que é preciso ter os dois hemisférios do cérebro atuantes.

Lembrem-se sempre de que, como professores de Kundalini Yoga, vocês só vão ter um sistema nervoso que consegue operacionalizar a vida de vocês no tempo atual se tiverem campo radiante, e esse campo radiante se faz no Kundalini Yoga com os braços. Onde nós temos o maior acúmulo do sistema nervoso? No cérebro. O sistema nervoso é igual uma mulher nervosa, muito sensível; ela precisa fazer muita coisa, mas é muito sensível e irritadiça, e logo pega fogo. Para que uma mulher faça tudo que precisa fazer, ela tem de estar protegida, ela precisa se sentir protegida e amparada, e com o nosso cérebro acontece a mesma coisa. Então se você tem um grande campo magnético, um corpo radiante forte, o sistema nervoso não fica nervoso, ele apenas se sente protegido e faz o que tem de ser feito, igual a mulher. Yogi Bhajan dizia que o nosso cérebro é igual uma mulher, precisa estar muito amparado pelo campo eletromagnético para que possa executar suas funções sem dar tilt. São os braços que dão essa qualidade de proteção.

Muita gente entende mal no Kundalini Yoga que os braços são o cérebro. Não, na verdade, o cérebro é o intestino. Literalmente é o intestino, é o mesmo tecido nervoso. A pele. Mas os braços dão proteção para o sistema nervoso, porque aumentam o campo eletromagnético em torno da cabeça, aumentam o corpo radiante. Mas o cérebro é a pele. E onde a gente tem essa pele extremamente relacionada com a cabeça e com o cérebro, é o intestino. Por isso se diz na medicina ayurvédica que se o intestino não funciona, a cabeça não funciona.

Vamos então fechar nossa aula?

May the long time sun…

[Transcrição: Sat Bhagat Singh Khalsa]

O Toque do Mestre

Sat Nam queridos e queridas!

É com grande entusiasmo que anunciamos o lançamento de “O Toque de Mestre”, tradução para português do livro “Master’s Touch”, de Siri Singh Sahib Yogi Bhajan Ji.

A nova tradução é uma publicação da Abaky, que contou com o trabalho do tradutor e professor de kundalini yoga Sat Bhagat Singh Khalsa. O livro pode ser adquirido no Empório Nanak e pelo site: http://www.emporionanak.com.br/o-toque-do-mestre.html

Apresentação
“Este livro é voltado para todos os alunos da Verdade. Qualquer que seja seu caminho, estes ensinamentos o ajudarão a entender o verdadeiro significado do que é ser mestre. Nesta série de conferências chamada “O Toque do Mestre”, Yogi Bhajan, um dos professores espirituais mais pragmáticos dos nossos tempos, explica o caminho do professor – com humor, compaixão e senso prático dos desafios da vida cotidiana.
Aqui estão reunidos ensinamentos incisivos e inspíradores da Era de Aquário e para a Era de Aquário. Os alunos serão desafiados e revigorados com os exercícios de yoga, além de elevados com a prática das meditações. Yogi Bhajan oferece neste livro uma visão de mundo e um alcance de consciência diferentes de tudo que você já viu, proporcionando descobertas únicas sobre a personalidade humana.
– A mestria de Yogi Bhajan é multifacetada. Ele foi mestre de Kundalini Yoga, Mahan Tântrico e Chefe Religioso e Autoridade Administrativa do Sikh Dharma no Ocidente. Ele ensinou para pessoas no Ocidente e as inspirou durante quase 30 anos. Obteve o título de Ph.D. em Psicologia da Comunicação, usando-a com perfeita maestria em seus ensinamentos.
 
Diferente de qualquer professor dos tempos modernos, Yogi Bhajan usa a ciência sagrada do Kundalini Yoga para solucionar preocupações e problemas concretos do mundo moderno. Ele ensina que “A felicidade é um direito nato de todo ser humano”. Criou a Fundação 3H0 (Healthy, Happy, Holy Organization) para ensinar professores a compartilhar a tecnologia do Kundalini Yoga. Há mais de 2 mil professores de Kundalini Yoga em mais de 38 países.

capa

[GSK] Associando a alma ao coração

Aula ministrada por Gurusangat Kaur Khalsa em 28 de agosto de 2015

[Gurusangat abre a aula.]

Nós precisamos ter uma tremenda confiança no cerne do nosso propósito para podermos servir no tempo e no espaço. E se formos vítimas de qualquer tipo de injustiça ou quando vocês se sentirem impotentes, a coisa que mais precisamos fazer é associar o coração com a alma. Por que o coração tende a… sofrer. O coração tende a levar tudo para dentro. Como se você sentisse um aperto. Mas o coração também é uma ponte. Muitas vezes, quando a gente sente uma aflição, angústia, ansiedade, impotência, percebam que são sentimentos que te encolhem, mas não são sentimentos que te dão raiva, não te levam para o triângulo inferior, são sentimentos que te levam exatamente para o coração. Se eles fossem para o triângulo inferior, você sentiria raiva, vontade de se vingar. Não. Esses que estamos tratando aqui são sentimentos que espremem o coração.

Quando associamos a alma ao coração, essa é a única chance que temos. A alma associa sentimentos de expansão a esses sentimentos que tiram a nossa força nos comprimindo. Como a gente traduz isso em termos não românticos ou não literários? Por que o kriya vai fazer uma associação do coração com a alma em termos práticos. Mas como a gente interpreta e entende isso? Precisamos encontrar algum elemento nessa conexão com a alma que transforma a sensação de encolhimento e de “murchar”.

Vocês sabem que a alma é capaz de liberar sentimentos que nos expandem. Por exemplo?

ALUNA: Gratidão.

GSK: Está certo, mas gratidão é um sentimento que se aplica quando você está impotente?

ALUNOS: Não.

GSK: Gratidão pode até ajudar, mas vai ser lá no final. No momento em que você está sentindo a impotência e a angústia, gratidão não é um sentimento que te tira do aperto e te fazer expandir. Qual outro sentimento que vocês conhecem que vem da alma e pode te expandir?

ALUNA: Alegria.

GSK: Não, alegria é uma emoção.

ALUNA: Respeito.

GSK: Respeito é uma qualidade ética que vem. Mas quando você está angustiada, o respeito também não vai ser um sentimento que te expande. Vocês compreendem isso?

ALUNOS: Sim.

GSK: Nós estamos dizendo da angústia e da impotência.

ALUNO: Fé.

GSK: Você leu meus pensamentos. Fé. Só tem uma qualidade que é capaz de te tirar daquela angústia – que é a fé. Não existe outra, é uma qualidade que vem da alma. A impotência só é transmutada com a fé. E o que é a fé?

A fé não é uma passividade, não é uma espera passiva. A fé como espera passiva é a definição de quem? Da religião. No Dharma, a fé não é uma espera passiva. A fé é uma espera ativa. Por quê?

ALUNO: Porque você se coloca como parte da esperança? Como uma plataforma para o outro e para o mundo.

GSK: Mas como você faz isso?

ALUNA: Ação?

GSK: Vamos voltar ao caso – o caso é de angústia e impotência. De uma pessoa se sentindo presa. A qualidade que tira a pessoa desse lugar é a fé. Fé em que, se não é uma espera passiva? A espera passiva é uma fé em quê?

ALUNOS: Num salvador, num Deus fora.

GSK: Eu sei que se vocês me disserem que é num Deus dentro, eu vou dizer “Sim!”. Mas como? Por quê? Então não vou aceitar respostas rasas. A fé ativa o que dentro de você?

ALUNA: A continuidade da sua missão e do seu propósito.

GSK: Isso é uma resposta correta, mas podem haver outras respostas. Mas essa resposta quer dizer que você deveria colocar mais peso no seu trabalho do que no seu encolhimento. Então você pode sofrer, pode ter caganeira, pode ter dor de cabeça, mas você tem de continuar trabalhando, você precisa manter o compromisso. A fé ativa é quando o sentimento de impotência não é suficientemente grande para te tirar do seu compromisso – ele não é grande porque você não o deixa ser, porque senão ele seria. A palavra fé, no Dharma, é idêntica a compromisso. Uma fé dhármica é um compromisso.

Aí entra uma segunda qualidade, porque se você se mantém no compromisso e você se sentiu impotente, o compromisso vai acabar te expandido. Então fica um residual do sentimento de um desejo de restaurar a honra, ou a justiça. Ficamos aguardando. O sentimento que faz com que a justiça seja feita também se relaciona à alma e ao coração – que é a qualidade da paciência convicta de que a verdade prevalece. Paciência convicta. E isso pode demorar vidas. Às vezes isso demora vidas para esse resgate ser feito. A conduta é como a que o Yogi Bhajan sempre teve: “Eu vou fazer meu trabalho, fazer o que tiver de ser feito e pacientemente confiar na justiça. Minha fé é que eu servindo meu propósito e sendo genuíno, a justiça será feita”.

Essa aula de hoje foi dada nos anos 1970, e uma das notas que ele fala nessa aula é que: “Todo ser humano que começar a andar no seu destino, no caminho existencial da alma, será confrontado e será acusado. Porque uma pessoa que é autêntica abala o lugar comum onde a massa se esconde”. Então vamos lá?

Kriya ministrado: Heart and soul  (Manual Transitions to a Heart-Centered World). 

GSK: É muito importante a gente entender, no Kundalini Yoga, o que é esse centramento no coração. Não é uma coisa romântica-emocional, mas sim ser capaz de experimentar de forma profunda os valores que residem na alma. E vocês podem treinar isso na comunicação de vocês – não percam a conexão com a alma quando comunicarem a partir do coração. Se vocês comunicam a partir da angústia ou da frustração de vocês, vocês se desqualificam e perdem a conexão com a alma. Toda vez que vocês se colocarem num lugar superior e colocarem o outro num lugar inferior, vocês nunca vão alcançar o coração do outro. Não há conversa assim. O outro vai te responder para te atacar e você vai responder para manipular, para se impor, nunca vai haver uma conversa. Você precisa saber se conter, saber pisar no seu freio. Vocês precisam ser um elo para compreensão e não para a punição do outro. E vocês escutaram um Shabad hoje que dizia:

Kirpan Gopal Gobinde – A sustentação vem com a compaixão e com a luz.

Sustentação é quando a compaixão se traduz em compreensão: Kirpan Gopal Gobinde. Assim se criam relações. Quando se associa Kirpan (compaixão) com Gopal (luz) para que haja Gobinde (sustentação).

May the long time sun shine upon you…

Sat Nam Wahe Guru

[Transcrição Hari Bhagat Singh Khalsa]

[GSK] Perdendo o medo do desconhecido

Aula ministrada pela Gurusangat Kaur Khalsa em 21 de agosto de 2015

Bom dia, Sat Nam!

Hoje vamos fazer um kryia para equilibrar os chakras e os órgãos correspondentes. E eu gostaria de rever um pouco com vocês esse sistema de proteção e propulsão que nós temos. No Kundalini Yoga, não existe gafe maior do que um professor dizer assim: “Vou ajustar seu primeiro chakra porque o sétimo está muito ativo”. É uma gafe absurda descontextualizar os chakras.

Os chakras existem num contexto, e esse contexto tem dois grandes propósitos: proteção e propulsão. Quem fez o Coaching Aquariano sabe do que estou falando. Um é o modo de crescimento e outro é quando você está em modo de recuperação. Nós não precisaríamos dos sistema de chakras se fôssemos usar apenas nossa defesa animal, porque nossa defesa animal, aquela reativa, já está bem trilhada e formada em nosso corpo. Nosso corpo tem uma ação que na neurologia a gente chama de ação reflexa. O que acontece é que o outro tipo de defesa que o sistema de chakras se dispõe a fazer é muito qualificado e requintado. E o sistema de chakras surge no ser humano na medida em que a parte mais evoluída do cérebro surge.

Os animais têm um sistema de chakras muito diferente, em que o máximo deles é o nosso mínimo. E o máximo dos animais é o nosso triângulo inferior. Nós começamos evolutivamente no mínimo e evoluímos de uma forma tão requintada, tão fina no nosso sistema de defesa, que temos o triângulo superior, que foi uma evolução que surgiu junto com o cérebro. E é esse o lugar do sistema de chakras que está disponível para nosso uso. Mas acontece que a gente não faz uso dele (dos chakras superiores) para uma defesa animal porque não temos uma reação de defesa do triângulo superior que seja de forma reflexa. Então a forma reflexa da defesa do triângulo superior é algo que precisa ser conquistado. E conquistar esse triângulo superior é basicamente nosso objetivo na vida. No momento em que conquistamos esse sistema, uma coisa maravilhosa acontece conosco. Tudo que serve para nos chacoalhar, nos confrontar, nos tirar do lugar comum, e que numa defesa animal a gente rechaça, numa defesa superior, é justamente ali que está disposto para a realização do nosso destino.

Na medida em que você conquista uma ação reflexa no seu triângulo superior, você está garantindo realizar aquilo que você veio para realizar e pagar sua conta aqui. Para agirmos de acordo com a acão reflexa do triângulo superior a gente precisa de oportunidades. Falta oportunidade para alguém aqui para se sentir mal? Então, muitas vezes o que falta é tempo. Às vezes a gente precisa cair 500 vezes, às vezes precisa cair 500 mil vezes. O tempo é livre e é deslimitado. Por isso, o que a gente quer é acelerar esse processo e é pra isso que a gente vai trabalhar na aula de hoje.

Kryia ministrado: Equilibrando os Chakras e órgãos correspondentes (Livro: Transformation – volume I)

Observação sobre mantra “Har Wahe Guru Har Sat Nam”. GSK: Esse mantra pode mudar a sua ação reflexa. Ele elimina a dor na hora da morte. É uma morte a gente não se submeter ao desafio. Entoe com grande respeito.

Vamos fazer agora uma meditação (Aap Sahae Hoa) para comandar os cinco tattvas e perder o medo do desconhecido. Mas aí você diz: “Ah, eu sou uma pessoa muito destemida”. As pessoas muito destemidas tem um tipo especial de medo do desconhecido que é aquilo que as derruba: que as faz ficarem guerreiras, mas não santas guerreiras. A terem sempre uma visão míope e amedrontada de quem aos seus olhos aparece absolutamente errado. Um julgamento em que o outro é absolutamente errado se fundamenta no temor de entrar em contato com aquilo que é absolutamente diferente de mim. Isso fere o princípio que o Yogi Bhajan ensinou segundo o qual, numa comunicação consciente, não importa o que você sente, o que você sabe ou o você quer, importa o tanto que você conhece o outro e o quanto você pode entrar no outro. Uma das coisas que o Guru Gobind Singh mais ensinou na vida dele, o legado principal dele – além de ser a absoluta igualdade e o direito de todos existirem na excelência –, foi que você precisa entrar no universo do inimigo. Você precisa ser capaz de se sentar e conversar com seu inimigo sem nenhum tipo de medo.

O ideal é fazer essa meditação com a versão do Gurudass, porque ela tem uma freqüência que restaura o estado de graça. E é justamente essa radiância que leva a gente a respeitar o adversário. Preciso dizer uma coisa, eu gosto demais de séries de época e assistindo a uma delas esses dias, o personagem de um príncipe disse a seguinte frase: “Um dos sinais mais importantes da realeza é que a pessoa tem que ter generosidade e elegância”. E esse elemento foi algo que o Guru Gobind Singh trabalhou demais. E lembrem-se que o Guru Gobind Singh levou os párias para a realeza, seguindo o princípio do Guru Nanak completo: não vamos viver numa sociedade igual igualando todos por baixo, vamos viver numa sociedade igual distribuindo a riqueza. Uma das coisas importante para ele era a elegância – não só no modo de vestir, mas de falar e agir, essa elegância da casa real do Guru Ram Das –, e a generosidade. Vocês veem que não são só aqueles que nascem em uma casta que podem desenvolver isso. Nós também podemos desenvolver generosidade porque ela é base fundamental de nossa prosperidade. E uma das coisas que mais nos leva a nos recolhermos diante do desconhecido é a nossa falta de generosidade. Nós somos pouco generosos com o desconhecido. Esse mantra faz com que o nosso corpo radiante aumente tanto – um momento em que o corpo radiante explode é o momento em que não estamos mais inseguros –, que estamos cheios de infinito. Nesse momento é muito tranquilo lidar com a feiura da oposição.

Yogi Bhajan diz que a prática dessa meditação nos ajuda demais a lidar com a animosidade. Todas as vezes que a gente progride demais a gente atrai animosidade. São as quadraturas. Não tem jeito. A sombra é proporcional à luz. Nessa atração da animosidade você precisa não ficar reativo. Você precisa interagir. Esse mantra é para isso também.

May the long time sun shine upon you…

Sat Nam Wahe Guru

[Transcrição Hari Shabad Kaur Khalsa]